30 de Outubro de 2007

Pelé e Tex. Dois Mitos, uma aproximação: Baurú!

Por Nei S. Teixeira

Coisas inusitadas acontecem com qualquer um em qualquer momento. As vezes até bem agradáveis!
Num sábado chuvoso de Verão durante um planejado encontro de dois texianos na cidade de Baurú, 300 km a Oeste da cidade de São Paulo (Brasil), de repente, fugindo a qualquer expectativa daqueles fãs do "ranger mais temido do Oeste" deparam-se no interior de um clube futebolístico entrevistando importantes testemunhas oculares de factos da infância de ninguém menos que PELÉ. Sim... testemunhos da infância de Edson Arantes do Nascimento, o mundialmente famoso Atleta do Século de nome imortal: Pelé!
 
Tudo começou quando vindo de Macatuba acompanhado da minha esposa, conhecemos pessoalmente Fábio Augusto Misquiati, velho amigo do conhecido lusitano José Carlos Francisco, representante da Mythos Editora, em Portugal.
 
Durante prazerosa troca de informações frente à variada e rica colecção de Banda Desenhada de Fábio, incluindo todos os títulos de Tex Normal e diversas outras publicações históricas de fumetti, o visitado lembra que em algum momento conversara com o amigo português, fervoroso adepto do Benfica, sobre o BAC - Baurú Atlético Clube, associação desportiva local onde Pelé jogava na infância e adolescência. (Legenda da foto: Fábio Misquiati e a sua estanTEX )
 
O assunto aqueceu e em meia hora estávamos os três ao lado do simpático estádio! Máquina fotográfica na mão e sessenta minutos dentro do carro esperando a chuva amainar para, por fora do alambrado, registar o relvado que primeiro viu os dribles daquele que seria "o rei maior do futebol mundial". Eram três horas da tarde quando o intento foi alcançado.
 
Mas era pouco. Decidimos solicitar junto à directoria do clube, autorização para entrar e "pisando na relva sagrada" registar lá dentro a nossa presença (Legenda da foto (da esquerda para a direita): Nei, Godoy e Fábio).
 
Deste momento em diante ocorreu uma sucessão de eventos e informações agradáveis proporcionados pelos membros da secretaria e administração do clube com os quais travamos contacto. Eis alguns:
 
"Sr. Nildemar Godoy", a história viva do clube; que em 21 de Abril de 1964 formou uma equipe juvenil de jogadores onde mal passados dois meses se torna Campeã Municipal. Mantém-se nesta actividade até 1976 revelando neste interím vários talentos. Entre as suas descobertas destacamos Baroninho, Edilson Guimarães Baroni, que actuou no Palmeiras com Telê Santana e no Flamengo quando se tornou Campeão Mundial em Tóquio, Japão, numa disputa contra o clube inglês Liverpool em 1981.
Também é o caso do Emerson Carvalho da Silva que jogou na Portuguesa, no São Paulo, foi para o Japão em 2003 e actualmente defende o Belenense de Lisboa, Portugal, conforme nos explica o seu amigo de infância "Sr. Luciano do Carmo Sarti"; outro atleta e membro da secretaria do clube junto ao Sr. Godoy (Legenda da foto (da esquerda para a direita): Godoy e Luciano).
 
O simpático "Sr. Gerson Cardoso", actual Presidente do BAC.
 
"Sr. Nevaldo Alle", Conselheiro Vitalício e sócio Benemérito do BAC e parceiro de futebol de Dondinho, João Arantes do Nascimento, pai de Pelé que jogava muito bem, sendo inclusive Campeão Estadual de Futebol Amador pelo BAC nos anos 50. Prova que Pelé teve a quem sair.
É pelo Sr. Nevaldo que ficamos a saber da curiosa origem do apelido "Pelé", o qual segundo ele se deve a uma "pelada infantil" quando elegeram para a baliza, o jovenzinho Edson Arantes, então com uns três anos de idade. Acontece que o Edson viera de Minas Gerais para Baurú um ano antes e lá havia um destacado guarda-redes chamado "Bilé". Então o “goleirinho” Edson batia no peito e dizia: "Eu sou Bilé! Eu sou Bilé!" Que para seus companheiros soava "Pelé", e assim ficou.
Resta-nos confirmar esta versão, talvez um dia na palavra do próprio Pelé! Porém não esquecendo que o Sr. Nevaldo acompanhou a vida deste fenómeno dos dois anos até os quinze, quando ele morava em Baurú e jogava no Baquinho Infanto Juvenil futebol amador do BAC (Legenda da foto (da esquerda para a direita): Fábio, Nevaldo, Godoy e Gerson).
 
Já perto das 19:00 horas e com a noite a chegar, despedimo-nos do Sr. Godoy que cortesmente nos acenava a possibilidade de conhecer, quando quisermos, a sala dos troféus e fotos inéditas do Clube e de Pelé. Por fim ainda recebemos destes novos amigos alguns brindes personalizados! Mas tudo isso será assunto para uma outra hora!
 
Aos anfitriões asseguramos que nosso amigo José Carlos Francisco, de Portugal, receberia as fotos e as várias histórias de Pelé que deles escutamos. E que talvez, a imensa comunidade Texiana na Internet, também os conheceria e ao seu precioso e vitorioso Clube encravado no Oeste do estado de São Paulo.
 
Próximo das 20:00 horas a Neide (minha esposa) e eu registamos a derradeira foto do agradável encontro Texiano na bela Baurú de Fábio Misquiati; do Baurú Atlético Clube; e do Príncipe Pelé, e rumamos para Macatuba City com a alma transbordante, desejando logo contar a todos, este outro acontecimento de uns felizes Texmaníacos (Legenda da foto: Neide e Nei).
 
* Sobre o Baurú Atlético Clube - BAC, algumas curiosidades:
 
- Foi criado por um grupo de rapazes em 1919 após exitosa partida de futebol disputada numa cidade vizinha;
- Inicialmente chamava-se Luzitana Futebol Clube em homenagem ao primeiro Presidente eleito, Sr. Antonio Garcia, português, Gerente da Casa comercial Luzitana;
- Passou a chamar-se Baurú Atlético Clube (BAC) em homenagem à cidade de Baurú por ocasião do seu cinquentenário de fundação em 1946;
- Pelé é o sócio número 01 do Baurú Atlético Clube documento de 1966 quando o clube passou a Recreativo. Pelo registo da ficha de arquivo de Pelé, na época consta que a sua residência se situava na Rua João Pessoa n° 64, na cidade de Santos-SP;
- Localizado no bairro Alto da Cidade, à rua Macedo de Guimarães - Quadra 1 próximo ao centro, o campo de futebol do BAC conta actualmente com parte de seu tamanho original reduzido, espaço este ocupado por moderno parque aquático.
 
* Quadros vistos em nossas mãos nas fotos 2 e 3: 
Maior - Baquinho Infanto Juvenil 1954, com Pelé (sentado na bola) aos 14 anos.
Menor - Dondinho (pai), Celeste (mãe), Pelé e Nevaldo Alle (ex-Presidente e Conselheiro Vitalício do BAC), foto de 1994.
 

Por Nei S. Teixeira - Macatuba SP - 06 de Março de 2004
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 01:14:34 | Link permanente | Comments (0) |

07 de Outubro de 2007

Encontro em Barcelona com Manfred Sommer (e Jesús Blasco)

Por Jorge Magalhães[1] 

Foi com surpresa e consternação que soube da morte de Manfred Sommer, por intermédio do blogue do Tex - que cada vez mais é um sítio de consulta e de informação imprescindível. Sommer era um artista que eu muito apreciava, não só por ser um magnífico desenhador, em cujo estilo são bem visíveis as influências de Hugo Pratt, como também por pertencer à categoria dos autores completos, criador de séries inolvidáveis como Frank Cappa, que eu próprio traduzi para O Mosquito da Editorial Futura, há mais de 20 anos. Bons tempos!...


 Legenda: Página da 1ª história do "Frank Cappa" publicada no "Mosquito" e em Portugal. 

Lembro-me de tê-lo conhecido na primeira vez que fui a Barcelona, em 1984, com a Catherine Labey e uma comitiva de que faziam parte, entre outros, o José Ruy, o Diferr, o Geraldes Lino, o Eugénio Silva (que partiu um pé a dançar e teve de regressar a Portugal de muletas!) e o saudoso dr. Chaves Ferreira, dono da Futura e director dessa 5ª série d'O Mosquito, que eu coordenei... e cujo 1º número, saído pouco antes, nos serviu de «cartão de visita» no Salão, onde toda a gente lhe teceu os maiores elogios. De certa forma, foi também o pretexto para visitarmos, pela primeira vez, a magnífica mansão da família Blasco, onde tive o privilégio de ser convidado pelo irmão mais novo, Adriano, a entrar no seu vasto atelier, cheio de preciosas relíquias, entre as quais várias pranchas de uma história do Águia da Noite que «los hermanos» Blasco estavam a realizar nessa altura. Como Blasco se estreou na saga texiana em 1986, com «A Volta da Mão Vermelha», presumo, portanto, que se tratava dessa primeira aventura!...  

Legenda (da esquerda para a direita) : Luís Diferr, Jesús Blasco, Dr. Chaves Ferreira e Jorge Magalhães. 

Legenda (da esquerda para a direita) : Alejandro Blasco - que serviu de modelo, quando era rapaz, à figura do Cuto - e Eugénio Silva (sentados à mesa a conversar) e Jorge Magalhães e Adriano Blasco (em pé a conversar); .
      
Mas, voltando ao Manfred Sommer, conhecemo-lo, como já disse, durante essa viagem que fizemos ao fantástico Salão de BD de Barcelona, e logo lhe propusemos a compra de direitos da série Frank Cappa, que tempos depois se estreou n'O Mosquito. Recordo-me nitidamente da presença distinta e da grande simpatia do Sommer, que nos acompanhou e a outros grandes da BD espanhola e mundial – como Jesús Blasco, Puigmiquel, Iranzo, Juan Gimenez, José Ortiz e Alberto Breccia – na festa de encerramento do Salão, onde foram distribuídos os prémios nacionais de BD, seguida por baile que durou toda a noite numa das maiores discotecas de Barcelona, uma sala enorme, cheia de gente, com uma decoração psicadélica como eu nunca tinha visto. Bem, na verdade, nunca fui grande frequentador de discotecas (risos...). Foi durante esse baile que o Eugénio Silva, que tem uma costela espanhola e era danado para dançar, escorregou e partiu o pé, obrigando-nos a deixar a festa e a levá-lo ao hospital, onde permanecemos o resto da noite, sem sabermos se lhe dariam alta a tempo de regressar connosco a Portugal. Felizmente, a fractura não era grave e o Eugénio lá se conseguiu amanhar com as «canadianas»... embora a dança fosse outra (risos...).
Foi uma cena infeliz mas ao mesmo tempo hilariante, que serviu para passarmos a viagem de regresso (tínhamos ido e voltámos todos de autocarro, menos o Geraldes Lino, que preferia o avião) a contar anedotas sobre esse acidente. De tal maneira, que um casalinho que tinha aguentado o nosso entusiasmo, à ida, durante todo o trajecto... às tantas, desabafou, pedindo que os deixássemos dormir um pouco, pelo menos dessa vez! O que acabámos por fazer, devido ao cansaço, mas o frio que rapámos naquela noite, ao atravessar a serra de Guadarrama, por causa do aquecimento do autocarro avariado, roubou-nos toda a disposição para o sono.

Legenda (da esquerda para a direita) : Dr. Chaves Ferreira, Juan Espallardo, Eugénio Silva (de cócoras), Catherine Labey, José Ruy, Jorge Magalhães e António Alfaiate. 
        
Voltei a encontrar o Manfred Sommer noutra ida a Barcelona, já a Futura tinha publicado um álbum com algumas histórias do Frank Cappa, álbum esse que ele apreciou imenso, pois foi o primeiro que saiu em Portugal, onde a sua obra, graças ao Mosquito, já era bastante popular... e isso deve ter-lhe tocado no ego, apesar de nos ter dito sempre que preferia a pintura e a ilustração à banda desenhada e só voltara a esta por insistência do seu editor, o Rafael Martinez, da Norma, e pelo facto de em Espanha as revistas de BD estarem outra vez na «berra» e se dirigirem a um público mais adulto e esclarecido, dando-lhe total liberdade criativa. 
          
E vejam como uma notícia triste, de que eu não estava à espera, visto o Sommer não ter uma idade ainda muito avançada, me despoletou tantas recordações... Receio que isso seja também um sintoma de velhice, pois temos, de facto, a tendência de nos virarmos para as memórias do passado quando chegamos a certa etapa da vida. Enfim, a realidade é que o tempo não pára e que os meus 40 anos já vão bem longe (risos...).

 


 [1] Editor, autor de banda desenhada (argumentista), autor de numerosos textos de estudo, análise e história da BD, em livros, revistas, jornais e fanzines e também leitor e coleccionador de Tex Willer.

Escrito por Autores do blogue em 01:42:49 | Link permanente | Comments (1) |

10 de Setembro de 2007

ENCRUZILHADA

Por Sérgio Madeira Sousa[1]   

Almanaque Tex Nº32 não foi apenas mais um número desta excelente colecção. A história apresentada neste número, escrita por Guido Nolitta e desenhada por Erio Nicolò em 1979, que à semelhança de tantas outras, tinha sido ignorada pelas antecessoras da Mythos, foi agora publicada no Brasil.
Sasquatch” não é certamente uma das melhores histórias escritas pelo Nolitta, seria incompreensível que uma boa história escrita pelo inigualável Sergio Bonelli, tivesse passado despercebida durante 28 anos a todas as editoras que já publicaram Tex, no entanto, há que salientar a sua publicação uma vez que esta história, era a ultima atrasada, que ainda se mantinha inédita no Brasil.
A Mythos editora, que têm desenvolvido um trabalho notável desde que assumiu a publicação das revistas Bonelli no Brasil em 1999, com a publicação desta história, vê cumprido um dos objectivos a que se propôs: A publicação de todas as histórias atrasadas inéditas de Tex. Bravo!

Tex colecção iria cumprir este objectivo! Uma vez que publica todas as histórias por ordem cronológica e a manter-se, iria num futuro próximo, publicar todas as que foram deixadas para trás. Felizmente para todos os leitores do Ranger, a Mythos decidiu abreviar a publicação destas histórias ainda inéditas, noutras publicações: Tex Ouro, Mini Série e especialmente: Almanaque Tex.
Contudo, a inexistência de histórias atrasadas inéditas são agora um problema para a Mythos.
O que publicar em Almanaque Tex? E nas Mini Séries?
É verdade que ainda existe um desfasamento de cerca de doze números entre a edição brasileira e a italiana, que possibilitam a continuação da publicação de histórias inéditas no Almanaque e o lançamento de Mini Séries. Esta solução apenas serve para adiar o problema, uma vez que não é prudente que esse “fosso” seja inferior a 4 números, (qualquer atraso no envio dos originais italianos à Mythos poderá por em causa as datas de lançamento das revistas).



Esta colecção não publicou somente histórias inéditas; “El Muerto” e “O signo da serpente” foram as duas únicas excepções e apesar de serem duas histórias muito apreciadas no Brasil, (“O signo da serpente” foi inclusive a história seleccionada para dar conhecer Tex aos brasileiros em 1971), a introdução de “reedições”, fez com que muitos leitores mostrassem o seu descontentamento. Não vamos esquecer que existem cinco colecções que publicam as fases anteriores de Águia da Noite: Tex Colecção, Tex Edição Histórica, Tex Ouro, Tex Especial Férias e os Grandes Clássicos.

Por este motivo, parece-me claro que a manutenção destas colecções só é viável com histórias inéditas. Assim, o problema mantém-se, ou no imediato ou no muito curto prazo! O que fazer a estas duas publicações? Relembro que, o “Almanacco del West” é de publicação anual e o número de 2007 já foi publicado em Almanaque Tex nº 33, com o título “Policia apache”.
Presumo que não reste outra opção à Mythos que não seja: Passar o Almanaque a anual e terminar a publicação das Mini Séries a curto prazo.
Esta opção coloca no entanto mais um problema à editora. Partindo do princípio que pretende manter o mesmo número de revistas anualmente nas bancas, a redução de cinco números do Almanaque e dois das Mini Séries em termos anuais, abre espaço para uma nova publicação bimestral. De referir ainda que o Tex gigante, que em vários anos viu publicado três números, actualmente apenas dois e assim que forem publicadas as histórias anteriormente publicadas pela Globo, tornar-se-á obrigatoriamente numa publicação anual, reduzindo ainda mais o numero de revistas Bonelli nas bancas e aumentando a necessidade da Mythos em lançar uma nova revista que preencha estas lacunas.

Coloca-se então a questão: Que publicação lançar para colmatar estas reduções? (A não ser que a Mythos opte por publicar Tex Ouro mensalmente como solução.)
Como já referi, existem cinco revistas que publicam reedições de Tex, algumas delas em exclusivo, será que os leitores estão receptivos a comprar uma nova colecção de Tex que publique apenas reedições? Apesar de ser coleccionador fanático do Ranger e comprar todas as suas publicações, não acredito no entanto, que esta opção seja viável.
Então, que outro herói da casa Bonelli poderá ganhar uma nova colecção?
Além de Tex, aquele que têm mais historial no Brasil é sem dúvida Zagor, onde é publicado desde 1978 apesar de algumas interrupções. Será que é chegada a altura de ver as suas histórias publicadas por ordem cronológica, à semelhança do que foi feito com sucesso com Tex, quer em Tex colecção quer na Edição Histórica? Eu, tal como todos os Zagorianos, espero ansiosamente pelo dia que isso aconteça, seja no Zagor colecção ou na Edição Histórica. É preferível no entanto, a Edição Histórica, como publicaria unicamente histórias completas, a periodicidade seria ajustada de acordo com a receptividade dos leitores.

É um facto que a Editora Record não teve sucesso com esta colecção, foi tentada em 1991 e viu prematuramente o seu cancelamento, logo após a publicação do sétimo número. No entanto, à que perceber as razões do insucesso:
- O Brasil vivia uma situação económica extremamente difícil, com uma inflação galopante em que todos os meses o preço das revistas subia drasticamente. Este cenário é muito diferente no Brasil actual, onde existe uma inflação controlada e uma moeda forte.
- As primeiras histórias, apesar de terem a assinatura do Nolitta, apresentam um Zagor diferente, quase um super herói e são dirigidas à gama de leitores infanto-juvenil. Os sete números publicados não foram suficientes para ultrapassar esta fase.

A questão do preço é outro dos factores a ter em conta. O preço seria elevado, mais elevado que o Tex Edição Histórica uma vez que a tiragem seria sem dúvida menor, tal como acontece nas edições mensais. E coleccionadores? Existem actualmente três colecções de Zagor, duas mensais e uma bimestral, (Zagor Especial), será que estes coleccionadores possuem disponibilidade financeira para adquirir mais um título? 
Penso que todos concordam comigo quando refiro que a Mythos têm efectuado um trabalho memorável, mas para que esta colecção vá para a frente, devido às razões apresentadas, um trabalho fantástico poderá não ser suficiente. Então porque não inovar para ultrapassar estas questões?

Publicar Zagor Edição Histórica em formato italiano, com capa plastificada, numa edição para coleccionadores, com uma tiragem limitada a vinte ou trinta por cento do usual nas publicações do Zagor.
A revista não seria distribuída nas bancas, seria vendida exclusivamente através do serviço de encomendas da Mythos, cortando assim com os custos de distribuição que seriam zero e anulariam o aumento de custo de uma tiragem tão limitada.
Esta forma de vender a revista, fora dos padrões tradicionais, provocaria um impacto muito positivo no serviço de números atrasados que a Mythos já possui, uma vez que grande parte dos compradores da revista, optaria por adquirir outras revistas para diluir o custo dos correios e tornar assim o custo unitário mais reduzido.

Penso que nestes moldes os riscos de insucesso seriam muito reduzidos e assim que a colecção adquirisse um número de vendas aceitável, que justificasse o aumento da tiragem, estudar-se-ia a possibilidade de venda pelos meios tradicionais.
Estou a correr o risco de ser novamente intitulado de ingénuo pelo editor, uma vez que a solução apresentada poderá não ser possível devido a contratos estabelecidos com o distribuidor ou outras razões que eu como leitor desconheço completamente.

Como leitor e coleccionador apenas posso esboçar as minhas preferências, caberá ao editor em todo este leque de opções que se colocaram por ter publicado todas as histórias atrasadas de Tex ainda inéditas, escolher a opção mais acertada. Provavelmente e ao contrário do que eu penso, a publicação de Zagor Especial bimestralmente foi feita antecipando o menor numero de revistas nas bancas e não devido ao sucesso que a série estava a ter, resolvendo assim o problema por antecipação.
Zagor Edição Histórica será uma realidade, acredito sinceramente que está para breve, o personagem já merece uma colecção assim, tal como os seus leitores. Apenas espero que a Mythos pondere esta opção para a próxima colecção a lançar, eu e todos os Zagorianos agradecemos.  


Escrito por Autores do blogue em 02:39:48 | Link permanente | Comments (3) |

27 de Julho de 2007

VENTOS DE MUDANÇA

Por Sérgio Madeira Sousa[1]   

Para quem se deslocou a Moura, ao festival da BD realizado em Maio último, facilmente se apercebeu que a grande estrela do festival, foi sem dúvida Tex Willer, personagem da BD italiana, também conhecida por fumetti, criada no já longínquo ano de 1948, por GianLuigi Bonelli e Aurelio Galeppini.
 A parte dedicada a este herói da BD, ocupava cerca de metade da área de toda a exposição e estava claramente dividida em três secções:
 - Tex de Civitelli; exposição de várias pranchas deste grande desenhador italiano, para muitos leitores considerado um dos melhores desenhadores do Ranger.
 - Tex de José Carlos Francisco; exposição de parte da colecção deste coleccionador, colecção de todo o tipo de artigos dedicados a esta personagem, que engloba essencialmente livros e revistas de praticamente todos os países onde é, ou foi publicado. Colecção absolutamente fantástica, que desperta nos coleccionadores de BD um misto algo contraditório de sentimentos:
Admiração – Qualquer coleccionador pretende adquirir o máximo de artigos do que colecciona e se possível completar a sua colecção. O José tem sem dúvida, uma colecção digna de ser alvo de admiração, de tão espantosa que é.
Frustração – Por muita dedicação e esforço que empenhemos para conseguirmos uma colecção deste calibre, é quase impossível igualá-la, uma vez que o seu proprietário não pára de acumular artigos que a engrandecem a cada dia que passa. Parabéns José Carlos, pela colecção, pelo esforço, pela dedicação e por tudo o que tem feito em prol desta personagem que tanto admiramos. 
 - Os novos desenhadores de Tex; exposição de pranchas ainda por publicar, dos quinze novos desenhadores de Tex. Nesta parte estavam expostas pranchas de cada um dos novos elementos, que começarão a abrilhantar as páginas das várias revistas dedicadas à personagem.

Quando soube desta entrada massiva de desenhadores para o staff de Tex, fiquei intrigado. Porquê?
Não pela entrada de novos artistas do pincel, mas sim pelo seu exagerado número. Quais serão os motivos que levarão Sergio Bonelli a tomar esta opção? Nunca colocando a opção em causa, apenas pretendo perceber os motivos.
Nolitta já provou ao longo de todos estes anos de vida editorial, que é um excelente editor, apesar de ser sem sombra de dúvida, melhor a escrever histórias de BD. É pena não existir outra Tea Bonelli, para que à semelhança do que aconteceu com o seu pai, se dedicasse exclusivamente aos argumentos e roteiros de BD, onde é inigualável.
Apesar de ter escrito muito poucas histórias de Tex, em comparação com o seu pai ou com Claudio Nizzi, consegue colocar muitas delas na selecção de melhores histórias de qualquer leitor. Recomendo a leitura ou releitura de: Missão em Great Falls (Tex 131-134)[2]; O Solitário do Oeste (Tex 163-165)[2]; A Patrulha Perdida (Tex 177-179)[2]; A Grande Ameaça (Tex 182-183)[2] e O Assassino Sem Rosto (Tex 193-195)[2], só para mencionar algumas.

Em Zagor, explorou como nenhum outro a personagem Chico, ao ponto deste rivalizar com o protagonista da série e devido à popularidade adquirida ter ganho inclusive uma revista própria. Com Nolitta, as histórias são muito movimentadas, repletas de acção e aventura, sem nunca descurar outros ingredientes como o humor.
Como já referi, Nolitta dava grande importância ao Chico, ao ponto de inserir pequenas histórias, que por vezes não tinham qualquer ligação à trama principal e que ocupavam quarenta ou cinquenta hilariantes páginas.
Para os leitores mais recentes de Zagor, que não conseguem perceber o porquê de Chico ter tantos admiradores, sugiro que leiam a colecção Zagor publicada pela RGE e Globo. Ao todo são 38 revistas, com excepção da nº1 (escrita por Tiziano Sclavi), e dos números 27, 28 e 29 (Alfredo Castelli), todas são escritas por Nolitta. Esta colecção apresenta várias histórias que marcaram a vida da personagem, como as primeiras aparições do SuperMike, Kandrax e Winter Snake. Aparecem também histórias com o Helligen e o Vampiro, além de estarem presentes quase todos os amigos de Zagor, enfim, uma colecção “curta”, mas muito atractiva em termos de conteúdo.
Outra das características que muito aprecio nas histórias de Nolitta, é a carga de suspense que consegue introduzir nas suas histórias, existe suspense até ao desenlace final, o que Nizzi muito raramente consegue, nas muitíssimas histórias que já escreveu para Tex.
 
Voltando ao assunto que me levou a escrever: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Se acrescentarmos a entrada de Mario Milano nos finais de 2006, somam dezasseis novas entradas, o que significa uma autêntica revolução na personagem italiana. Podemos então concluir sem margem para erros, que Tex está para entrar numa nova fase, em meu entendimento, na 5ª fase da sua história.

1ª Fase – De Setembro de 1948 a Junho de 1966

As histórias eram escritas por G.L. Bonelli e desenhadas quase em exclusivo por Galep. Devido ao enorme sucesso da série, o que levou ao aumento do número de páginas publicadas mensalmente, Galep começou a ser auxiliado por outros desenhadores, (Virgilio Muzzi, Francesco Gamba, Guido Zamperoni, Lino Jeva e Mario Uggeri), que se limitavam a desenhar algumas pranchas por história. Pranchas essas, que por vezes eram retocadas ou arte finalizadas pelo mestre Galep.  

 

2ª Fase – De Junho de 1966 a Janeiro de 1976

 O que marca o início desta fase, é a primeira história totalmente desenhada por outro desenhador que não Galep. Em Junho de 1966, o Tex italiano nº 68, marca a estreia de Guglielmo Letteri como desenhador oficial da saga. A partir desse numero, Galep começou a alternar com outro desenhador a responsabilidade dos desenhos em histórias completas, alternando assim o trabalho, primeiro com Letteri, que a seguir a Galep é o desenhador que mais histórias têm desenhadas do Ranger e mais tarde com Erio Nicolò, Giovanni Ticci, Ferdinando Fusco e também Muzzi, que teve finalmente a oportunidade de desenhar histórias completas e não pranchas, como tinha acontecido na fase anterior. Fase de boa qualidade, quer a nível de desenhos quer de argumentos, que continuavam a ser alvos da genialidade do criador, GL Bonelli. Fase onde foram criadas algumas das melhores histórias de Tex, saliento as seguintes histórias publicadas na edição brasileira:
Forte Defiance (Tex 42-45), Entre Duas Bandeiras (Tex 53-55), A Cruz Trágica (Tex 50-52) e A grande Intriga (Tex 107-110), entre muitas outras histórias igualmente dignas de registo. Quanto a esta última, que a editora Mythos se prepara para publicar na próxima edição de Tex Edição Histórica, vai tornar-se um “marco” histórico para esta colecção e para a editora, se a publicar completa numa única edição. Uma das premissas de Tex Ed. Histórica, era publicar todas as histórias por ordem cronológica, o que rapidamente foi alterado devido à grande disparidade de páginas que cada história comporta, assim, agrupam-se pequenas histórias para que a revista tenha sempre um número elevado de páginas. A colecção também previa publicar unicamente histórias completas, o que foi conseguido até hoje. Mas então o que fazer a uma história que ultrapassa as quinhentas páginas? Apenas a editora Record teve a coragem de publicar uma revista de BD com esta dimensão, (Zagor Nº6, O Raio da Morte), mesmo assim esta história “só” tinha 436 páginas, ainda muito distante das quinhentas agora exigidas. Espero que a Mythos tenha essa coragem e resista à tentação de publicá-la em 2 partes. Se não o fizer, nas próximas histórias colocará sempre essa hipótese, acabando por banalizar esse facto e a colecção. 

3ª Fase – De Janeiro de 1976 a Julho 1983

O Tex italiano nº183 apresenta a 1ª história de Guido Nolitta, essa história à semelhança da 1ª de Letteri também marca a entrada de uma nova fase. As histórias passam a ser escritas por pai e filho, com maior intensidade pelo criador. Fase muito semelhante à anterior, o nível das histórias é extremamente elevado, o naipe de desenhadores que se manteve da fase anterior era excelente e foi reforçado por Vicenzo Monti em 1982, já no final desta fase. Devido ao cunho muito pessoal e característico de cada um deles, qualquer leitor de Tex, folheava a revista em qualquer ponto e identificava automaticamente o desenhador. Apesar de não ser grande apreciador da arte de Fusco, talvez por ser um desenho muito detalhado que não brilha no formato em que é publicado no Brasil, (a prancha original têm um formato superior a A4, sendo muito reduzido para publicação), considero que a 2ª e 3ª fases são as melhores fases de Tex, G.L. Bonelli estava no auge das suas potencialidades de escritor e Nolitta engrandeceu esta fase com algumas das melhores histórias como já mencionei. Além das histórias escritas por Nolitta que já referi, destaco ainda as escritas por GL Bonelli: Trapper (121-124)[2], A Águia e o Relâmpago (136-138)[2] e Jogo Aberto (147-149)[2]
Recomendo aos leitores mais jovens a leitura destas duas fases; podem acompanhar as histórias em Tex colecção, (a partir do nº 96), ou Tex Edição Histórica, (a partir do nº 36).


4ª Fase – De Julho 1983 a Fevereiro a de 2007

A entrada de Nizzi em Julho de 1983 faz com que se abra uma nova e incaracterística fase da personagem, muitos não concordarão comigo e provavelmente fariam subdivisões desta fase, no entanto, apesar de se terem passado muitos acontecimentos importantes ligados a Tex e aos seus criadores, não considero nenhum facto marcante que justifique essa mesma divisão, senão vejamos:

- GL Bonelli escreveu a sua última história em 1991, (Tex 364)[3] , tinham entrado para a série os seguintes desenhadores: Fabio Civitelli em 1985, Jesus Blasco e Claudio Villa em 1986, Rafaelle della Monica e Alberto Giolitti em 1989 e Raffaele Carlo Marcello no ano de 1991. Estas entradas como podem observar foram espaçadas no tempo, como tal, não provocaram nenhuma instabilidade. O próprio abandono de um dos criadores, foi feito de uma forma gradual, Bonelli escreve esta história para se despedir oficialmente de Tex, uma vez que ele já não escrevia nenhuma história desde 1989, (Tex 340)[3] e o principal responsável pelos argumentos já era o Claudio Nizzi, que nos primeiros anos seguia de uma forma metódica, a fórmula de Bonelli na elaboração das histórias.

 - O Falecimento de Galep em 1994. É verdade que o Ranger ficou “órfão” de pais a partir do Tex nº 401[3], no entanto, Galep apesar de ainda ter um belíssimo traço, como ficou provado em Tex nº 400[3], meses antes da sua morte, já desenhava muito poucas histórias, (a anterior, Tex 377[3], quase dois anos antes); Pelo que a sua ausência na série só foi mais notada, porque todas as capas tinham sido de sua autoria até essa data.
Entre 1991 e 1994 entraram os seguintes desenhadores: Victor de la Fuente em 1992 e José Ortiz em 1993.

 -A primeira história escrita por Boselli, Tex 407[3] em Setembro de 1994, para mim não marca o início de uma nova era, apesar de a partir desta história, os argumentos da série principal terem passado a ser escritos quase exclusivamente pela dupla Boselli/Nizzi. Não podemos esquecer que além de Boselli, tanto Michele Medda como Decio Canzio, foram testados como alternativa a Nizzi, tendo a opção recaído sobre Boselli. Mais um desenhador que entrou para o “staff”, após passar o teste no Texone, foi ele Aldo Capitanio em 1995. Andrea Venturi por sua vez, aparece pela primeira vez em 1996, no Almanacco del West desse ano.

-Em 1997, na colecção MaxiTex surge um novo argumentista; António Segura, que apesar de só ter visto publicadas as suas histórias nesta colecção, veio juntar-se à dupla oficial de escritores de Tex.

- Entre 1997 e 2007 muitos outros artistas da 9ª arte juntaram-se à prestigiada personagem, artistas como Alfonso Font em 1998, Miguel Angel Repetto em 1999, Bruno Brindisi em 2002, Manfred Sommer, Roberto Diso, Raul e Gianluca Cestaro em 2003 e Mario Milano no ano de 2006. Só me referi àqueles que constituem a equipe oficial, muitos outros tiveram participação, principalmente na colecção Texone, artistas do pincel como: Joe Kubert, Ivo Milazzo, Magnus ou Colin Wilson, ou ainda outros que participaram em Almanacco del West: Caleggari e Gattia nos desenhos e Pasqualle Ruju no texto.


 Como podem Observar, foi uma fase muito longa e incaracterística como já referi, aos muitos desenhadores já mencionados temos de acrescentar aqueles que transitaram da fase anterior e que se mantêm até aos dias de hoje, casos de Ticci e Fusco, e também os já falecidos, Nicolò e Lettèri.
Argumentistas também foram vários, GL Bonelli, Claudio Nizzi, Decio Canzio, Guido Nolitta, Mauro Boselli e Michele Medda.

 

5ª Fase – De Fevereiro a de 2007 a ….

Senão fosse a confirmação oficial da editora, da massiva entrada de novos desenhadores, que praticamente coincide com a entrada de um novo argumentista: Tito Faraci, não poderíamos concluir que se estava a iniciar uma nova fase. Isto porque além dos trabalhos dos novos elementos, há que publicar também, de uma forma intercalada, os trabalhos de todos os outros desenhadores, assim, até se publicar um único trabalho de cada um deles, vão se passar anos, no mínimo três, pelo que a entrada dos novos elementos confundir-se-ia com uma entrada a “conta gotas”, o que estaria muito longe da realidade.

 Voltamos à questão: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Apenas podemos especular, eu como leitor interessado tenho as minhas ideias baseadas nas notícias que vou lendo sobre o assunto, ideias que passo a expor:
- Grande parte dos actuais desenhadores de Tex possui idade avançada, pelo que é de prever, num futuro muito próximo, alguns deles sejam afectados por problemas de saúde, problemas que os impeçam de exercer a sua actividade profissional. Estou a referir-me nomeadamente a: Fusco, Ortiz, Repetto, Marcello e Sommer, todos eles já ultrapassaram os setenta e três anos de idade, mas também a Ticci e a Font, que já ultrapassaram os sessenta.

- A editora Bonelli possui um número muito elevado de colaboradores, colaboradores de elevada qualidade dos quais Nolitta não quererá prescindir, mesmo em situação de redução de publicações. Assim, “recruta-os” para o “staff” de Tex, reduz o número de trabalhos a cada um deles e torna possível a sua manutenção nos quadros da empresa, mostrando mais uma vez que além de óptimo gestor, também é um ser humano que muito se preocupa com os seus colaboradores.

- O Texone sempre foi um problema “bicudo”, a tarefa de encontrar um desenhador de créditos firmados a nível internacional, que estivesse disposto a desenhar mais de 200 páginas, sempre foi muito difícil desde o início.
Parece-me que Nolitta, sem desvirtuar o teor da colecção, resolveu este problema por vários anos, alguns destes novos elementos, desenharão um Texone e posteriormente passarão então ao Tex normal; Brilhante!

- Em vez de seleccionar 4 ou 5 desenhadores que porventura necessitaria nesta fase, coloca os 15 a desenhar algumas histórias e a selecção será posteriormente efectuada pelos leitores, reduzindo assim as hipóteses de errar na escolha e passando essa responsabilidade, àqueles para os quais a revista é publicada.

- Publicação de uma nova revista ou a redução da periodicidade do Almanaco ou do MaxiTex.
 
Quanto aos novos desenhadores, cujas pranchas tive oportunidade de apreciar em Moura e correndo o risco de errar nas minhas apreciações, uma vez que não se pode ajuizar o trabalho de cada um deles, apenas pela visualização de 2 pranchas; Sabendo no entanto que, não existe uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão, passo a referir apenas aqueles que mais me impressionaram:

-Positivamente: Marco Torricelli, fantástico! Soberbo! Em minha opinião o melhor de todos. Se conseguir cumprir os prazos, mantendo a qualidade evidenciada nas 2 pranchas expostas, tem tudo para se tornar um dos melhores desenhadores de Tex de todos os tempos. Espero que a sua entrada se faça através de um Texone, pois seria lamentável não termos um Texone desenhado por este artista, o que provavelmente irá acontecer se entrar directamente para o Tex mensal. Já basta não existir um Texone desenhado por Gallieno Ferri, para mim a grande falha de Sergio Bonelli como editor, Ferri merecia sem dúvida este prémio por todo o seu trabalho ao longo de quase cinquenta anos de dedicação à SBE, assim como Tex.

Giacomo Danubio e Bianchini & Santucci, desenhos de grande qualidade, muito límpidos e detalhados à semelhança de Civitelli. O cenário está quase sempre presente, mesmo nos grandes planos, o que valoriza muitíssimo a qualidade do desenho – localizar o local da acção em todos os quadros.

Lucio Filippuci, apenas não aprecio muito a forma como desenha Tex nos grandes planos.

Alessandro Piccinelli, muito bom trabalho à semelhança dos já mencionados, no entanto, a quase ausência de cenários em grandes planos, desvaloriza muito a qualidade do mesmo como já referi, ainda mais se nota se a história abusar desta perspectiva, não sei se este artificio é utilizado pelos desenhadores para poderem cumprir os prazos ou simplesmente porque é mais cómodo. Melhorará substancialmente se as histórias não forem apresentadas sobre esta perspectiva. Tenho óptimas expectativas para este desenhador.

-Negativamente: Orestes Suarez e Corrado Mastantuono, desenhos demasiado “sujos” e de traço muito pouco preciso, enfim, a arte destes dois artistas não me impressionou, nem sequer gostei da versão do protagonista apresentada por eles, a de Suarez então, parece um energúmeno, um autentico “brutamontes”.

Quanto aos restantes, espero observar novos trabalhos para que possa ter uma opinião mais formada, as 2 duas pranchas observadas não foram suficientes.


Acredito que foi a conjugação de alguns pontos referidos que levaram o editor a provocar esta revolução em Tex; espero que esta fase não seja muito longa, (não ultrapasse 4 ou 5 anos) e estabilize num número mais restrito de desenhadores, com excepção dos convidados para o Texone obviamente.

Apesar de novos desenhadores poder significar novos leitores, leitores que acompanham o trabalho do desenhador independentemente da personagem, o inverso também é possível, com um número tão elevado de desenhadores, vão passar-se vários anos até vermos publicados os trabalhos daqueles que preferirmos. Este facto pode levar muitas pessoas a afastarem-se da série, assim como, o facto de Tex ter um numero tão elevado de rostos o fazer perder a sua identidade e muito provavelmente, também leitores.

E se eu estiver errado? E se a principal razão não for nenhuma das já mencionadas? Será que Bonelli está realmente preocupado com o Tex como aparenta à primeira vista? Sergio completa este ano 75 anos! É natural que comece a pensar na sua reforma e como a SBE irá funcionar após o seu afastamento. Será este o verdadeiro motivo? Preparar a sua saída a curto/médio prazo, garantindo desde já a viabilidade da empresa com esta reestruturação de pessoal?

 O tempo se encarregará de responder, no entanto, seja qual for a resposta, espero que estas medidas garantam a continuidade da SBE por muitos e longos anos, para satisfação de todos os leitores de BD em geral e dos fumetti em particular. 


[1] Coleccionador de Tex desde 1980.

[2] Tex - Edição Brasileira
[3] Tex - Edição Italiana

 

Fontes:
http://www.texbr.com
http://texwiller.blog.com
http://www.sergiobonellieditore.it/

(Para aproveitar a extensão completa das fotos e desenhos acima clique nas mesmas)

Escrito por Autores do blogue em 00:29:10 | Link permanente | Comments (7) |

29 de Junho de 2007

Viagem ao Ducado Texiano

A Malaposta é uma aldeia que se situa no centro de Portugal, localizada a meia dezena de quilómetros da Anadia e que pertence ao distrito de Aveiro. É aqui que podemos encontrar a maior colecção portuguesa de Tex Willer e seguramente uma das maiores do mundo. E é também aqui que vive o seu orgulhoso proprietário, o José Carlos Francisco, de quem quase todos já ouvimos falar, tão grande é o seu amor pela personagem, manifestado na paixão com que a divulga.

Quis o destino que eu também gostasse e idolatrasse Tex Willer e quis esse mesmo destino que, mais de duas décadas após a descoberta da personagem, o meu caminho se cruzasse com o do José Carlos, gerando-se, desde logo, uma mútua simpatia que rapidamente concluiu em amizade.

Recentemente, tive a grata oportunidade de visitar o José Carlos Francisco no seu Ducado, o que me proporcionou momentos de agradável contacto e inesquecível prazer. Esta visita permitiu-me ver in locco um mundo maravilhoso, o mundo texiano do José Carlos. Um mundo que retrata a história do célebre ranger, porque naquele espaço encontra-se de tudo um pouco que respeite a Tex Willer, desde que a personagem foi criada pelos saudosos G.L. Bonelli e Aurelio Galleppini. Mas também um mundo que não olha a fronteiras, porque aqui podemos encontrar publicações e objectos de todo o mundo.

E como é que isto aconteceu? Porquê esta paixão, esta dedicação, este amor e este carinho? Para muitos leitores das novas gerações talvez seja de difícil entendimento, habituados a produtos visualmente mais apelativos, porque apoiados em soberbas cores tratadas por computador. Mas por esse mundo fora muitos compreendem o que move o José Carlos Francisco. Afinal, Tex Willer tem uma história de mais de 50 anos e uma legião de admiradores que não pára de aumentar. Quantas personagens se podem gabar deste feito, de ter atingido esta proveta idade, sempre com as vendas a situarem-se em valores elevados? Quantas personagens se podem gabar de terem dado azo a um império editorial de banda desenhada? Quantas personagens se podem gabar de terem sido desenhadas por muitos autores mundiais de renome? Quantas personagens se podem gabar de terem dado origem a um sem número de obras que se debruçam sobre o herói e os seus autores, no fundo o está por detrás do pano?

Nos idos anos 70, foi com uma editora brasileira, a Vecchi, que tudo começou. Ao enviar para Portugal aqueles livrinhos de aspecto frágil, com um logotipo a três letras e que publicavam uns western giros, a Vecchi divulgou entre nós um herói imbuído de muitos dos valores que todos nós gostaríamos de ter e, fundamentalmente, ver cultivados. Valores como a justiça, a honra, a amizade ou a honestidade, fizeram de Tex Willer um herói que desperta paixões. Muitos descobriram em Tex um herói que protagonizava grandes aventuras, mas também alguém com uma filosofia que despertou uma empatia e um culto que perduram até hoje.

Por isso, quando em 1980, ao arrumar o sotão da residência dos seus avós em Vila Nogueira de Azeitão, o José Carlos Francisco descobriu uma velha caixa cheia de livros, não descobriu o mapa da ilha do tesouro, descobriu a bem dizer o verdadeiro tesouro. Um exemplar da colecção da Vecchi e logo uma edição especial, o nº 94, que apresentava o casamento do ranger numa história completa. Como curiosidade, esta história épica foi republicada pela Mythos no número 1 na sua nova colecção Os Grandes Clássicos de Tex. Os passos seguintes, apenas algumas papelarias, alguns alfarrabistas ou algumas feiras poderão testemunhar de modo mais apropriado, mas se eu aqui disser que o José Carlos Francisco andou por esses locais enérgica e afincadamente em busca das edições perdidas, não andarei certamente muito longe da verdade. Foi essa mais louca corrida à volta dos Tex que permitiu ao José Carlos Francisco ir completando a sua colecção, contando de permeio com a prestimosa ajuda de amigos que foi entretanto fazendo devido a Tex Willer.

Mais tarde, quando um amigo lhe ofereceu um exemplar italiano, o José Carlos Francisco pensou na internacionalização da sua colecção. Porque não obter um exemplar de cada país? Bem dito, bem feito. A net deu uma ajuda e os amigos que foi fazendo por esse mundo fora também. Para além da Itália, exemplares de países como França, Espanha, Alemanha, Holanda, Croácia, Finlândia, Noruega, Turquia, Grécia ou Israel, figuram nas magníficas estantes da sua casa, convivendo diariamente com o português das edições brasileiras e da única edição nacional. Actualmente, esta surpreendente colecção é composta por 790 edições brasileiras, 640 edições italianas e 60 edições de outros países, para além de muitos posters, dedicatórias, estatuetas, pranchas, desenhos originais, autógrafos, jogos, puzzles, livros sobre Tex e até uma caneta de nanquim com a qual Marcos Maldonado desenhou durante décadas as legendas das edições brasileiras de Tex. Tantas preciosidades que, por muito que escreva, acabarei sempre por esquecer alguma.

Com a mudança de editoras no Brasil, da Globo (que substituíra a Vecchi) para a Mythos, durante algum tempo a revista deixou de chegar a Portugal. Eu próprio perdi o rasto à publicação e pensava que a magia texiana tinha terminado. Mas o José Carlos Francisco não desiste e entra em contacto com a Mythos, acabando por ser convidado pelo seu próprio Director Dorival Lopes para representante da editora brasileira em Portugal, cargo que exerce como mais ninguém, denotando uma energia e uma paixão cativante pela personagem.

Foi nesta função que o conheci e foi nesta função que, um belo dia, acompanhou Dorival Lopes numa visita à própria Editora Bonelli. Quando visitaram os seus armazéns nos arredores de Milão, onde se acumulavam todas as edições italianas desde há 50 anos, o José Carlos Francisco como que se sentiu no país das maravilhas. O próprio Sergio Bonelli, a partir dessa data e, sem que o nosso coleccionador português lhe tivesse pedido algo, passou a enviar-lhe todas as edições italianas de Tex e de outras séries da editora. Mesmo muitas outras obras ou algo que verse sobre a temática texiana, Sergio Bonelli faz questão de lhe enviar religiosamente para a Malaposta, como se um dever se tratasse. Também religiosamente, o José Carlos Francisco aguarda sempre pela chegada do carteiro, qual mensageiro das boas novas, apressando-se a abrir os pacotes italianos, sempre com alguma surpresa no interior.

Visitar a colecção do José Carlos Francisco é percorrer a história de Tex Willer. É mergulhar no grande e puro oeste das grandes aventuras escritas pelo saudoso G.L. Bonelli, servidas pelo traço de grandes nomes dos fumetti italiano e não só. Desde logo, com Aurelio Galleppini à cabeça, que criou a personagem e a compôs à semelhança e imagem de Gary Cooper. Mas é também uma viagem pelas magníficas pranchas de nomes como Letteri, Nicolo, Ticci, Fusco, Villa, Civitelli, Ortiz, Blasco, Venturi, De La Fuente, Marcello, Monti, os irmãos Cestaro e tantos outros que, a seu modo, foram sempre dando o seu cunho pessoal à personagem. É, no fundo, uma viagem por um imaginário que não cessa de se engrandecer e de se enriquecer.

Apreciar Tex motiva este culto em redor da personagem. Os caminhos trilhados pelo José Carlos Francisco são motivo de orgulho para todos nós, amantes portugueses da banda desenhada, e de respeito pelo trabalho e a dedicação que diariamente ele empreende na divulgação da personagem. E não nos surpreende que esta sua dedicação e labor sejam já reconhecidos a nível nacional e internacional, sendo o José Carlos regularmente requisitado para escrever ou mesmo para expor sobre o seu herói preferido. E tudo isto leva-nos à feliz conclusão de que, afinal, vale a pena dedicarmo-nos a algo que gostamos e que nos dá prazer, para mais quando isso nos permite concretizar muitas e boas amizades e passar momentos de inesquecível envolvimento.

Texto de Mário João Marques

Escrito por Autores do blogue em 00:39:55 | Link permanente | Comments (0) |

28 de Junho de 2007

Descobrindo TEX...

Por Carlos Moreira [1]

Tinha treze anos (1978) quando tive o primeiro contacto com TEX, foi através  de um amigo que me propôs a troca, por dez revistas (Falcão, Condor, Xerife), na altura pensei, "fui enganado", hoje digo "enganado" foi ele.

Depois  de ler essa revista, o Tex nº20 " A quadrilha do ás de espadas" foi a procura em tudo o que era papelaria ou quiosque, de revistas usadas que abundavam pelas estações de comboio e não só... que tempos felizes esses.

Dos amigos e colegas de escola, poucos se interessavam por esta personagem, o interesse ia para as outras revistas e assim, o que aparecia de Tex era para mim, pois todos trocavam ou me ofereciam aquelas revistas diferentes de todas as outras, e assim a minha colecção aumentou rapidamente.

Entretanto já com 18/19 anos a minha namorada (hoje esposa) trabalhava numa papelaria e assim contribuía para que não perdesse nenhum número e cada revista que chegava era logo reservada para mim. A busca de mais revistas, novas e usadas continuou ao longo dos anos e foi dando alguns frutos, apesar das mudanças de editora a revista ia saindo nos quiosques portugueses, embora com alguns interregnos pelo meio onde se perdiam alguns números.

Hoje em dia colecciono tudo o que sai de Tex, faltando-me apenas um exemplar (Tex nº 94), da edição normal de Tex e alguns Tex Coleção. Tenho ainda algumas edições de Itália, França e Holanda.

Acima de tudo, Tex trouxe-me grandes e boas amizades e por isso digo que aquelas dez revistas que dei em troca do meu primeiro exemplar de Tex foram muito bem empregues.


Um grande abraço Texiano a todos que lerem este meu depoimento.



[1] Coleccionador de Tex desde 1978.

 

Escrito por Autores do blogue em 02:26:51 | Link permanente | Comments (0) |

23 de Fevereiro de 2007

O princípio!

Por Sérgio Madeiral Sousa[1]

 

 

 

Final dos anos setenta, miúdo com onze ou doze anos, muito reservado, com poucos amigos devido ao meu comportamento, vivia numa aldeia nas proximidades de Aljustrel, do distrito de Beja.

Ao contrário dos outros miúdos da mesma idade, eu gostava de ler, mentira; Eu adorava ler. Graças a um tio meu que tinha muitas revistas de BD, eu tinha acesso a uma grande variedade de títulos que eram publicados naquela altura. Eram bons tempos para os aficionados de BD, lembro-me com muita saudade de ir a qualquer papelaria e encontrar as prateleiras cheias, actualmente torna-se missão impossível encontrarmos todos os títulos que queremos no mesmo local, só com muito esforço e dedicação se consegue completar as colecções.
Lia tudo o que apanhava, Mundo de Aventuras, O Falcão, Condor, Aventuras do FBI, O Xerife, e tantos outros. Tal como muitos leitores se lembram, nestas idades faziam-se trocas de revistas, empréstimos, emprestava-se um lote de revistas a outro miúdo e em troca ele emprestava-nos um lote de revistas dele, que depois de lidas eram devolvidas, foi assim que tive o meu primeiro contacto com Tex.

Um dia, pego num lote de revistas e empresto a um rapaz três ou quatro anos mais velho do que eu, ele mostra-me as revistas que possuía para escolher e lá estava:                         

Aquela revista destacava-se; Não enquadrava em nenhum dos formatos que eu conhecia, pouco maior que o formato do Falcão e muito menor que o formato do Mundo de Aventuras e com muito mais páginas. Chamou-me imediatamente à atenção, cheio de curiosidade folheei avidamente a revista ignorando completamente as restantes, fiquei fascinado com os desenhos, muito fotográficos mas com uma enorme sensação de movimento, quase cinematográficos, é assim que defino os desenhos do mestre Ticci, para mim, o ainda melhor desenhador de Tex, apesar de já estar em declínio.


Li e reli a revista com enorme prazer, apreciando cada prancha e também o argumento de G.L. Bonelli, argumento fantástico, cheio de acção e movimento, ainda hoje umas das histórias que mais aprecio, não sei se pela qualidade, se por ter sido a primeira. É verdade que esta primeira leitura influenciou o meu gosto, naquelas que eu considero as melhores histórias está quase sempre o traço de Ticci, saliento: “Flechas pretas assassinas”, “A noite dos assassinos”, “Terra prometida” e “O solitário do oeste" entre outras. A história chamava-se: “Assalto ao trem”, o nº 71 da 1ª edição. A partir deste dia cresceu uma enorme vontade de mais e mais, esta sensação é semelhante à fome, uma vez satisfeita apenas acalma temporariamente, pois volta sempre.

Apesar de procurar em todas as papelarias que conhecia, não conseguia encontrar nenhum exemplar e procurei de uma forma obsessiva, sem baixar os braços, por longos meses, duas a três vezes por semana lá ia eu a todas as papelarias, revoltando tudo sem nada encontrar.


Numa das minhas buscas, nada diferente das anteriores lá estava – finalmente! Já tinha imaginado que a colecção não era mais publicada. Comprei imediatamente a revista, o Nº 100 “Aventura em Utah”, custou-me então trinta escudos, quase a totalidade que os meus pais me davam para toda a semana. É incrível a quantidade de detalhes que a memória consegue armazenar quando o assunto nos interessa. Sei o que custa ter de memorizar matérias para fins escolares e passados alguns dias já não me lembrar de nada. No entanto recordo-me perfeitamente destes pormenores, sem ter feito esforço nenhum para tal. Comecei então a minha colecção com o Nº 100 da 1ª edição, seguidamente adquiri o Nº32 da 2ª edição. Sempre com grande ansiedade me dirigia ás papelarias, duas ou três vezes por semana, a maior parte das vezes frustrado, ou por não encontrar nenhum exemplar, ou pior, porque comprava um exemplar e reparava que já tinham saído alguns números antes e eu não os tinha apanhado.

Durante todos estes anos na procura de completar toda a colecção, lembro-me das boas compras, compras de exemplares antigos em quiosques onde se comprava e trocava revistas em 2ª mão ou papelarias.

Um dia em 1985, num “furo” das aulas, passeava com um grupo de amigos por uma zona habitacional de Beja, passei junto a uma montra de uma papelaria que se encontrava fechada e no interior estavam cinco exemplares da 1ª edição: Números 25, 29, 30, 31 e 40, ao preço de 15 escudos cada um. Que achado! Não podia perder a oportunidade mas estava fechado. Não tinha nenhuma placa com horário, férias ou qualquer outra indicação. Bolas! O que fazer! Não me restou outra coisa a fazer senão passar todos os dias à espera que um dia a papelaria estivesse aberta. Passados alguns dias a minha persistência obteve resultados, consegui cinco exemplares da 1ª edição em estado quase novo, a menos de metade do preço que era praticado na altura. Só passados alguns anos no Barreiro, num quiosque de venda e troca de BD de segunda mão, que eu costumava frequentar para completar as minhas colecções, que eram várias além de Tex, me surge outra oportunidade como esta. Nunca tinha encontrado nesse quiosque, um único exemplar de Tex antes deste dia, de modo que não estava à espera do que encontrei lá:

O dono do quiosque tinha comprado uma colecção havia dois ou três dias, apesar de já terem sido vendidos alguns exemplares, ainda consegui comprar quase duas dezenas, foi a minha maior compra.


Actualmente com 39 anos, colecciono tudo o que é publicado no Brasil de Tex, Zagor e Mister No. Se juntar as duas edições de Tex, possuo quase toda a colecção e tenciono completá-las. Às duas edições. Passados todos estes anos continuo a ter enorme prazer na leitura das histórias e deliciar-me com os maravilhosos desenhos de Ticci, Repetto, Vila, irmãos Cestaro, Della Monica entre outros. Por vezes pergunto-me porquê! Não consigo responder. No entanto já compreendi que existem muitos iguais a mim, basta ir ao Portal Tex Brasil para o confirmar. Esta minha história deve ser semelhante a muitos outros coleccionadores de Tex, pessoas da minha geração que continuam apreciar a BD como arte que é, e que devido às novas tecnologias como forma de entretenimento, têm tido uma vida editorial bastante difícil nas últimas décadas.

Longa vida a Tex, às publicações Bonelli e à BD em geral. Espero que a Mythos continue com o bom trabalho e que o número de leitores continue a aumentar para que eu e outros leitores continuem um passatempo, saudável e pedagógico para todas idades: Ler e coleccionar BD.


[1] Coleccionador de Tex desde 1980.



Escrito por Autores do blogue em 02:13:18 | Link permanente | Comments (4) |

16 de Fevereiro de 2007

Tex numa vinheta só

Por Pedro Cleto[1]  

Embora o José Carlos Pereira Francisco insista em considerar-me "um verdadeiro texiano", a verdade é que estou longe da paixão que ele e, com certeza, muitos leitores regulares deste blog, nutrem pelo mais famoso ranger da história dos quadradinhos. E até - suprema heresia, mais a mais revelada num local como este - tenho maior preferência por outros dos heróis da casa Bonelli, como Dylan Dog, Martin Mystère ou Júlia.

No entanto, e continuando a falar dos heróis Bonelli, se descobri Mister No e Zagor no final dos anos 70[2], a verdade é que o meu primeiro contacto com uma criação Bonelli foi mesmo Tex (embora na altura não o soubesse), ainda na minha adolescência, numa edição espanhola[3], no formato "talão de cheques" (como dizem os brasileiros), "herdada" (em vida) de tios meus e que hoje ainda conservo…

 

E se mais tarde, nos anos 80, me fui cruzando com histórias de Tex, emprestadas por um amigo que as consumia em bom número, só quando a banda desenhada começou a ser mais do que um simples passatempo na minha vida, já na década de 90, comprei os primeiros Tex, o "Tex #300 - Oklahoma" e alguns "Tex Edição Especial", todos da Editora Globo brasileira.

Mas tudo isto não passa de uma simples introdução, para aquele que eu escolhi como tema desta minha crónica "texiana"…!

 

Se comprei aquelas edições por acaso, por as ter visto nalguma banca ou quiosque, a primeira vez que procurei com verdadeiro afinco Tex não foi em revista ou livro, mas sim na tal "vinheta só" presente no título deste artigo. Refiro-me ao selo de correio emitido em Itália, em 1996, pertencente à série "Invito alla filatelia… I Fumetti…", que incluiu também um outro selo representando o Corto Maltese de Hugo Pratt, o que espelha bem a popularidade e a importância de Tex naquele país. A estampilha é de autoria de R. Morena, baseia-se num desenho original de Galep, mede 40 x 30 mm e tem o valor facial de 750 liras. O herói é reproduzido a preto e branco, em primeiro plano, à esquerda, surgindo também no topo, à direita, já a cores, com a sua inconfundível camisa amarela, de costas, a cavalo, juntamente com Jack Tigre e (suponho…) o seu filho, Kit Willer. Por baixo destes três cavaleiros, fazendo a ligação à figura de Tex, pode também observar-se uma ponte pênsil que tomba, provocando a queda de dois cavalos e (pelo menos) um cavaleiro.

Tex teria uma outra presença em selos de correio, no ano seguinte - 1997 - em San Marino, na folha filatélica intitulada "Storia del Fumetto Italiano. Agora totalmente a cores, o ranger protagoniza o quinto dos dezasseis selos de 800 liras que a compõe, cada um medindo 38 x 28 mm, aparecendo em grande plano, a cavalo (que só se vê parcialmente), com uma espingarda na mão, tendo em fundo uma montanha pedregosa. O desenho original é mais uma vez de Galep, cabendo a autoria do selo (bem como de toda a folha) a Courvoisier.

E mostrando um grande atrevimento - para não lhe chamar pior - repito o acto herético inicial, para acrescentar que Tex não é o único herói Bonelli presente nesta folha, pois nela também estão Martin Mystère e Dylan Dog, bem como o Kit Carson criado por Rino Albertarelli.

 

 


[1] Colaborador do BDJornal e do Jornal de Notícias, assinando neste último uma coluna semanal, ao domingo, de crítica e recensão de novidades, nacionais e estrangeiras.

[2] Em edições não autorizadas, feitas à revelia da casa italiana, editadas entre 1978 e 1979. Próximas do formato original italiano (15x22 cm), mas com remontagem de duas pranchas por página. No caso de "Zagor" atingiria os 16 números, enquanto "Mister No" se ficaria por 12 números.

[3] Da Hispano Americana de Ediciones, S.A., na qual Tex foi rebaptizado de "Texas Bill" e de que possuo os números 1 ("El totem misterioso") e 4 ("El hombre de la tumba"), com 24 tiras/páginas cada, que ostentam a inconfundível assinatura de Galep (Aurelio Galleppini).

Escrito por Autores do blogue em 00:35:47 | Link permanente | Comments (5) |