12 de Outubro de 2007

Tex na Argentina: Ascensão e queda do Ranger italiano

Em 10 de Outubro de 1949, cerca de um ano após o seu nascimento na Itália, foi na Argentina, que pela primeira vez em toda a América, apareceu no número 1 da revista semanal “Rayo Rojo” (revista que apresentava uma tira por página) da editora Abril de Buenos Aires, o western italiano Tex Willer (rebaptizado de Colt Miller ou também de Colt, o Justiceiro) de Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, que obtém rapidamente um notável sucesso, apesar dos seus autores não serem conhecidos, dado que, os seus nomes não eram mencionados, facto que para dizer a verdade, na época não interessava muito ao leitor.

Rayo Rojo era uma revista de aspecto humilde e cuja medida não ultrapassava os 15 x 6,50 cm, enquanto as outras revistas semanais tinham todas um formato maior, mas o certo é que a revista tinha tiragens extraordinárias graças ao western italiano.

A revista da Abril hospedou com o tempo outros personagens originários da Itália como “Bill contra la atomica”, “Gordon Jim”, “Ted el heroe del espacio”, “Kim de la nieve”, etc. Mas sem dúvida que Tex continuou a ser a série mais apreciada do público argentino de Rayo Rojo, que vendia milhares de cópias.
Em 1953, porém, acontece um facto que se revelou fundamental na mudança de gosto popular em desfavor do personagem italiano. Na revista também semanal, Misterix, irmã mais velha de Rayo Rojo, iniciou-se a publicação de El Sargento Kirk, um western escrito por Oesterheld e desenhado por um quase desconhecido Hugo Pratt. Era uma série que poderemos classificar “para um público adulto”, que agradava imenso aos fãs do western. O Sargento Kirk torna-se quase imediatamente um sucesso irresistível, originando tiragens espectaculares para a revista Misterix. Era produzido na Argentina e poderemos considerá-lo responsável pelo nascimento da banda desenhada do género western para adultos.

Tex não se ressente de modo drástico desta “concorrência”, mas Rayo Rojo começou todavia a sofrer diminuições importantes das suas tiragens, enquanto Misterix as aumentava graças ao Sargento Kirk. Os responsáveis de Rayo Rojo, ou seja, a editora Abril, verificando que as vendas da revista diminuíam e não confiando suficientemente em Colt Miller , decidiram modificar o aspecto da revista e juntaram novos personagens realizados por outros profissionais, além de modificarem o formato inicial, aumentando-o para um tamanho ligeiramente superior, 18 x 9 cm, passando deste modo a revista a ter duas tiras por página, em vez de uma, como até então.

Assim, com uma nova capa matizada desenhada por um magnífico ilustrador chamado Csecs, começaram a ser publicadas no número 297, datado de 13 de Junho de 1955, novas séries como “Uma-Uma”, de Sotano Lopez – Oesterheld, “Mart Cabot” de Carlos Vogt – Ongaro e “El Indio Suarez” de Carlos Freixas – Oesterheld, sem entretanto ser interrompida a publicação do mítico Tex, seguido por muitos fãs do western italiano que jamais o abandonaram.

Foi o próprio “Indio Suarez”, uma série que narrava a história de um pugilista argentino em Nova York , a derrotar definitivamente a preferência dos leitores por Tex. As grandes tiragens da pequena revista semanal da Abril voltavam assim ao sucesso dos velhos tempos, enquanto Misterix continuou com o sucesso reconquistado por Sargento Kirk, até 1975, ano em que o personagem terminou a sua aparição na revista, sendo substituído por um outro western de qualidade, “Joe Gatillo”, do duo Ray Collins no argumento e Carlos Vogts nos desenhos, que sucede no posto de Kirk com igual grado perante os leitores. Oesterheld continuou a produzir westerns de qualidade, como por exemplo “El Mezcalero”, com desenhos de Ivo Pavone, “Leonero Brent”, desenhado por Jorge Moliterni, “Randall the Killer”, com desenhos de Arturo Del Castillo, e “Verdugo Ranc”, desenhado também por Pavone, enquanto Tex continuou a perder admiradores porque era considerado pelos novos leitores como uma literatura de evasão, de rápido consumo, para passar o tempo, ou seja, uma aventura, pela aventura. Precisamente o contrário do que produzia o escritor argentino, que propunha histórias com conteúdos muito mais profundos.
Assim se prefigurava o fim de Tex na Argentina, fim que chegou em 1963, pouco antes que Rayo Rojo se interrompesse em 1964.

De seguida, uma curiosidade ainda relativa a Tex. Vemos um exemplo da remontagem das tiras de Tex para o formato de Rayo Rojo, que impunha por vezes o acrescento de legendas não existentes na versão italiana. 



Anos mais tarde, Tex retornou à Argentina, se bem que através das edições espanholas da editora Zinco e ao que apuramos obteve pouquíssima procura nas bancas argentinas. O mesmo aconteceu mais recentemente, quando em 2002, a editora espanhola Planeta deAgostini lançou a colecção Biblioteca Grandes del Cómic: Tex, uma edição primorosa em formato italiano, com 160 páginas e novamente o público argentino não correspondeu à iniciativa. Tanto na Argentina, como na Espanha...

Produção própria

Como já se disse, Colt Miller, aliás Tex Willer, foi por anos o personagem de ponta de Rayo Rojo, ao ponto da sua ausência na revista ser considerada inaceitável pelos leitores. Por essa razão, para os números extra (Super Rayo) onde eram necessárias histórias mais breves para poderem ser publicadas completas, os editores foram constrangidos a recorrer a histórias apócrifas do personagem, realizadas por profissionais que não tinham nada a ver com a produção italiana. Tratavam-se de Julio Almada (pseudónimo de Julio Portas), nos argumentos e Carlos Cruz, espanhol, nascido a 1 de Julho de 1930, nos desenhos.

Foram realizados na Argentina, sem conhecimento da matriz italiana, um total de oito episódios de Colt Miller (cinco para Super Rayo Rojo e três para Super Misterix), todos eles creditados aos seus autores argentinos, ao contrário do acontecido com as histórias oriundas da Itália.
           

Para finalizar o texto, uma curiosidade sobre o desenhador das histórias do Tex feitas na Argentina. Carlos Cruz foi escolhido propositadamente por ser um "copiador" perfeito, ou seja, o estilo do desenhador era imitar o traço do desenhador que editor precisava. Neste caso, ele imitou Galep…

Texto de Jesus Nabor Ferreira e José Carlos Francisco.  
Fonte:
Fumo di China #149, de Abril de 2007

Escrito por Autores do blogue em 20:32:15 | Link permanente | Comments (0) |

08 de Outubro de 2007

Tex na Finlândia (1953-2007)

O primeiro Tex finlandês foi publicado no Verão de 1953. Até ao ano de 1965, uma média de 26 edições eram publicadas anualmente. O formato era pequeno: uma edição continha 32 páginas e cada página compreendia somente uma tira de desenhos. Não obstante isso, Tex foi um sucesso instantâneo na Finlândia. Mas a publicação de Tex foi interrompida subitamente em 1965. Muitos leitores descobriram, desapontados, que a última história tinha ficado incompleta. A história era L'enigma del feticcio (título italiano) e somente no ano passado foi inteiramente publicada. Os velhos fãs finlandeses de Tex tiveram que esperar 40 anos para finalmente poder ler o final daquela história. 

O retorno nos anos 70

Após um intervalo de seis anos, Tex estava de volta à Finlândia. Desta vez com o novo e correcto nome na capa: Tex Willer. O tamanho da revista também havia sido mudado. Era maior e agora cada edição possuía 128 páginas. Tex Willer atingiu imediatamente, e mais uma vez, um grande sucesso. 

Mas havia o fato de que a Finlândia estava bem atrás da Itália, onde as histórias tinham sido publicadas de maneira ininterrupta e a uma velocidade bem grande. Como resultado, essas histórias, publicadas na Itália naquele período, foram espalhadas de maneira desordenada entre as publicações do Tex finlandês durante os anos de 1971-1986. Algumas vezes isso provocou algumas pequenas confusões. Por exemplo, a história com a estreia de El Morisco foi publicada na Finlândia somente em 1985. E, previamente, já haviam sido publicadas outras histórias com El Morisco. Resumindo, a ordem original italiana de publicação foi mais ou menos misturada na Finlândia durante esse período. Ainda hoje, há algumas poucas histórias que ainda não foram publicadas. 

De 1971 a 1978 houveram 12 edições publicadas anualmente. Em 1979 foram 13 edições e em 1980 o número subiu para 16. Logo o número de páginas foi fixado em 114. Ainda hoje temos 16 edições anuais. No que se refere a Tex, a Finlândia tem colaborado com os outros países nórdicos e a "versão nórdica" de Tex foi também vendida para outros países como Holanda, Alemanha e Inglaterra. Hoje em dia a colaboração continua somente com a Noruega.

O primeiro Texone finlandês foi publicado em 1998 e desde então tem havido uma média de dois Texoni por ano. A série Maxi Tex foi lançada em 2003. Alguns dos nossos Maxis também incluem material antigo de Tex dos anos 50. A Finlândia não possui a série Almanacco del West, mas algumas daquelas histórias têm sido publicadas na série normal mensal. Uma série própria finlandesa, chamada Crónicas de Tex Willer, contém reedições dos anos 70.

Além disso, dois livros finlandeses sobre Tex Willer foram escritos já no século 21 pelos fãs e pesquisadores de histórias em quadradinhos,   Ilpo Lagerstedt e Janne Viitala. Concluindo, pode-se dizer que o Tex finlandês está muito bem no século 21, do mesmo jeito como esteve nas duas décadas anteriores.
      
        

Há algumas histórias interessantes relacionadas a Tex na Finlândia. Quando os leitores finlandeses de Tex ouviram falar pela primeira vez do filho de Tex, o tradutor havia cometido um erro e como resultado Tex referia-se na história à sua filha! Bem, esse foi um erro humano e a verdade foi depois revelada aos leitores.
        
      

Outra história que também tem a ver com os tradutores; o tradutor de longa data do Tex finlandês, o legendário Renne Nikupaavola, que havia começado a traduzir Tex em 1971, foi subitamente obrigado a encerrar seu trabalho em 1974. A razão foi que a linguagem do material original entregue aos editores finlandeses mudou para o italiano (antes era em inglês). Entretanto, Nikupaavola não desistiu mas persistentemente estudou italiano e retornou em 1979. Desde então ele tem traduzido quase todas as publicações finlandesas de Tex.

Texto de Ville Mäkelä com a colaboração de Janne Viitala. Tradução de Fernanda Martins.

Imagens enviadas por Janne Viitala.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 00:55:57 | Link permanente | Comments (0) |

19 de Maio de 2007

TEX WILLER nasce na Rússia!

A popularidade de Tex Willer parece não ter limites, pois acaba de se saber que a mais popular personagem da Sergio Bonelli Editore começou também a ser editada na Rússia através da editora "Green Cat".

Para além de Tex, outra três consagradas personagens da casa matriz italiana, Martin Mystère, Dylan Dog e Mister No também estão nas bancas russas para deleite dos apreciadores da banda desenhada daquele longíquo país de Leste. 



 

Mostramos de seguida para vosso conhecimento, as capas dos dois primeiros números russos de Tex Willer: 

 

Mais informações no site russo http://www.greencatcomics.ru/


Escrito por Autores do blogue em 03:03:04 | Link permanente | Comments (0) |

04 de Fevereiro de 2007

Pelas trilhas Europeias com Tex e seus criadores!

Europa, Outubro de 2006
O Map24 é um site notável para quem viaja de carro. Ele descreve toda a rota que se deve seguir, detalhadamente, de um endereço qualquer no mundo até ao destino que se quiser alcançar. Isto é, se o seu endereço final não for uma rua no centro de Milão. Aí não há tecnologia que resista ao caótico trânsito da cidade italiana, onde até para o guarda de trânsito se buzina e o sinal de tráfego parece apenas decoração natalícia.  

Mas, para três pards acostumados a cavalgar por várias pradarias, e com o auxílio do quarto pard enviando sinais de fumo pelo telefone, chegar finalmente ao Hotel Washington, nosso destino final, não foi tarefa impossível. A ansiedade tomava conta de todos nós. Nenhum dos três era marinheiro de primeira viagem à Sergio Bonelli Editore, mas uma dos pards ainda era marujo, acompanhado de dois já experimentados capitães.

Estacionar o carro na frente do Hotel foi outra aventura. Depois de pararmos em um local inadequado, descobrimos que afinal de contas não estávamos errados: em Milão é normal estacionar (e até conduzir!) nos passeios. Na Itália como os italianos, deixamos então o carro devidamente estacionado e nos pusemos a percorrer a pé (sim, porque depois de toda a experiência que passamos, aquele carro só iria sair dali na hora de irmos embora) os poucos quarteirões que nos afastavam do mítico número 38 da Via Michelangelo Buonarroti.

No caminho relembramos a nossa trajectória até ali. Encontramo-nos quatro dias antes, na Holanda, onde reside a texiana brasileira, Fernanda Martins. De Portugal veio José Carlos Pereira Francisco, representante da Mythos Editora nesse belo país à beira-mar plantado, e um dia depois, do Brasil, chegou Dorival Vitor Lopes, editor de Tex, Zagor e outros títulos Bonellianos.

Os dois últimos parceiros conseguiram miraculosamente atravessar as tentações (do Free Shop, dos bares, e outras mais) de um dos maiores aeroportos europeus, o Schiphol, e fazer a via crucis até às malas, saindo intactos pelas portas automáticas que dão aceso à sala de espera do aeroporto.

E a nossa aventura texiana começou ali mesmo, nos Países Baixos, numa visita a uma feira de banda desenhada, onde editoras, distribuidoras e pessoas vendiam e trocavam revistas aos quadradinhos em vários stands.

À porta fomos especialmente recebidos por Erik, grande coleccionador de Tex e webmaster do site holandês de Tex Willer (
www.texwiller.nl), e seguimos com ele até seu stand onde encontramos também Edward, outro notável fã do nosso ranger.

Da Holanda seguimos para a Itália, passando pela Alemanha e acampando em Basileia, na Suíça, para deixarmos os cavalos descansarem.  

Enfim estávamos em frente à SBE. Falar com o porteiro do edifício, entrar no elevador e tocar a campainha do 1º andar foram aceleradores de batidas cardíacas. O nosso primeiro contacto foi com Giulio Terzaghi, director administrativo da editora, já conhecido de Dorival e José Carlos, aquando da viagem realizada há 4 anos (ver Tex 396 e 397). Após os cumprimentos iniciais, Giulio pôs-nos à vontade para entrar pela editora dentro e conversar com as pessoas que lá trabalhavam, Nesse momento tivemos a notícia de que Claudio Villa estava a telefonar para a editora confirmando a sua visita no dia seguinte para nos honrar com a sua presença e dessa forma nos conhecermos pessoalmente.
           

Descemos então ao piso térreo. Num esconderijo secreto, no meio da Floresta de Darkwood encontramos um dos verdadeiros espíritos atrás da machadinha: Moreno Burattini. Tão empolgado com a nossa visita quanto nós ao estarmos ali com ele, Burattini mostrou-nos algumas pranchas de uma nova história de Zagor que se passará na Bahia, Brasil. História essa por conta de uma viagem que Zagor realizará à América do Sul e que deverá estrear nas bancas italianas em 2008, integrada num ciclo de dez histórias. “Rivolta a Bahia” é o título provisório da aventura em que Zagor irá ao Brasil, escrita por Mignacco e com desenhos de Della Monica. Desenhos maravilhosos, cujas páginas iniciais tivemos o privilégio de visualizar. Com detalhes minuciosos vimos o Pelourinho e rituais de macumba retratados com a perfeição de quem parecia ter sempre vivido na Bahia. Burattini concedeu-nos também o privilégio de ver algumas pranchas da edição 500 de Zagor, um número centenário e que de acordo com a tradição bonelliana, terá os desenhos de Gallieno Ferri, coloridos.

Subindo novamente ao primeiro andar, fomos visitar o nosso incansável amigo Roberto Paravano, o fiel guardião dos tesouros texianos da “casa editrice”. Entre um telefonema e outro, comendo o seu lanche ao mesmo tempo em que atendia o pessoal interno, Roberto, deu-nos uma atenção impagável.

 


Na ausência de Sergio Bonelli naquele primeiro dia, tivemos a honra de sermos recebidos pelo já conhecido Decio Canzio, director geral da editora e também argumentista de Tex no passado. Uma pessoa sempre agradabilíssima que, apesar da idade, ainda comandava (entretanto aposentou-se) com pulso de ferro a SBE.

E como se não fosse bastante, nesse primeiro dia tivemos ainda o privilégio de conhecer pessoalmente Corrado Roi, afamado desenhador, sobretudo de Dylan Dog, e que também é responsável pelas capas de uma nova revista bimestral, chamada “Dylan Dog Granderistampa”, que apresenta em ordem cronológica os primeiros episódios da série, em volumes de mais de 300 páginas.

 

 

 

 

 

 

 

Revimos ainda Ornella Castellini, secretária administrativa, Luca Crovi, responsável pelas matérias nos Almanaques, dos quais é o responsável e Maurizio Colombo, o criador, juntamente com Mauro Boselli, da personagem Dampyr, para o qual também produz argumentos e roteiros. José Carlos e Fernanda, verdadeiros “paparazzi”, registavam tudo para a posteridade, disparando as suas máquinas fotográficas, entre um e outro autógrafo.


O segundo dia da nossa estada em Milão foi repleto de emoções inesquecíveis. Para começar tivemos o prazer da companhia do nosso quarto pard, o italianíssimo Gianni Petino, refeito de uma febre que o acometera no dia anterior. Juntos, os quatro, entramos mais uma vez na casa dos sonhos de papel e acompanhados por Alfredo Castelli, criador de Martin Mystère, que também chegava no preciso momento à editora e que assim também tivemos o prazer de conhecer.

Enquanto aguardávamos a chegada de Sergio Bonelli, andamos um pouco pela editora e aproveitamos para rever e parabenizar Mauro Marcheselli, argumentista de Dylan Dog, e autor de algumas das melhores histórias do investigador do pesadelo, como "Il lungo addio", "Johnny Freak" e "Finché morte non vi separi”, pela recente promoção a redactor chefe central. Marcheselli apresentou-nos Michele Masiero, um actual argumentista da personagem.

 

 

 

 

 

 

Finalmente vivemos um dos momentos mais aguardados nesta viagem: conhecer pessoalmente o desenhador Claudio Villa. Sempre com uma simpatia inexcedível, tivemos o prazer de apreciar os desenhos que ele havia feito para a capa de uma edição especial de Tex, assim como a capa da edição de Dezembro, enquanto nos ia explicando os pormenores, com toda a atenção e carinho. Do original em tamanho 25x35cm é copiada uma reprodução em tamanho A4 que o artista faz questão de colorir à mão. 
 
 

 

 

 

 

 

Aproveitamos a sua presença, para tirar algumas fotos com um boneco do Tex, em tamanho real, desenhado pelo próprio Villa, e depois, usando a mesa vaga de Mauro Boselli, em questão de minutos, das suas mãos mágicas surgiram quatro desenhos de Tex, tanto como ranger quanto como Águia da Noite, com os quais ele nos presenteou a cada um de nós, com uma dedicatória pessoal.


 

 

 

 

 

Com um sorriso inapagável no rosto, somente um grande artista e uma grande pessoa como ele, é capaz de ter a humildade que ele demonstrou e proporcionar momentos especiais como estes aos seus admiradores.

Depois seria a vez de conhecer o criador de Mágico Vento e agora também argumentista de Tex, Gianfranco Manfredi, que nos brindou a todos com fotos e edições de Mágico Vento autografadas.

Eis que, algum tempo depois, surge Sergio Bonelli, que havia retornado de uma viagem a Rovereto. Após os cumprimentos, conversamos agradavelmente durante quase uma hora, mergulhados naquele ambiente cheio de revistas, de cartas, de desenhos originais, um local sagrado e de culto para qualquer fã do mundo Bonelli e onde mais uma vez, o trabalho da Mythos Editora para com as personagens Bonelli foi reconhecido e parabenizado.

 

 

 

 

 

 

 

Chegava rapidamente a hora do almoço e Sergio Bonelli levou-nos a todos, inclusive seu filho Davide e algumas pessoas do staff da editora, a almoçarmos num agradável restaurante italiano. Éramos treze à mesa e a conversa fluiu perfeitamente, numa mistura de inglês, português e italiano até que finalmente chegou a hora de nos despedirmos de toda aquela gente, excepção feita ao Sergio Bonelli, já que este dedicaria grande parte do dia de sábado a nós, almoçando e jantando connosco.   

Sábado que começou bem cedo, às portas da editora, local para onde fora marcado por diversos amigos italianos do fórum Spiritoconlascure, um encontro bonelliano aproveitando o facto de estarmos em Milão e assim nos quererem conhecer. Para agradável surpresa nossa, vieram amigos de bem longe, alguns de avião, outros de comboio, algo que mostra bem a forma carinhosa e interessada com que fomos esperados, e prova uma vez mais que Tex quebra barreiras, constrói pontes e cria fortes laços de amizades.

Sergio Bonelli, sabendo deste encontro bonelliano em honra dos nobres viajantes de língua portuguesa, abriu excepcionalmente as portas da redacção (algo sem precedentes, diga-se de passagem) reunindo-se connosco, durante mais de duas horas, debatendo a situação e a história dos fumetti ao longo dos anos e respondendo às inúmeras perguntas que lhe eram feitas, para enorme felicidade de todos os presentes, mostrando como a sua memória está em grande forma. E o grande Mestre ia respondendo, ora em italiano, ora em português, para que também nós pudéssemos compreender as questões colocadas e as respectivas respostas.


 

 

 

 

 

 

Sergio falou também um pouco das suas viagens ao Brasil, em particular a São Luís do Maranhão, terra que viu nascer a Fernanda, mostrando ser uma pessoa esplêndida e de uma modéstia e coerência intelectual verdadeiramente únicas, sem falar da imensa disponibilidade de tempo e energia dedicado ao grupo presente, convidando inclusive a todos para ir almoçar com ele num restaurante ali perto.  

 

 

Quando não estávamos visitando a SBE, aproveitávamos para passear por Milão. Um dos locais que visitamos foi a famosa livraria Mondadori.

 

 

Um edifício enorme abrigava vários livros e fumettis lançados por essa editora, com uma secção especialmente importante para nós: a secção Bonelli com os belíssimos álbuns cartonados de Tex  destacando-se entre outras importantes e conhecidas personagens das histórias em quadradinhos.

 

Nas nossas caminhadas também não pudemos deixar de visitar um dos mais afamados locais daquela cidade: o Cemitério Monumental. Antes de ser um local mórbido, o cemitério é um centro cultural que abriga obras de arte memoráveis. Construído entre os anos de 1863 e 1866, o Cemitério Monumental é famoso não somente pelas pessoas ilustres que lá repousam, como pelas esculturas que adornam cada sepultura.

Deslumbrados com a exposição de obras de arte que se desfolhava a nossos olhos, descobrimos, quase que por acaso, entre os restos mortais de ninguém menos que Verdi e Toscanini, a sepultura da família Bonelli. De asas dobradas, um anjo de mármore preto se debruça sobre o mausoléu, como que protegendo o sono eterno da esposa de Gianluigi Bonelli e sua família. Gianluigi não está lá, isso soubemos pelo próprio Sergio Bonelli. Mas para nós, diante daquela sepultura, isso não era tão essencial. Ali estavam, de uma forma ou de outra, as raízes do nosso Tex e portanto merecia a nossa homenagem silenciosa.

Era a nossa última noite na cidade da moda e dos fumetti. Lutávamos para fechar as malas que mal continham as revistas, muitos delas autografadas, que tínhamos ganho na editora, ao mesmo tempo em que nos preparávamos para o jantar de despedida com Sergio Bonelli. O nosso anfitrião levou-nos a um local já seu conhecido, mas que, para sua surpresa, estava de cara nova e inesperadamente repleto. Felizmente o sempre prudente Sergio havia reservado uma mesa com antecedência. Nem a agonia dos garçons, o apertado da mesa, ou o burburinho dos cliente foi empecilho para que pudéssemos desfrutar, naquelas últimas horas, da sempre prazeirosa e atenciosa presença do nosso ídolo maior. 
 

 

 

 

 



Voltamos para casa no dia seguinte. Foi somente uma semana que passamos juntos, percorremos quatro países, reencontramos e conhecemos pessoas tão especiais. Os momentos inesquecíveis estariam para sempre na nossa memória. Bem... e na bagagem cheia de fumetti também!!     
                         
 

Texto de Fernanda Martins e José Carlos Francisco

Fotos de Fernanda Martins, José Carlos Francisco e Marco Andrea Corbetta

(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 00:23:32 | Link permanente | Comments (0) |

10 de Dezembro de 2006

Imprensa portuguesa em destaque no editorial de Tex Tre Stelle 514

Pela terceira vez e no curto espaço de menos de três anos,  o editor italiano de Tex e responsável pela editora com o seu nome, Sergio Bonelli, dedica mais um editorial de uma edição italiana de Tex, a Portugal, mais precisamente para falar do surpreendente (para ele) destaque dado pela imprensa portuguesa a Tex Willer. Desta vez, foi na edição #514 de Tex Tre Stelle, de Dezembro de 2006.

É mais uma prova inequívoca de que Sergio Bonelli,  que também no passado, usando o pseudónimo Guido Nolitta, escreveu histórias de Tex (e outras personagens) está a par do que vai acontecendo no nosso país no que diz respeito ao Tex, mesmo sendo Portugal um país onde Tex não é editado, como ele mesmo faz referência no seu texto que damos a conhecer abaixo a todos os interessados. 



"Caros amigos,
para nossa grande surpresa, os jornais portugueses – não brasileiros, vejam bem – continuam a dedicar ao nosso Tex títulos com destaque como, por exemplo: "Tex continua a despertar emoções", "Tex dá a descobrir mais um grande desenhador". O desenhador de quem se fala é Miguel Angel Repetto, um mestre das BD argentinas que faz parte da nossa equipa desde 1993, e a quem se deve, entre outras, a história em duas partes publicada em Fevereiro e Março de 2006 na série italiana inédita. Mas o lado curioso do "caso" consiste no facto de que esse afectuoso interesse pelo nosso trabalho vem de um País no qual Tex não é publicado oficialmente: Portugal. A atenção de um certo número de leitores (cerca de mil) e da crítica é baseada nos exemplares que são enviados ao mercado português pelo editor brasileiro, contando com a semelhança da língua (como creio que já comentei anteriormente). O que também suscita esse interesse é a apaixonada obra de divulgação em terras portuguesas feita por um coleccionador excepcional que, embora trabalhe em outra área, oferece a sua preciosa consultoria à Mythos, a editora que há oito anos publica as revistas bonellianas no Brasil. Seu nome é José Carlos Francisco (mas para os amigos é apenas "Zeca"), nosso activíssimo amigo que, há dois meses, veio nos visitar junto com o editor brasileiro, Dorival Vitor Lopes, e nos deixou uma foto – mostrada ao lado – que documenta sua inabalável fé texiana. E é justamente com as revistas de Tex, mas também com as de Zagor (outra personagem de quem acompanha as aventuras), que José Francisco aprendeu a falar e a escrever em italiano. Por isso, pode acontecer de se ler algumas participações suas nos fóruns de internet dedicados ao chefe branco dos navajos (www.texonline.it) e ao Rei de Darkwood (www.spiritoconlascure.it), nos quais os aficionados italianos costumam se encontrar para falar de banda desenhada. E mais: há pouco tempo um grupo de participantes desses fóruns encontrou-se bem abaixo das janelas da nossa redacção para cumprimentar o colega na sua visita a Milão. Nesse meio tempo, o incansável Zeca continua a escrever artigos centrados nos heróis e nos autores da Casa Bonelli: recentemente foram publicados no "BD Jornal" de Lisboa, com a sua assinatura, uma longa entrevista com Claudio Villa e um recordatório sobre o falecido Guglielmo Letteri. E há um mês o próprio José Francisco foi entrevistado por um jornal semanal português. O artigo que traz o resultado dessa conversa tem um título que diz tudo: "Tex é para mim um irmão mais velho e um amigo". Obrigado, Zeca! Um abraço.
Sergio Bonelli."

Texto traduzido por Julio Schneider, tradutor de Tex no Brasil e consultor Bonelliano da Mythos Editora.

Escrito por Autores do blogue em 00:44:10 | Link permanente | Comments (4) |

25 de Novembro de 2006

Portugal em destaque no editorial de Tutto Tex 395

Pela primeira vez, Sergio Bonelli, dedicou um editorial de uma edição italiana de Tex, a Portugal, mais precisamente para falar da trajectória do Tex no nosso país. Tal aconteceu na edição #395 de Tutto Tex, de Fevereiro de 2004.


"Caro Sergio,
por que você não fala com mais frequência das edições estrangeiras de Tex e dos quadradinhos bonellianos em geral? Em Dezembro, por exemplo, estive em Portugal a trabalho, e senti uma grande emoção ao ver numa banca algumas revistas do Ranger... Há quanto tempo eles desembarcaram no País de Fernando Pessoa, meu escritor preferido?
". Para responder a esta pergunta, que me foi enviada por um leitor romano, que assina simplesmente Lorenzo, pedi ajuda a um amigo, que também é um super conhecedor de quadradinhos. O seu nome é José Carlos Pereira Francisco, e vive justamente em Portugal. Com prazer, deixo a ele a palavra!
"Assim como na Itália e no Brasil", diz José Carlos, "também em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é justamente Tex Willer que, depois de alguns anos de ausência, voltou às nossas bancas, retomando o contacto que, há mais de trinta anos, os leitores tinham com ele. Graças à brasileira Mythos Editora, agora estão presentes em Portugal - em versão brasileira - Zagor, Mister No, Mágico Vento, Nick Raider, Dylan Dog, Martin Mystère e Ken Parker, além de oito séries (entre inéditas e reedições, almanaques e especiais) dedicadas a Águia da Noite. Ainda que pequeno em relação ao italiano, o mercado português de quadradinhos é constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que esperar que as suas revistas preferidas venham do outro lado do Oceano, do Brasil. De facto, Tex nunca foi publicado por uma Editora portuguesa; a única excepção, no campo bonelliano, foram dezasseis edições de Zagor e doze de Mister No, lançadas a partir de 1978, sem a autorização da sua Editora. De 1971 a 1999, quando, das edições da Via Buonarroti em Portugal, só havia Tex, as revistas só chegavam depois de seis/nove meses do lançamento no Brasil. Se o editor brasileiro não tinha mais edições disponíveis nos seus depósitos, alguns números não eram enviados, e nem os pedidos de edições atrasadas eram atendidos.
Tudo se interrompeu em 1999, quando a Editora Globo suspendeu a publicação de Tex; mas em 2002, quando os direitos dos seus personagens já eram da Mythos, Tex e Cia desembarcaram de novo, e com sucesso, em terras lusitanas. Hoje, o intervalo entre o lançamento no Brasil e o 'desembarque' em Portugal varia de quatro a seis meses. Esta nova proposta dos quadradinhos Bonelli foi bem aceite tanto pela imprensa, que fala frequentemente do assunto nas suas rubricas especializadas, quanto por aqueles que discutem a 'banda desenhada' (é como são chamados por aqui os quadradinhos) nos vários fóruns da internet
".
Espero ter esclarecido a sua curiosidade, caro Lorenzo. E, para deixar mais completo o "relato" do informadíssimo amigo Pereira Francisco, quero mostrar a você e a todos os outros aficcionados a capa de uma  edição "made in Brasil" que atingiu uma marca realmente importante.
Trata-se do número 200 de Tex Coleção (corresponde ligeiramente ao nosso Tutto Tex), publicado em Setembro de 2003; junto a uma história clássica escrita por Gianluigi Bonelli e ilustrada por Giovanni Ticci, são apresentadas todas as capas da série, em 24 páginas coloridas.
Sergio Bonelli.

Escrito por Autores do blogue em 01:30:45 | Link permanente | Comments (0) |