Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, tenho 39 anos, sendo natural de Moçambique, resido, na actualidade, na Malaposta, Anadia. Apesar de gostar de banda desenhada desde os cinco - sobretudo devido à minha mãe ter uma papelaria na época - aprecio e colecciono a unanimemente considerada mais popular personagem do fumetto (banda desenhada) italiano, Tex Willer, desde os meus 13 anos!
Uma paixão resultante de um amor à primeira vista, uma vez que fiquei cativado pela personagem assim que li a sua primeira história, quando, em 1980, os meus avós foram morar para Vila Nogueira de Azeitão e, durante as limpezas no sótão da habitação, descobri uma velha caixa com dezenas de livros de banda desenhada no seu interior, entre elas o Tex 94, “Pacto de Sangue”, uma aventura completa e que apresentava o casamento de Tex.
Essa paixão continua até hoje, pois a curiosidade e a gula com que li a primeira história permaneceram sempre pela vida fora, porque quem lê Tex não consegue ficar indiferente ao ranger. Tex tem o condão de fascinar logo no primeiro contacto por ser uma personagem com carácter humanitário que, embora vivendo num ambiente hostil e selvagem, sempre luta para fazer triunfar a justiça. Tex representa para mim o irmão mais velho, o grande companheiro e amigo. Com ele fui consolidando princípios e valores como a honra, a honestidade e a integridade, já que Tex sempre coloca a justiça acima da lei. Vivemos num mundo tão complexo e onde a violência predomina, repleto de injustiças e discriminação e isso faz-nos ansiar por uma divindade capaz de acertar o passo da humanidade. E Tex Willer é a personificação procurada. Tex transcende até os seus criadores.
Tex é unanimidade entre aqueles que o encontram e entendem a mensagem que ele passa: não às injustiças, solidariedade com os amigos e necessitados, coragem a toda prova, humor e seriedade na medida certa, obstinação e motivação na observância da lei... são ingredientes que ajudam a solidificar Tex e mantê-lo aceso nas nossas mentes.
Desde os meus primórdios, vi nascerem muitas personagens, que alcançaram admirável sucesso, mas pereceram diante das adversidades. E Tex, herói de um tempo passado, continua presente, actual, ajudando-nos a suportar as mazelas do nosso tempo, mostrando a cada novo número, a cada nova história, que o caminho certo é o do bem, da lei e da justiça.
Mas Tex não me proporciona apenas horas de leitura apaixonada porque, através dele, são inúmeros os amigos que tenho feito ao longo dos anos em vários países. É maravilhoso descobrir como Tex quebra barreiras, constrói pontes e cria fortes laços e o que começou por ser apenas uma colecção de Banda Desenhada, com o passar dos anos, passou a ser uma colecção de todo e qualquer objecto, que de certo modo tenha a ver com Tex Willer.
Com o honroso convite dos organizadores do Salão Moura BD, que depois de reunidas as condições de segurança apropriadas para o efeito, aceitei de pronto com muito orgulho, pretendo com esta exposição, para além de divulgar mais a personagem, oferecer uma visita guiada ao mundo deste cow-boy que está prestes a completar sessenta anos de vida, já que cavalga sobre as pistas do selvagem Oeste desde 1948, ano em que se iniciou nas bancas italianas.
Uma vez que a colecção foi crescendo, vinte e sete anos depois são mais de 2000 os objectos que possuo e onde se encontra de tudo um pouco que respeite a Tex Willer, desde que a personagem foi criada pelos saudosos G.L. Bonelli e Aurelio Galleppini.
É um mundo que não olha a fronteiras, porque dele fazem parte publicações e objectos de praticamente todo o mundo, que já fizeram inclusive que fosse citado em edições brasileiras, italianas e finlandesas. Destacam-se sobretudo as colecções completas das revistas Tex brasileira e italiana e álbuns em 18 outras línguas, dos mais variados formatos e idades, inclusive a única edição portuguesa, na qual tive o privilégio de colaborar, para além de originais, pósters, camisolas, puzzles, selos, o filme "Tex e o Senhor dos Abismos", filmes de desenhos animados, postais, marcadores de página, pins, porta-chaves, tapetes de rato, catálogos, pinturas, cromos, estatuetas e até um maço de cigarros "pirata" de Tex ou por exemplo um cardápio de Tex!
Além disso há objectos especiais e únicos como por exemplo a caneta de nanquim, autografada e com uma belíssima dedicatória, com a qual Marcos Maldonado legendou, durante décadas, muitas edições brasileiras de Tex, ou alguns desenhos de Tex, inéditos e exclusivos, feitos por desenhadores que juntaram a sua dedicatória, inclusive alguns desenhados pelo próprio Fabio Civitelli, o autor estrangeiro homenageado nesta edição do Salão, objectos que estarão expostos em Moura na sua grande maioria e que decerto serão apreciadas pelas gentes que visitarem o Salão.
Texto de José Carlos Francisco, integrado no programa-catálogo MouraBD2007
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Nas capas
Essas palavras só invocam os seres das trevas
Continue desenhando que você prome
Parabéns pela entrevista, mas ficou faltando