Tex Willer, o Pistoleiro: Vídeo-montagem do filme!
A abrilhantar esta vídeo-montagem, Ferrum Aeternum e Iron, duas músicas western dos consagrados Ensiferum:
Os filmes baseados na banda desenhada são quase sempre ignorados pela crítica dita especializada. Mas verdade é também que os próprios admiradores da nona arte costumam rejeitá-los; quase sempre elementos considerados basilares nas revistas são modificados ou adulterados na visão cinematográfica, e isso configura um fenómeno interessante: abandonados pelos fãs das obras originais e menosprezados por todos os outros espectadores em potencial, os trabalhos adaptados de BDs geralmente adquirem uma certa fama maldita e não vivem além da memória de coleccionadores mais aficionados, escavadores devotos de tudo que possa remeter aos seus personagens favoritos. Tex, o Pistoleiro (no Brasil: Tex e o Senhor do Abismo), de certo modo, encaixa-se nessa condição desagradável: praticamente os seus únicos conhecedores são os fãs de Tex Willer, o famoso e implacável ranger dos quadradinhos italianos, a criação máxima dos artistas Giovanni Luigi Bonelli (o grande argumentista dos fumetti) e Aurelio Galleppini (o criador gráfico).

Uma das principais críticas apontadas é a escolha de um tema sobrenatural, pouco comum nas aventuras texianas, para ambientar a história. De facto há uma certa preocupação excessiva (mas insatisfeita) com os efeitos especiais e a vontade de surpreender com uma trama que foge, em essência, do faroeste tradicional. Spaghetti tardio, é de todo modo um programa divertidíssimo, conduzido pelo subestimado Duccio Tessari, especialista em acção. Não é uma obra-prima, mas não se pode cobrar isso de todo produto cinematográfico.

Giulianno Gemma, o astro dos bangue-bangues à italiana, estrela no glorioso papel de Tex Willer. Actor de presença, é uma escolha peculiar mas não de todo equivocada: particularmente destaca-se por pequenos detalhes (que sempre fazem a força dos filmes), como sua absoluta segurança, suas poses heróicas e sua vontade de deixar tudo bem claro, mesmo que isso custe os móveis e a integridade física de seus oponentes.

Auxiliando-o nessa jornada, estão seus pards Kit Carson (William Berger, muito bem escolhido) e Jack Tigre (Carlo Mucari, opção estranha mas competente — seus cabelos aqui são bem longos, diferentemente dos quadradinhos). Seu filho Kit não participa do filme, bem como da história que o inspirou — na verdade, o filme é uma mescla de duas aventuras, mas a principal é a semi-protagonizada pelo místico El Morisco, que, com seu jeito sinistro, é um dos maiores amigos de Tex, sempre o auxiliando em casos que fogem da compreensão comum. Seu criado, Eusébio, mesmo sem seu nefasto bigodão, também dá o ar de sua aparição.

Trata-se de uma inexplicável sucessão de bizarrices, que desnorteariam qualquer pessoa normal — por sorte, o ranger e seus amigos já lidaram com coisas piores. Pessoas que murcham misteriosamente, resquícios de povos indígenas que teoricamente estariam dizimados há tempos (e o pior, são belicosos e fanáticos!), sacerdotes malignos, uma bela e perigosa mulher, e a criatura estapafúrdia que consta no título brasileiro do filme: esses são alguns dos perigos que os justiceiros enfrentam, enquanto escapam de tiros, facadas, quedas e correrias de todo tipo. Não é uma vida fácil, mas mitos costumam ser à altura de sua fama.

Talvez certos artifícios das revistas em quadradinhos soem exagerados quando transportados a outra mídia (e este talvez seja o grande empecilho apontado pelos detractores de Tex e o Senhor do Abismo). Mas isso não é defeito, a irrealidade é parte componente das lendas do western. E este é um filme rápido, de pouco pensamento e muitos confrontos, que não se exija dele uma densidade filosófica à John Ford. E que não se pense que por isso seja um subproduto rasteiro e pálido ante os grandes faroestes: filme sincero, divertido, ágil, já é acima de uma infinidade de obras industriais. Com seus erros honestos, e “papai” Bonelli em sua participação especial, é pelo menos um filme especial, bem a seu modo.



Do multifacetado Jorge Arnaldo Sacadura Cabral de Magalhães (que vemos nesta foto ao lado, acompanhado de José Carlos Francisco e Fabio Civitelli), natural da cidade do Porto, onde nasceu em 1938, editor, autor de banda desenhada (argumentista), autor de numerosos textos de estudo, análise e história da BD, em livros, revistas, jornais e fanzines e também leitor e coleccionador de Tex Willer, que tivemos o prazer de conhecer pessoalmente em Moura aquando do XVI Salão Internacional MOURABD2007, onde lançou com o patrocínio da Câmara Municipal dessa bela cidade alentejana, a revista profusamente ilustrada "O “Western” na BD Portuguesa", recebemos com autorização para divulgar no blogue do Tex, um item raríssimo de coleccionador Texiano, o anúncio do filme de Tex Willer, que no nosso país teve o título "Tex, o pistoleiro", publicado, aquando da estreia - nos cinemas Éden e Fonte Nova 2 em 14 de Outubro de 1988 - nos jornais portugueses.

A título de curiosidade, eis alguns dos título adoptados em outros países onde o filme foi lançado:
Tex e il signore degli abissi – Itália
Tex et le Seigneur Des Abysses – França
Tex und das Geheimnis der Todesgrotten – Alemanha
Tex y el senor de los abismos – Espanha
Tex and the Lord of the Deep – Inglaterra
El hombre marcado - Argentina
Tex e o Senhor do abismo - Brasil
Tex & Dybets Herre - Dinamarca
Para concluir, eis uma fotografia do elenco dos personagens principais do filme, num momento de pausa e descontracção nas filmagens: Jack Tigre, Kit Carson, Gianluigi Bonelli e Tex.


Na Itália está a ser lançada pela empresa Hobby&Work uma nova colecção de DVD's dedicada ao "spaghetti western" e o DVD número 6 será dedicado ao ranger Tex Willer e ao seu filme "Tex e il signore degli abissi".
A Hobby & Work apresenta nesta colecção quinzenal, alguns dos filmes mais famosos que permitiram que o género western renascesse na Itália: de Tomas Milian a Terence Hill, Tonino Valeri a Duccio Tessari, passando por Giuliano Gemma, o "Tex Willer"... uma colecção imperdível para todos os apaixonados do grande western à italiana.

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Essas palavras só invocam os seres das trevas
Continue desenhando que você prome
Parabéns pela entrevista, mas ficou faltando