27 de Março de 2007

YAMA

Da cartomante Myrian, Steve Dickart, aliás Mefisto, teve um filho de nome Blacky.
Através de uma esfera de cristal da mãe, este consegue falar com o pai, que está para morrer sepultado vivo num subterrâneo, e aceita em herança os enormes poderes que o velho necromante lhe transmite, em troca da promessa de vingá-lo.
A partir daquele momento, Blacky adopta o nome de Yama e inicia a perseguição a Tex Willer e seus pards, ora recorrendo à ajuda dos adeptos do voo doo, ora aliando-se com os descendentes dos Aztecas e dos Maias.
Não obstante o apoio das potências infernais, Yama não consegue levar a termo a sua missão, traindo as expectativas do fanático Mefisto.Repudiado pelo seu próprio pai, Blacky torna a viver com a mãe e juntos retomam a sua melancólica vida de saltimbancos.     
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QUEM É YAMA

Devorado por um rancor implacável nos confrontos com Tex, que o derrotou várias vezes, o mago Mefisto, prestes a morrer, teve uma ideia: confiar ao seu filho Blacky “o inefável sabor da vingança”.O jovem aceita, assume o nome de Yama e tenta levar ao término a sua missão infernal. Mas, como diria alguém, não se deseja ser Satanás, nasce-se Satanás… 

    

A ESTIRPE DO DIABO

Apesar do auxílio recebido do meu mundo e do precioso ensinamento obtido de seu pai, Yama ainda está muito longe de representar a centésima partedo poder do grande Mefisto!”. Este é o parecer de Aryman, grande e repelente morcego, personificação de um demónio infernal. É ele o ajudante que Steve Dickart, aliás Mefisto – obrigado a vagar numa espécie de limbo, na expectativa de cruzar o limiar do Inferno – decidiu em certo momento para ladear o filho Yama, depois dos seus repetidos falhanços, para ajudá-lo a vingar-se de Tex. A ajuda de Aryman parece mesmo necessária, dado que, por duas vezes, Águia da Noite, derrotou Blacky Dickart.

E pensar que, inicialmente Mefisto punha grandes esperanças no herdeiro: “As tuas mãos deverão empunhar a espada de prata do poder e os teus olhos estarão em condições de enxergar também nos mundos escuros onde vivem as sombras e as tuas orelhas poderão ouvir também as vozes que saem das profundezas dos abismos.”, havia anunciado o diabólico bruxo falando ao filho, através de uma esfera mágica, do subterrâneo onde ficou aprisionado: “Não haverá desejo que tu não possas realizar! Terás tudo que um homem pode querer, mas deverás antes de tudo empunhar a chama vermelha da vingança!”.

 

Blacky, depois de ter assistido á morte do pai separa-se da mãe Myrian, junto com a qual vivia numa miserável carroça ambulante, e, precisamente na Florida, recupera os livros secretos escondidos no castelo em que Steve Dickart tinha sido devorado vivo pelos ratos. Em seguida, ao flanco de Loa (a sacerdotisa voo doo que já tinha sido cúmplice de Mefisto quando este se tinha aliado com o louco Barão Samedi), inicia um período de aprendizado nas artes mágicas, assumindo o nome de Yama, antigo deus hindu da morte. Também Loa tem uma vingança a cumprir: “ Se você tem um homem para vingar”, diz a Yama, “eu tenho muitos! Homens fortes e valorosos, homens que estavam fundando um grande reino, e seus ossos estão insepultos na selva por culpa de Tex Willer e seus miseráveis amigos!”.

Entre os quais, está Yampas, chefe dos Seminoles, de quem Loa tinha sido feita escrava depois da morte do pai, o bruxo Otami. Graças aos sortilégios do jovem Dickart, Loa consegue vingar-se, matando o chefe índio.
Agora toca ao Ranger, que porém está protegido, como estão Kit Willer, Kit Carson e Jack Tigre, por uma bracelete de prata feita pelo feiticeiro dos Navajos e ornamentada

por turquesas com a gravação de sinais mágicos postos para afugentar os espíritos malvados: assim, Blacky Dickart não pode atingir de longe.   

 

Também Yama, mesmo quando ajudado pelas potências infernais e ainda que recorra a zumbis ou a adeptos do voo doo, não consegue levar a melhor sobre os quatro inimigos. Metido em apertos, é forçado a refugiar-se num veleiro que naufraga no mar no meio de uma tempestade. Blacky é salvo pelas potências infernais aliadas do pai e, chega a uma praia do Yucatan onde se alia com os descendentes do antigo povo Maya, admirados com os seus poderes. Mas também na selva tropical da América Central, onde Yama aconselhado por Mefisto, atrai Tex e seus pards, as coisas não mudam. É de novo derrotado e precipita-se numa impetuosa torrente subterrânea que o engole.   

Um bando de morcegos enviado pelas forças demoníacas agarra-o e o leva a salvo para uma gruta. Mefisto, que sempre esteve à vontade para comunicar com os vivos, põe ao lado de Yama o já citado Aryman e lhe propõe novos planos de combate que prevêm uma aliança com os Aztecas de Serra Hermosa, também eles, velhos inimigos de Águia da Noite. Mas, uma vez mais, é tudo inútil. De fronte de cada ameaça sobrenatural, Tex e os seus amigos reagem como somente eles sabem fazer: a murro, golpes de Winchester e dinamite. O último round conclui-se com o abandono do ring da parte do filho de Mefisto, ao qual o mesmo pai impõe deitar a toalha ao chão: “O verdadeiro e teu únco inimigo foste tu próprio a agora não te resta mais do que chorar sobre as ruínas dos teus sonhos!”.

 

Os erros cometidos têm de ser pagos!”, disse Mefisto ao filho no término do último encontro com Tex.
Tu somente poderás encontrar novamente aliados no meu mundo quando muita areia tiver passado na grande ampulheta do tempo!”. Não é sabido como Blacky pode abandonar a gruta subterrânea debaixo do templo Maia onde estava enclausurado, mas sabemos qual foi o seu destino. A revelá-lo é o seu próprio pai, Steve Dickart, quando consegue retornar à Terra na primeira pessoa: “Meu filho desiludiu-me! Willer e seus cães sempre conseguiram derrotá-lo e depois do último confronto os nervos de Yama desabaram. Hoje Blacky sofre de uma terrível depressão que o fez retroceder em seus conhecimentos até esquecer tudo que lhe ensinei e enfim voltou a viver com a mãe e juntos retomaram a melancólica vida de saltimbancos.”.   

 

Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 30 de "Il Mondo di Tex", editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 18 de Novembro de 2006

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29 de Janeiro de 2007

TIMOTHY O'SULLIVAN

Timothy Henry O’Sullivan, o simpático fotógrafo encontrado por Tex no decurso de uma aventura que tem por fundo a floresta tropical em que será “aberto” o Canal do Panamá, é uma personagem realmente existente. Nascido em 1840, foi um pioneiro da fotografia: sobretudo daquela de carácter histórico, antropológico e geográfico. Imortalizou a Guerra da Secessão, seguiu diversas expedições científicas e carregou realmente o seu equipamento fotográfico na selva de Darién, documentando, entre mil dificuldades, o reconhecimento sobre o local do futuro Canal. Mais tarde, retornou ao Oeste, para fotografar os índios, os canyons e os desertos. O frio extremo das Montanhas Rochosas e o calor tórrido do Vale da Morte tiveram decerto a ver com o seu físico tenaz mas frágil: O’Sullivan morre em 1882, somente com quarenta e dois anos.
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QUEM É TIMOTHY O’SULLIVAN

Tex conhece Timothy O’Sullivan, um “caçador de imagens”, que não hesita em enfrentar perigos de todo o género, armado somente de uma pioneira máquina fotográfica ainda no Arizona, mas logo se vê envolvido numa expedição à selva do Panamá.
Realmente existente, O’Sullivan dedicou a sua breve existência a uma única missão: descobrir e imortalizar a aventurosa realidade do mundo em que vivia.

 

Quem diabo você é?”, pergunta Tex ao homem que desce de uma carroça, afortunadamente ileso, depois de ter escapado de um ataque de alguns índios. “Sou Timothy O’Sullivan, fotógrafo de profissão, em viagem de trabalho entre Lees Ferry e Gallup”, apresenta-se o recém aparecido. “Incrível!”, exclama o Ranger. “Quer dizer que anda sozinho pelo Oeste só para tirar fotografias?”. “Isso mesmo, Mister”, é a resposta. Timothy Henry O’Sullivan foi realmente um pioneiro da fotografia que girou pela América de uma extremidade a outra, documentando com os seus disparos, a vida da Fronteira e a beleza da natureza ainda imaculada do Oeste Americano, mas foi também percursor das reportagens fotográficas de guerra. Antes dele, somente um outro fotógrafo tinha fotografado um campo de batalha: Roger Fenton, que tinha estado na Crimeia, limitando-se, porém, a retratar oficiais, soldados, cavalos e artilharia. 

 

O’Sullivan, ao invés, seis anos depois de Fenton interpretou num modo completamente diferente o papel de “testemunha ocular”, imortalizando as batalhas na acção e mostrando as consequências após os combates terminados: mortes, feridos, destruição e dor. E o conta também a Tex, ao qual faz ver uma dramática imagem tirada em Gettysburg: “Eu estava lá”, disse-lhe, “assim como estava em outras batalhas, não menos sangrentas, como as de Bull Run e de Appomattox. Lá as coisas ficaram negras. Por duas vezes a máquina voou das minhas mãos por causa dos deslocamentos de ar provocados pelas bombas.”. Agora, porém, O’Sullivan está para dedicar-se a outra missão. Foi encarregue pelo governo dos Estados Unidos, para se agregar a expedição de especialistas que deverá verificar a possibilidade de se realizar um ambicioso projecto: “cortar” o istmo do Panamá, escavando um canal que meta em comunicação o Oceano Atlântico com o Pacífico.   

 

 

 

A expedição será composta por especialistas em botânica, geologia e engenharia, e ainda de um contingente militar que deverá escoltar o grupo de técnicos pela selva tropical, defendendo-a dos perigos.” Explica o fotógrafo.
Perigos, de facto, não faltam: trata-se de enfrentar pântanos, charcos, chuvas torrenciais e doenças tropicais, motivadas por serpentes, insectos, aranhas venenosas e feras ferozes. Mas, sobretudo, há que conter a fúria dos índios Guaymi, os selvagens habitantes da floresta da América Central, que têm o hábito de receber os estrangeiros com setas envenenadas.
O’Sullivan está habituado a correr riscos e sempre se desloca com o seu equipamento (a pesada máquina, o cavalete, as garrafas de reagentes químicos para imprimir as fotos) para todo o lado enquanto se aventura no seu desejo de “capturar” a realidade: portanto, é a pessoa certa para reportar para a pátria todas as imagens que possam servir para melhor projectar o canal.

Embora não seja do tipo de se virar para trás defronte de dificuldades e ameaças, não é, porém, um homem de acção, e Tex, que se encontra envolvido na mesma expedição, junto com o filho Kit, salva-lhe a vida, várias vezes, libertando-o de uma serpente ou protegendo-o dos repetitivos ataques dos “índios bravos”.  

 

Pecado que a única foto que O’Sullivan tira de Águia da Noite fique irremediavelmente perdida. A imagem – que representava o Ranger enquanto golpeava com um poderoso punho, durante uma rixa em Cartagena, um oficial do exército colombiano – era extraordinária, deixando até o seu autor orgulhosíssimo de ter sabido escolher o momento: “Não obstante Tex e o outro estarem em movimento, a foto ficou muito nítida.”.

É porém inútil procurar aquele disparo entre os tantos deixados para a posteridade pelo “fotógrafo mais intrépido dos Estados Unidos.”, como o mesmo O’Sullivan se define no término da aventura.

A fotografia e o próprio negativo foram destruídas por Phil Turner, coronel do serviço especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros americano, o qual entende não dever deixar algum vestígio do caso, para evitar incidentes diplomáticos.

Uma das primeiras fotos censuradas da história da fotografia!

 

   

Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 26 de "Il Mondo di Tex", editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 23 de Setembro de 2006

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27 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Década actual

Julho de 2000 – É editado “L’ultimo ribele” Texone número 14, ilustrado por Colin Wilson; o que converte o neozelandês em o único autor que trabalhou nos dois grandes mitos do western europeu: Tex e Tenente Blueberry.  

 

Janeiro de 2001  Morre em Alessandria no dia 12, aos 92 anos, Gianluigi Bonelli, o criador de Tex Willer, o mítico ranger texano, ícone do banda desenhada italiana. 

 

Depois de muito tempo de espera aparece finalmente o Texone do mestre norte-americano Joe Kubert. “Il cavaliere solitario” traz 240 páginas ilustradas por um dos maiores desenhadores da história da banda desenhada, nas quais o protagonista exercerá uma faceta de cavaleiro andante, quando ao perseguir quatro assassinos, vai enfrentando as injustiças cometidas por cada um deles nos lugares em que os localiza. Na realidade esta particularidade se deve a que quando se construiu a história, fez-se pensando no mercado anglo-saxónico na forma de quatro álbuns de 56 páginas, teoricamente mais assimiláveis para o dito mercado que um só álbum de 240 páginas, por isso a história se divide de quatro capítulos bem diferenciados, referente a cada um dos assassinos.

 

 

8 de Junho de 2002 – É publicado o mítico número 500 da colecção mensal de Tex; neste caso trata-se de um número a cores, realizado por Nizzi e Ticci, em que a tumba de Lilyth é profanada, o que motivará a ira dos protagonistas.

 

Depois dessa  história inicia-se o início do sexto centenário da série com a história que apresenta o regresso de Claudio Villa ao desenho e de Mefisto à trama.

 

14 de Agosto de 2005 - Tex Willer nasce em Portugal. Pela primeira vez na sua longa história, uma edição de Tex foi editada no nosso país. A aventura (colorida) escolhida foi "Tex contra Mefisto", publicada no volume 8 da “Série Ouro – Clássicos da Banda Desenhada” com o patrocínio do jornal “Correio da Manhã”.

 

 

 

 


Depois de todo este histórico passado, continuará sem a menor dúvida, crescendo no futuro, cada vez mais, a lenda de Tex Willer, o Águia da Noite...

 

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26 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Década de 90

Fevereiro de 1991Gianluigi Bonelli despede-se da colecção no número 364 intitulado “Il medaglione spagnolo”. Na realidade, desde meados dos anos oitenta a sua presença na série vinha sendo muito esporádica, monopolizando Nizzi a escrita dos argumentos.

 

Não deixa de ser significativo a presença de elementos da cultura hispânica neste último argumento do Bonelli pai, ele que sempre havia mostrado um apego pelos vestígios desta cultura nas aventuras de Tex, inclusive numa ocasião Tex enfrentou uns descendentes dos conquistadores espanhóis que tinham ficado separados do resto da civilização, numa cidade construída com ouro, no meio de um deserto, mantendo a mesma forma de vida de seus antepassados.

 

Dezembro de 1991 – É editado “Oklahoma”, um número especial do mesmo tamanho que a colecção mensal, porém com 350 páginas, que no início se denominou como mini-Texone. Letteri era o responsável pelo desenho, sendo a figura do argumentista, o que conferia o carácter especial; argumentista que não era outro senão Giancarlo Berardi. Infelizmente pese o excepcional do lançamento, o trabalho de Berardi não conseguiu atrair tanta atenção como o que estava realizando com Ken Parker. 

 

Junho de 1992 – Aparece o quinto Texone, primeiro trabalho na saga, de Víctor de la Fuente e também o primeiro destes álbuns especiais ilustrado por um desenhador não oriundo da Itália.

 

Outubro de 1992 – Inicia-se no número 384 a história “Orgoglio navajo”; nela Nizzi utiliza o mesmo recurso que costumava usar Gianluigi Bonelli para relatar passagens do passado das personagens: nesta ocasião, Tex narra o seu primeiro encontro com Jack Tigre, a seu filho e a Carson. A narração é uma das mais dinâmicas das escritas por Nizzi e apresenta um trabalho de Giovanni Ticci impecável. Contribui além disso a dar maior profundidade e identidade humana a um dos mais atractivos protagonistas que a série havia gerado, mas que sem dúvida não estava tão desenvolvido como muitos leitores gostariam. Curiosamente esta é uma das histórias que os distintos autores que trabalharam na série, mais mencionam, na hora de falarem do trabalho dos seus companheiros de lides.

 

Janeiro de 1993 – O número 387 marca o início da longa história “Ritorno a Pilares”, uma saga de Nolitta e Letteri cujas 586 páginas se convertem não só na mais extensa aventura de Tex, mas constitui a mais longa história de toda a Sergio Bonelli Editore.

Ritorno a Pilares” contém todos os elementos das histórias clássicas de Tex: a magia – mediante a presença de El Morisco–, os elementos fantásticos – exemplificados na figura  de um homem-jaguar – e históricos – a cultura azteca presente, entre outros elementos, em um intento de sacrifício ritual com Kit Willer como protagonista–. 

Desde o ponto de vista do argumento, a história é toda um decálogo por parte de Nolitta da sua maneira de entender as aventuras da personagem e não se pode negar que é herdeiro do trabalho do seu pai.

 

Junho de 1993 – O sexto Texone marca o início da colaboração de José Ortiz com Tex Willer.

 

Janeiro de 1994 – É publicado o primeiro Almanacco del West, publicação de cadência anual de formato similar à série mensal que inclui uma história curta – umas cem páginas – da personagem, acompanhada de diversos textos referentes ao mundo do Selvagem Oeste, tanto desde o ponto de vista histórico, como do das diferentes criações artísticas a ele referidos, até completar as 176 páginas do livro. 

 

Fevereiro de 1994 – É posto à venda o Tex número 400, último episódio com desenho de Galep. Será também a última capa de Galleppini, que havia realizado tanto as 400 da série mensal, como todas as capas da colecção em formato de tiras. A partir do mês seguinte, seria substituído por Claudio Villa, que permanece como actual incumbido e que já havia ilustrado algumas histórias na série anteriormente. Villa, devido ao seu talento e juventude, foi saudado à sua chegada à série como a grande esperança gráfica para a colecção, porém viu-se reduzido a este labor de fazer as capas, sobretudo por ser um desenhador bastante lento em desenvolver o seu trabalho.

 

Galep faleceria pouco depois, a 10 de Março desse mesmo ano.

 

Junho de 1994 – É editado “Il Pueblo Perduto”, sétimo Texone, realizado por Nizzi e Ticci; segunda – depois de Galep – e última excepção dentro da filosofia de mostrar novas versões gráficas de Tex nestas colecções especiais. O resultado do trabalho de Giovanni Ticci não pode qualificar-se de outra maneira, senão dizer que constitui uma das mais altas quotas de qualidade que tenham gerado as histórias realizadas com Tex e não é fácil explicar com palavras o porquê. Ticci realiza um exercício de talento onde consegue integrar uma descrição de paisagens únicas, com as figuras das personagens e as acções que deve descrever, mediante a exploração do seu próprio estilo como desenhador.

 

Setembro de 1994 – O número 407 traz a chegada de Mauro Boselli – Milão, 1953 -  à série. Na realidade, Boselli já havia escrito uma história em colaboração com Gianluigi Bonelli, embora só se considere este momento como o da sua chegada efectiva à série. Diferentemente de Nizzi, que foi contratado a outra editora, Boselli era um homem da casa, que havia se destacado no seu trabalho em Zagor e que previamente havia realizado outros trabalhos em publicações como “Orient Express” ou nas edições gigantes de Tex. Também o diferencia de outros argumentistas que como Decio Canzio, Michele Medda ou o já mencionado Berardi haviam realizado somente alguns episódios que não frutificaram a sua relação criativa na série, Boselli chega para ficar, pese o facto de que em princípio, devia escrever só uma história.

 

Il passato di Carson” é a sua primeira saga e deixa logo ás claras as suas características como argumentista de Tex: dar um maior peso ao resto das personagens que rodeiam o protagonista. Os três números que abarcam esta história não contada do passado de Kit Carson convertem-se numa das sagas mais valorizadas pelos leitores. A partir desse momento Nizzi e Boselli alternam-se na escrita da série e as suas diferentes maneiras de escrever a série gerou um intenso debate entre os aficionados. Nizzi apresenta no seu trabalho um Tex omnipresente, foco absoluto da acção em cada momento, enquanto Boselli deixa mais espaço para desenvolver as personagens secundárias – e logo na sua primeira história, o protagonista real não é Tex, mas sim Carson –, sem esquecer nunca que Tex é o verdadeiro catalisador dos acontecimentos. Por outro lado, Boselli é mais chegado à aventura no sentido amplo – como demonstra o seu trabalho em Zagor –, enquanto que Nizzi é mais propício a introduzir elementos de intriga nas histórias.   

 

Não seremos nós aqui no blogue a dizer qual dos dois modelos é mais fiel ao trabalho de Gianluigi Bonelli, não esquecendo ainda o modelo Nolitta, mas registe-se que se Boselli trouxe uma lufada de ar fresco à série, não podemos tirar mérito ao Nizzi, que teve a difícil missão de substituir como argumentista principal, o criador da série, papel que se saiu muito bem graças ao seu profissionalismo e à sua persistência.

 

Setembro de 1996 – Começa o número 431, “La strage di Red Hill”, última história escrita na sua totalidade por Sergio Bonelli. A saga foi começada por Alberto Giolitti – que tal como aconteceria mais tarde por exemplo com Víctor de la Fuente  ou José Ortiz, foi contratado para a colecção mensal depois de ter realizado o seu Texone – todavia, Giolitti faleceria em 1993 antes de concluir o trabalho de modo que seria Giovanni Ticci, amigo pessoal de Giolitti, quem concluiria a história, se bem que Sergio tardou a decidir o que fazer com aquelas páginas, o que levou ao atraso em que a saga foi editada.

 

O certo é que o trabalho de Giolitti nas quase 200 páginas que completou é realmente impressionante, pela sua contundência narrativa e capacidade expressiva e deixam um legado à altura de quem foi um dos desenhadores mais importantes que a Itália deu ao mundo. O arranque da história, é além disso um dos momentos mais impactantes que apareceram na colecção: Tex e Jack Tigre encontram-se de visita a um acampamento de uma outra tribo, quando de repente aparece uma milícia de aparentes ”trapers”que, aproveitando o facto da maioria dos guerreiros se encontravam numa caçada – acompanhados de Carson e Kit – cometem um autêntico massacre onde unicamente sobrevivem Tigre e Tex, ao serem deixados como mortos, quando somente estavam feridos. E é aqui, na exploração dos componentes mais dramáticos, donde a arte e o engenho como argumentista de Sergio se mantém à altura da criatividade gráfica de Giolitti e igualmente se mostra ao nível dos melhores momentos do trabalho de seu pai.

 

Novembro de 1997 – Aparece nas bancas italianas o primeiro Tex de Antonio Segura; primeiro e único argumentista não italiano que escreveu para a série. A história em concreto inaugura uma nova colecção de cadência anual que se chamará Maxi-Tex, cujo formato é idêntico ao da série mensal, porém com um número de páginas a rondar as 350.   

 

Janeiro de 1998 – A eminente celebração dos cinquenta anos de Tex teve como consequência, que disparasse o número de publicações sobre a personagem, e em especial os livros dedicados ao estudo das suas diversas facetas. Um dos mais curiosos foi “In viaggio com Tex”, volume no qual o seu autor, Aurelio Sangiorgio, faz uma minuciosa e amena reconstrução geográfica dos lugares em que se desenrolaram as aventuras de Tex. O resultado principal do estudo foi o de nos revelar o brilhante trabalho de documentação que levava a cabo Gianluigi Bonelli na série.  

 

Maio de 1998 – A editora bolonhesa Punto Zero publica o livro de Franco Busatta “Come Tex non c’è nessuno”: História de um herói e do seu editor, novo volume sobre a personagem ante o seu próximo cinquentenário.

Neste caso trata-se efectivamente, de uma entrevista de Sergio Bonelli na qual analisa muitos dos motivos porque Tex continua tendo tanta repercussão ao fim de tantos anos, assim como os motivos que permitiram à sua editora converter-se em uma das mais importantes do mundo. Trata-se de um livro muito interessante não só para os fãs de Tex, mas para todos os aficionados da banda desenhada em geral.

 
Julho de 1998 – Aparece o primeiro trabalho com Tex de Alfonso Font, é ademais o único dos Texoni até ao momento que não foi escrito por Nizzi, mas sim por Boselli. 

 

Setembro de 1998 – Tex cumpre 50 anos. Para celebrá-lo , junto ao número mensal de Tex – o 455, de Nizzi e Ticci – em que os protagonistas deverão enfrentar de novo os prejuízos do homem branco contra os peles-vermelhas, é incluído como presente aos leitores um interessante livro intitulado “La frontiere di carta” que contem um pormenorizado estudo das revistas dedicadas ao Faroeste.

 

Nesse mesmo mês, é posto também à venda outro dos livros mais curiosos que Tex tenha gerado; trata-se de “Il mio amico Tex” de Sergio  Cofferati. A sua principal particularidade reside em saber que Cofferati é na realidade um célebre sindicalista, grande admirador da personagem; consistindo o livro em uma entrevista na qual o sindicalista expõe, entre outras questões, as sua teorias sobre as similitudes entre Tex e Che Guevara ou entre Mefisto e Berlusconi.

 

Julho de 1999 – É editado o Texone de Ivo Milazzo, um dos mais impressionantes trabalhos do criador de Ken Parker. “Sangue sul Colorado” apresenta-nos Tex, Carson, Jack Tigre e Kit enfrentando o cacique de uma localidade mineira, quando Kit se vê condenado à forca como vítima de uma espécie de pantomima de justiça.

 

Agosto de 1999 – Começa no número 466 a história “Golden Pass” que trará a última aparição de Sergio Bonelli como argumentista; de facto, nem sequer chegará a completar a história que será terminada por Boselli. Inicialmente a história foi desenhada por Galep, que chegou ainda a desenhar uma vintena de páginas, mas finalmente Bonelli decidiu que Ticci redesenhasse essas páginas e completasse a história.

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25 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Década de 80

Julho de 1983 – O número 273 da colecção mensal traz a chegada de Claudio Nizzi, argumentista que será chamado para substituir Gianluigi Bonelli como principal escritor da série. Nascido em Sétif – Argélia – em 1938, Nizzi muda-se para Itália somente com um ano de idade, começando a sua carreira no mundo da escrita em 1960 nas páginas de “Vittorioso” – publicação em que também tinha colaborado Gianluigi Bonelli alguns anos antes – . A razão pela qual Sergio Bonelli se centra nele e lhe oferece a oportunidade de trabalhar na série tem a ver seguramente com o facto de que até esse momento, a carreira e as qualidades de Nizzi apresentavam muitas similitudes com a do próprio Gianluigi Bonelli; um argumentista com grande capacidade de trabalho, que tinha demonstrado a sua habilidade criando um bom número de personagens e séries.

 

O primeiro Tex editado com a firma de Nizzi – que na realidade era o segundo que escrevia, já que o primeiro se atrasou a sua publicação – é além disso a última história desenhada integralmente por Erio Nicolò, um dos desenhadores mais profícuos da série. Nicolò era um desenhador de género clássico, com um estilo a meio caminho entre o de Galep e o de Letteri.

 

Na actualidade Nizzi é o argumentista de referência da série, inclusive exerceu um quase monopólio durante muitos anos. O seu Tex tem como referência o de Gianluigi Bonelli, tendo construído um modelo de que não se separa praticamente nunca, e em que Tex exerce um protagonismo absoluto em todos os momentos.

 

Maio de 1986 – Aparece o primeiro Tex assinado por Jesús Blasco; o primeiro realizado por um desenhador não italiano.

 

Junho de 1988 – É publicado o Tex número 332, aparecendo pela primeira vez a chancela Sergio Bonelli Editore como editora da série. Sergio Bonelli dirigia a editora desde que substituiu a sua mãe em 1957, quando contava apenas 25 anos, porém só em 1988 é que decidiu mudar o nome da mesma para o seu próprio.

 

Nesse mesmo mês e como motivo do quadragésimo aniversário da personagem, é publicado “Tex, il grande”, o qual se baptiza como Albo Speciale ou Texone. Trata-se de um álbum de 240 páginas em tamanho grande – 30x21 cm –, escrito por Nizzi e ilustrado pelo mestre italiano Guido Buzzelli.

 

Dezembro de 1988 – O número 338 de Tex traz o início da história “Picollo lupo”, uma particular homenagem a John Ford por parte de Claudio Nizzi e Galep. Tex e Carson ingressam numa diligência da Wells Fargo cujos passageiros não são outros que as personagens do filme”A Diligência” de Ford.

 

Junho de 1989 – O êxito do Albo Speciale ilustrado por Buzzelli motiva Sergio Bonelli a criar uma colecção de cadência anual, na qual, grandes desenhadores de todo o mundo dêem a sua versão de Águia da Noite. O grande desenhador italiano Alberto Giolitti – célebre pelos seus trabalhos para a indústria norte-americana, como por exemplo a série “Turok, Son of Stone” – é o seleccionado para este segundo Texone. A ele seguiram-se Aurelio Galleppini, Sergio Zaniboni, Víctor de la Fuente, José Ortiz, Giovanni Ticci, Aldo Capitanio, Magnus, Jordi Bernet, Goran Parlov, Alfonso Font, Ivo Milazzo, Colin Wilson, Joe Kubert, Bruno Brindisi, Manfred Sommer, Roberto De Angelis, Carlo Ambrosini e Giancarlo Alessandrini até ao momento.

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24 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Década de 70

Março de 1970Galep e Gianluigi Bonelli oferecem-nos “Tra due bandiere”: a história da participação de Tex na guerra civil norte-americana, que começa na edição 113. O protagonista encontra Dick Furacão, antigo companheiro de andanças e com ele rememora a vivência de ambos no mencionado conflito, no qual participaram como exploradores do exército nortista. Mas além da história propriamente dita o que de manifesto deixa esta saga é a capacidade do criador literário de Tex para o tratamento dramático da acção. A narração escrita por Bonelli não pretendia explorar nenhum carácter épico, mas sim descrever a crueldade, a tragédia e o sem sentido que acompanha qualquer conflito armado. É de supor que tudo isso tenha algo a ver com o facto de que desde sempre esta seja uma das histórias que os leitores mais tenham valorizado.

 

Janeiro de 1976 – Aparece pela primeira vez uma aventura de Tex que não foi escrita por Gianluigi Bonelli. O número 183 nos oferece em “Caccia all’uomo” o labor de um novo argumentista que assina como Guido Nolitta, porém não é outro senão Sergio Bonelli em seus trabalhos como escritor. Durante quase dez anos, até à chegada de Claudio Nizzi, Nolitta terá o encarregue de dar algum descanso a seu pai – não devemos esquecer que pese a incrível capacidade de trabalho que demonstrou ao longo de toda a sua carreira, nesse momento contava com quase setenta anos–.

 

No momento de enfrentar o difícil desafio de ser a primeira pessoa a escrever Tex aparte o seu criador, Nolitta não era nenhum principiante: já havia demonstrado com acréscimo o seu talento criando grandes êxitos da editora como Zagor ou Mister No, séries de grande sucesso que continuam sendo publicadas ainda hoje, se bem que Mister No, somente em edições especiais devido ao cancelamento da série principal em finais de 2006. O Tex que escreve Nolitta não se afasta do modelo desenvolvido por seu pai; fazendo um símile cinematográfico, poderíamos dizer que se o Tex de Gianluigi Bonelli tinha um estilo equivalente ao dos grandes westerns clássicos de Ford ou Hanks, o que escreve Sergio estaria um pouco mais perto do chamado western crepuscular.

 

Esta primeira aventura de Nolitta está ilustrada por Fernando Fusco, um desenhador na altura recém-chegado à série e que se acabou convertendo em um dos que mais presenças tem na colecção. Fusco é um dos ilustradores que mais foi influenciado pelo modelo derivado do trabalho de Giovanni Ticci, algo que poderíamos aplicar a outros desenhadores como por exemplo Vincenzo Monti.

 

Agosto de 1976 – No número 190 começa “El Muerto”, segunda história escrita por Nolitta e uma das mais valorizadas pelos leitores em toda a vida de Tex Willer. El Muerto é um indivíduo de aspecto sinistro que manifesta ter voltado para se vingar de Tex e cuja ira padecem o jovem Kit e Jack Tigre. Tex e Tigre investigam quem é o dito indivíduo, para descobrirem que se trata de alguém do passado de Tex, que o acreditava, efectivamente, morto. A história foi desenhada por Galep, que se já não desprendia a vigorosa dinâmica dos seus primeiros anos na série, se encontrava no momento de máximo desenvolvimento de componentes expressivos no seu desenho.

 

 

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22 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Década de 60

 

Outubro de 1961 – Os primeiros exemplares da série Navajo, apresentavam a história “Sangue Navajo” que implica a exploração de temáticas que teriam grande peso no decurso da série, ao menos durante toda a fase em que Gianluigi Bonelli foi o seu escritor: as relações de Tex com as instituições militares e o seu posicionamento nos conflitos entre os Navajos e o homem branco. Nesta história, Tex terá que fazer frente a um demente coronel do exército, quando os viajantes de um comboio começam a disparar contra uns jovens índios, que correm pacificamente junto à via e estes respondem ao fogo, gerando um conflito de graves proporções. Mas para além da história propriamente dita o que o episódio põe em manifesto é, por um lado a conflituosa relação que Tex sempre manteve com o exército, e por outro, o facto de que quando imerso em conflitos como os descritos, sempre prevalece o seu papel como chefe dos Navajos frente a qualquer outro.

 

 

Não se pode dizer que a visão de Gianluigi Bonelli das instituições militares seja demasiado favorável, mostrando sempre uma forte crítica frente aos altos quadros militares. Curiosamente, tanto nesta história como em muitas outras, será a imprensa quem terá de se erigir em defensora da verdade, pese os riscos que isso implicava a quem realizasse esse labor.   

 

Dezembro de 1964 – A história “Agguato tra le rocce”, publicada nos números 25 a 30 da série Nebraska, traz o primeiro trabalho de Guglielmo Leterri na série. Letteri não foi o primeiro desenhador, aparte do seu criador, que desenhou Tex – Galep já tinha sido auxiliado ou substituído esporadicamente por desenhadores como Guido Zamperoni, Mario Uggeri, Lino Jeva ou Francesco Gamba – porém foi o primeiro com um grande peso específico posterior. Nascido em Roma em 1926, Letteri começou a sua carreira no mundo da banda desenhada na Argentina, lugar para onde havia emigrado em 1948. Depois de regressar ao seu país natal passa a fazer parte do grupo de desenhadores do staff, onde se manteve até ao seu falecimento em 2006. 

Depois de Galep, Letteri foi o autor que mais páginas desenhou de Águia da Noite. Inclusive foi o criador gráfico de El Morisco, um egípcio estudioso de temas ocultos que reside no México. Letteri era um desenhador de traço clássico, influenciado como Galep, pelos grandes autores americanos – Raymond e Foster, principalmente – mas sem a chispa expressionista que tinha o criador gráfico da personagem. Pese tudo isto, Letteri foi um ilustrador sólido, com uma grande dinâmica narrativa – influência da sua formação na escola argentina – e que tanto em finais dos anos 60 como durante toda a década de 70 realizou sagas memoráveis na colecção, como El Morisco e Diablero.    

 

Maio de 1966 – É publicado “Il passato di Tex”; uma das histórias mais aguardadas pelos seguidores do ranger, que vê a luz no número 24 da série Cobra e que não podia ser assinada por ninguém mais que os criadores da série. Tex decide contar a seu filho e a Jack Tigre a história mais bem guardada do seu passado: o motivo porque ele chegou a ter a sua cabeça a prémio. Na sua juventude Tex vivia no rancho do seu pai, no sul do Texas, porém o assassinato do pai por uma quadrilha de ladrões de gado, fará com que Tex persiga estes até ao outro lado da fronteira do México, acompanhado pelo seu mentor Gunny Bill. Tex encontrará numa cantina, os assassinos do seu pai, gerando-se então um tiroteio, que por sua vez fará com que os Rurales do México persigam Tex e Gunny, que terminará com o falecimento deste último.

No regresso a casa, Tex cederá a sua parte do rancho a seu irmão e abandonará a região devido aos problemas com a justiça. Entretanto, depois de um período em que fará parte de um espectáculo de rodeio itinerante, deverá voltar para esclarecer a morte do seu irmão. A resolução do assassinato do seu irmão não fará mais que aumentar os problemas de Tex com a justiça: o que explica a situação em que encontramos o protagonista no primeiro quadradinho da saga de Tex.

 

Janeiro de 1967 – Os cinco primeiros episódios da série Rodeo – última das séries das striscias semanais – trazem a chegada à série de Giovanni Ticci, com ele que, junto com Galep e Letteri, se completa o triunvirato de desenhadores principais da personagem. Giovanni Ticci nasce em Siena em 1940, começando a sua carreira no mundo da banda desenhada somente com 16 anos, idade em que entrou no estúdio do desenhador Rinaldo Dami. Dois anos mais tarde colabora com Franco Bignotti em "Un ragazzo nel Far West", primeiro trabalho escrito por Guido Nolitta – pseudónimo usado por Sergio Bonelli, no seu trabalho como argumentista -. "Judok", série de ficção científica, encerrada em 1963 e escrita por Gianluigi Bonelli, provoca um dos seus primeiros êxitos e possibilita a sua entrada no restrito grupo de desenhadores de Tex. Desde então Ticci centrou a quase totalidade da sua produção nesta série, assim como no seu trabalho de ilustrador – quase sempre relativo ao mundo do Faroeste–.

 

A principal qualidade de Giovanni Ticci é a de ser o único desenhador que conseguiu criar um modelo próprio dentro do conceito gráfico da personagem, aparte do de Galep. A diferenciá-lo do resto dos desenhadores que seguiram a esteira do criador da série, Ticci desde o primeiro momento foi impondo um estilo notoriamente diferencial, que com o passar do tempo, o seguiram alguns dos novos ilustradores da série; podemos inclusive dizer que o modelo derivado de Ticci é tão importante como o do próprio Galleppini. Ticci é hoje em dia o desenhador de referência da personagem e um dos maiores autores que deu o mundo da banda desenhada italiana. 

 

Setembro de 1968 – O número 95 da série mensal traz a publicação do primeiro trabalho inédito dentro da colecção em formato livro. Curiosamente a primeira história realizada expressamente para o novo formato era de Letteri e não de Galep. A diferenciar o quase monopólio que o criador gráfico da personagem levou a cabo na colecção semanal em formato de tiras, durante os primeiros anos do novo formato, Galep repartia o trabalho com Giovanni Ticci, Erio Nicolò e, sobretudo, Guglielmo  Letteri.

 

Dezembro de 1968 – Pela primeira e única vez, Tex é vencido num duelo de pistolas. Tal sucede na história “La sconfitta” que começa no número 98. Sergio Bonelli foi quem sugeriu a seu pai a ideia de realizar uma história na qual Tex saísse derrotado. A história começa quando Tex e Carson chegam à cidade de Silver Bell para descobrir que a povoação se encontra atemorizada ante as actuações dos homens do cacique local. Quando os protagonistas ajudam o xerife a impor a ordem, o manda-chuva contrata os serviços do pistoleiro Ruby Scott, que será quem vencerá Tex num duelo, utilizando para isso um coldre adulterado. Logicamente a coisa não fica assim, e Tex, pese estar ferido e ter o braço direito inutilizado, voltará a defrontar o pistoleiro utilizando a mão esquerda. Ao já conhecer o truque usado por Ruby, o resultado só pode ser a vitória de Tex. 

 

 

Fevereiro de 1969 – É publicado o número 100 da série mensal, primeira revista a cores da personagem. A partir desse momento, todos os múltiplos da centena na série consistirão em um episódio especial a cores. Galep será o ilustrador de todos eles, excepto do número 500, desenhado por Ticci, sendo os três primeiros destes especiais escritos por Gianluigi Bonelli, enquanto Claudio Nizzi fará o mesmo com os dois seguintes. 

 

Junho de 1969 – O número 104 traz o arranque de “Il Giuramento”, outra das histórias não contadas do passado da personagem Tex. Nessa ocasião Gianluigi Bonelli e Galep nos oferecem os acontecimentos relacionados com a morte de Lilyth, através do relato que Tex faz a Kit sobre o falecimento da sua mãe. O que Kit Willer e os leitores descobrem é que a epidemia de varíola assolou a tribo de Flecha Vermelha, não se propagou por causas naturais. Devido a isso, Tex e Jack Tigre procederiam a uma perseguição implacável aos responsáveis pelas mortes, que desgraçadamente não puderam completar ao escapar um dos responsáveis.

A razão pela qual Tex decide contar nesse momento a história a seu filho, é porque finalmente, depois de mais de vinte anos, e de forma quase acidental, deram com a pista daquele indivíduo, o que permitirá a Tex cumprir o juramento que realizou sobre a tumba da esposa.

 

 

 

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21 de Janeiro de 2007

CRONOLOGIA ESSENCIAL DE TEX - Décadas de 40 e 50

O blogue do Tex, apresenta diariamente, a partir de hoje, dividido por décadas, devido à enorme extensão do artigo, uma cronologia de Tex Willer, desde o seu nascimento até aos nossos dias. 
C
om esta cronologia essencial de Tex que se segue, pretendeu-se somente fazer uma revisão de alguns dos momentos temática e criativamente, mais em destaque na história da personagem, num texto de José Carlos Francisco, baseado no livro-catálogo "Tex Habla Español".

 

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30 de Setembro de 1948 – Tex aparece nos quiosques italianos pela primeira vez. “Il totem misterioso” é o título do primeiro episódio da colecção TEX; colecção que se publicaria semanalmente em formato de tiras (striscias). Este primeiro número custava 15 liras e constava de 36 páginas – ou tiras - .
Durante quase 20 anos – até 1967 – a colecção foi publicada nesse formato, mediante uma sucessão de 36 séries consecutivas que completariam 973 episódios, o último dos quais tinha 84 páginas e custava 50 liras. As diferentes séries tinham uma extensão variável, que iam desde os 75 números da maior até os 11 episódios da menos extensa e apresentavam nomes de cores – verde, amarelo ou azul -, lugares – Califórnia, Kansas ou Arizona – ou  povos índios – Navajos, 
Apaches ou  Comanches–.

 

No arranque da série, Tex é perseguido pela justiça, por motivos não claramente especificados; contudo este papel não convencia Tea Bonelli, de modo que Tex mudaria rapidamente de campo. Assim no décimo terceiro número, travará uma amizade inquebrável com Kit Carson, membro da corporação dos Rangers do Texas, o que possibilitará que se una ao corpo como agente especial. Gianluigi Bonelli e Galep, logo nos episódios iniciais nos apresentaram uma série de personagens que resultarão essenciais na evolução da saga, como por exemplo Mefisto, o seu principal e mais importante inimigo, o revolucionário mexicano Montales e o já mencionado Kit Carson.

Sobre a personagem Carson, há que assinalar que pese o facto de ter existido efectivamente um Kit Carson, personagem real da História norte-americana, este nada tem a ver com a personagem criada por Bonelli e Galep. De facto poderemos dizer que são diametralmente opostos, já que o Kit Carson real tem a atónita honra de ter sido quem mandou o povo Navajo para a reserva, enquanto que a relação do companheiro de Tex com a mencionada tribo é especialmente cordial por motivos que veremos adiante.

 

Dezembro de 1949 – Arranca a segunda série em formato tiras. Durante os seus 75 números, assistimos a diversos acontecimentos cruciais para a personagem: no mítico episódio do “Il patto di sangue”, Tex é capturado pelos Navajos e quando se encontra amarrado no poste dos martírios, numa situação bastante comprometedora, intervém Lilyth, a filha do chefe Flecha Vermelha, que compromete-se a casar com o prisioneiro para assim salvar-lhe a vida. De repente, Tex vê-se casado e fazendo parte da tribo, que o baptiza com o nome de Águia da Noite.

 

 

Também será apresentado um pouco mais adiante, Jack Tigre, um índio navajo duro e estóico, que manterá uma fidelidade de ferro para com Tex e uma amizade igualmente férrea com o futuro herdeiro deste.

 

Maio de 1951 – Inicia a terceira das séries das striscias. Passaram vários anos desde os acontecimentos da série anterior. Lilyth morreu e deixou a Tex um herdeiro, que conhecemos já menino – a primeira aparição de Kit Willer acontece quando vemos uma flecha atirada por si, atravessando o chapéu de Carson –.   Tex vive com os Navajos no Arizona – Tex é natural do Texas – e será investido chefe dos mesmos após o falecimento de Flecha Vermelho, seu sogro; fixando então a partir daí a aldeia Navajo como a sua base de operações. Desde então já teremos a série nos parâmetros que todos conhecemos, Tex é simultaneamente agente especial dos Rangers e chefe dos Navajos e já está formado o grupo principal de protagonistas: Tex, Kit Carson, Jack Tigre e Kit Willer, este ainda em fase de crescimento. 

 

Outubro de 1958 – Aparece a colecção mensal de Tex que conhecemos na actualidade. As aventuras de Tex em formato de tiras, foram reeditadas em várias ocasiões e em distintos formatos; isso motiva que a esta colecção mensal se conheça tecnicamente como segunda série gigante – o termo gigante talvez surpreenda tendo em conta as medidas da revista que são 21 x 16 cm, porém o termo comparativo era o tamanho das striscias –. Ao princípio reeditaram todo o material das striscias, montando três tiras por página, em edições bimestrais que arrancaram com 164 páginas e 200 liras de preço. Posteriormente se passaria a 132 páginas e mais tarde às 114 actuais, convertendo-se em mensal em Janeiro de 1962.
A nova colecção não supunha no entanto, o desaparecimento da striscia semanal com aventuras inéditas em formato de tiras. Ambos os formatos conviveram durante quase 10 anos, até ao desaparecimento do primeiro deles em 1967.

 

 

 

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15 de Janeiro de 2007

CAPITÃO BARBA NEGRA

De Ulisses a Jim Hawkins, de Sinbad ao capitão Nemo, de Ahab a Corto Maltese, os mais grandiosos protagonistas de histórias de Aventuras tiveram que enfrentar, mais cedo ou mais tarde, uma viagem nas imensas extensões Oceânicas, com tudo que isso envolve: tempestades, abordagens, naufrágios, batalhas navais, caça à baleia… Tex não podia ser a excepção.

A ocasião ofereceu-lhe o Capitão “Barba Negra” Drake, que rapta Kit Willer e o aprisiona num velho veleiro (o “Black Shark”), pensando em abandoná-lo num atol do Pacífico. Homem do mar de carácter duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal sem pensar duas vezes, Barba Negra tudo somado, é um simpático pirata, provido de um seu código de honra. Por isso, em seguida, passará a fazer parte dos aliados de Águia da Noite.

(Para aproveitar a extensão completa da foto acima clique na mesma)

QUEM É O CAPITÃO BARBA NEGRA  

Tex abandona frequentemente terra firme, para zarpar, a bordo de veleiros, botes, pirogas e baleeiras em direcção a metas exóticas e remotas. 
E é precisamente no coração do Oceano Pacífico que o ranger se aventura para encontrar o seu filho Kit, embarcado (à força) como marinheiro no barco de um simpático patife: Capitão Barba Negra!
 

Onde está meu filho?”, pergunta Tex com olhar fogoso, agarrando pelos colarinhos o aterrorizado Diamond Jim. O homem, que tem vários locais de tráfico de São Francisco, mandou raptar Kit Willer para vingar o próprio irmão, vítima de Águia da Noite há alguns anos atrás. Mas depressa arrepende-se. De facto, rapidamente, com um lampejo de horror nos olhos, revela que Pequeno Falcão foi apanhado e embarcado pelos homens do “Black Shark”, o barco de um certo Capitão Drake, dito Barba Negra.

Essa pessoa recebeu uma pilha de dólares e a ordem de desembarcar o prisioneiro no meio do Pacífico, num atol esquecido por Deus, durante a sua viagem para as Ilhas Salomão.
Para ir no encalço do “Black Shark”, que já tinha levantado âncora, Tex contrata, por sua vez, um capitão de longo curso, Billy Bart, velho rival de Barba Negra, convencendo-o a desdobrar as velas do seu três-mastros. Bart descreve Drake com estas palavras: “É um maldito filho de um cão, mas a seu modo é um homem de palavra!

 

Homem duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal nas tabernas de portos de meio mundo, tem porém o seu código de honra. “Eu me comprometi em desembarcar-te o mais longe possível de “Frisco”, num lugar do qual tu tenhas escassas possibilidades de voltar.”, diz Barba Negra a Kit Willer, durante a navegação, “E que eu seja enforcado se não farei isso, embora eu te ache simpático. Eu mantenho sempre a minha palavra”. Pequeno Falcão refuta: “O que, neste caso, seguramente lhe vai custar a pele”. “Conversa!”, replica o Lobo do Mar. “Tu não tens a mínima ideia de quem seja o velho Drake!”. E Kit, de imediato: “E você não suspeita nem de longe quem seja o meu pai. Fará tudo para descobrir onde eu fui parar; se não conseguir não descansará enquanto não puser as mãos em todos os responsáveis pelo meu desaparecimento!”.
No final, travado por Tex, que o perseguiu por meio Pacífico, Barba Negra perde o “Blak Shark” mas salva a fatídica pele.  


Quando, anos depois, o ranger e o capitão se revêem, este último está há algum tempo enclausurado entre os muros de Alcatraz, e ainda chora pela sorte do seu barco, que foi fazer companhia aos peixes no fundo do Oceano. “Um fim justo para uma banheira que só servia para contrabando e assaltos”, comenta Águia da Noite.

Habituado aos horizontes do mar aberto, Drake sofre como uma raposa na armadilha agora que é forçado a viver fechado numa penitenciária. Porém há um trunfo para jogar: sabe onde está escondido Tom Devlin, o chefe da polícia de São Francisco, acabado de ser vítima de uma conspiração efectuada por alguns dos seus próprios colegas. Drake pede a Tex a promessa de tirá-lo da prisão em troca da sua ajuda. Willer e Carson, por isso, fazem evadir Barba Negra de Alcatraz, e Drake, de novo livre revela que o Capitão Devlin está aprisionado na estiva de um navio chamado “Albatroz” que ruma para Vancover.
   

     

Águia da Noite compreende ter agora de precisar do barbudo pirata e lhe assegura que convencerá Devlin a perdoar-lhe o resto da pena, se colaborar com a Lei. Os dois homens se entreolham e compreendem em poucos instantes que precisam um do outro. Barba Negra ajuda Tex por conveniência. Mas o faz.

 

É ele mesmo a admirar-se, quando, no final, se encontra a jantar no restaurante com o policial que contribuiu para libertar.: “Pelo ventre de um tubarão, essa é boa! Um penduricalho de forca como eu sentado ao lado do chefe da polícia!”. Quase para salvar a face ou para não se desdizer a si mesmo, Drake não renuncia a apontar o dedo contra o ranger: “A nossa conta permanece em aberto, Willer! Um dia poderás me encontrar no teu caminho novamente!” E Tex: “Não te aconselho! Eu poderia arrancar essa barba e fazer uma vassoura com ela”. Mas, pouco depois, o encontro termina com um brinde: “À volta do Capitão Devlin e à regeneração de um velho pecador!”. 

 



Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 28 de "Il Mondo di Tex", editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 21 de Outubro de 2006

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02 de Janeiro de 2007

MONTALES

Chamado de bandoleiro, mas na realidade fervoroso patriota (e por isso perseguido pelos tiranos contra quem combate), Montales é por excelência, o amigo mexicano de Tex Willer. 
Quando aparece, no número 3 italiano, vem definido como "um homem de fibra que fez inimigos entre pessoas que hoje estão no governo".

Um rebelde, tal, como rebelde é Tex. Entre os dois inevitavelmente, nasce uma sólida amizade, destinada a durar longamente: Montales tornar-se-á uma das mais simpáticas "personagens recorrentes" da saga, envolvendo o ranger vindo do outro lado da fronteira na turbulenta atmosfera de um país que passa de um golpe de estado a outro. Terá a honra de ser citado no título de um álbum "Il ritorno de Montales) e estará presente na série até aos nossos dias, com os cabelos um pouco esbranquiçados e com o cargo de governador do México.

(Para aproveitar a extensão completa da foto acima clique na mesma)

QUEM É MONTALES  

No decurso das suas aventuras, Tex Willer aventura-se frequentemente e voluntariamente para além das margens do Rio Grande, para dar uma mão ao amigo Montales, "um homem de fibra", que de rebelde em luta contra o corrupto regime mexicano, tornou-se depois governador de um Estado, o de Chihuahua, politicamente em contínua ebulição. 

Que coisa sucede, quando o revolucionário que luta contra o poder constituído abate finalmente os prepotentes contra os quais lutava em campo?
O habitual, encontra-se defronte da responsabilidade de substituí-los e, portanto é investido ao poder pelos que estão à sua volta.
Um belo gato para esfolar, porque não é garantido que quem demonstrou ser hábil com as armas, seja também entretanto a governar.
Montales, pelo contrário , é um revolucionário que superou a prova mais difícil, que não é aquela de vencer combatendo, mas aquela de convencer governando. De bandoleiro e revolucionário, a chefe de um pequeno bando, a general e governador, com o destino de um Estado nas mãos, o amigo mexicano de Tex, revela-se um daqueles raros homens em que a política não conspurca as mãos nem retira a coragem.

 

No momento do primeiro encontro com o nosso herói, Montales (de quem Gianluigi Bonelli jamais revelou o nome de baptismo) guia um grupo de cerca de vinte homens que têm o seu esconderijo na Sierra e que se batem contra o governo mexicano: não roubam gado, não assaltam pessoas. São denominados "bandoleiros" somente pela reacção à violência da trupe governativa, expressão de um regime tirânico que será substituído por um mais democrático executivo, liderado por Manuel Perez.

Com Águia da Noite a seu flanco, Montales consegue dar uma viragem fundamental à revolução, num crescendo de sucessos, devido também ao sólido contributo de Tex, que não tardou a tornar-se o estratega do grupo: "Até agora limitaste-te a descer a algumas aldeias para ires buscar víveres. Mas porque não atacas? Deverias espalhar o terror entre as tropas mandadas para ocupar esta província!", é o primeiro conselho de Tex a Montales.   

     

Em seguida, quando os revoltosos já tinham conquistado força e prestígio, o ranger não teve dúvidas: "Teremos de mudar de táctica de agora em diante. Teremos de procurar atingir os chefes, aqueles que estão cómodos e seguros atrás de uma secretária, e mandam os outros para o massacre. Temos de angariar a simpatia do povo, fazer os soldados entenderem que não lutamos contra eles, mas contra os espoliadores do país. Os soldados constituem um perigo dependendo dos chefes que os lideram, mas se os privarmos dos chefes, a quem obedecerão? Atirarão sem ter essa ordem contra aqueles que lutam para defender os pobres e oprimidos? Não, Montales!... Eles não dispararão. Eles passarão cada vez em maior número para o teu lado, Montales e tu tornarás não um célebre bandoleiro mas um herói nacional!".

 

E as previsões de Tex, depressa se confirmam. Depois da fuga dos tiranos governantes, Perez é aclamado como Presidente do México, e Montales, de bandoleiro que era, encontra-se no cargo de Governador do Estado de Chihuahua.
A revolução está terminada, é hora de arregaçar as mangas e reconstruir o país.
Tex Willer e o amigo mexicano se encontrarão todavia várias vezes, e Montales sempre se mostrará digno da confiança de Águia da Noite, seja voltando a empunhar as armas, quando necessário, seja manobrando as rédeas do poder, se a situação assim o exigir.



Texto de José Carlos Francisco, baseado no fascículo nº 10 de "Il Mondo di Tex", editado pela Hachette Fascicoli sob autorização da Sergio Bonelli Editore, em 11 de Fevereiro de 2006.

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