20 de Abril de 2008

Páginas (de Tex) inéditas da autoria de Nadir Quinto


Por
José Carlos Francisco


Nadir Quinto
, um dos mais conceituados desenhadores italianos, nasceu em Milão, Itália, em 26 de Novembro de 1918.
Frequentou a Academia de Belas Artes de Brera, interrompendo os estudos em 1938 para se estrear como desenhador realizando "L'Arciere Nero" para o editor Mario Conte.

Mas logo após esse passo, foi chamado às armas para combater na Segunda Guerra Mundial e foi somente depois da Guerra que começou a sua carreira como ilustrador profissional, trabalhando para inúmeras publicações, com destaque para personagens e séries como por exemplo: Robin Hood, Tom Bay, Swea, O Mago de Oz, As Aventuras de Tom Sawyer, Peter Pan, Wendy, As Mil e Uma Noites, Larry Yuma...

Depois de várias tentativas para tê-lo entre os seus colaboradores, finalmente em 1992, o editor Sergio Bonelli, conseguiu por fim que Nadir Quinto aceitasse desenhar uma aventura para o mítico Ranger Tex Willer, aventura essa que estaria prevista, fosse editada na prestigiada série "Tex Gigante", mas infelizmente as suas páginas nunca viram a luz do dia porque entretanto Nadir Quinto faleceu, mais precisamente em 15 Março 1994.

O blogue do Tex tendo acesso a parte deste seu trabalho com Tex, dá a conhecer a todos os Texianos, duas das páginas desenhadas pelo falecido desenhador italiano.
Páginas de uma história escrita por Claudio Nizzi, intitulada “I lupi del Colorado”, deixada incompleta devido à sua morte (para aproveitar a extensão completa das páginas abaixo, clique nas mesmas).





Continuando com o tema, esta história de Claudio Nizzi, foi depois passada para outro desenhador do staff do Ranger, em concreto a Ferdinando Fusco, que a redesenhou desde o seu início e foi editada nos meses de Junho e Julho de 1996 nos Tex's italianos # 428 e 429.

História essa que saiu no Brasil pela Editora Globo em 1998 e pode ser vista nas edições de Tex # 340 a 342, tendo tido como título "Os Lobos do Colorado".

Finalizamos este artigo, comparando as páginas desenhadas por Nadir Quinto e Ferdinando Fusco, páginas essas da mesma página do roteiro, para se poder visualizar que uma mesma situação pode ter interpretações diferentes por desenhadores diferentes...






Fonte:
Spazi e colori della fantasia: Mario Uggeri e Nadir Quinto, Edizioni IF
 

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15 de Setembro de 2007

As duas capas da história Yampa Flat

Por José Carlos Francisco

Oficialmente, só houve dois desenhadores das capas da série principal de Tex; Aurelio Galleppini, da edição #1 até à edição #400 e Claudio Villa que desenhou todas as restantes, até à actualidade, mas afinal não é bem assim... pois temos que incluir também o nome de Franco Bignotti, desenhador de Un Ragazzo nel Far West, a  primeira criação de Guido Nolitta (Sergio Bonelli).

Isto porque além de Guido Zamperoni, Mario Uggeri, Francesco Gamba e Lino Jeva, entre os primeiros "ajudantes" de Aurelio Galleppini, há que acrescentar também a participação especial do desenhador Franco Bignotti, pois foi graças a ele que a editora de Sergio Bonelli conseguiu "construir" no último momento a capa dos álbum intitulados "Yampa Flat" (Tex 22) e "Piutes" (Tex 23).

A primeira destas duas capas nasceu em condições de verdadeira emergência: a impressão da revista estava às portas, e o desenho expedido por Galep, por via postal, cinco dias antes, perdeu-se nos então misteriosos meandros dos correios italianos. Sergio Bonelli, estava como sempre pronto a apanhar o comboio ou a saltar sobre a sua "Lambretta" para viajar até à Liguria, directamente a casa de Galep, para ir buscar pessoalmente essa mesma capa que o paciente Aurelio Galleppini fez pela segunda vez, mas um azar danado impediu-o: uma febre cavalar naquele preciso dia!

Mas naquele trágico momento, uma inesperada, mas providencial aparição de Franco Bignotti na editora, salvou a situação, já que disponível para prestar-se entusiasticamente a qualquer trabalho, o incansável Franco, aceitou de pronto uma mirabolante ideia de Sergio Bonelli para resolver a situação: recorrerem à técnica da "colagem" e do trabalho a quatro mãos. Sergio Bonelli colou num cartão uma figura de Tex retalhada de uma outra capa (Tex #17 da série oitava, de 1/9/1960, que mostramos abaixo) enquanto Franco Bignotti em menos de meia hora desenhou os rochedos, a água do rio, os abetos ao fundo e também o índio, que, ao longe, lança a sua ameaça contra Águia da Noite! Desse modo e graças à improvisação o álbum apareceu pontualmente nas bancas italianas.

Outra curiosidade referente à capa da edição 22 de Tex, é que quando a história foi reeditada alguns anos mais tarde, em Tutto Tex, a editora italiana resolveu substituir a capa original, por outra refeita anos mais tarde, pelo próprio Galep, como se pode ver na capa mais recente, capa estaque também saiu em Tex Nuova Ristampa e onde se pode ver perfeitamente as alterações ao desenho original, que provam que é uma outra capa:

Para se ter uma ideia melhor das diferenças entre as capas de Bignotti e de Galep, ei-las lado a lado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A artesanal técnica da "reciclagem" revelou-se fundamental, também no caso da capa de "Piutes"!
Neste caso, Bignotti deu o seu contributo, desenhando o totem e os dois rostos dos índios que "flutuam" no ar, ao lado do Tex Galleppiano providencialmente guardado numa gaveta, quem sabe se para aquela estranha combinação...

Fonte:
Tex, collezione Storica a colori #29

Escrito por Autores do blogue em 02:35:19 | Link permanente | Comments (2) |

31 de Agosto de 2007

O Homem de Atlanta

Por José Carlos Francisco


Embora esta rubrica do blogue seja denominada de "Entre vinhetas", o assunto que abordarei é "Entre capas", ou melhor, entre um esboço inicial de uma capa e o resultado final dessa mesma capa.

Capa essa da história "O Homem de Atlanta", editado no Brasil, pela Mythos Editora, em Março de 1999, no número 1 da colecção "Tex Gigante", originária da série italiana "Albo Speciale", conhecida popularmente por "Texoni", número 10, que deveria ser somente editado em 1997, mas ao ver o fantástico trabalho de Jordi Bernet, Sergio Bonelli não pôde resistir à tentação e alterou para Novembro de 2006 a aparição da história do criador de Kraken, tornando-se assim a primeira e única vez na história dos "Texoni" que uma segunda edição saísse num mesmo ano.

Como dissemos, “O Homem de Atlanta” aparece em Novembro de 1996. O seu escritor é Claudio Nizzi que para a ocasião fez um guião especialmente pensado para Bernet. Para ele cria uma personagem feminina à qual dá um grande protagonismo na narração para permitir o brilho do desenhador; algo que não é habitual nos argumentos de Nizzi, já que nos quais não abundam personagens femininas com verdadeiro peso nas histórias. No arranque da história, Tex e Carson encontram-se a caminho ante um pedido de ajuda por parte de Johnny Butler, um ex-oficial do exército confederado que salvou a vida a Tex durante a Guerra Civil Americana. E aqui é onde entra em jogo Lola Dixieland, cantora de salão e noiva de Johnny, que será quem serve de contacto entre o seu companheiro sentimental e os protagonistas.

E paramos por aqui, porque é precisamente sobre Lola Dixieland, a curiosidade que pretendo abordar, mais precisamente, a sua presença num primeiro esboço feito por Jordi Bernet, para a capa deste "Texone".
Esboço inicial aliás, um pouco na linha das suas bedês eróticas, com a imagem da rapariga sentada sobre o piano, que faz lembrar a Marilyn Monroe no filme "Rio Sem Regresso", como se pode ver nesta imagem que apresento de seguida:

 

Fica agora uma dúvida, que deixo ao critério de cada um tentar desvendar... teria sido o autor espanhol que pensou que estava a ir longe demais, até por ser a sua estreia (e única presença até ao momento) no Mundo de Tex? Foi o editor Sergio Bonelli que julgou que o desenho não se adequava à saga de Tex? Ou foi apenas um de vários esboços, optando o desenhador pela versão final, onde a imagem principal de Tex é a mesma do esboço acima, mudando totalmente o fundo, considerando este mais "natural"?

O que posso afirmar, é que foi pena o esboço inicial não ter sido finalizado (ou aprovado), porque está muito longe, apesar de tudo, das imagens provocantes que Jordi Bernet costuma desenhar e porque estamos na presença de uma série especial de Tex, como o próprio nome da colecção o prova.

Finalizo esta curiosidade, aproveitando para mostrar em todo o seu esplendor, o desenho de Jordi Bernet, que serviu então para a capa da história "L'uomo di Atlanta".
(Para aproveitar a extensão completa do desenho clique no mesmo)

 

Escrito por Autores do blogue em 00:46:06 | Link permanente | Comments (0) |

12 de Agosto de 2007

Flechas Pretas Assassinas

Por Jesus Nabor Ferreira[1]

Ao observar atentamente a primeira página desta saga, desenhada magistralmente por G. Ticci, oficialmente denominada de "A Cruz Trágica" vemos que a disposição das cenas estão invertidas:

Cena 1:  Ampla visão de uma  queda de água com um punhado de vultos à esquerda de uma ponte natural; no meio desta ponte, uma cruz de madeira!

Cena 2 : Primeiro plano de  tronco de árvore, onde se pode se ver um crânio de animal e um espelho, no qual a lua está reflectida.

Cena 3: Três figuras em primeiro plano: um homem branco encapuzado, o feiticeiro Ho-Kuan e o chefe índio Sokami, com um arco armado para disparar uma flecha mortífera.
O feiticeiro diz ao chefe índio: "Calem os tambores! Chegou a hora!"

Cena 4: As mesmas três figuras em primeiro plano; ao fundo o tam- tam dos tambores de guerra. Ao lado deles o tronco de árvore com o crânio e o espelho. O feiticeiro diz: "Prepare-se, Sokami! Está chegando o momento!".

Cena 5 : O feiticeiro e o chefe índio em primeiro plano; O feiticeiro afirma: "Também esta noite os deuses nos ajudam! Não há nuvens no céu e o sacrifício poderá ser feito no momento desejado!". 
O chefe índio responde: "Atenção!"

Esta sequência de vinhetas é a que saiu originalmente na Itália, não só pela Sergio Bonelli Editore, mas também pela Editora Mondadori, que republicou a história em 1999, num volume só, com o título "Sulle piste del Nord" e que a Mythos Editora no Brasil  reproduziu fielmente em Tex Coleção nºs 170 a 174.

Observando com atenção a sequência de vinhetas, fica nítido que houve um engano na disposição das mesmas. A narrativa fica truncada da maneira como está apresentada a pagina.
Dêem uma olhada e confiram nesta imagem acima.

Viram o que se quis dizer? Bem, a Editora Vecchi na época em que lançou esta história, nos números 50, 51 e 52 de TEX, também se apercebeu deste engano editorial ocorrido na Itália e fez uma montagem própria desta página:
Manteve a  cena 1 e trocou as cenas 2 e 3  pelas 4 e 5. Agora sim...
A sequência fica então: Cenas 1, 4, 5, 2 e 3, como se pode então observar através desta imagem que mostra a edição da Editora Vecchi.
Parece confuso? Na Itália, eles também não se perceberam nem mesmo aquando das republicações da aventura, já que inclusive Tex Nuova Ristampa (a mais recente reedição de Tex, que entre outras coisas, corrige eventuais erros das histórias) também traz a sequência invertida.

Mas esta não é a única curiosidade sobre esta aventura que não consta nos rodapés das críticas feitas até hoje.

Na época da sua publicação pela Vecchi, o editor achou por bem alterar um diálogo entre Kit Willer e o chefe índio Sokami. Este o chama de Mestiço e Kit responde, dizendo, que se lhe derem um punhal, ele mostrará que a cor do seu sangue é tão vermelho quanto o do índio.
Sokami responde dizendo: "Não me rebaixarei a lutar contra um cão novo bastardo!"
Na sequência o feiticeiro alerta: "CUIDADO!"; Kit reage violentamente ao insulto pontapeando o índio!

Em 1975, a editora Vecchi, deve ter julgado o termo muito forte e adaptou o diálogo, mesmo que ao proceder assim, tenha tirado todo o sentido da cena; o texto publicado pela Vecchi era:"Sokami não se rebaixará a lutar contra um filho legítimo!". Analisando melhor, julgamos que a editora quereria escrever "ILEGÍTIMO", mas é somente uma suposição nossa.

Somente com a republicação da aventura pela  editora Mythos é que tivemos acesso ao texto original, como foi escrito pelo Grande G.L. Bonelli.

Estes detalhes, que no fundo são curiosidades, não tiraram de maneira nenhuma o grande prazer que foi ler e reler esta que é talvez, a melhor história da longa vida editorial de TEX. 



[1] Coleccionador de Banda Desenhada desde 1976.

(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 00:59:26 | Link permanente | Comments (0) |

04 de Agosto de 2007

Ao Sul de Nogales

Por Jesus Nabor Ferreira[1]

AO SUL DE NOGALES – Uma aventura em dois tempos!

Giovanni Ticci sempre foi um dos meus desenhadores preferidos.
Quando comecei a ler o TEX , na época da Editora Vecchi, esta não creditava os autores das aventuras. Mas aos poucos os íamos  reconhecendo por seus traços, muito antes de sabermos os seus nomes. Giovanni Ticci era um dos "bons"!

Sempre tive uma curiosidade com respeito ao trabalho de Ticci em AO SUL DE NOGALES!

Eu queria saber o porquê das primeiras 30 páginas (conforme pode ser constatado nesta imagem ao lado) serem muito parecidas com seu trabalho em   VINGANÇA DE ÍNDIA , TERRITÓRIO APACHE , FLECHAS PRETAS ASSASSINAS , TERRA PROMETIDA .
Todas estas aventuras têm um traço mais limpo, mais preciso, super realista . Ticci  um mestre em cenas de acção  traz toda uma nova roupagem para a personagem italiana, talvez influenciado pelo seu trabalho para os Estados Unidos, torna TEX quase super-herói, visualmente falando. 

A partir da página 35, o estilo muda ligeira porém perceptivelmente, conforme prova esta outra imagem contendo duas páginas da história. Agora vemos o Ticci de A NOITE DOS ASSASSINOS, ASSALTO AO TREM, O OURO DO COLORADO,etc...

Durante muito tempo fiquei intrigado com isto. O que poderia justificar esta mudança de estilo. Seria acaso algum sortilégio de Mefisto? 
Levando em consideração que na época, não havia ainda muito material para comparações, presumi que a 1ª parte do trabalho foi feita por um artista e a 2ª por outro.

Foi então que, numa conversa esclarecedora com o Amigo e conhecedor do Universo de TEX, o José Carlos Francisco (Zeca), alguns detalhes vieram à tona...

1º - Esta aventura (Ao Sul de Nogales) começou a ser preparada  entre 1967 e 1971.
2º -Ela foi terminada entre os anos 1976 e 1977. 

Não há uma explicação do porque Ticci não continuou com a aventura após apresentar as primeiras paginas à editora Bonelli, talvez o grande argumentista  não tenha gostado do rumo da aventura  ou, mais provável, por cuidar de muitos argumentos ao mesmo tempo, se tenha desinteressado dela em favor de algum outro projecto.

O certo é que Ticci, seguiu com outros trabalhos  e esta aventura só foi concluída quase na data da sua publicação -  no ano de 1977. Aqui um parêntese:  A editora precisava de uma aventura de pouco mais de 90 paginas para o numero 199, pois forçosamente teria de ser uma  edição fechada, visto que o numero seguinte, o 200, como costume, seria de uma aventura auto conclusiva. 

Então G.L.Bonelli  usou aquele velho argumento e conclui a história. 

Agora a cena começa a ficar mais clara... Ao Sul de Nogales é uma aventura de dois tempos. São no mínimo seis anos de intervalo entre o começo e a conclusão da mesma e neste espaço de tempo, Ticci foi mudando seu estilo.

Fica claro que as primeiras pranchas são  de sua autoria, do período em que ele ainda trabalhava para o estúdio  de Alberto Giolitti. Talvez, na segunda fase da aventura, Ticci tenha tido a colaboração de seu irmão Alfio que trabalhava com ele no seu estúdio.

Ao Sul de Nogales é uma típica aventura de TEX, com muita acção, tiroteios, surpresas e  com um belo trabalho de Ticci.
Uma edição que vale a pena ser lida e relida varias vezes .

Espero que estas curiosidades  tenham aguçado a vontade de quem ainda não leu esta edição e aqueles que já  a leram, que retornem à mesma mais uma vez!



[1] Coleccionador de Banda Desenhada desde 1976.

(Para aproveitar a extensão completa das fotos e desenhos acima clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 01:20:31 | Link permanente | Comments (0) |