18 de Julho de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: José Ricardo do Socorro Lima

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
José Ricardo: Sou carioca da gema. Nasci no bairro de Madureira, na Maternidade Herculano Pinheiro, Rio de Janeiro, Brasil, em 15 de Julho de 1972.
Actualmente, sou Oficial de Justiça do TRT da 1ª Região.


Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
José Ricardo: O gosto pelas revistas em quadrinhos eu peguei quando era bem pequeno, creio que eu devia ter uns dois ou três anos. Foi graças à Dona Luzia e ao Senhor Carlinhos, seu esposo, que compravam diariamente o jornal O Globo, no qual vinha, na metade dos anos 70, uma página inteira dedicada a tiras de vários personagens. E no domingo havia O Globinho Supercolorido, uma verdadeira preciosidade para mim. Eles eram meus vizinhos e emprestavam-me a página de quadrinhos para eu os colorir, porque ainda não sabia ler. E por aí começou meu gosto por esse tipo de leitura. Quanto ao Tex, os primeiros de que me lembro de ter lido foram-me emprestados pelo mesmo Senhor Carlinhos, que os comprava todo mês. Ele não tinha a colecção completa, mas eu lembro-me de que tinha muitos exemplares.

Porquê o Tex e não outra personagem?
  
José Ricardo:
Na verdade, como muitos sabem, meu personagem favorito é Zagor, o Espírito da Machadinha, do qual eu tenho um Blogue (http://zagorgigante.blogspot.com/), que actualizo sempre que tenho tempo, mas também gosto de ler Tex porque encontro, nas histórias, óptimos enredos, na maioria das vezes.

O que Tex representa para si?
José Ricardo:
Tex é um personagem de histórias em quadrinhos. É isso que ele representa para mim.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Ricardo:
Creio ter por volta de umas 200 revistas. Todas são igualmente importantes, porque fazem parte da minha colecção.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
José Ricardo: 
Actualmente, dou preferência a bonecos e outros gadgets do personagem.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Ricardo:
Minha história preferida é A Volta do Dragão, publicada pela Editora Vecchi nos nºs. 85 a 87.
Aprecio muito os traços de Civitelli e os argumento de Mauro Boselli.


O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Ricardo:
O que mais me agrada poder ver é que Tex não tem medo de enfrentar seus inimigos, sejam eles quantos forem. Se existisse mágica, Tex teria de ser transportado para o mundo real, para vir resolver o problema da criminalidade aqui no Rio de Janeiro. O que menos me agrada? O constante uso de palavras pesadas, como Diabo, Inferno, Satanás e similares. Na minha opinião, não haveria necessidade delas.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
José Ricardo: Tex tem um lugar de destaque na BD mundial, porque mantém a sua fórmula editorial inalterada há 60 anos. Vejamos: há um roubo ou morte ou sequestro. Os malfeitores fogem. Tex vai em seu encalço. Tex desbarata a quadrilha. Tex vence. Se fugir dessa fórmula, não é Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Ricardo: Considerando o cenário mundial, vejo, ainda, com bons olhos o futuro do Ranger. Tanto na Itália quanto no Brasil, Tex tem uma multidão de fãs, o que permite que a revista sobreviva por outros 60 anos, no mínimo
!

Prezado pard José Ricardo do Socorro Lima, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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08 de Julho de 2008

Índice de entrevistas com fãs e coleccionadores de TEX WILLER:


Ano 2008

Carlos Moreira (Portugal) - 08/07

Neimar Nunes da Silva (Brasil) - 23/06

Afrânio José da Silva Braga (Brasil) - 13/06

Filipe Augusto Chamy Amorim Ferreira (Brasil) - 04/06

Bira Dantas (Brasil) - 20/05

José Manuel Almeida (Portugal) - 06/05

Sílvio Raimundo (Brasil) - 22/04

José Luís Silva (Portugal) - 10/04

Fernanda Martins (Brasil) - 02/04

Carlos Gonçalves (Portugal) - 24/03

Antonio Carlos Moreira (Brasil) - 14/03

Pedro Pereira (Portugal) - 06/03

Ary Otávio Canabarro dos Santos (Brasil) - 21/02

Sérgio Madeira de Sousa (Portugal) - 12/02

Pedro "Hunter" Bouça (Portugal) - 28/01

Oscar Christiano Kern (Brasil) - 12/01

Jesus Nabor Barbosa Ferreira (Brasil) - 02/01


Ano 2007

Geraldo Guilherme Carsan (Brasil) - 21/12

Jorge Magalhães (Portugal) - 10/12

Ano 2006

José Carlos Pereira Francisco (Portugal) - 04/10
 
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Entrevista com o fã e coleccionador: Carlos Moreira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Carlos Moreira: Nasci em Lisboa a 8 de Março de 1965, vivo no Cacem, sou casado e tenho um filho com 17 anos. Trabalho em artes gráficas onde sou responsável pelos armazéns de matéria-prima.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Carlos Moreira: O interesse pela Banda Desenhada começou cedo, quase quando aprendi a ler, com os Tio Patinhas, Pato Donald e seus semelhantes. Mais tarde com publicações como Falcão, Condor, Mundo de Aventuras e outras que proliferavam pelas bancas, conheci Tex (com 12/13 anos) e desde então não parei mais.

Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Carlos Moreira:
Tex destacou-se dos demais pelo formato e sobretudo pelo desenho, embora possua outros westerns na minha colecção, como por exemplo Tenente Blueberry e História do Oeste, mas Tex será sempre o favorito.

O que Tex representa para si?
Carlos Moreira:
A amizade e lealdade com os seus amigos e o seu sentido de honra e justiça.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Carlos Moreira:
Tenho 927 revistas na minha colecção: possuo todas as edições de Texnormal”, Edição Histórica, Gigantes, Almanaques, Mini-Séries, Ouro, Anual, Tex e os Aventureiros, Especiais Férias, Grandes Clássicos e Coloridos. De Tex Coleção faltam-me alguns números e tenho ainda algumas edições italianas, francesas e uma holandesa.
Importantes são todas, mas talvez o nº 94 “Pacto de Sangue” seja o mais especial, pois foi o último a entrar na colecção e pelo facto de ter demorado 30 anos a conseguí-lo.


Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Carlos Moreira: 
Colecciono essencialmente livros, mas se aparecer algum objecto é claro que vai para a estante sem dúvida nenhuma.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Carlos Moreira:
Essa é complicada, gosto de várias histórias, mas dentro dessas destaco “O Grande Golpe” e “El Muerto”.
Aprecio entre outros, os desenhos de Fusco, Villa e Civitelli e entre os argumentistas, Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Carlos Moreira:
Acho que gosto de tudo.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Carlos Moreira: Todo o trabalho e dedicação desenvolvido ao longo dos anos, pela casa Bonelli assim como pelas editoras que publicaram Tex no Brasil.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Carlos Moreira: Prevejo um futuro risonho. Com o staff que trabalha actualmente, assim como com os novos desenhadores que se vão integrando e demonstrando o seu valor, TEX continuará por muitos e longos anos.


Prezado pard Carlos Moreira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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23 de Junho de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Neimar Nunes da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Neimar Silva: Chamo-me Neimar Nunes da Silva, completo 35 anos dia 13 de Agosto, nasci e moro até hoje no pequeno distrito de Capela do Saicã, zona rural da cidade de Cacequi e próximo a Rosário do Sul - RS, Brasil, que é onde vou com frequência e onde consigo as revistas. Não tenho emprego fixo pois trabalho por conta própria vendendo rações, cereais etc...
Também trabalho como apontador de uma banca de jogo do "bicho" e como ecónomo do clube aqui da vila. Actualmente estou cursando o ensino médio e pretendo no próximo ano cursar uma faculdade, a despeito da idade, pois não tive oportunidade de estudar quando era mais novo.


Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Neimar Silva: Minha paixão pelos quadradinhos começou cedo, pois os meus irmãos já liam Tex, Zagor e personagens Marvel. Então o pequeno Neimar desde cedo os incomodava para que lessem para ele as aventuras, principalmente de Zagor, cujo nº1, o fascinava, talvez pela história ser centrada na figura de uma criança.
Comecei a estudar em 1980 e foi automático, costumo dizer que aprendi a ler com a BD, pois chegava a casa e ia directo para as revistas, juntar as palavras, olhar os desenhos...
A primeira edição de Tex que li, parece-me que foi o nº 106, "Prisioneiros do Deserto", e daí em diante não parei mais. Morando em um local que não tinha energia  eléctrica, coisa que só conheci aos 18 anos, com escassas condições financeiras, uma das únicas opções de lazer era ler. Atravessava as madrugadas lendo à luz de lampião a querosene.
Meus irmãos foram embora para Porto Alegre em meados de 1984, pouco antes disso tiveram sua colecção queimada por um primo maluco.  A partir daí, com 10 para 11 anos de idade, segui lendo os pouquíssimos exemplares que sobraram, e a partir do dia 12 de Janeiro de 1985, quando um amigo me presenteou com o nº 48, "O Desfiladeiro da Morte", comecei minha própria colecção. Encomendava revistas por um senhor meu vizinho, hoje falecido, pois ele ia assiduamente à cidade. Até hoje ainda existe um sebo (alfarrabista) onde ele comprava revistas para mim, trazendo por vezes exemplares que eu já possuía.
Fazia  verdadeiras loucuras para conseguir as revistas, cheguei, pasmem,  a simular uma dor de dente para poder ir à cidade extraí-lo pois assim teria chance de eu mesmo ir ao sebo comprar as revistas, é claro que o dente incomodava, mas não era tanto, não. Lembro que isso aconteceu em 1986 e nesse dia consegui vários exemplares, entre eles o nº 1 de Zagor e o Tex nº 112: "El Muerto"... vejam que  valeu a pena o sacrifício!


Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Neimar Silva:
Por que Tex e não outro personagem? Talvez por ser um dos primeiros personagens que conheci, talvez pela influência de meus irmãos, mas acho que foi aquela imagem de um herói destemido e leal, que me cativou. Lembro que enchia o juízo do meu irmão mais velho para ele contar detalhes sobre as histórias antigas que ele tinha lido e que não possuímos, uma que tinha muita curiosidade de ler era "A Batalha de Silver Bell", cujos detalhes ele me contava, o mestiço, o duelo ao pôr-do-sol, o coldre giratório, etc...

O que Tex representa para si?
Neimar Silva:
Tex representa para mim um exemplo a ser seguido, exemplo de justiça e lealdade. Não foram poucas as vezes que na vida real, diante de alguma dificuldade, perguntava-me o que Tex faria se estivesse no meu lugar? E  tentava agir como ele agiu em determinada história, era muito sonhador, e com isso levei algumas rasteiras na vida, pois o mundo real é bem diferente daquele  mundo de fantasia das BDs.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Neimar Silva:
Tenho completas as colecções de Tex "normal" , "Almanaque", "Anual", "Tex Coleção" e "Tex Coloridos". Todos os "Gigantes", excepto o nº1 da Mythos, além de muitíssimos exemplares das outras colecções e ainda alguns italianos, o que perfaz mais ou menos 900 edições de Tex, porque de Zagor tenho tudo o que saiu no Brasil e muitas revistas em italiano. Juntando o que possuo dos outros heróis Bonelli, tenho por volta de 1500 revistas em minha gibiteca. Revista favorita? Hum, deixa ver, talvez os presentex's que recebi, do Gervásio e do José Ricardo e também o encadernado "O Ídolo de Cristal".

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Neimar Silva: 
Pela falta de dinheiro, colecciono apenas as revistas, se pudesse compraria tudo, pois TEX é uma paixão tão grande que fiz um esforço hercúleo para conseguir acesso à Internet. Para terem uma ideia, sou o único na minha localidade a dispor desta tecnologia, pois aqui ainda não chegou a telefonia fixa e este acesso que consegui é via telemóvel, caro e lento. Mas só por estar aqui, contando a minha história aos colegas, já  me sinto recompensado.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Neimar Silva:
Difícil dizer qual a minha história favorita, pois são tantas... Mas se tivesse que escolher uma, escolheria uma que me marcou muito na infância: "Os Rebeldes do Canadá" (curiosamente está sendo lançada agora em "Tex Coleção"). Como leitor tradicional prefiro a Arte dos Mestres Galleppini e Ticci, e como argumentista nenhum se compara ao incomparável Gian Luigi Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Neimar Silva:
O que me agrada mais em Tex é seu censo de justiça e sua luta incansável em favor dos fracos e oprimidos. E também sua coragem de bater de frente com os poderosos quando estes tentam  subjugar os mais fracos. Que funcionário ou comandado nunca sonhou em dizer umas verdades aquele chefe arrogante? Pois Tex faz isso a toda hora e com qualquer um, independente de sua posição. O que me agrada menos é o Tex actual, principalmente esse que o Nizzi nos apresenta, uma caricatura daquele personagem que aprendemos a amar e respeitar.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Neimar Silva: O que faz de Tex um ícone é uma série de factores, mas principalmente o profissionalismo que sempre foi tratado por seus editores e a longevidade da série, que lhe deu uma base se sustentação e acredito que seja a chave de seu sucesso.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?

Neimar Silva: Vejo o futuro do Ranger  com um misto de esperança e preocupação: esperança com o surgimento de novos leitores, e preocupação por temer que esse número de novos leitores seja insuficiente para manter a série quando o personagem for perdendo seus antigos leitores, pois o tempo é inexorável e não perdoa.
Finalizo convocando os pards a se unirem para  tentar conseguir novos leitores e fazer com que aquelas pessoas que por um motivo ou outro deixaram de comprar a revista, retomem sua colecção, pois só  assim teremos nosso personagem nas bancas por mais tempo e seguiremos cultuando essa religião chamada Tex Willer!!
!

Prezado pard Neimar Nunes da Silva, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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13 de Junho de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Afrânio José da Silva Braga

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Afrânio Braga: Nasci a 8 de Novembro de 1964, em Manaus, Amazonas, Brasil.
Sou Técnico Industrial em Edificações, Economista e Administrador.


Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Afrânio Braga: Em 1971, com Tex Nº 4, “Forte Apache”, Editora Vecchi.

Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Afrânio Braga:
Western é o meu género de Banda Desenhada preferido.
Ouro para Tex, prata para Blueberry e bronze para Ken Parker – esses são os meus personagens predilectos.


O que Tex representa para si?
Afrânio Braga:
Tex Willer representa o seu criador literário, Giovanni Luigi Bonelli – sonhos, ideais, carácter e personalidade.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Afrânio Braga:
Tenho todas as colecções brasileiras texianas.
Os PresenTexs italianos do editor Sergio Bonelli.


Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Afrânio Braga: 
A minha BiblioTex é composta por revistas, álbuns, edições fora de série e produtos do Ranger mais temido do Oeste.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Afrânio Braga:
O Solitário do Oeste”, Tex no Inferno Verde, a Selva Cruel da Amazónia.
Giovanni Ticci.
Gianluigi Bonelli.


O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Afrânio Braga:
A inteligência.
O vício de fumar.


Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Afrânio Braga: A amizade, a lealdade, a coragem e a luta pela Justiça.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Afrânio Braga: Enquanto houver vida, haverá Tex
!

Prezado pard Afrânio José da Silva Braga, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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04 de Junho de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Filipe Augusto Chamy Amorim Ferreira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Filipe Chamy: Nasci em São Paulo (Brasil), cidade onde moro até hoje, em 1987. Estudo Direito há cerca de quatro anos, mas ainda não sei se seguirei a carreira jurídica. Nunca fui de muitos méritos académicos, excepto quando participava de concursos de redacção na escola. Acredito que saber ler e escrever é um dos pressupostos para uma realização plena.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Filipe Chamy: Sempre gostei de histórias em quadradinhos. Não sei direito quando isso me conquistou, creio que por volta dos seis anos, talvez menos. Sempre tive uma vida essencialmente normal, por isso necessitava de um refúgio escapista, uma brecha para viver em outros mundos. A literatura e os quadradinhos cumpriram essa função. Mais tarde, o cinema também ocuparia esse espaço. Mas o facto é que preciso de imaginação, fantasia. Isso fascina-me de uma maneira imensurável. Não suporto o pensamento de uma existência puramente prática, sem sonhos, sem esperanças, humor. Admiro tudo o que fuja à realidade ou que distorça a 'verdadeira' percepção das coisas como as vemos. Quadradinhos representam a inexistência de limites do poder da mente, pois com eles viajamos, exploramos áreas desconhecidas das nossas emoções e visualizamos criaturas diferentes de nós, mas nas quais nos espelhamos (e das quais somos talvez o reflexo). Tex Willer é um personagem atemporal porque permite que cavalguemos junto a ele e seus pards, rindo de suas tiradas sarcásticas e vibrando a cada golpe desferido nos oponentes. É uma espécie de companheiro ideal, sempre podemos confiar nele.

Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Filipe Chamy:
Porque eu fui 'envolvido' inconscientemente no mito do personagem. Em outras palavras, por ser um fumetto bem vendido e conhecido, tive maior acesso a ele, no princípio. Desde quando pequeno via em bancas, ouvia falar, mas nunca havia lido. Só havia comprado uma revista, o número 353 da Mythos. Não havia chegado a ler, por alguma inexplicável razão. De qualquer modo, o catalisador da minha texmania foi um amigo do colégio, texmaníaco há tempos, que me incentivou a dar uma chance ao tão falado cowboy. Ele emprestou-me três revistas, as três primeiras aventuras texianas que li (todas publicadas pela Mythos: Tex Anual 4, Almanaque Tex 8 e Tex Ouro 4). A paixão foi imediata e certeira. Nunca mais parei de ler e coleccionar Tex.

O que Tex representa para si?
Filipe Chamy:
A obstinação de quem sabe ter razão. Há um certo maniqueísmo nas tramas texianas, e, longe de tirar seu encanto, isso contribui para a identificação dos leitores. Pois Tex sempre está certo, e age de acordo com essa convicção, por isso dificilmente erra. É muito difícil encontrar na vida real uma pessoa tão segura de si, que ainda assim possui discernimento para raciocinar com objectividade e frieza. Tex possui tudo isso e vive para corrigir injustiças e solucionar problemas.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Filipe Chamy:
Nunca contei, mas deve ser um número por volta de 600 ou 700. Somando as edições normais, as especiais e as italianas. Não tenho predilecção por nenhuma, mas as italianas, as com dedicatórias de amigos e as mais raras (como as primeiras edições da Vecchi) são talvez edições mais especiais que a maioria.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Filipe Chamy: 
Tudo, mas não tenho quase nada que não os livros e revistas. No Brasil, qualquer acessório ou coisa do tipo é algo virtualmente impossível de se conseguir.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Filipe Chamy:
Difícil. Tenho um carinho por todas da fase áurea de Claudio Nizzi, a época que a Mythos vem publicando actualmente no Tex Ouro. Grandes e épicas aventuras, senso de acção extremamente bem desenvolvido, tramas assombrosamente harmoniosas, Tex valente e durão, todos os pards no auge da coragem e do companheirismo. Por tudo isso, Nizzi será sempre meu argumentista favorito, mesmo que desgoste da maioria de suas histórias actuais. Desenhadores eu gosto principalmente de Villa, Ticci, Fusco e Letteri. Gosto muito também de Nicolò e Civitelli. Para mim, um bom desenhador é capaz de criar um clima que permita ao leitor sentir-se no local retratado, mesmo que abstracto; Ticci, por exemplo, deixa todos os leitores suados e empoeirados após 'participarem' de suas histórias. É um Mestre. E um bom argumentista é aquele que nunca subestima o poder de entendimento do seu público.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Filipe Chamy:
O que me agrada mais é o espírito das aventuras, faroeste com aventura, humor e acção. São tramas muito gostosas de ler, personagens carismáticos e situações de conflito que cativam o espectador (ou leitor). É um bálsamo ler uma revista de Tex no metrô, a caminho de casa, após um dia estafante no trabalho. Carregar na mala para uma viagem. Comprar e ler num dia de tédio. É um amigo para todas as horas, que nos entretém sem pedir nada em troca, a não ser um mínimo de atenção. E, se a história for realmente boa, atenção é o mínimo que podemos dar, junto com elogios.
O que me agrada menos, com toda certeza, é a política editorial de Sergio Bonelli, um homem extremamente inteligente mas de pouca visão. Argumentista brilhante, acabou impossibilitando seus escritores de terem total liberdade para criar, que é a meta que deveria ser objectivada: ao permitir apenas histórias com um certo número de páginas, Guido Nolitta ocasiona um fenómeno cansativo aos leitores, que consiste em esticar histórias demasiado curtas e abreviar histórias que passariam um pouco do número de páginas determinado. A meu ver, isso é terrível, e gera vícios incalculáveis, como omnipresença de personagens desnecessários, passagens descartáveis e saídas abruptas. Tex, obra tradicional, é com certeza quem mais sofre com esse sistema. Seus argumentistas não podem fugir muito do mundo do faroeste, o que já limita bastante seu campo de acção; e, ao escreverem pensando em um número certo a registar, o prazer de inventar pode ser subjugado pela rotina de trabalho. É certo que a Bonelli Comics é uma empresa, e visa a lucros, mas deve-se sempre respeitar os consumidores de tão interessante forma de arte. Sergio Bonelli, ao pensar na praticidade, não pensou em todas essas desvantagens, que, a longo prazo, podem ter reflexos extremamente negativos.


Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Filipe Chamy: Sem dúvida alguma, a sua 'imutabilidade'. Os leitores confiam na total rigidez do carácter do ranger, seus amigos e aventuras. Quase nada muda, no sentido de que sempre podemos esperar os vilões tendo problemas, e os mocinhos, mesmo com mil empecilhos, vencendo todos os obstáculos, cunhando frases espirituosas e louvando valores como a amizade, a bondade e a perseverança. Acredito que Tex é um dos poucos sobreviventes desse tipo de narrativa, já que a Nona Arte vem passando há algumas décadas por um certo revisionismo, que transforma anti-heróis em figuras icónicas e enche as páginas com desilusão e pessimismo. Todo moralismo é inócuo em arte, o que interessa é o produto final; se bem construído, não importa mais nada. Mas o público de Tex é do tipo que se prende ao personagem e o acompanha há décadas, por isso é normal que venha envelhecendo junto a ele. E isso acarreta uma perenidade de ideias, um código definido pelo tempo, que molda o personagem e o faz parecer tão perto de nós. Nunca ninguém vai esperar encontrar um Tex corrupto, mulherengo, covarde. Sempre contamos com seus socos em pilantras, suas vitórias gloriosas, sua integridade.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Filipe Chamy: Compartilho da opinião de Milo Manara, segundo o qual o futuro dos quadradinhos está nas livrarias. Tex sobreviverá em edições de luxo, revistas de coleccionadores, para um público consideravelmente restrito. Nas bancas, durará por algum tempo, mas só conseguirá se manter se reestruturarem todos os seus princípios, o que acho inviável. Os quadradinhos de banca estão rapidamente desaparecendo, e Tex não será excepção. Poderá ainda ser um lançamento mensal, mas nas lojas de quadradinhos, não mais no jornaleiro da esquina. Uma coisa curiosa em Tex é a fidelidade de seus admiradores: quase todos o acompanham todos os meses, buscam completar sua colecção e o apresentam aos filhos. Enquanto essa paixão seguir, Tex continuará firme e forte como o personagem mítico que é, carro-chefe de tantas editoras e um símbolo da honestidade e justiça
!

Prezado pard Filipe Augusto Chamy Amorim Ferreira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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20 de Maio de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Bira Dantas

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Bira Dantas: Meu nome é Ubiratan Libanio Dantas de Araújo, nasci em São Paulo, capital, em 03/03/1963. Morei no Rio de Janeiro (de 1965 a 1976), voltei para São Paulo e desde 1988 vivo em Campinas/SP onde casei com uma médica (Cláudia), tenho uma enteada (Alice) de 26 anos e uma filha (Thaís) de 8 anos. Fiz curso de Editoração em BD (USP) e Design Gráfico. Mas aprendi BD de forma autodidacta. Fui muito influenciado por Angelo Agostini, J.Carlos, Belmonte, Carlos Estevão, Henfil, Fortuna, Millôr, Ziraldo, Jaguar, Angeli, Laerte, P.Caruso, Sábat, Carlos Nine, Moebius, Burne Hogarth, Manara.

Para aqueles que ainda não estão bem identificados com a sua carreira profissional, gostaríamos que fizesse uma pequena apresentação própria e do caminho entretanto percorrido na sua carreira?
Bira Dantas
:
Trabalho com Quadrinhos e Charges desde 1979. Fui desenhador da revista em quadradinhos "Os Trapalhões" (Bloch) de 1980 a 82 e intercalador de desenho animado no Estúdio Briquet (Bond Boca) em 85, quando fiz parte da AQC (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas