25 de Julho de 2008

TEX de Joe Kubert no Diário de Notícias: 6 de Setembro de 2004

Texto da secção Livros de 6 de Setembro de 2004
Banda Desenhada »
Tex Willer
João Miguel Tavares


TEX GIGANTE 9 - O CAVALEIRO SOLITÁRIO

O Cavaleiro Solitário
Claudio Nizzi e Joe Kubert
Mythos Editora
244 págs, € 7,50

É já uma tradição da casa editorial Bonelli: convidar um desenhador prestigiado e exterior ao universo de Tex para assinar uma aventura de prestígio em grande formato.
Em O Cavaleiro Solitário, a escolha recaiu sobre o americano Joe Kubert, veterano de 77 anos, ilustrador, escritor, editor, professor, autor de comics desde a década de 40.
Apesar da idade, Kubert não perdeu a mão, assinando com classe uma história onde Tex Willer dispensa a companhia dos amigos.

Copyright: © 2004 Diário de Notícias; João Miguel Tavares
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13 de Julho de 2008

Dylan Dog, Martin Mystère (de Tiziano Sclavi e Alfredo Castelli) e Tex em grande destaque na revista LER nº 65: Inverno 2004/2005

Texto da secção Livros do Trimestre (Banda Desenhada) nº 65, de Dezembro 2004
João Ramalho Santos

As sequências rebeldes

Onde se pode encontrar banda desenhada? A resposta a esta pergunta é a mesma que se repete quando se referem muitas outras coisas. A BD está em toda a parte. Dos panfletos e manuais para montar móveis, ensinar línguas ou accionar complexos electrodomésticos, às livrarias, passando por paredes, ruas e passeios. Mesmo, por vezes, pendurada em molas, encaixada em estruturas caóticas de metal, sujeita às intempéries, escondida entre brindes vendidos com jamais e revistas. Nos quiosques.

Por aí se recomendam os clássicos das Obras-Primas da BD Disney (com trabalhos de Don Rosa e Carl Barks); ou o fenómeno W.I.T.C.H., boa descoberta para pré-adolescentes que talvez cheguem ao Harry Potter ou aos Cinco. Porém as propostas mais interessantes neste contexto são as que chegam de Itália, via Brasil. Fumetti da Bonelli Comics distribuídos em Portugal pela Mythos Editora, que é uma aventura descobrir no reino do efémero que são os escaparates dos quiosques. Estamos a falar de livrinhos que o leitor terá muita dificuldade em encontrar; o tempo de distribuição é curto, o trimestre longo. E talvez um leitor paciente encontre outros números, outras aventuras. Pode ser que valha a pena. Vale a pena, de certeza, agradecer a José Carlos Francisco, representante da Mythos em Portugal, que revelou antecipadamente aquilo que talvez ainda por aí espreite e espere, suspenso.

Tiziano Sclavi
Dylan Dog
Alfredo Castelli
Martin Mystère
Bonelli/Mythos, 2004


As fundações da Bonelli, um autêntico império de BD em Itália, radicam em dois pressupostos que se repetem nas (muitas) séries da editora: a definição arquetípica de personagens e a submissão a um esquema de narratividade extrema, que enquadra uma história para contar e orquestra o desenho no sentido de o fazer de forma clara e  «legível». É interessante notar que, considerando estas características os fumetti da Bonelli se aproximam da BD franco-belga na exacta medida em que se afastam dos comics norte-americanos. E vice-versa. Se o estilo gráfico, narrativo e temático tem referências franco-belgas, a produção quase em série lembra mais o folhetim, ou o ritmo dos comics (e não serão casuais alguns pontos de partida de Umberto Eco ao discutir uns e outros). Ou seja, alguma repetitividade que se encontra nas histórias cíclicas de super-heróis surge contrabalançada pela ausência de elementos óbvios de fantasia e role play.

Por outro lado, se Charlier condensava vários westerns numa só aventura de Blueberry, basta começar a ler o Tex da Bonelli para perceber o que significa a produção em massa. Enunciado desta maneira parece estarmos em presença de uma receita inevitável para fazer artesanato sem arte. Pior, artesanato industrial. Este assunto é mais um cavalo de batalha do que uma discussão séria. Muita da pior banda desenhada que se faz é comercial, mas alguma é, também, alegremente independente e alternativa. Mesmo que se considerem as revistinhas da Bonelli/Mythos um antro de comercialismo, qual é o problema? Simplicidade arquetípica não é o mesmo que simplismo formulista. Na verdade, aquilo que surpreende na Bonelli é a qualidade média extremamente elevada das suas histórias (embora o formato disfarce, pela redução, alguns grafismos medíocres). E é sempre bom haver um mainstream para iniciar leitores e, até, para ajudar a definir a que nível se propõem as tais alternativas.
Já agora note-se que, em termos de BD portuguesa o que predomina há muitos anos (excluindo alguma BD histórica) é o «alternativo». O que é hoje o mainstream, senão José Carlos Fernandes?

Mas adiante. Nos comics da Bonelli Tex é ainda a grande referência, até por ser escrito muitas vezes pelo próprio Sergio Bonelli (sob o pseudónimo Guido Nolitta). O grande problema desta personagem é ter um alcance demasiado lato, ser escrita por demasiados argumentistas, e ser protagonista de demasiadas aventuras. Dependendo das circunstâncias, Tex pode ser xerife, detective, justiceiro, cowboy, agente junto dos índios, e, até, de modo muito pouco credível, chefe índio. No campo do western a Bonelli lançou ainda outras personagens, como o índio Mágico Vento, Ken Parker ou Zagor, que, por terem um limite de acção mais definido, acabam por ser mais convincentes enquanto personagens complexas. Tex é o típico cowboy-herói sem grandes cambiantes ou lados escuros (mais Super-Homem do que Batman), logo, pouco dado a surpresas. Estas surgem, apesar do sabor formulista de muitas histórias, através do tom humanista completamente desprovido de cinismo, mas que não cede a enredos demasiado açucarados. Se o leitor nunca sente o herói em perigo, há sofrimento e crueldade realistas, e as personagens secundárias são sempre construídas com um rigor e uma complexidade que escapam muitas vezes ao próprio Tex, mesmo quando o argumento prevê uma morte rápida. Como exemplo do melhor, veja-se o Tex Anual n° 4, Em Território Selvagem, uma aventura complexa e muito bem delineada que mescla vários dos elementos característicos da série, e em que o argumento de Mauro Boselli tem a excelente fortuna de encontrar o desenho de um dos maiores autores espanhóis, Alfonso Font (Clarke & Kubrick, John Rohner).

Apesar da dominância de Tex, as duas personagens mais interessantes da Bonelli em Portugal são, de um ponto de vista pessoal, e apesar dos nomes gongóricos, Martin Mystère e, sobretudo Dylan Dog. Ambas são reflexo da imaginação (e trabalho narrativo) de bons argumentistas (Alfredo Castelli e Tiziano Sclavi, respectivamente), que, regra geral, contam com desenhadores acima da média (mais no caso de Dylan Dog), capazes de animar dois mundos misteriosos ricos e coerentes, dentro das respectivas impossibilidades. Para gáudio de leitores que partilham as mesmas referências, ambos são também exímios na citação obscura. Martin Mystère vai beber à tradição clássica do mistério, variante ficção científica. Acompanhado pelo seu amigo Java, um homem de Neanderthal, o «detective do impossível» revisita nos últimos números (22 a 24) a Atlântida, Mu e a ilha de Páscoa, sob a sombra tutelar de Júlio Verne e do capitão Nemo.

Já o universo de Dylan Dog deriva da literatura de mistério, variante terror, com passagem por The Twilight Zone e The Outer Limits, com chegada previsível a The X-Files. O auxiliar do herói é aqui Groucho Marx em pessoa, o que trai, desde logo, o uso excelente de humor cínico com que Sclavi pontua uma narrativa de possessão maligna (número 20), ou uma excelente história tétrica de crime e castigo com estranhos contornos temporais (número 19). Note-se que, tal como em Tex (mais ainda, dada a temática), quer Dylan Dog, quer Martin Mystère fogem de finais demasiado felizes e reconfortantes, mesmo para os seus heróis; ou seja: mantêm o realismo possível dentro da irrealidade em que se movem. Uma imagem de marca que ajuda os fumetti da Bonelli a evitar os estereótipos dos piores comics. Da pior banda desenhada.

Copyright: © 2004 LER; João Ramalho Santos
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30 de Junho de 2008

TEX de Colin Wilson no Jornal de Notícias: 9 de Janeiro de 2005

Texto da secção Livros de 9/01/2005
Aos Quadradinhos
F. Cleto e Pina

Saudades

Na adolescência corri regularmente os quiosques para comprar cada novo número do "Mundo de Aventuras", que então coleccionava, e descobrir novidades.

Hoje, a BD vende-se principalmente em álbuns, mas vai havendo razões para espreitar os quiosques: a BD americana da Devir e a BD italiana Bonelli (via Brasil) da Mythos Editora.

O que até pode proporcionar boas surpresas, como o "Tex Gigante" nº 10, "O Último Rebelde" (Mythos), desenhado pelo neo-zelandês, Colin Wilson, que se revela bem mais interessante a preto e branco que nas cores de "A Juventude de Blueberry" (Meribérica/Líber) de onde já o conhecíamos, mostrando um óptimo domínio do pincel, revelado pelo traço detalhado, dinâmico e nervoso, trabalhado de forma delicada mas expressiva, e bem servido de contrastes branco/negro.

 Com alguma base histórica, a narrativa de Claudio Nizzi, sendo dura, tem lugar para sentimentos como a lealdade e o sentimento de culpa, e conta a descoberta e desmantelamento, por Tex e Kit Carson, de um exército em formação de ex-militares sulistas que pretendem pôr em causa a vitória do Norte na Guerra Civil americana. E abre o apetite para encontros regulares nos quiosques com as revistas periódicas - "Tex", "Almanaque Tex", "Tex Ouro", "Tex Edição Histórica" - com as aventuras do mais célebre ranger dos quadradinhos.

Copyright: © 2005 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
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18 de Junho de 2008

TEX de Manfred Sommer em grande destaque no Diário As Beiras: 18 de Fevereiro de 2006

Texto do jornal Diário "As Beiras" de 18 de Fevereiro de 2006
João Miguel Lameiras

TEX TRAZ DE VOLTA MANFRED SOMMER

O último “Tex Gigante”, distribuído em Portugal pela Mythos Editora esta semana, traz mais um grande nome da BD mundial com uma carreira construída longe da Editora Bonelli, mantendo assim uma tradição já por diversas vezes destacada neste espaço. Depois de José Ortiz, Victor De La Fuente, Alfonso Font, Ivo Milazzo e Joe Kubert, autores de grande nível que a colecção ajudou a divulgar no nosso país, e de Colin (“A Juventude de Blueberry”) Wilson (ver “Diário As Beiras” de 15/01/2005), a série “Tex Gigante” dá-nos agora a (re)descobrir o trabalho do espanhol Manfred Sommer, mais um nome de peso que Sergio Bonelli conseguiu juntar ao autêntico “dream team” que tem passado pela série “Tex Gigante”.

Criador do jornalista e correspondente de guerra Frank Cappa, interessante e carismática personagem publicada em Portugal em finais da década de 80, primeiro na revista “O Mosquito” e mais tarde em álbum pela Meribérica, Sommer tinha trocado a Banda Desenhada pela pintura nos últimos anos, até que a persistência de Sergio Bonelli o convenceu a regressar (esperemos que em definitivo) à BD nesta aventura especial do mais famoso cowboy dos “fumetti” (nome dado à Banda Desenhada em Itália).

A intriga deste “Tex Gigante”, escrita como habitualmente por Claudio Nizzi, leva o famoso ranger e o seu amigo Kit Carson até ao México em busca dos raptores de uma criança mexicana, raptada junto à fronteira para trabalhar como escrava nas minas de um rico proprietário mexicano, cujos homens controlam toda a região. Embora bem oleada e eficaz, a história inventada por Nizzi não prima pela originalidade, bem pelo contrário, servindo mais como pretexto para movimentadas cenas de acção que Sommer, em grande forma neste seu regresso à BD, desenha de modo dinâmico e eficaz, sem abdicar dos detalhes para ajudar a caracterizar os ambientes, como acontece na cena do baile na aldeia mexicana de Santa Clara, ou nas sequências iniciais no Monument Valley, cenário cinematográfico por excelência.

Desenhador clássico, mas com grande sentido narrativo, Sommer que confessa na entrevista que abre a edição a sua paixão pelo filme “O Bom, o Mau e o Vilão” de Sergio Leone, presta uma homenagem ao realizador italiano, ao dar a Torres, o homem de mão de Dom Manuel Obregon, umas feições que, à parte o bigode quase à Dali, lembram bastante as de Lee Van Cleef, o vilão no filme de Leone. E se a figura de Dom Obregon traduz o seu comportamento maléfico de forma demasiado caricatural, Sommer consegue dar feições bem personalizadas aos inúmeros personagens secundários e figurantes, sem cair tanto nos clichés, como acontece na representação gráfica dos vilões, que têm todos o mal que lhes vai na alma estampado na cara.

Por isso, mesmo que Nizzi se limite a repetir os mesmos esquemas narrativos (quantas vezes não vimos nós em Westerns o truque de utilizar uma manta, um chapeu e um monte de pedras para simular um homem a dormir, como fazem Tex e Kit Carson para enganar os bandidos que se preparam para os emboscar ?) já usados em milhares de filmes e centenas de outras aventuras de Tex, a história dá aquilo que os leitores habituais de Tex esperam dela. É uma história cheia de acção que se lê de um fôlego e com prazer, muito por força da classe do desenho personalizado de Sommer, aqui mais liberto das influências de Hugo Pratt, que eram bem visíveis em “Frank Cappa”.

Embora o melhor de Manfred Sommer (que é um argumentista bem mais interessante do que Nizzi na maioria dos seus trabalhos) esteja não aqui, mas nas aventuras de Frank Cappa, este “Caçadores de Escravos” tem o inegável mérito de ter proporcionado o feliz reencontro do autor espanhol com a Banda Desenhada, ao mesmo tempo que permitiu também o reencontro dos leitores com Manfred Sommer.

(“Tex Gigante nº 12: Mercadores de Escravos”, de Claudio Nizzi e Manfred Sommer, Mythos Editora, 242 pags)

Copyright: © 2006 Diário "As Beiras"; João Miguel Lameiras
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09 de Junho de 2008

Tex e Aventureiros em destaque no Diário As Beiras: 5 de Agosto de 2006

Texto do jornal Diário "As Beiras" de 5 de Agosto de 2006
João Miguel Lameiras

MYTHOS TRAZ O MELHOR DA BONELLI NO FORMATO ORIGINAL ITALIANO

Já por várias vezes objecto de referência nesta coluna, por via da importação das edições da editora brasileira Mythos, os “fumetti” (nome dado à Banda Desenhada em Itália) da Editora Bonelli estão mais uma vez aqui em destaque graças à nova revista “Tex e os Aventureiros”, cujo nº 3 já se encontra nas bancas.

A fórmula desta revista, que recupera o formato original das edições italianas da Bonelli, bastante mais próximo do formato dos comics americanos do que do formato de bolso usado pela maioria das publicações da Mythos, é simples, e consiste numa história longa de uma personagem, completada por uma série de histórias curtas, cada uma protagonizada por um diferente herói Bonelli. Uma selecção que dá uma boa perspectiva das diferentes séries da editora Bonelli, num formato que valoriza os bons desenhadores, cuja riqueza de traço se torna mais visível para os leitores, neste formato maior e que corresponde precisamente àquele para o qual as histórias foram inicialmente desenhadas.

Neste nº 3 da revista “Tex e os Aventureiros”, temos direito a uma aventura do ranger Tex em cor directa, pintada por Fabio Civitelli, que também imaginou a história, interessante, mesmo sem primar pela originalidade, que Claudio Nizzi transformou em argumento de BD. Mais do que pelas inúmeras referências cinéfilas, que o bem conseguido texto de enquadramento ajuda a identificar, esta experiência de Civitelli em desenhar directamente a aguarela, vale pelo seu carácter de raridade, tendo sido a primeira aventura do ranger da Bonelli realizada em cor directa.

Outro dos motivos de interesse desta colectânea é a história “A Espada e a Rocha” de Alfredo Castelli e Giancarlo Alessandrini, em que Martin Mystère vai a Lucca durante o decorrer do Festival de BD daquela bela cidade italiana (o mais prestigiado de Itália) e acaba por ser salvo pelo… incrível Hulk. Uma história simples e divertida, cheia de piscadelas de olho aos leitores de BD e que nos permite matar saudades de Martin Mystère, agora que a VASP (a distribuidora das revistas da Mythos em Portugal) decidiu unilateralmente, sem o menor respeito pelos leitores da série, parar de distribuir as aventuras do “detective do impossível”…

Além disso, temos direito a algumas histórias, bem desenhadas mas sem grande “sumo” de Dylan Dog e Nick Raider e uma história passada na Índia, protagonizada por Ramath, um secundário da série “Zagor” que, pelo pouco que conheço da série-mãe, me pareceu mais interessante do que as aventuras do próprio Zagor

A “piece de resistance”, ou seja a história de fundo, é “Um Mundo Perdido” uma bem interessante aventura de Mister No em busca das ruínas da Atlântida na selva amazónica. Se não há nada a apontar ao clássico, mas muito bem estruturado, argumento de Nolitta, já o desenho de Roberto Diso ganhava mais em ser publicado no formato habitual das revistas da Mythos, pois a redução sempre ajudaria a disfarçar as muitas debilidades do traço deste desenhador, pouco menos que banal, bastante abaixo do nível médio gráfico desta bem produzida revista.

Só é pena que muitos dos leitores que travarem contacto com algumas das personagens em destaque nesta revista, como Nick Raider, Martin Mystère e Mister No, e que queiram conhecer melhor estes carismáticos heróis da Editora Bonelli, vão ter grandes dificuldades em o conseguir, pois trata-se de personagens cujas séries foram canceladas no Brasil. Por isso, para quem como eu, achava que o mais interessante dos “fumetti” da editora Bonelli não passava necessariamente pelas páginas das revistas do Tex ou de Zagor, estes tempos de crise, que se reflecte de forma tão clara nas bancas, não são propriamente animadores…

(“Selecção Bonelli Comics: Tex e os Aventureiros” nº 3, Vários Autores, Mythos Editora, 252 pags, 6 €)

Copyright: © 2006 Diário "As Beiras"; João Miguel Lameiras

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26 de Maio de 2008

Tex, o Pistoleiro, no periódico online "Imaginário"

IMAGINÁRiO193
José de Matos-Cruz
· 01 SET 2008 · Edição Kafre · imaginario@imaginarios.org
Ano V · Semanal · Fundado em 2004

Por José de Matos-Cruz [1]



INVENTÁR
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TEX, O PISTOLEIRO


_ Divulgada regularmente entre nós, através dos álbuns brasileiros da Editorial Vecchi, a saga de Tex Willer celebra seis decénios, empolgando milhões de admiradores, sobretudo através de sucessivas gerações de italianos. De facto, o seu lançamento ocorreu em Setembro de 1948, por iniciativa da empresa Audace, sendo autor Gian Luigi Bonelli, e primeiro ilustrador Aurelio Galleppini. Vários artistas lhe deram fiel continuidade, como Fabio Civitelli, Vicenzo Monti e Claudio Villa, além de outros notáveis, entre os quais Guido Buzzelli, Alberto Giolitti, Jesus Blasco ou Fernando Fusco, sendo ainda Claudio Nizzi um destacado argumentista.

Filho de um rancheiro assassinado por bandidos, e iniciado por Bill Gunny, um pistoleiro que se regenerou como cowboy, Tex começa perseguido pelas autoridades, pelo modo como dá caça aos fora-da-lei e, com romântico valor, se converte em Robin Hood das pradarias. Conhecido entre os índios por Águia-da-Noite, e aceite como um deles, Tex é um ranger responsável pela reserva dos Navajos, no Arizona, viúvo de uma nativa, Lilyth, tendo por mais constantes companheiros Kit Carson, o nativo Tigla e o próprio filho, Kit Willer.

Exposto em mil façanhas, envolvido pela paixão de outras mulheres, enfrentando inimigos crónicos mas ardilosos, Tex identificar-se-ia, carismática e primordialmente, com o criador Bonelli - segundo o especialista Decio Canzio, que lhe aponta «alguns dos mais intensos sentimentos da alma humana»: dignidade da vida, conceito de justiça, defesa dos fracos e oprimidos, tenacidade, celebração da amizade e do companheirismo...

Em 1985, e tendo por protagonista Giuliano Gemma, vedeta carismática de outro típico mas bastardo fenómeno transalpino, o western-spaghetti, Ducio Tessari realizou Tex, o Pistoleiro (Tex and the Lord of the Deep) - em que o próprio G.L. Bonelli, também guionista e aparecendo como um velho sábio índio, evoca as origens lendárias do seu paladino. Produzido pela RAI-Channel 3, com a Cinecittà, este filme trepidante mas nostálgico, com implicações mágicas ou místicas, tem ainda como intérpretes William Berger, Carlo Mucari, Isabella Russinova e Flavio Bucci. Reinvestindo pelas virtualidades tradicionais do imaginário, o sortilégio tradicional da aventura transfigura-se, pois, envolvendo um letal tráfico de armas pela fronteira do México, e arrostando, ainda, os desígnios de uma seita maligna, sobre tribos sublevadas.



[1] Nasceu em Mortágua, em 1947. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1973). Escreve em jornais e revistas desde os anos ’60. Em ficção e poesia, publicou entre outros livros Tempo Possível (1967), Cafre (1970), Alma de Cadáver (1985), A Erosão dos Lábios (1992), Hexálogo (2000), Os EntreTantos (2003) e O Infante Portugal (2007). Em banda desenhada, fundou e dirigiu várias revistas, coordenando Quadradinhos (1983-2004) n’A Capital. Em 2004, iniciou o Imaginário - periódico com versão newsletter e no formato webzine em www.imaginarios.org. Em cinema, destacam-se as suas monografias sobre Charles Chaplin (1981), Manoel de Oliveira (1996), António de Macedo (2000), Artur Ramos (2003) e as obras-mestras O Cais do Olhar (1980 e 1999), Prontuário do Cinema Português 1896-1989 (1989), O Cinema Português - 1896-1998 (1998)  e 30 Anos Com o Cinema Português (2002). A partir de 1986, colabora no Diário de Notícias. Consultor da série História do Cinema Português (após 1995) para Acetato/RTP. Consultor em dicionários e enciclopédias. Assessor da RTP em programação (1989-94) e produção (1998-99). Desde 2000, professor convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema. Autor da base Cinema Português (2002) do Centro Virtual/Instituto Camões. Desde 2003, é docente da Licenciatura em Cinema da Universidade Moderna. Na Cinemateca Portuguesa desde 1980, é responsável pela Filmografia Portuguesa. Em 2005, lançou Joaquim de Almeida - 1838-1921 - Um Actor de Montijo. Actualmente, desenvolve o levantamento informático Anuário Teatral - Portugal - Século XIX. Em 2005, Delfim Ramos realizou em DVD, José de Matos-Cruz - Memórias Afectivas e Outras Histórias para Dolphin Produções.
 

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19 de Maio de 2008

Coleccionismo: paixão ou vício?

O Portugal Diário falou com vários coleccionadores e o blogue do Tex também apresenta o resultado final!

Texto do IOL Portugal Diário, de 17 de Maio de 2008
Por Miguel Morais

Coleccionismo: paixão ou vício?


«Sou bastante racional nas minhas compras, no entanto, adquirir 200 euros de banda desenhada pode ser considerada uma loucura para muita gente». A afirmação é de Sérgio Sousa, coleccionador de livros de BD há mais de 30 anos. A timidez em miúdo fê-lo refugiar-se numa paixão especial pela personagem Tex, que diz ser para a vida. Actualmente possui cerca de três mil livros de BD, que guarda com todo o cuidado em dois roupeiros, que adquiriu propositadamente para a colecção. Sérgio é apenas um entre milhares de portugueses que, pelas mais diversas motivações, se dedica ao coleccionismo. Todos os motivos são válidos para se iniciar uma colecção.

«Esta paixão por objectos que contenham as iniciais JB, nasce precisamente pelo facto de coincidirem com as letras que iniciam o meu nome, e também porque familiares e amigos me chamam assim», refere Joaquim Barbosa, responsável por uma colecção que integra todo o tipo de objectos relacionados com a JB.
Em apenas oito anos como coleccionador, já atingiu o número de 775 objectos, que fez questão de catalogar, numerar e expor num espaço reservado. Revela já ter sido um coleccionador «insaciável», mas hoje em dia diz preferir «partilhar paixões».
Quando questionado sobre o objecto que mais valoriza de todos os que possui, a resposta é politicamente correcta. «Na minha opinião, um coleccionador, raramente consegue distinguir este ou aquele objecto no seio de tantos», sublinha Joaquim Barbosa. No entanto, destaca uma mesa de bilhar da JB como um objecto «especial», devido ao preço que custou o seu transporte.
Joaquim Barbosa, ou JB - como é conhecido - possui uma ambição que é comum à maioria dos coleccionadores: «Quero poder partilhar este espólio, dando a conhecê-lo à sociedade em geral».

Moedas, selos e pacotes de açúcar
Em Portugal existem várias empresas e lojas que se dedicam à venda de material para coleccionadores. Moedas, selos e pacotes de açúcar estão no topo das preferências.
Bruno Santos colecciona moedas desde os 12 anos. «Gosto de moedas. E as moedas contam histórias, especialmente as comemorativas», justifica. Em vinte anos juntou mais de 1300, que guarda em caixas próprias de coleccionador. A mais antiga que possui é de 1778. Ao contrário de outros coleccionadores, refere que «não procura as moedas», nem frequenta feiras de objectos antigos. Mas reconhece a autoria de uma loucura, quando adquiriu uma pequena moeda de ouro por 50 euros.

A paixão clubística também assume relevância no coleccionismo. Pedro Freire é coleccionador há apenas um ano e meio. A paixão surgiu após ter ensinado a filha sobre como criar um blogue. O tema escolhido foi os cachecóis e desde esse momento nunca mais parou. Actualmente tem mais de 400 modelos. «Tenho duas doenças, sou asmático e do Benfica. Interesso-me pelos cachecóis mas a paixão é pelo Benfica», sublinha Pedro Freire.
A colaboração da esposa assume um papel preponderante. «Quando recebo cachecóis em mau estado peço ajuda à minha mulher, que os lava», explica. O seu objectivo é tentar obter todos os cachecóis que existem do clube da Luz, naquele que considera ser «um hobby para a vida e para continuar em família».

O coleccionismo é, segundo vários psicólogos, uma forma de aprendizagem e satisfação para o ser humano. «Se nos dedicarmos a algo que não termina e enquanto continuarmos a sentir prazer, pode ser para a vida inteira», reforça Sérgio Sousa.

Copyright: © 2008 IOL Portugal Diário; Miguel Morais
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11 de Maio de 2008

Almanaque Tex nº 30 no BDJornal #22, de Jan/Fev 2008

Texto da secção Recensões e Críticas de Janeiro/Fevereiro - 2008
Por Pedro Cleto

Almanaque Tex #30 - O preço da honra/A força do destino
Claudio Nizzi (arg) e Venturi (des)
Mythos Editora (data previsível de distribuição em Portugal: Início de Abril)


Numa série como Tex, com produção regular mensal (com tudo o que de bom e de mau este conceito acarreta), e uma qualidade média bastante razoável, as histórias mais interessantes, a nível de argumento, para mim, acabam por ser aquelas que fogem mais aos estereótipos normalmente associados ao herói.
Ou pela abordagem de temáticas distintas ou por se atreverem a um tratamento diferente do (tão imutável) protagonista (que é assim, porque é assim que os leitores gostam, por muito que alguns "críticos" gostassem de ver outros temas/ situações nas suas histórias).

Um desses casos é o díptico publicado neste número do Almanaque Tex, colecção que publica histórias inéditas de Tex originalmente publicadas na série italiana "Almanacco del West" ou histórias que ficaram por publicar quando era a Editora Vecchi a responsável pela edição brasileira de Tex.

Numa história recente, de 2006, como habitualmente bem narrada e estruturada, funcionando à base de constantes flash-backs, aparentemente dentro dos códigos que regem um dos mais famosos e populares westerns europeus, há uma diferença fundamental: Tex, geralmente dono e senhor da situação, infalível e (quase) omnipotente, falha estrondosamente. E logo por três vezes. Primeiro, quando não consegue evitar o fim trágico de Natay, o índio rebelde que quase lhe rouba o protagonismo da narrativa. Depois, quando não consegue que o verdadeiro criminoso, o oficial do exército corrupto, seja levado à justiça.
Finalmente, quando não consegue evitar ou pelo menos atenuar o castigo (apesar de tudo justo) do seu assassino. Motivos suficientes - mas há mais, que deixo aos leitores descobrir - para mergulhar na leitura destas mais de 200 páginas.

PS - A titulo de curiosidade, uma nota: se o desenho de Venturi é profissional q.b., eficiente, expressivo e dinâmico, não deixa de ser interessante reparar como o Tex das situações em flash-back é igualzinho ao Tex das cenas passadas na actualidade. Isto, apesar dos cerca de 20 anos que medeiam entre as duas. Mais uma prova da imutabilidade de Tex e de que os grandes heróis são mesmo eternos!

Copyright: © 2008 BDJornal; Pedro Cleto
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30 de Abril de 2008

BDjornal #22 - Finalmente na rua e com os 60 anos de TEX em destaque!

Para conhecimento dos amantes da 9ª Arte e em especial para os fãs e coleccionadores portugueses de Tex Willer, informamos que  o BDj #22 já está à venda e portanto já pode ser adquirido por quem o deseje.

Uma vez mais, o nosso Ranger, tem um belo destaque nesta publicação portuguesa de periodicidade bimestral sobre banda desenhada, com direcção de Jorge Machado-Dias e propriedade de Pedranocharco Publicações e que recentemente foi elogiada num editorial da revista italiana DAMPYR, da Sergio Bonelli Editore.

blogue do Tex, aconselha vivamente a leitura do BDJornal, já que nesta sua edição # 22, que acabou de ser publicada, Tex Willer está em destaque, ou mais precisamente, os 60 anos do Ranger, devido a um texto de duas páginas, da autoria de José Carlos Francisco intitulado " TEX WILLER A CAMINHO DOS 60 ANOS!", conforme se pode ver nesta imagem que mostramos de seguida.



Também nesta edição temos uma recensão crítica do jornalista Pedro Cleto, a propósito da aventura publicada no Almanaque Tex#30: "O Preço da Honra".

No que aos fumetti ainda diz respeito, temos a acrescentar uma página dedicada ao personagem Demian. Trata-se de um texto de Mário João Marques, onde o autor mostra que depois dos dezoito números previstos para a série, Demian vem provar que a estratégia editorial da Sergio Bonelli Editore de publicar séries auto-conclusivas tem pernas para andar, assim como nos dá a conhecer à lupa, a série que tem como base de operações, a cidade francesa de Marselha.

Por tudo isso, prezado Amigo Texiano não deixe de comprar esta edição do BDJornal, uma vez que se pode considerar um verdadeiro item de coleccionador de Tex! Para o adquirir ou para proceder à assinatura, recomendamos o contacto via e-mail (bdjornal@gmail.com) com o editor Jorge Machado-Dias. 

O BDjornal tem o formato de 275 x 205 mm e contém 76 páginas em impressão digital – capa em cartolina de 200 grs. plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 grs. -  com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas da especialidade, apostando decididamente em reforçar o número dos assinantes.
O preço de capa é de € 6,00 e a assinatura por 1 ano (6 números) é de € 30,00.

Eis o Press-release e algumas imagens:

Com mais quatro páginas do que as anteriores edições, devido sobretudo à extensão do “Dossier” Angoulême, mesmo assim algum material programado teve que ficar de fora deste BDjornal #22. Entre este material destaco o texto de Leonardo De Sá – que será incluído na próxima edição do BDj – sobre o almoço de platina, que anualmente reúne arqueólogos-historiadores da BD, na sexta-feira do Festival de Angoulême. Já agora, L.D.S. prepara uma série de artigos, com o título genérico Peças Raras, a iniciar já no próximo número, com um texto sobre o único e raríssimo álbum em português de W. Heath Robinson, circa 1924.

Outro texto noticiava a acção de censura a um programa televisivo sobre Tintin e que, já um bocado desfasado em relação ao acontecimento, deverá ser incluído na próxima edição, dada a sua pertinência, em relação a censuras várias, no campo da BD, ilustração e cartoon, que temos vindo a denunciar nestas páginas.

Um resumo, de Clara Botelho, do Relatório Anual da ACBD (Associação de Críticos de BD, em França), serve para chorarmos um pouco sobre a triste condição da banda desenhada neste jardinzeco mal amanhado, à beira mar plantado.

Para assinalar os 80 anos de João Abel Manta, publicamos versão resumida de um texto de Osvaldo Macedo de Sousa, incluído no álbum João Abel Manta – Gráfica, editado em 1988 por ocasião da atribuição ao Mestre do Prémio Stuart/Regisconta. Lembro aqui, que o BDjornal e a Humorgrafe, em colaboração com o CNBDI, inauguraram no dia 10 de Abril uma exposição (no CNBDI) de homenagem a J. A. M., que estará patente até 28 de Abril e que reune obras de diversos autores nacionais e estrangeiros. A exposição conta ainda com alguns originais de João Abel Manta cedidos para o efeito pelo Museu da Cidade.

Outro texto que vale a pena destacar é o do Mestre José Ruy sobre outro Mestre da BD portuguesa, Eduardo Teixeira Coelho, resultante de uma viagem com a Drª. Cristina Gouveia, directora do CNBDI, ao atelier de E. T. C. em Florença.

Quanto a bandas desenhadas, voltamos a Pedro Nogueira, com Um Quotidiano Pagão. Também o início de Wonderland, depois do Episódio Piloto no BDj #20 e da capa do BDj #21, produzido pela equipa do Split UP Studios: Henrique Valadas, Daniel Henriques e Rui Moura.

E o regresso de BRK, de Pina & Andrade, para o início do 4º e último capítulo da história. Já agora chamo a atenção para o divertido texto de Filipe Pina sobre a viagem que os dois fizeram ao Festival de Angoulême para tentarem vender BRK e outros projectos a vários editores franceses.

Por último, mas não em último, apraz-nos registar a entrada de Carina Santos (Karina San), para a equipa do BDjornal, produzindo notícias sobre eventos e recensões críticas ligadas à mangá, colmatando finalmente uma lacuna que sentíamos desde há algum tempo.

SUMÁRIO

3 – EDITORIAL, Jorge Machado-Dias
3 – OS VI TROFÉUS CENTRAL COMICS, Hugo Jesus
4 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – O PROGRAMA, Clara Botelho
6 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – OS PREMIADOS, Clara Botelho
7 – OUTROS PRÉMIOS, Clara Botelho
8 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – A REPORTAGEM, João Miguel Lameiras
9 – 50 ANOS DOS SCHTROUMPFES, Clara Botelho
10 – VIAGEM A ANGOULÊME, Filipe Pina
11 – BODOÏ RENOVADA, Clara Botelho.
12 – 2007 – VITALIDADE E DIVERSIDADE – Relatório Anual da ACBD, Clara Botelho
14 – JOÃO ABEL MANTA – 80 ANOS – O ARTISTA E A OBRA GRÁFICA (1), Osvaldo Macedo de Sousa
17 – DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA, Leonardo De Sá
20 – E.T.COELHO – A ARTE PARA ALÉM DA VIDA (1), José Ruy
23 – HONEY TALKS – DAS COLMEIAS ESLOVENAS PARA A BEDETECA DE LISBOA, Sara Figueiredo Costa
24 – A ERA DO PECHISBEQUE, José Carlos Fernandes
26 – WANYA – ESCALA EM ORONGO .- REEDITADO 35 ANOS DEPOIS, J. Machado-Dias
27 – BD - UM QUOTIDIANO PAGÃO, de Pedro Nogueira
35 – BD – BRK – Início do 4º Capítulo, de Filipe Pina e Filipe Andrade
44 – ANGOULÊME A CORES – Fotos do Festival de Angoulême
45 – BD – WONDERLAND – 1º Episódio, de Split UP Studios: Henrique Valadas (des), Daniel Henriques (Arte-Final) e Rui Moura (pintura digital)
51 – RECENSÕES CRÍTICAS, Pedro Cleto
53 – RECENSÕES CRÍTICAS, Nuno Franco
55 – CRÍTICA – POSTAIS DE VIAGEM, Pedro Vieira Moura
57 – BREVES NACIONAIS, Clara Botelho
58 – BREVES NACIONAIS, J. Machado-Dias
60 – HOMEM-ARANHA E A ILUSÃO DE MUDANÇA, Pedro Bouça
62 – BREVES – COMICS, Clara Botelho
64 – TEX WILLER A CAMINHO DOS 60 ANOS, José Carlos Francisco
66 – DEMIAN – SERGIO BONELLI EDITORE, Mário João Marques
67 – HQBrasil – BRADO RETUMBANTE – OS SUPER HERÓIS BRASILEIROS, Edgar Indalecio Smaniotto
68 – RESENHA – ALMANAQUE DOS QUADRINHOS, Edgar Indalecio Smaniotto
69 – RECENSÃO CRÍTICA – O IMPÉRIO DOS SIGNOS, Nuno Franco
70 – ANIPOP ROKU – 2007, Carina Santos
71 – MANGÁ RECENSÕES, Carina Santos
72 – BREVES MANGÁ, Clara Botelho
74 – II YUKIMEET 2008, Hugo Jesus

COLABORAÇÕES: Carina Santos, Clara Botelho, Edgar Indalecio Smaniotto, Filipe Pina, Hugo Jesus, João Miguel Lameiras, José Carlos Fernandes, José Carlos Francisco José Ruy, Leonardo De Sá, Mário João Marques, Nuno Franco, Osvaldo Macedo de Sousa, Pedro Bouça, Pedro Cleto, Pedro Vieira Moura, Sara Figueiredo Costa.

AUTORES DE BANDAS DESENHADAS E ILUSTRAÇÕES: Daniel Henriques, Filipe Andrade, Filipe Pina, Henrique Valadas, José Carlos Fernandes, Pedro Nogueira, Rui Moura.

FOTOGRAFIAS: Filipe Pina, João Miguel Lameiras e Leonardo De Sá.







PONTOS DE VENDA DO BDjornal #22 - http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/260282.html
 

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19 de Abril de 2008

TEX (e Ken Parker) de Ivo Milazzo em destaque no Diário As Beiras: 8 de Novembro de 2003

Texto do jornal Diário "As Beiras" de 8 de Novembro de 2003
João Miguel Lameiras

KEN PARKER: O HERÓI TRANQUILO DE BERARDI E MILAZZO

Ken Parker, um dos mais carismáticos cowboys da BD europeia, criação maior de Berardi e Milazzo, começa finalmente a ter em Portugal o destaque merecido, com uma presença simultânea nos quiosques e nas livrarias, o que permite aos leitores portugueses descobrir um Western ecológico e profundamente humano, na linha de séries que fizeram história como o “Buddy Longway”, de Derib.

Se a revista mensal que a Mythos dedica ao herói de Berardi e Milazzo já é presença habitual nos quiosques, ao lado das outras séries originárias da editora Bonelli, como “Tex”, “Martin Mistere”, ou “Dylan Dog”, Ken Parker vai chegar também às livrarias através das Edições Asa, num luxuoso álbum a cores, que recolhe um história de 100 páginas.

Criado em 1974, Ken Parker chegaria às bancas italianas com revista própria em 1977, numa arriscada (mas bem sucedida) aposta do editor Sergio Bonelli num western diferente do “Tex” que lhe deu fama e fortuna. Um Western mais intimista, mais próximo da natureza, protagonizado por pessoas vulgares, que vivem os seus dramas como qualquer mortal. Mais do que um cowboy, Parker é um caçador, na linha da personagem interpretado por Robert Redford no filme “Jeremiah Johnson”, de Sidney Polack (que passou em Portugal com o título “As Brancas Montanhas da Morte”) a quem aliás vai buscar os traços fisionómicos.

Num mercado como o italiano, em que as equipas criativas alternam bastante (séries como “Tex”, ou “Dylan Dog”, têm um argumentista mais ou menos fixos, enquanto os desenhadores vão rodando, de modo a permitir assegurar o ritmo de publicação mensal) Berardi e Milazzo constituem um caso à parte, assumindo Ken Parker como um projecto marcadamente pessoal, que traduz os gostos e as referências cinematográficas e literárias dos seus criadores, alimentadas numa infância e adolescência passadas em grande parte nos cinemas de Génova.

Os leitores da revista “Selecções BD”, já tiveram oportunidade de apreciar o traço sintético e estilizado de Milazzo, em “As Crias”, uma bela história sem palavras, pintada a aguarela, publicada no nº 29 da revista (de Março de 2001), acompanhada por um texto introdutório de Carlos Gonçalves, que apresentava Ken Parker ao público português. Mas mesmo esses leitores que acham que já conhecem o herói de Berardi e Milazzo, vão ficar surpreendidos com “A Terra dos Heróis”, a notável história publicada no nº 12 da revista mensal do herói também conhecido por Rifle Comprido.

Para além de ser um notável exemplo de metalinguagem, através da forma como introduz o leitor no próprio processo criativo dos autores, esta história é um belíssima homenagem à terra dos sonhos para onde a BD e o cinema nos transportam e um sentido tributo aos heróis que o tempo esqueceu. Por esta aventura, que Berardi e Milazzo vivem ao lado do seu herói, transformados também eles em personagens de BD, passam actores e realizadores de cinema, como Charlie Chaplin, Eric Von Stroheim, John Wayne, John Ford, Peter Lorre, Humpfrey Bogart, Federico Felinni e Orson Welles, para além de inúmeros heróis de BD e do desenhador Alberto Breccia, mestre do claro/escuro, a quem o traço de Milazzo certamente muito deve.

Face à narrativa de contornos pirandellianos de “A Terra dos Heróis”, “Lily e o Caçador”, a história de Ken Parker que a Asa se prepara para lançar em álbum, é um modelo de linearidade e contenção, em que o drama de Ken Parker consiste em sobreviver numa natureza hostil, ajudado apenas por uma misteriosa cadela, a que deu o nome de Lily. Uma história simples, mas muito bem contada, onde não falta uma sequência onírica, que leva Ken Parker até Camelot, para reviver um sonho de infância. Graficamente, embora o formato grande faça o traço de Milazzo parecer algo tosco, na verdade trata-se de um desenho extremamente depurado, mas de grande força plástica e rigor de composição, com um enorme dinamismo, na linha de outro grande mestre italiano, Hugo Pratt.

E aqueles que se deixarem conquistar pelo traço personalizado de Milazzo, podem ainda encontrá-lo em “Sangue no Colorado” o Tex Gigante nº 8 que a Mythos mandou para as bancas há duas ou três semanas. Aqui, em vez de um texto de Berardi, Milazzo ilustra um argumento de Claudio Nizzi, em que Tex vem em auxílio de um amigo a quem um rico proprietário pretende roubar umas mina de cobre. E o desenhador prova aqui que está tão à vontade nas aventuras cheias de acção do ranger Tex, como a desenhar as aventuras mais intimistas do caçador Ken Parker.

(“Ken Parker nº 12: A Terra dos Heróis”, de Berardi e Milazzo, Mythos Editora, 138 pags, 2.50 €
“Ken Parker: Lily e o Caçador”, de Berardi e Milazzo, Edições Asa, 100 pags, preço a determinar
“Tex Gigante 8: Sangue no Colorado”, de Nizzi e Milazzo, Mythos Editora, 242 pags, 5.50 €)

Copyright: © 2003 Diário "As Beiras"; João Miguel Lameiras
(Para aproveitar a extensão completa da imagens acima,
clique nas mesmas)
 

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