16 de Julho de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Página 46 - "Heróis" do Oeste: Hopalong Cassidy

"HERÓIS" DO OESTE

"HOPALONG CASSIDY"
De 1930 a 1940 os filmes de “western” alcançaram um grande “boom”. Talvez devido aos artistas que interpretavam na tela, as várias figuras de “cow-boys”, mascarados, vingadores, “sheriffs”, marshalls”, etc. e que já tinham dado mostras das suas potencialidades artísticas, na época do Cinema mudo, os êxitos dessas películas estavam garantidos.

Assim, muitos actores, tais como Tom Mix, Buck Jones, Tim Mc Coy ou Ken Maynard, davam uma certa ideia da vida no Oeste, embora na altura se desconhecesse de como ela era na realidade, o que só viria a acontecer duas ou três décadas depois. Esses filmes eram realizados à média de dois ou três de cada vez, para evitar custos nas deslocações e os resultados, muitas vezes, não eram famosos. Mas a apetência dos espectadores para essa nova forma de entretenimento era tal, que todas as falhas ou deficiências eram toleradas.

Em 1935 a Paramount lança uma nova série de filmes, com a personagem “Hopalong Cassidy”, baseada na figura criada por Clarence Edward Mulford. Rapidamente atingirá o seu apogeu no sucesso, por volta dos anos 40, mantendo-se assim, inalterável, durante essa década. Tal era devido ao carisma do actor, que interpretava a figura da personagem principal, William Boyd (um artista que já tinha trabalhado com Cecil B. De Mille, no tempo do Cinema mudo).

Um tal sucesso da série, levá-la-ia inevitavelmente à Banda Desenhada, o que acontece em Novembro de 1942, quando surgem as aventuras de “Hopalong Cassidy” na revista “Master Comics” nº 33, editada pela Fawcett. Mais tarde teria revista própria de 1943 a 1954, passando depois para as mãos da editora National Periodicals até 1959 e, posteriormente, para a Charlton Comics até 1965, terminando nessa altura. Apesar dos “comic-books” tentarem que as Histórias aos Quadradinhos da personagem fossem, da melhor qualidade (vários artistas ocuparam-se da série, entre ele, Gene Colan), seria nas páginas dos jornais que a série teria melhor apresentação.



Para tal, William Boud, pessoalmente, contratou o jovem Dan Spiegle, saído da Escola das Artes, em 1949. No início Spiegle captou perfeitamente o espírito, a personalidade e o carácter do “herói”. “Hopalong Cassidy” não era nem “sheriff” nem “marshall” e nem sequer assumia o papel de cavaleiro errante do Oeste. Unicamente se apresentava como capataz do rancho “Bar 20”.

Hoppy” em muitas das suas aventuras persegue os vilões e ladrões de gado. Uma vez vai do Texas, através do Colorado e Montana, até às canadian Rockies (numa viagem de 3000 quilómetros), na perseguição de 5 irmãos que tinham roubado o rancho “Bar 20”. Chega mesmo a embarcar para a Austrália, onde ajuda as autoridades locais a prender um bando, que aterrorizava o país, escapando à morte, quando é capturado por uma tribo de aborígenes.

Estes são alguns exemplos dos textos das histórias, escritos por Royal King Cole. A série atinge o seu maior êxito na sua arte, nos anos de 1952/1953, quando Spiegle desenha fabulosos cavalos e belas cenas de acção, com vinhetas concebidas de forma inteligente e onde as perspectivas não falhavam nos mínimos pormenores. A série viria a ser publicada em cerca de 200 jornais. Não há dúvida que a série se assemelhava aos filmes, ultrapassando algumas vezes aqueles em qualidade.

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06 de Julho de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 41 a 45 - "Heróis" do Oeste: The Lone Ranger

"HERÓIS" DO OESTE

"THE LONE RANGER" - "HI-YO, SILVER!"
Todos nós gostamos de fantasia. É mais agradável. Ninguém gosta da realidade, quando ela nos oferece dissabores, intrigas, fome, miséria, morte e todas as coisas que a vida tem de mau. Assim, é muito natural que as histórias sobre o Oeste só nos oferecessem fantasia. Deste modo, a verdadeira História de um povo e de uma colonização pode ser camuflada pela lenda. E assim seria durante algumas décadas. E não foi só a Banda Desenhada que se serviria da fórmula, para conquistar público. O mesmo aconteceria com a Literatura, com o Cinema e com a TV.

The Lone Ranger” foi criado para a Rádio, mas quer neste meio quer no da Banda Desenhada, a fantasia não faltou.
George W. Trendle, era o proprietário de uma estação de Rádio em Detroit e Fran Striker, um escritor de histórias que eram publicadas nos “pulps”. Ambos decidiram criar a figura de “The Lone Ranger”, que foi para o ar, pela primeira vez, em 30 de Janeiro de 1933, com episódios de meia hora de duração, três vezes por semana. E foi um grande êxito, tendo durado até 3 de Setembro de 1954.

Sabe, por acaso, dizer quem foi o primeiro intérprete de “The Lone Ranger”? Provavelmente não. Foi um desconhecido, um homem chamado Jack Dodds que, em 1933, iniciou as novelas radiofónicas do famoso “herói”. Mas ficou só por um mês. Foi substituído por George Seaton (que mais tarde se tornaria um conhecido realizador de Cinema). Este também trabalhou pouco, sendo substituído por Earle Graser. Quando este morreu em 1941, Brace Beemer começou a ser a voz de “The Lone Ranger”. Deixou de o seu unicamente em 1954, com o cancelamento do programa.

A SAGA
A saga do conhecido “herói” começou, quando seis “rangers” do Texas, comandados pelo Capitão “Dan Reid”, foram emboscados pela quadrilha de “Butch Cavendish”. Todos os “rangers” morreram, excepto o irmão mais novo do Capitão, que foi salvo pelo índio “Tonto”, a quem aquele, anos antes, salvara igualmente a vida.



Tonto” cavou seis sepulturas (uma ficou vazia) e “John Reid” passou a usar uma máscara para o não reconhecerem, e partiu na companhia do índio, na perseguição não só dos assassinos do seu irmão, como de outras quadrilhas. E assim nasceu a lenda do “The Lone Ranger”.

Esta é uma das poucas personagens da 9ª arte, cujo verdadeiro rosto nunca conhecemos ao longo dos anos, a que temos acesso às suas aventuras. A sua vida era uma vida de “herói” em pleno, disfarçava-se e circulava onde queria ou precisava, de modo a recolher informações preciosas sobre os bandidos que perseguia, não tinha casa para onde dirigir-se, mas estava sempre pronto a lançar-se numa cavalgada em direcção ao horizonte, com o seu grito de “Hi-Yo, Silver!”, quando qualquer aventura sua acabava.

Uma bala de prata identificava-o sempre, perante as autoridades locais, já que a sua máscara despertava algumas dúvidas da sua honestidade. “The Lone Ranger” com a sua máscara, representava a justiça cega. A sua missão era impor a lei, onde ela não existisse. As suas balas de prata, na crença popular, representavam o símbolo da aniquilação do mal pelo bem. O próprio “Tonto” era a união das duas raças, índios e brancos, no desejo de encontrarem justiça e igualdade para todos, até porque ele era tratado com dignidade.

A VISÃO COMERCIAL DE TRENDLE
Trendle era um homem de negócios. Quando viu que a personagem poderia ser uma fonte de lucro, resolveu criar a firma “The Lone Ranger Inc.”. A partir daqui começaram a surgir todo o tipo de brinquedos, roupas, livros, etc., tudo com o nome de “The Lone Ranger”. Daqui ao Cinema, foi um passo e Trandle vendeu os direitos a Hollywood. O primeiro filme apareceu em 1938, um seriado de 15 episódios, com o título de “The Lone Ranger” e com os artistas Lee Powell no papel do “herói” e o Chief Thundercloud no papel de “Tonto”. No ano seguinte aparece “The Lone Ranger Rides Again”, desta vez com Robert Livingston. Ambos os filmes fogem ao texto original.

Entretanto Trendle resolve lançar a personagem na Banda Desenhada, a cores, em tira e página dominical, o que acontece em 1938. O primeiro desenhador será Ed Kressy, muito mau por sinal, seguido de outros tão maus como ele. Segue-se Jon Blummer, um dos poucos que se aproveitou. Uma das grandes dificuldades que surgiram no início, foram os desenhos de Kressy, que levaram a que muitos editores estrangeiros pensassem duas vezes, antes de se atreverem a publicar as histórias de “The Lone Ranger”. Face ao possível cancelamento da série, foi escolhido outro desenhador, desta vez com êxito. Charles Flanders irá dar conta do recado, a contento de todos os leitores, nos inícios de 1939. De tal modo, que a série irá manter-se até 1971, embora com altos e baixos.


O aparecimento de Flanders, ajudou a que as editoras estrangeiras tomassem a decisão de publicar as respectivas histórias, ainda que o novo desenhador também não tivesse um grande currículo, no campo da Banda Desenhada, já que só tinha desenhado “Robin Hood” (menos mau) e participado em “Tim Tyler” e no “Agente Secreto X-9” e, em qualquer uma delas, não primou pela qualidade. A sua melhor produção sobre esta personagem encontra-se talvez, de 1944 a 1950, onde o artista, em toda a sua maturidade, conseguiria criar algumas vinhetas com algum impacto, embora nada de extraordinário.

Charles Flanders não era um artista completo, embora fosse bom nas figuras. No entanto, não era capaz de desenhar os cenários. As vinhetas ficavam pobres pela falta de vegetação, árvores e montanhas, que eram simplesmente delineadas. Com o passar dos anos as coisas foram piorando. A década de 40, mesmo assim, foi a melhor do artista, já que “The Lone Ranger” foi surgindo em várias aventuras, quer em tiras quer em páginas dominicais, com desenhos limpos e de alguma qualidade.



E a Saga da nossa personagem foi continuando com sucesso. Em 15 de Setembro de 1949, “The Lone Ranger” foi adaptado para a TV, tendo sido realizados 182 filmes até 1956. Clayton Moore e Jay Silverheels, foram a escolha feliz, para os papéis das personagens principais, que souberam levar a bom termo as suas representações por oito anos. Em 1956 e 1958, houve dois novos filmes, que viriam a ter igualmente sucesso. Em 1971 foi adaptado à Animação pelos Hanna e Barbera.

O PANORAMA DOS “COMIC-BOOKS
Em 1969 os postos de combustível da Shell no Brasil, resolveram distribuir gratuitamente revistas de Banda Desenhada, editadas pela Ebal e com números zero (0), todas elas onde figuravam as aventuras de “Thor”, “Capitão América”, “Homem de Ferro”, “Namor” e “Hulk”. As revistas eram três, “O Capitão Z”, “Superxis” e “Álbum Gigante” e apresentavam-se com o início das aventuras daqueles cinco “super-heróis”.

Evidentemente que a maior parte dos coleccionadores, incluindo nós, nunca mais tivemos acesso a esses exemplares que rapidamente se esgotaram e também, rapidamente desapareceram, na voragem dos anos e nas mãos dos jovens leitores (como provável oferta dos seus pais), que acabariam por lhes dar sumiço. Pois de milhares de exemplares, nunca vimos nenhum. A Ebal, face à reclamação dos novos leitores dessas personagens (que não tiveram acesso ao início das histórias) e que passaram a comprar essas revistas a partir do Nº 1, resolveria editar no mesmo ano um Almanaque, com esse mesmo material, embora não todo…

É claro que nada disto é novidade para ninguém e, todos nós sabemos, que muitas marcas de produtos, resolvem, de vez em quando, editar qualquer brochura em Banda Desenhada, fazendo promoção aos seus artigos ou à sua marca. Em Portugal tem acontecido isso, sistematicamente e há já, uma série de revistas ou álbuns, que apareceram editados quer por marcas quer por Câmaras, Freguesias ou entidades particulares, que nos deixam a cabeça em água viva para os detectar, muitas vezes sem sucesso.

Pois “The Lone Ranger” também teria um “comic-book” intitulado “The Lone Ranger Comics”, datado de 1938 (no interior a data é de 1939), tinha 64 páginas a cores e foi oferecido por uma marca de gelados. Escusado será dizer que encontrá-lo, é obra! Mas “The Lone Ranger” surge em “comic-book” editado pela Dell no Nº 3 da colecção “Large Features Comics” (1939). Possui um grande formato e foi publicado a preto e branco. Os desenhos eram de Robert Weisman. No Nº 7 (1939 também), dessa colecção, as aventuras desta personagem voltam de novo, desta vez com desenhos de Henry E. Vallely. De 1940 a 1950 “The Lone Ranger” vai aparecendo regularmente, mas desta vez com a adaptação das tiras e das pranchas de Ed Kressy e Charles Flanders. Primeiro e de 1940 a 1945, nas colecções “Future Comics”, “King Comics” e “Magic Comics” editados pela David McKay da Filadélfia, depois, a partir de Setembro de 1945 e até Outubro de 1947, pela Dell que consegue os direitos da personagem e será na sua “Four Color Comics” que aparecerão as aventuras de “The Lone Ranger”, em sete números. A partir de Jan-Fev. de 1948, passará a ter revista própria.



Nos seus primeiros 37 números serão republicadas as tiras de Flanders, até que no seu Nº 38 (Agosto de 1951), serão criadas histórias novas, especialmente para a revista. Os textos eram de Gaylord Dubois (nascido em 1899) e os desenhos de Tom Gill (nascido em 1913), um desenhador que tinha no seu activo uma tira quotidiana intitulada “Flower Potts” (1946-1949).

Com Tom colaboraram outros desenhadores ao longo dos anos, tais como Keats Petree (nascido em 1919), que se ocupa da série “The Lone Ranger” em 1954, antes de realizar “Nick Halliday” (1954-1956), outra tira quotidiana, Ted Galindo (nascido em 1927), que desenhará também a série, ainda em 1954 e Jim Christiansen (nascido igualmente em 1927), que se ocupará de algumas histórias em 1955. Depois será ainda a vez de Bill Martin em 1954 e Herb Trimpe (1960-1962), este último um autor bastante conhecido, pela criação de várias séries de “super-heróis” a partir de 1966 para a Marvel. Tom Gill soube dar à série um aspecto gráfico muito razoável. Tom Gill já tinha sido ajudante (fantasma) de Charles Flanders, nos anos cinquenta, como colaborador da série, pelo que possuía já alguma prática.

Uma das grandes qualidades deste “comic-book” eram as capas, desde o Nº 32 (Fev. 1951) ao Nº 111 (1957), quando a partir daqui passará só a apresentar as fotos de Clayton Moore. Naqueles números as capas eram desenhadas por Hank Hartman e Ernest Nordli, dois grandes artistas de Animação.
Kellog Adams será igualmente o autor de algumas histórias de “The Lone Ranger”, de 1952/1957 e Paul S. Newman (nascido em 1924), quem escreverá igualmente alguns dos textos da série de 1958 a 1961, antes de se dedicar em pleno à mesma série, mas desta vez publicada nos jornais até 1971.

A Dell dedicou também a esta personagem três grandes títulos, “The Lone Ranger Golden West”, The Lone Ranger Movie Story” e “The Lone Ranger Western Treasury”, de 1953 a 1956, além de 10 álbuns da colecção “March of Comics” editados de 1957 a 1970.

Temos ainda mais: “The Lone Ranger’s Companion Tonto” com 33 números de 1951 a 1959, com desenhos de Tom Gill, Jon Small e Alberto Giolitti e “The Lone Ranger’s Famous Horse Hi-Yo Silver”, com 36 publicações de 1952 a 1960, escritos por Dubois e desenhados por Gill e Trimpe.


Com o Nº 145 (Maio-Julho 62), a Dell suspende “The Lone Ranger”. Mas será a Gold Key a reiniciar a publicação da revista, a partir do seu Nº 1 (Setembro de 1964), de novo com Tom Gill e com a republicação de velhas histórias. A série prosseguirá com algumas pausas (em 1970-71 e 1973 não foram publicados quaisquer números), terminando em Março de 1977, com 28 números editados. Em 1972 Tom Gill deixa a série que será continuada por John Warner (textos) e Frank Boll e Don Heck (desenhos). José Delbo ainda tentou reanimar a personagem, com a criação de novas histórias, mas sem êxito.

Se Charles Flanders levou a série a um lugar cimeiro no panorama da Banda Desenhada, também arranjaria maneira de a deixar cair, pouco a pouco. Os anos 50 mostravam já a sua decadência. Teve ajudantes, devido a problemas com a bebida. Tom Gill, foi um dos melhores, mas, mesmo assim, a série foi perdendo qualidade. O argumentista foi mudado e seria igualmente Paul S. Newman a substituir Bob Green, nas páginas dos jornais. Nada conseguiria que a série sobrevivesse, depois de tanto sucesso.

Em 1981 surgiu outro filme, que seria um desastre total. Baseado nele, Cary Bates e Russ Heath (des.), resolveriam voltar a lançar a personagem em “comic-book”, mas sem resultados práticos.

Indicamos a seguir um resumo dos autores desta série, no que respeita às tiras e pranchas dominicais publicadas nos jornais:
ARGUMENTISTAS
Fran Striker supervisor de 1938 a 1944 e de 1948 a 1962.

Mrs. Kressy, mulher de Ed Kressy, de Setembro de 1938 ao fim de 1938.
John Wade Hampton em 1940.
Bob Green de 1944 a 1948 e de 1948 a 1962.
Paul S. Newman de 1962 a 1971.
Cary Bates de 1981 a 1984.

DESENHADORES
Ed Kressy de Setembro de 1938 até 23/1/39 para a prancha e 10/3/39 para a tira.
Dick Sprang para a cercadura, em 1938 para Ed Kressy.
Norman Fallon para a tinta-da-china de Ed Kressy de fins de 1938 a inícios de 1939.
Charles Flanders para a tinta-da-china de 30 de Janeiro de 1939 (prancha) e de 12 de Março de 1939 (tira) até Setembro de 1971.
John Wade Hampton para a tinta-da-china em 1940.
Tom Gill para a tinta-da-china em substituição de Flanders, nos anos cinquenta.
Russ Heath para a tinta-da-china de Setembro de 1981 a Abril de 1984.

O “ZORRO” NO BRASIL
O “ZORRO” (o nome que lhe seria dado no Brasil e em outros países), foi lançado no Brasil na revista “Gibi” Nº 2, datado de 16/4/39), na página central e a cores, da autoria de Ed Kressy. Em 1940, as suas aventuras passam a ser incluídas em “O Globo Juvenil” em página e continua no “Gibi” em tiras. Nos “Almanaques de O Globo Juvenil”, anos 1941 a 1950, as suas histórias tiveram sempre uma aparição constante.

De 1943 a 1945, exactamente como tinha acontecido inicialmente nos Estados Unidos da América, o “Zorro” surge na Rádio, com o nome de “O Vingador”. O patrocinador desse programa, a Palmolive, distribuía igualmente um distintivo e um jornal com as aventuras desta personagem. Em 1948, o “Biriba” surge com o “Zorro”, publicando-o a cores, reproduzindo as páginas dominicais. Em todas estas histórias, a personagem era apresentada com camisa vermelha, quando na verdade ela era azul. Só a partir de 1954, a Ebal passaria a restituir à camisa do “Zorro”, a sua cor original.

O “Guri”, a partir do seu Nº 255 (1951), passa a incluir nas suas páginas também, as aventuras de “The Lone Ranger”.
O “Novo Gibi” e o “Novo O Globo Juvenil”, passam também a publicar outras histórias do nosso “herói”, em 1953. no ano seguinte, a Ebal, toma conta da personagem, dando-lhe revista própria (Março 1954) a preto e branco e a cores (Fevereiro 1970). Nesta década e com a falta de histórias necessárias para preencherem as edições mensais, leva a que alguns autores brasileiros se ocupem de alguns dos episódios da série, tais como Wlamir Amaral.

A Ebal publicaria até 1984, três séries em formato A4 a preto e branco, outra em formato um pouco menor chamada “O Livro do Zorro”, outra em formatinho a cores que durou até ao Nº 75 (Março 84) e, finalmente, uma em A4 de novo, a cores (Outubro 84), que durou unicamente 4 números.

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21 de Junho de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 39 e 40 - "Heróis" do Oeste: Matt Marriott

"HERÓIS" DO OESTE

"MATT MARRIOTT"

O tema do Western está hoje quase esquecido das novas gerações, não por culpa delas, mas porque nós, não soubemos legar-lhes esse manancial de imaginação, de aventura, de emoção e, porque não, de cultura. Pelo menos no que respeita aos Estados Unidos o Oeste não deixou nunca de ser cultura, até porque seria a partir daquele espaço, que se iriam encontrar vastos focos de civilização dos índios e onde os colonos, vindo de toda a parte do mundo se viriam a fixar, com as suas tradições, os seus costumes e as suas culturas e que, por suas vez, se viriam a espalhar por todo o vasto continente dos Estados Unidos.

Além disso o enriquecimento daquele país deve-se igualmente, em muitos aspectos, à colonização do Oeste. Um dos frutos dessa cultura seria o cinema do Oeste, um legado do povo norte-americano, que o espalharia por todo o mundo e onde o mesmo seria aceite com grande receptividade, de tal forma, que até na Europa, apesar do tema não ter nada a ver connosco, viria a ser imitado. Muitos vezes nem sempre muito bem, mas algumas vezes com algum sentido e também interesse. Evidentemente que seriam os norte-americanos e realizar filmes de maior impacto e com maior realismo.



De qualquer dos modos, os italianos assemelharam-se bastante ao espectáculo apresentado por aqueles, não deixando os seus créditos por mãos alheias. No entanto, se quisermos considerar que o cinema europeu não conseguiu atingir os objectivos a que se propôs, ninguém terá dúvidas que as Histórias aos Quadradinhos europeias cujo tema era o Oeste, soube e bem, alcançar um lugar cimeiro nesse campo, ultrapassando mesmo os mestres, neste caso os norte-americanos.

Os desenhadores e argumentistas italianos, os primeiros, os ingleses, os espanhóis, os franceses e os belgas, por esta ordem, demonstraram um incrível capacidade de retratar o Velho Oeste de uma forma fabulosa, criativa, realista, bela e até fiel à sua verdadeira História, o que não aconteceria com os trabalhos dos desenhadores norte-americanos, que viriam a mistificar, de uma maneira geral, todas as personagens, boas e más, que povoariam o Oeste. No que respeita aos ingleses, foram três, as séries do Oeste que teriam maior êxito: "Gun Law" de Harry Bishop, "West Slade" de Georges Stokes e "Matt Marriott" de Tony Weare, todas elas escritas pelo mesmo argumentista, Jim Edgar. As Histórias aos Quadradinhos inglesas, do mesmo modo que as italianas, tiveram sempre grandes escritores por detrás delas, que conseguem construir grandes narrativas, com personagens intensas e originais, já para não falar no desenrolar da acção, sempre emotiva, sempre constante nos acontecimentos, evitando que o leitor se desinteresse pela sua leitura.



Jim Edgar começou a sua carreira a escrever contos e peças para a rádio, em fins dos anos quarenta e inícios dos anos cinquenta. Nunca tinha tido nenhum contacto pessoal com a Banda Desenhada, até então, até que conheceu Peter O’Donnell, autor de "Modesty Blaise". Este aconselhou-o a tentar escrever argumentos para as Histórias aos Quadradinhos. Este resolveu ponderar e aceitar a sugestão.
Assim, em 1955, apareciam já nas páginas dos jornais, algumas séries de grande interesse e de sucesso garantido, tais como "Romeo Brow", "Garth", "Buck Ryan", "Paul Temple", "Jane", etc.

Por essa altura surge então "Matt Marriott" da autoria de Reg Taylor nos textos e de Tony Weare nos desenhos.
"Matt Marriott" era um jovem fazendeiro, que vivia perto de Dogde City. Não era um pistoleiro. Usava unicamente uma espingarda para caçar. Infelizmente, o destino viria a provocar-lhe uma grande reviravolta na sua vida, quando uma manada de gado ao atravessar a sua fazenda, viria a matar os seus pais e a destruir tudo o que era seu.
Na procura de vingança, "Matt" acaba por aprender a usar o revólver, depois de conhecer "Luke Powder Horn", um ex-sargento do exército, que também teve um irmão morto e a sua fazenda destruída pela mesma manada. "Matt" acaba por desafiar o poderoso texano, dono da manada e responsável pela sua desgraça, matando-o com um tiro certeiro. Ao mesmo tempo resolve não voltar para casa e continuar, com "Powder", uma rota na procura de outros lugares, ajudando as pessoas que deles necessitem e combatendo as injustiças.

Reg Taylor ficaria pouco tempo a escrever os textos da série, pelo que James Edgar continuaria a série ao longo dos anos sempre com enorme sucesso em toda a parte do mundo onde a mesma acabaria publicada. Os enredos de Edgar eram bem construídos e de agradável leitura, abordando todo o tipo de problemas, quer à volta das duas personagens principais, quer em torno de outras figuras secundárias.

Os desenhos de Tony Weare eram sempre originais e cuidados, embora lhes faltasse algum movimento. No entanto, no campo dos traços paralelos, criados com a pena e o pincel, ele era um mestre. Tratava-se de um trabalho muito pessoal e cuidadoso. A série era construída à volta de uma certa dose de fatalismo, já que na maior parte das vezes, as personagens secundárias raramente tinham sorte e conseguiam atingir os seus objectivos e os próprios "heróis" também pouco conseguiam ajudar, por sua vez fatalistas e sujeitos a todas vicissitudes que a vida lhes trazia. De qualquer dos modos, temos que admitir a excelente conjugação de todos os ingredientes necessários, para que por sua vez, transformassem a história em belos momentos de prazer ao lê-la.



O Oeste concebido por Jim Edgar e Tony Weare, afastava-se bastante daquele que conhecemos através dos filmes de Hollywood. A terra era desprovida de qualquer encanto, era rude, seca, fria e selvagem e os seus habitantes também se caracterizavam pela sua rudeza. Ali, naquele local, só sobreviviam os bravos e os aptos. As personagens eram todas feias e incultas, mesmo o nosso "herói" e o seu amigo. Ambos eram igualmente feios e grotescos. "Matt" era só um bom homem, cheio de sensatez afinal, apesar de não ser bonito. As pessoas gostavam dele pela sua contínua procura de justiça e pelo seu desejo de ajudar o próximo. Tony caracterizava o verdadeiro Oeste, nos seus desenhos e pouco deixava ao acaso. Hoje conhecemos já o verdadeiro Oeste, onde viver era uma aventura e onde os homens lutavam entre si, por um pedaço de terra, matando e deixando matar quem quer que fosse, para que os seus fins fossem atingidos.

Jim Edgar sempre foi um escritor com uma certa visão realista do Velho Oeste e do seu povo, mostrando que não precisava de ser norte-americano, para se debruçar em pleno sobre o tema, apresentando-o de uma forma honesta e isenta.
Mas Edgar era mesmo um grande argumentista, já que em 1966 iria substituir Peter O’Donnell nos argumentos de "Garth", deixando os leitores da série entusiasmados com a sua facilidade em abordar qualquer situação ou qualquer tema, independentemente do tempo ou do espaço. Todas as 17 histórias escritas por este argumentista, seriam magistralmente desenhadas por Frank Bellamy e três delas iriam ser passadas no Oeste.

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11 de Junho de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Página 38 - Autores de Banda Desenhada: Stan Lynde

AUTORES DE BANDA DESENHADA

STAN LYNDE

Stanley Lynde nasceu a 23 de Setembro de 1931. Desde muito novo começa a desenhar. Passa então, horas e horas a esboçar cenas da vida rural.
Estuda jornalismo e em 1951 vamos encontrá-lo na Marinha. Aqui cria para o jornal da base, uma série chamada “Ty Foon”. Em 1955 está desmobilizado e na vida civil, a trabalhar para um jornal como desenhador e jornalista. No ano seguinte parte para Nova Iorque.

Ali inscreve-se num curso de Arte e acaba por desenhar uma série de “cow-boys”, em 1957, que oferece a vários Sindicatos, sem sucesso. Chamava-se “Rick O’Shay”. Um ano depois vamos encontrar a sua personagem a ser publicada nos jornais, até 1977, altura em que o autor deixa de a criar. Em 1977 e 1978 desenha "John Darling”, sem êxito. Um ano depois é a vez de “Latigo”, que será publicado durante quatro anos.

Em 1984 e 1986 alguns croquis seus, sobre o Oeste, serão reunidos em alguns volumes, devido à qualidade das paisagens e das cenas retratadas.

Em 1990 funda com a sua esposa Lynda, uma sociedade para republicar os seus trabalhos antigos sobre “Rick O’Shay”, dos quais possuía os seus direitos. Esta tinha sido uma das suas razões, porque deixaria de trabalhar para o Sindicato e também de desenhar a sua série, depois de não ter chegado a acordo com aquele, para continuar “Rick O’Shay”.

Em Setembro será publicada a primeira obra. Infelizmente, a 22 de Dezembro de 1990, um grande incêndio arrasa o seu Estúdio e todos os originais da sua personagem desaparecem na voragem das chamas. Em 1992 desenha uma nova aventura de “Rick O’Shay”. Depois dedicará o seu tempo a escrever romances…

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28 de Maio de 2008

Fanzine A Conquista do Oeste - Maio/Novembro 2001 - Páginas 35, 36 e 37 - Autores de Banda Desenhada: Giancarlo Berardi, Ivo Milazzo, Dan Spiegle, Clarence Edward Mulford e Jose Luis Salinas

AUTORES DE BANDA DESENHADA

GIANCARLO BERARDI

Giancarlo Berardi nasceu em Génova, a 15/7/49. Depois de algumas experiências como autor e actor de Teatro amador, além de cantor, tem os primeiros contactos com a Banda Desenhada, quando andava na Universidade. As suas primeiras colaborações são publicadas nas revistas "Horror" e "Sorry". O seu encontro com Ivo Milazzo em 1971 é a mola impulsionadora do génio do escritor. “Tarzan”, “Gato” e “Diabolik” serão algumas das personagens para as quais criará argumentos, pouco a pouco.

Em 1974, junto com Milazzo, dá vida à personagem "Ken Parker", ainda com uma única aventura. Dois anos depois cria o indiozínho "Tiki" para a revista "Il Giornalino" e escreve o conto "Terra Maledetta", para o desenhador Antonio Canale. Em 1977 é o ano das grandes criações, com a continuação da série "Ken Parker" e "Welcome to Springville", para o desenhador Ivo Milazzo para a primeira série e de novo para este artista e também para Renzo Calegari, para a segunda série. Com Milazzo produz "L'Uomo Delle Filippine", as séries "Marvin il Detective" e "Tom's Bar" e, em 1989 cria a sua Editora Parker.
Entretanto resolve escrever mais guiões para outras histórias dispersas, incluindo "Oklahoma!", para a série "Tex", desenhada por Letteri. Alguns argumentos de "Nick Raider" são também seus. A partir de 1998, escreve os argumentos de "Julia", uma criminologista.

IVO MILAZZO
Natural de Tortona, onde nasceu em 20 de Junho de 1947, desde a infância Milazzo vive e trabalha na cidade de Génova.
Depois de concluir o curso secundário e prestar serviço militar como oficial do exército, no início dos anos 70, durante os seus estudos superiores conhece Giancarlo Berardi, com quem consolida uma profunda amizade e também uma sólida e profícua parceria profissional, a partir de 1971, quando ambos escrevem e desenham algumas aventuras de "Tarzan" para o mercado francês. Em seguida colabora na revistas "Horror", desenha ainda duas histórias de "Diabolik" e outras quatro, com personagens de Walt Disney.
Depois é a vez de "Ken Parker" (1974) e de outras personagens que se seguirão:
"Tiki" (1975), "Welcome to Springville" (1977), além de "Ken Parker" já com revista própria, "Marvin" (1978), um ex-actor do Cinema mudo que passa a ser detective privado, nos anos 30 em Hollywood, "Tom's Bar", "O'Henry", "Nick Raider", etc., e de novo histórias de "Ken Parker", depois da série "Giuli Bai & Co.". Desenha uma história de "Tex" (Sangue no Colorado). Ultimamente tem-se dedicado a desenhar uma nova série chamada "Magico Vento".

DAN SPIEGLE
Dan Spiegle, como outros artistas, tinha 6 anos de idade, quando começou a desenhar, para tentar fugir à rotina dos estudos.
Depois esteve três anos na Marinha, durante a Guerra, onde pintava insígnias nos aviões e desenhava "cartoons" para o jornal da base. Em 1946 é desmobilizado e ingressa então no Instituto de Artes de Los Angeles. Começou a desenhar cavalos e sempre desejou ser um artista ligado ao "western".
Dan Spiegle nasceu a 10 de Dezembro de 1920.
A primeira prancha dominical de "Hopalong Cassidy" seria publicada no dia 30 de Abril de 1950 e a última a l de Janeiro de 1956. Quanto às tiras, começaram mais cedo, em 1949, tendo desaparecido em 1955.
Depois de "Hopalong Cassidy", Spiegle tentou oferecer outra série, "Pen & Chris", que apresentava aventuras de piratas, mas sem sucesso. Volta-se então para os "comic-books" e começa a desenhar "Roy Rogers". Em 1958 é a vez da série "Maverik", adaptado da televisão, que terminaria em 1962, depois de ter alcançado alguma aceitação.

Mais tarde a sua carreira apresenta-se com muitas irregularidades, numa tentativa de sobrevivência. Ocupa-se de tudo o que lhe aparece e, lentamente, um artista de craveira transforma-se numa sombra daquilo que era.
Indicam-se alguns dos seus trabalhos:
"Lawman" (11 revistas de 1958 a 1962) e "Sea Hunt" (13 revistas de 1958 a 1962). Desenha igualmente "Shotgun Siade" e "Johnny Ringo" para a Dell, na revista "Four Colour". A seguir deixa o "western" e dedica-se à ficção-científíca: "Space Family Robinson" (37 revistas de 1962 a 1969) e "Magnus Robot Fighter" (46 revistas de 1963 a 1977).

Quando Russ Manning deixa a Dell em 1967, para desenhar "Tarzan", será Spiegle a ocupar-se de "Korak, Son of Tarzan" (algumas das suas aventuras seriam publicadas em Portugal, através de APR, na revista com o mesmo nome).
Durante esse período, desenhará também numerosas adaptações dos filmes de Walt Disney, para o formato de "comic-book". Em 1981 Spiegle volta ao "western", desenhando a personagem da DC, "Bat Lash", uma série de humor criada em 1968 por Nick Cardy, com textos de Sergio Aragones. É o princípio do fim...

CLARENCE EDWARD MULFORD
Nos primeiros anos deste Século, um jovem escriturário, em Brooklyn, Nova Iorque, resolveu escrever um conjunto de obras sobre o Oeste, que foram publicadas no "Outing Magazine". O jovem escritor chamava-se Clarence Edward Mulford. Essas histórias foram mais tarde recuperadas e publicadas em livro, em 1907. O conhecimento que Mulford tinha do Oeste era nulo. Só depois de 1924 e quando a sua principal personagem já era conhecida como "Hopalong Cassidy", é que visita a região que descrevia nos seus textos. Sem ligar ao contexto histórico, escreveu uma série de histórias onde "Hopalong", um cavaleiro sem igual, que mascava tabaco e matava a torto e a direito, vivia as suas aventuras. A fórmula pegou e venderam-se mais de um milhão dessas histórias.

O "Hopalong Cassidy" de Mulford não tem a mínima semelhança visual com a mesma personagem, interpretada no Cinema e para a televisão pelo actor William Boyd. O primeiro tinha 25 anos e era ruivo. O segundo era um homem de mais idade, elegante e só disparava em último recurso, como mandam as normas. O sucesso literário de Mulford foi, ironicamente eclipsado, pelo êxito da própria personagem, encarnada pelo artista William Boyd. Nas adaptações para o Cinema desapareceram as mortes por vingança, as bebedeiras e as lutas constantes, sendo substituídas pelo estilo muito próprio dos "heróis-vaqueiros" dos filmes dessa época. William Boyd vestia de preto, montava um cavalo branco e portava-se à altura de uma personagem mais sóbria e convincente.

Desiludido com o tratamento que deram à sua personagem, Mulford vendeu todos os direitos de "Hopalong Cassidy" e partiu para a sua Quinta no Maine. Quando o interesse pelos filmes desta personagem se esgotou, a televisão resolveria lançá-lo em 66 episódios, que se tornariam num êxito total, com a consequente venda de vários produtos de Marketing. O sucesso na televisão de "Hopalong Cassidy" não levaria à reedição dos livros de Mulford, mas sim ao lançamento de "comic-books" com as suas aventuras. Mais tarde William Boyd, mais velho, aparecia igualmente a viver as suas aventuras com o seu próprio nome, como se vivesse quer as suas aventuras quer as de "Hopalong Cassidy", Mulford morreu em 1958. Com ele desapareceriam igualmente as histórias da sua personagem.

JOSE LUIS SALINAS
Jose Luis Salinas é considerado, justamente, como um dos grandes mestres da Banda Desenhada argentina em particular, e do mundo em geral. Autodidacta, mas dotado de um grande talento, ele seria influenciado por Harold Foster, na execução dos seus primeiros traços. No entanto, desde o início, ele teria já um estilo muito próprio e de grande impacto visual.
Nascido em 11 de Fevereiro de 1908, em Buenos Aires, irá morrer na mesma cidade, devido a uma crise cardíaca, a 10 de Janeiro de 1985.

Depois de uma breve passagem pela Banda Desenhada, em 1929 resolve, apesar disso, dedicar-se à Publicidade. Mas em 1936 encontramo-lo de novo na Banda Desenhada, ao criar a personagem "Hernan el Corsario" para a revista "Patoruzu". Com este sucesso, vamos reencontrá-lo dois anos depois a adaptar alguns romances da Literatura. Em 1945 dedica-se à BD humorística com "Ellos", ao retomar esta série com o pseudónimo de Joseph Louis. Em 1949 vai aos Estados Unidos da América, para apresentar os seus trabalhos à King Features Syndicate. Será então contratado para desenhar "Cisco Kid" de 1950 a 1968.

De 1968 a 1974 Jose Luis Salinas dedica-se à pintura, ao mesmo tempo que em paralelo e a partir de 8 de Janeiro de 1973, cria a série "Gunner", com textos de Alfredo J. Grassi. Depois de executar oito episódios desta série, abandona-a às mãos de Lucho Olivera, de 5/5/75 a 31/8/81, altura em que a mesma termina. Cego, viria a morrer em 1985. Teve um filho em 1933, chamado Alberto Salinas, que também trabalhou na Banda Desenhada. Recordamos "A Moira, A Escrava de Roma", publicada no "Jornal do Cuto" e mais tarde toda recuperada numa pequena brochura, por Manuel Caldas.

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16 de Maio de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Página 34 - Autores de Banda Desenhada: Charles Flanders

AUTORES DE BANDA DESENHADA

CHARLES FLANDERS

Nascido a 26 de Junho de 1907, em Mayville, Charles Flanders era filho de um pintor que o ajudou a seguir a carreira artística. Estuda em várias escolas e acaba por ensinar desenho. Em 1928 parte para Nova Iorque e dedica-se à publicidade. Vai então ilustrando algumas revistas. Mais tarde, já se encontra como colaborador da King Features Syndicate e desenhador "fantasma" das séries "Bringing Up Father" de Mc Manus e "Tim Tyler's Luck" de Lyman Young, em 1934.

Em 1938 cria uma série dominical a cores sobre "Robin Hood", que seria terminada pelo italiano A. M. Nardi e cujo sucesso nunca atingiria. Volta de novo a ser um desenhador "fantasma", desta vez da personagem "The King of The Royal Mounted" de Allen Dean, ao ocupar-se das páginas dominicais.

A partir de Janeiro de 1936 passa a ser o desenhador oficial de "Secret Agent X-9". Depois irá continuar em paralelo, como ajudante de vários artistas, Alex Raymond, Allen Dean e Dick Sprang, além de Briggs, em 1937. Em 1938 casa com Line Jane Walker. Depois volta a desenhar "The King of The Royal Mounted", enquanto a qualidade da série "Secret Agent X-9" vai piorando, deixando-a a 11/4/38.


É então que, pela primeira vez, encontra uma série, à qual irá dedicar em pleno, o pouco do seu talento. Trata-se da série "The Lone Ranger", que desenhará durante mais de 30 anos. Em 1971 a série termina e Charles Flanders vai viver para Palma de Maiorca, onde morrerá a 10/1/73.

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03 de Maio de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Página 33 - Autores de Banda Desenhada: Arturo del Castillo

AUTORES DE BANDA DESENHADA

ARTURO DEL CASTILLO

Arturo Del Castillo nasceu em 1925, em Concepciòn, no Chile.
Quando tinha 20 anos, dedicou-se à publicidade, na letragem. Em 1948 parte para Buenos Aires, na Argentina, onde o seu irmão, Jorge Perez Del Castillo, trabalhava para a revista "Pastoruzito" e outras. Depois de colaborar com a revista "Aventuras", Arturo volta a legendar alguns trabalhos.
Depois de escrever argumentos, desenha algumas adaptações com interesse. Mas o seu maior sucesso inicia-se com "Randall", uma personagem ligada ao "western", construída de uma forma subtil e criada numa atmosfera dramática, a exemplo dos bons filmes de "western".
Concebida em 1957 até 1960, com textos de Hector Oesterheld, para a revista "Frontera", "Randall" é mais um "anti-herói" que ao contrário e se não fossem as ligações que às vezes tem com mulheres e crianças e que servem de suporte humano à solução de cada caso em que se mete, até duvidaríamos das suas verdadeiras emoções e da sua sensibilidade, acusando-o de pragmático, calculista, frio, insensível e até sanguinário.

Taciturno e possuidor de um mutismo, quase agressivo, só as mulheres e as crianças, o levam a abandonar a sua posição na vida e a actuar com justiça. "Randall" faz parte de um "western" clássico, onde o estilo muito pessoal de Arturo, consegue imprimir momentos de acção e de "suspense", com um grande grau de perfeição. O seu sombreado é na verdade fabuloso. O seu traço excepcional peca unicamente por alguns limites, principalmente no que respeita às personagens que vivem as suas histórias com o nosso "herói": são todas iguais, têm todas as mesmas feições, de aventura para aventura... Os vilões, as raparigas, as crianças, os velhos, etc..

E este mal repete-se quando ele cria três novas personagens "El Cobra", "Pat Garrett" (1962/1965 com textos de Ray Colïins) e "Kendall", com as mesmíssimas feições.
De tal modo as situações se repetem, que em alguns países, incluindo Portugal, indistintamente, as quatro figuras aparecem, desempenhando o lugar uns dos outros. Quando cria "Kendall", ele aproxima-se da personalidade de um xerife, que vive numa pequena cidade, mantendo a lei e a ordem, eliminando os que as não respeitam. É também uma personagem só, percorrendo lugares de um lado para o outro.

De 1974/1979 cria "El Cobra", que balança entre um "herói" bom e mau, possuidor de um passado misterioso. Os textos são de Ray Collins também.
"O Falcão" pequeno publicou as aventuras de "Randall" no seu início e outras revistas da Agência Portuguesa de Revistas fizeram o mesmo. Inclusive existe um fascículo (número único), em formato A5, onde esta personagem aparece com o nome de "Sheridan".

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18 de Abril de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 31 e 32 - Autores de Banda Desenhada: Primaggio Mantovi e Edmundo Rodrigues

AUTORES DE BANDA DESENHADA

PRIMAGGIO MANTOVI

Mantovi nasceu em Itália, em Janeiro de 1945 e veio para o Rio de Janeiro, aos 9 anos de idade. Para imitar o irmão, resolveria começar a desenhar. Em 1964 começa a trabalhar na Rio Gráfica e Editora, onde dá os primeiros passos na arte de Ilustração. A partir de Dezembro de 1965 desenha 8 histórias de uma personagem ligada aos "cow-boys" de que gostava, cujo nome era "Rocky Lane", uma figura do Cinema da década de 40. Terminaria essa tarefa em Janeiro de 1968. A sua actividade passa então a estar ligada à execução de capas de revistas, publicadas pela editora. Chegaria às 200 capas. Também se ocuparia de ilustrações.

A sua grande oportunidade dá-se, quando a revista "Recruta Zero" deixou de ter material norte-americano para publicar. A oferta veio e o desafio foi vencido pelo autor. Não só para a Rio Gráfica como para a Saber, escreveu e desenhou histórias daquela personagem de Novembro de 1968 a Janeiro de 1971. Em Janeiro de 1972 cria o palhaço "Sacarrolha", que atingiria tiragens na ordem dos 130.000/160.000 exemplares por revista.

Nos inícios de 1973 veio trabalhar para a Abril. Entretanto, da sua personagem "Sacarrolha" sairão 36 números, de Janeiro de 1972 a Novembro de 1974. Mas não acabaria aqui a vida da sua figura, já que viria a ser publicada ainda na revista "Diversões Juvenis" e nos jornais.

Primaggio ainda escreveu e desenhou várias histórias para as seguintes personagens: "Pererê", "Pantera-Cor-de-Rosa", "Os Herculoides" e "O Homem Pássaro". Em 1976 estava à frente das revistas de Maurício de Sousa.

Em 1978 colaborou na revista "Pancada".

Em 1980 funda a Pejota Produções Artísticas, para lançar "Sacarrolha" no campo do Merchandising. Em Outubro de 1983, juntamente com Rodolfo Zalla, com quem já tinha trabalhado em histórias do "Zorro" e numa história da vida do "Papa João Paulo II", resolve lançar a nova revista "Diversões do Sacarrolha". Depois liga-se às personagens do Walt Disney, de "Luluzinha", "Moranguinho" e "He-Man".

Uma das suas iniciativas e um exemplo de como no Brasil, também as histórias de Banda Desenhada nunca foram respeitadas, vamos hoje encontrar nas edições da Rio Gráfica, várias monstruosidades criada pelos artistas brasileiros de então. Um exemplo, encontra-se patente nº. 185 da revista "Fantasma" daquela editora. Numa adaptação de uma história de "Rip Kirby", foram intercaladas vinhetas com a figura de "Fantasma", transformando-a numa aventuras deste vingador.

Mas este é um pequeno exemplo, pois há muitos mais. O engraçado é que houve coleccionadores a guardarem ciosamente o número dessa revista, convencidos que se tratava de um trabalho raro de John Prentice (autor de "Rip Kirby" e que nunca desenhou outra personagem senão esta, até à sua morte, recentemente).
"Flash Gordon" também se transformou em "Mandrake", no nº. 181 da sua colecção. "O Cavaleiro Negro" também continuaria a ser publicado no Brasil, depois do material norte-americano ter desaparecido e aconteceria isso a muitas mais personagens.

O "Gringo" de Carlos Gimenéz transformou-se em "Dr. Robledo", que por sua vez se transformava em "O Cavaleiro Negro", através do hábil pincel de Walmir Amaral de Oliveira. E assim, pelas ruas da amargura, se posteriormente este autor tem continuado a criar material para as suas personagens "Sacarrolha" e "Veterinário", outra figura que entretanto tinha lançado no mercado, igualmente com algum êxito.

EDMUNDO RODRIGUES

Iniciou-se na vida artística com trabalhos para o "Tico-Tico" (João Charuto) e para a "Vida Juvenil" (Aventuras de Armando).

Na RGE desenhou na contracapa de algumas revistas, trabalhos sobre a História do Brasil e Curiosidades.

Também desenhou inúmeras capas para esta editora. Desenhou 3 números de "Antar". Em 1968 desenhou "O Cavaleiro Negro" e, no ano seguinte, "Fantar".

Também criou "Irina, a Bruxa" para a Taika Editora. Depois é um nunca mais acabar de trabalhos. "Mundo do Terror", "Terror Ilustrado", "Histórias Horripilantes", "Histórias de Pavor", "Superfícção", "Far-West em Quadrinhos", "O Novo Drácula", "Múmia", "Capitão Blake", "Falcão Negro", "O Carrasco", "Maja" e "22.200 Cidade Aberta", são algumas das revistas criadas pelo seu estúdio, onde seriam igualmente publicadas algumas histórias suas e de outros desenhadores.

Os romances "O Guarani", "Rumo à Lua", "Memórias de Um Sargento de Milícias", "20.000 Léguas Submarinas" e "Viagem ao Centro da Terra", são também adaptações suas para a Banda Desenhada.

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07 de Abril de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 29 e 30 - Autores de Banda Desenhada: José Delbo e Jordi Buxadé


AUTORES DE BANDA DESENHADA

JOSÉ DELBO

Quem alguma vez diria que um editor de revistas de Banda Desenhada, acabaria a desenhar? Não é muito normal tal acontecer. O inverso, ainda poderemos admitir...
Pois é o que aconteceu com José Delbo, desenhador argentino nascido em Buenos Aires e que viria a colaborar também para os Estados Unidos da América. Uma das primeiras tarefas deste artista é editar duas pequenas revistas, uma de guerra e outra de "cow-boys", com material estrangeiro com cuidada tradução e legendagem, além de excelente aspecto gráfico.

Afinal e devido à concorrência feroz, as revistas não vingaram, pelo que José Delbo resolveria pura e simplesmente dedicar-se a desenhar. Inicia então a sua colaboração na revista "Poncho Negro". Depois e durante alguns anos dedica-se a desenhar a série "Terry Atlas". Depois é a vez de histórias de Guerra e do Oeste, os seus temas preferidos.
Entretanto Del Bó passa a desenhar igualmente as capas das suas revistas, enquanto se ocupa de histórias de Guerra e… também de Aventuras.

Entretanto conhece Héctor Oesterheld, que produzia sozinho quase todos os argumentos da editora para quem trabalhava, que por sua vez eram desenhados em paralelo com muitos e bons ilustradores que colaboravam consigo, inclusive Hugo Pratt. Resolve então desenhar também as aventuras de "Ernie Pike", uma série criada em conjunto pelos dois artistas indicados atrás: Pratt e Oesterheld.
Colabora igualmente na série "Patoruzito", a grande e prestigiosa publicação da Editorial Dante Quintero, onde viria a publicar uma única história sua: " La Cueva Del Yacaré".

Depois é a vez de outra séries:

"Tony Macken", enquanto o artista sonhava já com a sua partida para os Estados Unidos da América. Em meados de 1963 resolve partir para o Brasil, onde desenhará algumas histórias da personagem "O Vingador", enquanto cria outra personagem, chamada "Colorado".
A revista "Combate", lançada na altura no Brasil, virá a incluir nas suas páginas alguns episódios de Guerra, da autoria deste desenhador.

Ainda em 1964 o nosso artista vai-se ocupar de vários trabalhos no Brasil, de origem brasileira, enquanto continua a colaborar em revistas editadas na Argentina. Mas o seu desejo concretiza-se e parte então para os Estados Unidos da América, onde acaba por trabalhar na série "Bill, The Kid", durante cinco anos. Depois é a vez de trabalhar para a Dell, desenhando séries da TV: "Rat Patrol", "The Monkees" e "The Big Valley". Em 1968 encontramo-lo já a colaborar com a Western Publishg (Gold Key), na série dos Beatles, "The Yellow Submarine". Depois é um nunca mais acabar de trabalhos: Continua a série "Turok, Son of Stone" , desenha muitos trabalhos para a série "Ripley's, Believe or Not" e histórias de terror para a revista de Boris Karloff e para a "The Twilight Zone".

Em 1974 é a vez de do lendário "The Lone Ranger". A DC faz um contrato com José Delbo, para desenhar para eles.
Executa assim histórias de "Wonder Woman", ao mesmo tempo que se ocupa para o Tribune Syndicate, das tiras diárias de "Superman". Desenha vários livros para colorir, com personagens da DC, ao mesmo tempo que para a Gold Key, trabalha nas séries humorísticas: "O.G. Whiz", "Bagged Ann" e capas para a "Little Lulu". Depois é a vez de "Thunder Cats" e outras séries, numa contínua procura da sua afirmação, o que sem dúvida alguma acabou conseguindo naquele país.

Para ele, um dos maiores problemas ao trabalhar nos Estados Unidos da América, era mudar de um estilo literário, onde este possui maior impacto, para outro, onde o desenho é dono e soberano, criado a um ritmo violento e com muita acção. No entanto, conseguiria ser dos poucos artistas estrangeiros a ter um papel preponderante, na criação de várias personagens ligadas ao campo dos "super-heróis" e com bastante qualidade.

JORDI BUXADÉ

Jordi Buxadé é um autor quase desconhecido, no vasto campo dos desenhadores espanhóis, que proliferam por todo esse mundo e dos muitos que são prestigiados a nível internacional. Mais uma vez e para não variar, não encontrámos nada sobre este desenhador nas enciclopédias, apesar de nos seus melhores anos de artista, chegar a desenhar cerca de 50 páginas por semana, para os "cuadernos", ainda que cada página tivesse unicamente duas vinhetas, o que correspondia a 100 desenhos semanais. De qualquer dos modos era uma tarefa gigantesca para qualquer um, mais a mais, repetidamente, já que cada número dessas revistas saía semanalmente e não podia falhar. É claro que o trabalho também não podia primar pela qualidade e o preço pago por cada história, também não compensava muito, admitindo que havia que trabalhar todos os dias até tarde, incluindo os domingos.

Nos anos 70 Jordi partiu para os Estados Unidos da América e veio a conhecer Fred Harman, com quem veio a estar e a trabalhar, durante alguns meses, de modo a conseguir contratos de trabalho para desenhar Histórias aos Quadradinhos de "cow-boys". Algumas das suas histórias seriam publicada no "Jornal do Cuto" e outras revistas publicadas pela Agência Portuguesa de Revistas, nomeadamente "Façanhas do Oeste".

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29 de Março de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 27 e 28 - Autores de Banda Desenhada: Hugo Pratt

AUTORES DE BANDA DESENHADA

HUGO PRATT

Hugo Pratt nasceu a 15 de Julho de 1927, numa praia perto de Rimini (terra do realizador Fellini). Ali viveu até aos 10 anos de idade, altura em que, juntamente com os seus pais, partiu para a Etiópia (colónia italiana), ficando nesse país a estudar. Seu pai era um funcionário colonial e esse primeiro contacto com a realidade, marcaria muito o seu futuro de artista, influenciando toda a sua produção, o que se irá verificar logo em "Junglemen", executado na Itália, com um grafismo ainda incipiente, mas já com a influência de outros desenhadores. Em 1943 volta a Veneza e, pouco depois, com Ongaro e Faustinelli, cria as aventuras de "Asso di Piche", que não teve a aceitação dos leitores. Por esta altura Hugo Pratt parte para a Argentina, juntamente com outros desenhadores italianos seus colegas.

Ali a sua actividade vai-se diversificando por várias personagens, todas elas com aceitação, mesmo a nível internacional: "Ray Kitt, "El Cacique Blanco", "Sargento Kirk", "Legión Estranjera", "Ernie Pike", "Ticonderoga", "Wheeling", "Capitán Carmomoran", "Ann y Dan" e outras. Ao longo de todos estes trabalhos vai-se notando uma melhor qualidade nos seus traços e um progresso no seu estilo.

Convém fazer aqui um parêntesis. Quanto a nós, Hugo Pratt foi um dos melhores, para não dizer o melhor contador de histórias que apareceu na 9ª. arte. Dificilmente se poderá encontrar outro autor de argumentos tão bom...como ele... Talvez Héctor Oesterheld, Goscinny, Greg, Charlier e poucos mais... De qualquer dos modos, Hugo Pratt não era um bom desenhador. Era sim um bom aguarelista... As suas personagens eram esboçadas... Depois faltava o resto... os próprios rostos não primavam pela beleza...


Se tivesse trabalhado nos Estados Unidos da América, o seu trabalho nunca teria sido avaliado da forma como o foi, já que ele seria o autor dos traços dos seus trabalhos e haveria alguém, que os cobriria a tinta-da-china, provavelmente alterando todo o seu estilo. No entanto, de modo algum poderemos deixar de considerar o lugar cimeiro, que Hugo Pratt alcançaria com a sua principal personagem "Corto Maltese". Em 1958 Hugo Pratt fazia exposições de pintura, em paralelo com a sua actividade no campo das Histórias aos Quadradinhos. Hugo Pratt sempre se considerou influenciado pelos trabalhos de Caniff e Noel Sickles.

De todas as suas personagens indicadas atrás, diremos que "Wheeling" seria a executada com maior cuidado, antes de se dedicar em pleno ao seu "herói" principal. Em 1960 vamos encontrá-lo a ensinar arte, na Escola Panamericana de Arte, em Buenos Aires. Ao mesmo tempo trabalha para a "Daily Mirror Group", para o "Sunday Pictorial" e para a "Amalgamated Press of London" (mais tarde Fleetway), todas de Inglaterra, fazendo histórias de guerra e ilustrando as aventuras de "Battler Britton". Em 1962 vai para o Brasil, onde conhecerá Jayme Cortez e outros autores brasileiros. De regresso a Itália passa a criar as seguintes obras, no mesmo ano: "Le Avventure de Billy James" e "Le Leggende Indiane".

No ano seguinte é a vez de "Simbad, Il Marinaio", "L'Epopea Dell'América", "L'Odissea" e os seis primeiros episódios de uma aventura nas selvas, tipo "Tarzan" e que se chamava "Kiwi, Il Figlio Della Jungla", trabalho que será continuado pelo desenhador Stelio Fenzo, cujo estilo era muito parecido com o de Pratt.

Nos anos seguintes ainda iremos ter acesso a "L'Ombra", "L'Isola Del Tesoro" e "Il Ragazzo Rapito" (Raptado), até que em 1967 a revista "Sergente Kirk", resolve publicar um novo trabalho deste autor, intitulado "Uma Ballata Del Mare Salato", uma longa aventura que introduz, pela primeira vez, a personagem "Corto Maltese".
Dois anos depois e, na mesma revista, publica a história "Os Escorpiões do Deserto", interrompida no quinto capítulo e só completa, 4 anos depois, curiosamente, em outra publicação e em outro pais: No "Tin Tin" belga. De 1970 a 1973 continua com o seu "Corto Maltese" para o "Pif Gadget" em 21 episódios, culminando com "D'Autres Roméos et D'Autres Juliettes" e "Leopards". A série continuará nas revistas italianas, "Linus" e "L'Europeo" e, em 1980, na revista "À Suivre", inicia "La Maison Dorée de Samarkand" e "Le Matin de Paris" que ficarão incompletas.

Pratt colaborou também na colecção "Um Homem Uma Aventura", com "L'Uomo Dei Caraibi" (1977), "L'Uomo Del Sertão" (1978) e "L'Uomo Del Grand Nord" (1980). Neste mesmo ano retoma a série "Wheeling" para a revista "Metal Hurlant".

Em Agosto de 1981, enceta "A Juventude de Corto Maltese" no quotidiano francês "Le Matin". Escreve também o argumento do "Verão Índio", para o desenhador Milo Manara. Prossegue com "Jesuit Joe" em 1984 e no mesmo ano cria "Cato Zulu". Nos anos seguintes seguem-se mais aventuras de "Corto Maltese". Em 1991 escreve "El Gaúcho", de novo para Milo Manara. Em 1994 é a vez de "Saint-Exupéry - O Último Voo" e no ano seguinte "Morgana", a sua última obra. Morre a 25 de Agosto de 1995.

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