30 de Junho de 2008

TEX de Colin Wilson no Jornal de Notícias: 9 de Janeiro de 2005

Texto da secção Livros de 9/01/2005
Aos Quadradinhos
F. Cleto e Pina

Saudades

Na adolescência corri regularmente os quiosques para comprar cada novo número do "Mundo de Aventuras", que então coleccionava, e descobrir novidades.

Hoje, a BD vende-se principalmente em álbuns, mas vai havendo razões para espreitar os quiosques: a BD americana da Devir e a BD italiana Bonelli (via Brasil) da Mythos Editora.

O que até pode proporcionar boas surpresas, como o "Tex Gigante" nº 10, "O Último Rebelde" (Mythos), desenhado pelo neo-zelandês, Colin Wilson, que se revela bem mais interessante a preto e branco que nas cores de "A Juventude de Blueberry" (Meribérica/Líber) de onde já o conhecíamos, mostrando um óptimo domínio do pincel, revelado pelo traço detalhado, dinâmico e nervoso, trabalhado de forma delicada mas expressiva, e bem servido de contrastes branco/negro.

 Com alguma base histórica, a narrativa de Claudio Nizzi, sendo dura, tem lugar para sentimentos como a lealdade e o sentimento de culpa, e conta a descoberta e desmantelamento, por Tex e Kit Carson, de um exército em formação de ex-militares sulistas que pretendem pôr em causa a vitória do Norte na Guerra Civil americana. E abre o apetite para encontros regulares nos quiosques com as revistas periódicas - "Tex", "Almanaque Tex", "Tex Ouro", "Tex Edição Histórica" - com as aventuras do mais célebre ranger dos quadradinhos.

Copyright: © 2005 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
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29 de Junho de 2008

Collezione storica a colori, nº 49 - Il bivacco

Tex  nº 49IL BIVACCO



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28 de Junho de 2008

Diário de Tex: agenda escolar 2008/09

A Fábrica de Papel de Varese acabou de conceber, com autorização da Sergio Bonelli Editore, O Diário de Tex, uma agenda escolar para o ano 2008/09.
Está enriquecido por numerosas ilustrações dedicadas ao nosso Ranger, retiradas de inúmeros desenhos e capas realizadas por Aurelio Galleppini, conforme pode ser visto na imagem que se segue:
 


Para ulteriores informações, visite www.cartieradivarese.com ou escreva para cartieravarese@mclink.it
 

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27 de Junho de 2008

Entrevista exclusiva: MARCO SANTUCCI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Carlo Monni, Enzo Pedroni e Sílvio Raimundo na formulação das perguntas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.

Caro Santucci, vamos começar com uma pequena apresentação e o caminho percorrido na sua carreira.
Marco Santucci: Salve a todos. Meu nome é Marco Santucci e moro na Itália, mais precisamente na Toscana, região central do País. Eu desenho profissionalmente desde 1994 e trabalhei com vários títulos como Nembo para a pequena editora Phoenix, Samuel Sand para a Star Comics e Mister No e Tex para a Sergio Bonelli Editore.

Como e quando você se bandeou para o desenho e em que momento você decidiu que essa seria a sua profissão?
Marco Santucci: O desejo de narrar por imagens eu sempre tive desde menino. Ainda tenho um monte de cadernos cheios de histórias que eu mesmo criava. A decisão de fazer isso como profissão nasceu por volta dos dezasseis anos. Apaixonado por quadradinhos Marvel, eu me divertia em imitar autores como Todd Mc Farlane. Naquele período eu tive a sorte de encontrar autores como Fabio Civitelli e Marco Bianchini que me orientaram para estilos mais clássicos e mais adequados a uma formação técnica digna do nome.

Você teve uma formação artística? De que tipo?
Marco Santucci: Como eu disse, meus primeiros mentores foram Civitelli e depois Bianchini. Para o resto, na verdade, eu sou totalmente autodidacta. Nenhuma escola me ajudou a aprender anatomia, perspectiva e contrastes. Estudei tudo sozinho, apoiado pela vontade e determinação. Até posso ter sacrificado boa parte do meu tempo livre, mas não me arrependo, honestamente.

Pergunta padrão: quais artistas, italianos e não, você considera que tenham influenciado seu trabalho?
Marco Santucci: Se falamos da parte técnica, devo citar novamente Civitelli e Bianchini. Se falamos de estilos, os autores são vários: Castellini, Villa, Alan Davis, Neal Adams, John Buscema, Garcia Lopez, Alex Ross, Brian Hitch e muitos outros!

Qual foi a importância de Fabio Civitelli e Marco Bianchini na sua carreira profissional e como vocês se conheceram?
Marco Santucci: A importância eu mencionei acima. Como os conheci? Quando apresentei meus primeiros trabalhos amadorísticos a um jovem que trabalhava na Star Comics, ele deu-me os nomes de alguns desenhadores que moravam em Arezzo: Civitelli, Bianchini, Dell'Uomo, Rossi e Valdambrini. Escolhi o primeiro da lista, Fabio. Jamais uma sorte foi tão grande. Foi ali que começou meu verdadeiro caminho para a BD profissional.

Como funciona a sua colaboração com Bianchini?
Marco Santucci: Boselli envia o roteiro a mim, eu leio, busco documentar-me se o próprio roteirista não fornece referências, estudo a montagem da página (até onde me é permitido), desenho uma série de páginas a lápis com todos os contrastes e meios-tons (até onde o lápis permite, claro). Em seguida envio as imagens digitalizadas ou fotocopiadas a Boselli, o qual indica o que está bom e o que não, e refaço com base nas directivas do próprio Boselli. Com as páginas corrigidas, eu as entrego a Bianchini para a arte-final, a passagem de tinta nos desenhos.

Na Europa não é comum que um desenhador faça o lápis e outro a arte-final. Como isso aconteceu na sua carreira e porque? Acha que no futuro ainda será assim?
Marco Santucci: Não, não é comum. Mas isso não significa que não seja uma coisa boa. Depende das situações. No meu caso aconteceu porque há dez anos Bianchini gostava que alguém lhe fizesse o lápis e eu queria trabalhar, depois que Samuel Sand, a série Star Comics na qual eu trabalhava, havia sido encerrada. Eu diria que foi uma necessidade recíproca que gerou um relacionamento de trabalho bastante longo. Mas com o tempo eu decidi separar-me de Marco para ter uma identidade profissional e, principalmente, para obter novos estímulos criativos. Com essa situação eu entendi que não há evolução sem mudança. Na Itália muitas pessoas têm a tendência de se adaptar às situações porque lhes parecem cómodas e seguras. É errado, porque com o tempo isso leva a pessoa a dar sempre menos de si. É melhor suar um pouco e mudar, mesmo que isso às vezes seja um pouco traumático! No estado actual das coisas, estou ainda mais convencido de ter feito a escolha certa. Recomeçar a fazer tudo sozinho não é fácil mas é muito estimulante!

Antes de chegar à Sergio Bonelli Editore, quais foram as suas experiências profissionais?
Marco Santucci: Bem, não muitas. Como eu disse no início, fiz um trabalho pequeno para Daniele Brolli, na editora Phoenix, depois fiz Samuel Sand na Star Comics e, em seguida, entrei na Sergio Bonelli Editore e fiz Mister No.

Você participou da última história de Mister No, escrita por Nolitta: pode nos dizer alguma coisa sobre o roteirista Nolitta/Bonelli, que métodos ele usa, se é muito detalhado, se deixa espaço ao desenhador ou esse deve seguir orientações precisas?
Marco Santucci: Nolitta é um roteirista com quem trabalhei muito bem. Depois de um primeiro momento de espanto, achei os famosos roteiros desenhados muito divertidos e fáceis de desenvolver.

O seu presente é Tex. Pode nos antecipar alguma coisa sobre a sua história de estreia, quem é o roteirista, qual é a ambientação, como você se sentiu ao passar para temática de faroeste, em comparação aos trabalhos anteriores?
Marco Santucci: Não, eu devo dizer que o meu presente não é mais Tex. No momento em que decidi separar-me de Bianchini, ficou definido que eu não mais poderia trabalhar com Tex. Sem um segundo de hesitação, pedi para trabalhar com algo mais adequado à minha formação artística e profissional. De todo modo, os detalhes deste "one-shot" que tive com Tex: a história é de Mauro Boselli, a ambientação é Nova Orleans e os pântanos da Louisiana. Devo dizer que foi uma história muito bela de desenhar. A passagem para a temática faroeste? Bem, antes de começar eu tinha muito medo. Agora estou aterrorizado! Estou a brincar, claro... ou quase. Bem, o faroeste é um género muito difícil e exige muita cultura sobre o assunto, que eu não tinha. Os únicos faroestes que me agradam são os de Sergio Leone que, no fim das contas, não são faroestes "puros". A documentação representou um grande trabalho de pesquisa. Ainda bem que existe a internet!

Como foi trabalhar com Tex e com Mauro Boselli como roteirista? Ele o ajuda muito em seu trabalho como desenhador ou você deve documentar-se sozinho?
Marco Santucci: Trabalhar com Mauro foi um trauma positivo para mim. Digo isso no sentido de que inicialmente foi muito duro, tanto que tive vontade de largar tudo. Depois recomecei devagar e acabei por não me abalar com suas impiedosas críticas, tanto que acabei fortificado na alma e na técnica. Eu acho que dei um grande passo à frente graças a Boselli. No final, para minha grande surpresa, Mauro apoiou bastante o meu trabalho e lhe sou imensamente grato. Não por acaso pedi para continuar a trabalhar com ele mesmo depois de Tex.

Como você passou a trabalhar com Tex Willer? Escolha pessoal ou imposição?
Marco Santucci: Claramente não foi uma imposição. Foi mais uma proposta que era difícil recusar. Mas bastou-me a experiência de dois anos com Tex para ter 100% de certeza que prefiro fazer outra coisa. Eu fiz algumas provas de arte-final em minhas próprias páginas mas elas não foram julgadas adequadas ao género. Mas foi melhor assim. Porque este é um género que pode ser muito belo mas também desgasta muito. O único desenhador que eu conheço que consegue fazer isso há muitíssimo tempo sem jamais se cansar é Fabio Civitelli, por quem tenho uma admiração sem fim! Em todo caso, não há com que se preocupar, porque a editora, de forma acertada, manteve Bianchini como desenhador da série em razão de sua actividade decenal nesse campo!

O que significa para si desenhar uma lenda dos quadradinhos como Tex, que está para completar 60 anos de vida editorial?
Marco Santucci: Bem, preferências de género à parte, é com certeza uma bela etapa profissional. Quem não conhece o famoso ranger? Pela primeira vez meus pais e amigos, todos eles, conheciam o personagem que eu desenhava... o que não acontece sempre! :-)

Você consegue fazer muitas páginas por mês ou desenhar Tex o deixou em dificuldades?
Marco Santucci: Foi como eu disse acima. Muitas dificuldades, poucas páginas, infelizmente!

Quando começou a desenhar o seu Tex, buscou inspiração em alguém já conhecido?
Marco Santucci: Evidente: Claudio Villa, Fabio Civitelli, Ticci.

Você sente-se satisfeito pelo seu trabalho com Tex?
Marco Santucci: Isso eu responderei quando vir toda a história concluída e arte-finalizada. Por enquanto eu não faço ideia de como a arte-final está a sair. Creio que vi somente pouco mais da metade da história pronta. Quando sair nos quiosques será uma bela surpresa também para mim.

O que você achou mais difícil em se defrontar com o Ranger?
Marco Santucci: Um pouco de tudo. Roupas, cavalos, os malditos chapéus e principalmente as armas. Fabio Civitelli, com seu grande conhecimento técnico, pegou-me uma considerável quantidade de vezes sobre as armas. Não há modo, rifles e revólveres não entram na minha cabeça!

Quem ou o que é Tex, na sua opinião? O que mais lhe agrada nele e o que agrada menos?
Marco Santucci: Tex é um mito. Um símbolo da BD italiana. Um personagem conhecido por todos, até por minha mãe, que não entende nada de quadradinhos! O que me agrada menos? A sua invencibilidade que não permite identificar-me com ele. Prefiro heróis mais imperfeitos.

Que ambições você tinha ou tem na SBE, principalmente com relação a Tex?
Marco Santucci: Em relação a Tex nenhuma, como eu disse. No âmbito da SBE, eu pedi para fazer Dampyr, que considero um género mais próximo dos meus gostos. Aprecio muito acção e sobrenatural. Neste período estou a começar uma história escrita por Diego Cajelli.

Em 2007 tivemos em Portugal uma antecipação mundial de quinze novos desenhadores de Tex como, por exemplo, é o seu caso. Como você vê esta entrada de tantos novos elementos na equipa de Tex? Isso poderia significar um novo curso na vida da série?
Marco Santucci: Absolutamente sim! Novas energias, renovação, evolução estilística. Todas coisas positivas, segundo o meu modo de ver.

Falou-se muito sobre o facto de que Tex é uma série desenhada por muitíssimos autores: você considera este facto positivo ou negativo para quem chega pela primeira vez à série?
Marco Santucci: Positivo, como eu disse acima.

Ultimamente também houve um reforço de roteiristas. Na sua opinião isso era inevitável? E com tantos roteiristas, você não acha que se pode correr o risco de ver Tex desnaturado?
Marco Santucci: Sim e creio que é inevitável. O costume de se querer sempre o mesmo autor numa série é, ao meu ver, errado. É preciso renovar, evoluir, para que qualquer série vá em frente. É melhor desnaturar e talvez até rejuvenescer um pouco o personagem com histórias novas de novos roteiristas, do que sobrecarregar os poucos de sempre que acabariam por fazer histórias ruins, não é verdade?

Deixemos Tex um pouco de lado. Para fazer Dampyr você tomou como referência outros desenhadores do título? Em caso positivo, quais?
Marco Santucci: A série de Dampyr conta com excelentes artistas, mas os que adoptei como maior referência são os óptimos Luca Rossi e Alessandro Bocci.

Em Dampyr você finalmente terá uma protagonista, personagem feminina e importante como Tesla, coisa impossível em Tex. Isso o atrai, dá novos estímulos como desenhador?
Marco Santucci: Sem dúvida. Ter uma personagem feminina para desenhar por várias páginas, tentar caracterizá-la da melhor forma, é certamente um novo estímulo, especialmente se é uma vampira! Diverte-me a ideia de ter uma personagem que num momento surge como uma bela mulher e num momento seguinte como uma criatura da noite, monstruosa! Uma dualidade estimulante!

Você disse que está a desenhar uma história escrita por Cajelli. Pode nos antecipar alguma coisa?
Marco Santucci: A história é mesmo muito boa e fala de um demónio com feições femininas (de novo!). Mais que isso não falo... :-)  Cajelli escreveu um roteiro com o qual, como percebi já na primeira página, trabalharei com muito entusiasmo. Deve-se louvar o profissionalismo de Diego, que enviou-me muita documentação que, além de simplificar-me o trabalho de pesquisa, permite-me dar a ele e a Mauro um trabalho o mais próximo possível do que o roteiro exige. Bem, ao menos é o que tentarei fazer!

Uma curiosidade: você declarou amar o sobrenatural. Não lhe agradaria, então, desenhar Dylan Dog?
Marco Santucci: Certamente.

Sabemos que actualmente você está ocupado a desenhar para a Marvel. Pode nos falar um pouco desse novo trabalho? Como aconteceu o contacto? Quais personagens você desenha? Quem escreveu a história? Que artista fez a arte-final?
Marco Santucci: Vamos lá: o contacto aconteceu porque, no período em que eu estava aos poucos a retomar contacto com a arte-final, decidi exercitar-me num género que amo muito, o de super-heróis. Nas horas livres fiz algumas páginas de Homem-Aranha, Wolverine e X-Men. Alguns meses antes de terminar Tex, Simone Bianchi (a quem nunca agradecerei o suficiente pela disponibilidade!) mostrou algumas dessas páginas ao editor de Homem-Aranha, Stephen Wacker, que, depois de alguns meses, contactou-me e propôs um trabalho.
Da primeira vez eu tive que recusar, porque antes devia concluir a primeira história de Tex. Em seguida, quando a Bonelli permitiu-me passar para Dampyr, tendo em conta os longos prazos que teria (mais de um ano para fazer uma história), eu não hesitei em aceitar o trabalho americano. Por outro lado, era difícil dizer não ao Homem-Aranha! A história na qual estou a trabalhar é, na verdade, uma minissérie de três números que deverei concluir em Agosto, ligada ao megaevento Marvel "Invasão Secreta". A minissérie será intitulada Homem-Aranha Invasão Secreta, claro. A minha história tem roteiro de Brian Reed e está a ser arte-finalizada pelo veterano Mark Pennington. Eu mesmo gostaria de fazer a arte-final mas os prazos eram muito apertados para obter um trabalho com o máximo de qualidade. No meu sítio já é possível ver as primeiras três páginas a tinta e a primeira capa, feita por Mike McKone.

Você está satisfeito com essa nova experiência? Crê que ela se repetirá no futuro?
Marco Santucci: Sim, estou muito satisfeito com a experiência. É incrível o eco que teve a notícia do meu trabalho nessa minissérie! Honestamente, isso jamais havia acontecido comigo e estou muito feliz. Outra coisa que me entusiasma muitíssimo é ver as minhas páginas finalmente em cores. Sobre repetir-se, não posso dizer, visto que não depende apenas de mim. Por agora, espero uma boa acolhida do meu trabalho também nos Estados Unidos!

Quanto tempo emprega para desenhar uma página? Você tem horários? Como é um dia normal, entre trabalho, leituras, manter-se informado, ócio, vida familiar?
Marco Santucci: De costume tento fazer uma página por dia. Não é sempre que consigo; aliás, dificilmente. Tento determinar horários, mas nunca consigo cumprir. Eu não nasci para fazer um trabalho com horários precisos. Fico na prancheta o tempo necessário para obter o que quero obter. Ponto. Leio muito, de quadradinhos a romances e revistas, geralmente antes de dormir. A noite, no infelizmente pouco tempo que me resta, é dedicada à família e amigos.

Falemos de como você trabalha, quais instrumentos usa e como procede ao realizar a página.
Marco Santucci: Eu costumo criar um esboço do quadradinho rápido e aproximativo numa folha de papel de fotocópia ou papel de seda. Depois o projecto no quadradinho da página final por meio de um projector de opacos. Muitas vezes não consigo desenhar dentro da grade da página. Isso sufoca-me e creio que se percebe pelo modo como os meus personagens parecem ficar apertados nos quadradinhos :-) Para a arte-final eu uso muito o pincel e, para coisas técnicas e retoques, caneta hidrocor, aquelas de ponta porosa.

Nos seus desenhos, que métodos usa para compor os ambientes, as moradias, roupas, armas etc.? Você faz pesquisas? Usa fotos ou modelos?
Marco Santucci: Uso muitas fotos de documentação histórica, fotos de jornais para as poses e, às vezes, fotos que tiro de mim mesmo, de parentes e amigos para os personagens. Eu gosto muito do aspecto realístico da BD e usar foto é o único modo para obtê-lo, na minha opinião. Ultimamente também estou a usar a computação gráfica 3D para auxiliar-me a criar ambientes coerentes mas principalmente para estudar os enquadramentos de maneira mais cinematográfica.

Você ainda sente prazer no desenhar, visto que, por ser seu trabalho, você é obrigado a fazê-lo?
Marco Santucci: Quase sempre. É claro que desenhar coisas que te agradam ajuda muito.

Além de desenhador, você também é roteirista de uma personagem própria, ou seja, Termite Bianca. Como se sentiu na posição daquele que dá indicações a outro desenhador?
Marco Santucci: Muito bem. É muito mais simples dar indicações sobre como você quer um enquadramento do que desenhá-lo. Se, além disso, o autor que faz os desenhos é Patricio Evangelisti, então é realmente uma satisfação enorme! De todo modo, escrever uma boa história é outra coisa bem diferente, claro.

Que tipo de BD lê actualmente? Com quais você mais se identifica?
Marco Santucci: Eu adoro os comics americanos. Ultimates é uma das melhores séries que eu li nos últimos anos! Pena que tenha terminado a fase Millar e Hitch.

Além de Banda Desenhada, quais livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Marco Santucci: Normalmente romances, fora algumas excepções. Li quase todos os livros de King (a saga da Torre Negra é a minha preferida!), algumas coisas de Asimov (excepcional a saga da Fundação!), dois ou três livros de Stephen Hawking (incrível a física quântica explicada por ele!) e alguns outros autores. Sobre cinema, eu tive uma cultura na maior parte baseada em filmes americanos, e não apenas filmes de acção, mas também coisa mais pesada, tipo Babel, Crash ou 21 Grams. Quanto ao resto, não resisto aos filmes de ficção científica ou de super-heróis, excepto algumas produções intragáveis que aparecem de vez em quando. Com relação a música, devo dizer que não tenho uma grande cultura, ouço bastante rádio, principalmente Radio Deejay, que me acompanha o dia todo. De vez em quando eu gosto de ouvir trilhas sonoras de filmes, e nisso John Williams é o meu compositor preferido. Também aprecio U2, Tori Amos, Green Day e por aí vai...

Caro Marco Santucci, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que tão gentilmente nos concedeu.
Marco Santucci: Obrigado a vocês! E espero a visita de todos ao meu sítio www.marcosantucciart.com

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26 de Junho de 2008

Intervista esclusiva: MARCO SANTUCCI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Carlo Monni, Enzo Pedroni e Sílvio Raimundo per la formulazione delle domande e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

Caro Santucci, per quelli che ancora non ti conoscono vuoi farci una piccola autopresentazione di te stesso e del cammino percorso nella tua carriera?
Marco Santucci: Salve a tutti. Mi chiamo Marco Santucci, vivo in Italia, più precisamente in Toscana. Disegno professionalmente dal 1994 circa ed ho lavorato su vari tipi di testate come Nembo per la piccola Phoenix Editore, Samuel Sand per Star Comics ed infine su Mister No e Tex per Sergio Bonelli Editore.

Come e quando ti sei orientato verso il disegno e in quale momento hai deciso che questa sarebbe stata la tua forma di sopravvivenza?
Marco Santucci: Il desiderio di narrare con le immagini l'ho sempre avuto fin da bambino. Ho ancora un sacco di quaderni pieni zeppi di storie che inventavo da solo. La decisione di farlo come lavoro è nata circa a sedici anni, quando da grande appassionato di fumetti Marvel mi divertivo a disegnare copiando autori come Todd Mc Farlane. In quel periodo ebbi la fortuna di incontrare autori come Fabio Civitelli e Marco Bianchini che mi indirizzarono verso stili più classici ma sicuramente più adatti ad una formazione tecnica che si rispetti.

Hai avuto una formazione artistica? Di che tipo?
Marco Santucci: Come dicevo sopra, i miei mentori sono stati prima Civitelli e poi Bianchini. In realtà per il resto sono totalmente autodidatta. Nessuna scuola mi ha aiutato ad imparare l'anatomia, prospettiva e chiaroscuro. Ho studiato tutto da solo sorretto dalla buona volontà e determinazione. Magari ho sacrificato una buona parte del mio tempo libero ma allo stato attuale non me ne pento, onestamente.

Domanda di rito: quali artisti, italiani e non, ritieni che abbiano influenzato il tuo lavoro?
Marco Santucci: Se parliamo della parte tecnica non posso che citare ancora Civitelli e Bianchini. Se parliamo di stile gli autori sono molti: Castellini, Villa, Alan Davis, Neal Adams, John Buscema, Garcia Lopez, Alex Ross, Brian Hitch e tanti altri!

Quale è stata l’importanza di Fabio Civitelli e Marco Bianchini nella tua carriera professionale e come vi siete conosciuti?
Marco Santucci: Il loro ruolo l'ho già specificato sopra. Come li ho conosciuti? Quando ho presentato i miei primi dilettanteschi disegni ad un ragazzo che lavorava in Star Comics, lui mi diede i nominativi di alcuni disegnatori che vivevano ad Arezzo: Civitelli, Bianchini, Dell'Uomo, Rossi e Valdambrini. Scelsi il primo della lista, Fabio. Mai fortuna fu più grande. Da lì partì il mio vero cammino verso il fumetto professionale.

Come funziona la tua collaborazione con Bianchini?
Marco Santucci: Boselli invia a me la sceneggiatura. Io la leggo, mi documento se non ho già avuto dei riferimenti dallo sceneggiatore, studio la regia della pagina (per quanto mi è permesso), disegno una serie di pagine a matita, complete di tutti i chiaroscuri e le sfumature (per quello che la matita permette, certo). A questo punto, invio le scansioni o fotocopie a Boselli che mi indica cosa funziona e cosa no, e passo in base alle direttive dello stesso Boselli. Una volta che le pagine sono ricorrette, posso consegnarle a Bianchini che ripassa il tutto a china.

Non è comune in Europa che un disegnatore faccia le matite e l’altro l’inchiostro. Com’è successo questo nella tua carriera e perchè? Pensi che continuerà in futuro?
Marco Santucci: No, non è comune. Il che non significa che non sia una buona cosa. Dipende dalle situazioni. Nel mio caso è successo perchè dieci anni fa a Bianchini faceva comodo uno che gli facesse le matite ed a me faceva comodo lavorare dopo che Samuel Sand, la serie Star comics dove lavoravo, era stata chiusa. Un reciproco bisogno, direi, che ha generato un rapporto lavorativo molto lungo. Con il tempo però ho deciso di staccarmi da Marco per avere una mia identità professionale e soprattutto per avere nuovi stimoli creativi. Da questa situazione ho capito che non c'è evoluzione senza cambiamento. In Italia molti, spesso, tendono a adagiarsi sulle proprie situazioni perchè sembrano comode e sicure. E' sbagliato perchè con il tempo questo porta a dare sempre di meno. Meglio faticare un pò e cambiare, anche se a volte può essere un pò traumatico! Allo stato attuale delle cose sono ancora più che convinto di aver preso la scelta giusta. Ricominciare a gestire tutto da solo è faticoso ma estremamente stimolante!

Quali sono state le tue esperienze professionali prima di approdare alla Sergio Bonelli Editore?
Marco Santucci: Beh, non molte. Come dicevo all'inizio, ho lavorato per una piccola cosa per Daniele Brolli presso Phoenix Editore, poi Star Comics su Samuel Sand e quindi Mister No.

Hai partecipato all'ultima storia di Mister No, scritta da Nolitta: puoi dirci qualcosa su Nolitta/Bonelli sceneggiatore, quali metodi usa, è molto dettagliato, lascia spazio al disegnatore oppure tende a vincolarlo molto?
Marco Santucci: Nolitta è uno sceneggiatore con cui ho lavorato benissimo. Le famose sceneggiature disegnate, dopo un primo momento di sbigottimento da parte mia, le ho trovate divertenti e facili da sviluppare.

Attualmente il tuo presente è su Tex. Puoi anticiparci qualcosa sulla tua storia d'esordio, chi è lo sceneggiatore, quale è l'ambientazione, come ti sei trovato a passare alla tematica western, rispetto ai lavori precedenti?
Marco Santucci: No, devo dire che il mio presente non è più Tex. Nel momento che ho deciso di dividermi da Bianchini mi hanno fatto presente che non era possibile farmi lavorare più su Tex e quindi, senza un secondo di esitazione, ho chiesto di fare un genere che trovassi più consono alla mia formazione artistica e professionale. In ogni caso, per quanto riguarda questo “one-shot” che ho avuto con Tex: la storia è di Mauro Boselli. L'ambientazione è New Orleans e le paludi della Louisiana. Storia molto bella da disegnare, devo dire. Il passaggio alla tematica western? Beh, prima di farlo ne avevo una gran paura. Ora ne ho il terrore! Scherzo, naturalmente... o quasi. Beh, il western è un genere molto difficile e richiede una grossa cultura del genere che io non avevo. Gli unici western che mi piacciono sono quelli di Sergio Leone che poi alla fine non sono western “puri”. La documentazione è stata un grosso lavoro di ricerca. Per fortuna esiste internet!

Com’è stato lavorare su Tex, e con Mauro Boselli come sceneggiatore? E lui ti aiuta molto nel tuo lavoro di disegnatore oppure devi documentarti da solo?
Marco Santucci: Lavorare con Mauro è stato un trauma positivo per me. Nel senso che inizialmente ho fatto una fatica tremenda, al punto di avere la voglia di mollare tutto. Poi sono partito pian piano ed alla fine sono diventato talmente impermeabile alle sue spietate critiche che mi sono ritrovato fortificato nell'animo ma anche nella tecnica. Credo di aver fatto un grosso passo avanti grazie a Boselli. Fra l'altro, alla fine e con mia grande sorpresa, lo stesso Mauro ha sorretto molto il mio lavoro e di questo lo ringrazio ampiamente. Non a caso ho chiesto di continuare a lavorare con lui anche dopo Tex.

Com’è stato che sei passato a lavorare su Tex Willer? Scelta personale o imposizione?
Marco Santucci: Chiaramente non è stata un'imposizione. E' stata più una proposta che era difficile da rifiutare. Sicuramente mi è bastata l'esperienza di questi due anni su Tex per essere sicuro al 100% che preferisco fare altro. Ho anche realizzato delle prove a china sulle mie stesse pagine ma non sono state giudicate adatte al genere. Alla fine è meglio così. Perchè questo è sicuramente un genere che può essere molto bello ma anche molto logorante. L'unico disegnatore che conosco che riesce a farlo da moltissimo tempo senza stancarsi mai è Fabio Civitelli, per il quale ho un ammirazione sconfinata! In ogni caso non avete da preoccuparvi perchè la casa editrice ha tenuto giustamente Bianchini come disegnatore della serie, prediligendo la sua decennale attività nel campo!

Cosa significa per te disegnare una leggenda dei fumetti come Tex, che sta per compiere ben 60 anni di vita editoriale?
Marco Santucci: Beh, preferenze di genere a parte, è sicuramente una bella tappa professionale. Chi non conosce il mitico ranger? Per la prima volta genitori ed amici conoscevano tutti il personaggio che disegnavo... non capita spesso, eh! :)

Riesci a fare molte tavole in un mese, oppure disegnare Tex in qualche modo ti ha messo in difficoltà?
Marco Santucci: Idem come sopra. Molte difficoltà, poche tavole, purtroppo!

Quando hai iniziato a disegnare il tuo Tex, hai cercato d’ispirarti a qualcuno già noto?
Marco Santucci: Ovvio: Claudio Villa, Fabio Civitelli, Ticci.

Sei soddisfatto del tuo lavoro su Tex?
Marco Santucci: Ve lo dico quando vedrò tutta la storia finita ed inchiostrata. Tutt'ora non ho quasi idea di come stia venendo la parte inchiostrata, infatti. Credo di aver visto solo poco più della metà storia finita. A questo punto, sarà una bella sorpresa anche per me quando uscirà in edicola.

Cos’hai trovato di maggiormente difficile confrontandoti con il Ranger?
Marco Santucci: Eh... un pò tutto. Vestiti, cavalli, i maledetti cappelli ma soprattutto le armi. Fabio Civitelli, dalla grande conoscenza tecnica, mi ha ripreso un innumerevole quantità di volte sulle armi. Non c'è verso, fucili e pistole non mi entrano in testa! :)

Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più in lui e cosa di meno?
Marco Santucci: Tex è ormai un mito. Un simbolo del fumetto italiano. Un personaggio conosciuto da tutti, persino da mia madre che di fumetti non sa nulla! Cosa mi piace di meno? La sua invincibilità che non mi permette di immedesimarmi in lui. Preferisco eroi più imperfetti.

Quali ambizioni avevi o hai all'interno della SBE, soprattutto in relazione a Tex?
Marco Santucci: In relazione a Tex nessuna, come dicevo. All'interno della SBE ho chiesto di fare Dampyr, che ritenevo un genere più vicino ai miei gusti. Azione e soprannaturale mi piacciono molto. Sto iniziando in questo periodo una storia scritta da Diego Cajelli.

Nel 2007 abbiamo avuto in Portogallo un’anticipazione mondiale di quindici nuovi disegnatori di Tex, com’è per esempio il tuo caso. Come vedi questa entrata di tanti nuovi elementi nello staff di Tex? Questo potrebbe essere un nuovo corso nella vita della serie?
Marco Santucci: Assolutamente sì! Linfa nuova, ricambio, evoluzione stilistica. Tutte cose positive a mio modo di vedere le cose.

Si è detto molto sul fatto che Tex è una serie disegnata da moltissimi autori: consideri questo fatto positivo o negativo per chi arriva per la prima volta alla serie?
Marco Santucci: Positivo, vedi sopra.

C’è stato un rinforzo anche a livello di sceneggiatori, ultimamente. Pensi che fosse qualcosa d’inevitabile? E con tanti sceneggiatori non pensi si possa correre il rischio di vedere Tex snaturato?
Marco Santucci: Sì e credo sia un pò inevitabile. L'abitudine a volere per forza il solito autore su una serie è sempre, a mio parere, sbagliata. Serve ricambio, evoluzione, perchè una qualsiasi serie vada avanti. Meglio un pò snaturare ma magari anche un pò svecchiare il personaggio con storie nuove e fresche di nuovi sceneggiatori, piuttosto che sovraccaricare pochi sceneggiatori che alla fine scriverebbero brutte storie comunque, no?

Lasciamo un pò stare Tex. Per fare Dampyr hai preso come punti di riferimento altri disegnatori della testata? In caso positivo, quali?
Marco Santucci: La testata di Dampyr ha molti bravissimi artisti, ma quelli che ho preso maggiormente a riferimento sono il bravissimo Luca Rossi e Alessandro Bocci.

In Dampyr avrai finalmente una protagonista, femminile, importante, come Tesla, cosa impossibile in Tex. Questa cosa ti attira, ti dà nuovi stimoli, come disegnatore?
Marco Santucci: Indubbiamente. Avere un personaggio femminile da disegnare per varie pagine, cercando di caratterizzarla al meglio è sicuramente un nuovo stimolo, specialmente se è una vampira! Mi diverte l'idea di avere un personaggio che un momento appare come una bella donna ed un momento dopo come una creatura della notte, mostruosa! Una dualità stimolante!

Hai detto che stai disegnando una storia scritta da Cajelli. Puoi anticiparci qualcosa?
Marco Santucci: La storia è davvero molto carina e parlerà di un demone dalle sembianze femminili (ancora!). Di più non mi espongo... :) Cajelli ha scritto una sceneggiatura con la quale, fin dalla prima pagina, mi sono reso conto che lavorerò con molto entusiasmo. Da lodare la professionalità di Diego, che mi ha inviato un sacco di documentazione che, oltre a semplificarmi il lavoro di ricerca, mi permette di dare a lui e Mauro un lavoro il più vicino possibile a quello che la sceneggiatura richiede. Beh... per lo meno questo è quello che tenterò di fare!

Una curiosità: hai dichiarato di amare il soprannaturale, non ti sarebbe piaciuto allora, disegnare per Dylan Dog?
Marco Santucci: Certamente.

Sappiamo che attualmente sei occupato a disegnare per la Marvel: puoi parlarci un po' di questo nuovo lavoro? Com'è avvenuto il contatto? Quale personaggi disegni? Storia scritta di chi? Inchiostrata da quale artista?
Marco Santucci: Dunque: il contatto è avvenuto perchè nel periodo in cui stavo riprendendo mano con le chine, decisi di esercitarmi su un genere che amo molto, ossia quello supereroistico. Ho realizzato a tempo perso alcune pagine si Spider-Man, Wolverine ed X-Men. Qualche mese prima che terminassi Tex, Simone Bianchi (che mai finirò di ringraziare per la disponibilità!) mostrò alcune di queste tavole all'editor di Spider-Man, Stephen Wacker il quale, dopo qualche mese, mi ha contattato e proposto un lavoro.
La prima volta ho dovuto rifiutare perchè dovevo assolutamente finire prima la storia di Tex. Successivamente, quando la Bonelli mi ha permesso di passare a Dampyr, viste le lunghissime scadenze che avrei avuto (più di un anno per fare una storia, quindi molto diluite), non ho esitato ad accettare l'incarico americano. D'altronde, era difficile dire di no a Spider-Man! La storia su cui sto lavorando è in realtà una miniserie di tre numeri che dovrò concludere per Agosto, legata al maxi-evento Marvel "Secret Invasion". La miniserie sarà intitolata naturalmente Spider-Man Secret Invasion. La mia storia è sceneggiata da Brian Reed e sta venendo inchiostrata dal veterano Mark Pennington. Avrei voluto inchiostrarla io stesso ma le scadenze erano troppo strette per ottenere un lavoro al massimo della qualità. Fra l'altro, sul mio sito, potete già vedere le prime tre pagine a china e la prima cover che è stata invece curata da Mike McKone.

Sei soddisfatto di questa nuova esperienza? Pensi che si ripeterà in futuro?
Marco Santucci: Sono molto soddisfatto dell'esperienza, assolutamente. E' incredibile il tipo di ridondanza che ha avuto la notizia del mio lavoro su questa miniserie! Onestamente, non mi era mai successo e ne sono felice. Poi, un'altra cosa che mi entusiasma moltissimo è sicuramente il vedere le mie tavole finalmente a colori. Per quanto riguarda al ripetersi non posso dirlo, visto che non dipende solo da me. Per adesso, spero in una buona accoglienza anche negli states del mio lavoro!

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Marco Santucci: Di solito cerco di fare una tavola al giorno. Non ci riesco sempre, anzi, difficilmente. Cerco di darmi degli orari ma li sforo sempre, non c'è verso. Non sono nato per fare un lavoro con orari precisi. Sto sul tavolo quanto è necessario per ottenere quello che voglio ottenere. Punto. Leggo molto, da fumetti a romanzi a riviste, di solito prima di dormire. La sera, nel purtroppo poco tempo che mi rimane, è dedicata alla famiglia e amici.

Parlaci anche di come lavori, che strumenti usi e come procedi nel realizzare la pagina.
Marco Santucci: Beh, di solito creo un bozzetto della vignetta veloce ed approssimativo su un foglio di carta da fotocopie o velina. Poi lo proietto nella vignetta della pagina finale tramite un proiettore di opachi. Non riesco molte volte a disegnare nella gabbia della pagina. Mi soffoca e credo si noti da come i miei personaggi sembrino starci stretti nelle vignette :)
Per le chine uso molto pennello e per le cose tecniche o i ritocchi, il pennarello.

Quali metodi utilizzi per comporre gli ambienti, le abitazioni, gli abiti, le armi ecc. nei tuoi disegni? Fai qualche ricerca? Utilizzi foto o modelli?
Marco Santucci: Utilizzo moltissime foto di documentazione storica, foto di giornali per le pose e foto che faccio a me stesso, parenti ed amici a volte per i personaggi. Mi piace molto l'aspetto realistico del fumetto e usare foto è l'unico modo per ottenerlo, a mio parere. Ultimamente, sto usando anche la grafica 3D per aiutarmi a creare ambienti coerenti ma soprattutto per studiare in maniera più cinematografica le inquadrature.

Provi sempre piacere nel disegnare, dato che essendo il tuo lavoro sei obbligato a farlo?
Marco Santucci: Quasi sempre. Certo, disegnare roba che ti piace aiuta molto.

Oltre che disegnatore, tu sei anche sceneggiatore di un personaggio tuo, ovvero Termite Bianca. Come ti sei trovato nelle vesti di colui che dà delle indicazioni ad un altro disegnatore?
Marco Santucci: Benissimo. E' troppo più semplice dare delle indicazioni su come vuoi un'inquadratura piuttosto che disegnarla. Se poi l'autore che realizza i disegni è Patricio Evangelisti, è veramente una grossa soddisfazione! Comunque, scrivere una buona storia è sicuramente un altro paio di maniche, certo.

Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente?
Marco Santucci: Amo i comics americani. Ultimates è una delle migliori serie che io abbia letto negli ultimi anni! Peccato sia terminata la gestione Millar e Hitch.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Marco Santucci: Beh, di solito romanzi, a parte alcune eccezioni. Ho letto quasi tutti i libri di King (la saga della Torre Nera è la mia preferita!), alcune cose di Asimov (eccezionale la saga della Fondazione!), due o tre libri di Stephen Hawking (incredibile la fisica quantistica spiegata da lui!) ed alcuni altri autori che ora non ricordo. Nel cinema, ho una cultura prevalentemente basata su film americani, non intendo solo action movies ma anche roba più pesante, tipo Babel, Crash o 21 grammi. Per il resto non resisto ai film di fantascienza o supereroistici, a parte alcune penose produzioni che ogni tanto escono. Per la musica, devo dire che non ho gran cultura, ascolto molto la radio, prevalentemente Radio Deejay, che mi tiene compagnia tutto il giorno. Magari mi piace ogni tanto ascoltare colonne sonore dei film, di cui John Williams è il mio compositore preferito. Apprezzo anche gli U2, Tori Amos, Green Day e così via...

Caro Marco Santucci, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Marco Santucci: Grazie a voi! E vi attendo sul mio sito www.marcosantucciart.com

(Cliccare sulle imagini per vederle a grandezza naturale)
 
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25 de Junho de 2008

Tex Série Normal: A Cidade do Medo

Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Jesus Blasco e capas de Aurelio Galleppini.
Com o título original La città della paura, a história foi publicada em Itália nos nº 397 a 399 e no Brasil, pela Editora Globo nos nº 308 a 310.

Em perseguição a uma quadrilha, Tex e Carson chegam a Topeka, uma pequena cidade em pleno desenvolvimento. Mas aqui reina a lei e a palavra de Jack Torrey, dono de um saloon e que domina tudo e todos a seu bel prazer.

Os dois rangers vão ajudar o xerife na sua luta contra Torrey, mas este vai preparar sucessivos golpes e emboscadas.
O fio condutor desta aventura parece ser déjà vu, é mais do mesmo. Nizzi já construiu outros argumentos que se inspiraram nesta mesma ideia da exploração do mais forte pelos mais fracos e de uma justiça que os rangers vão tentar defender.



Em “Chumbo Ardente”, por exemplo, Nizzi também apresentou um Tex e os outros pards que chegam a uma cidade dominada por um senhor poderoso e contra ele vão lutar. Também o saudoso J. M. Charlier o fez com Blueberry em “O Homem da Estrela de Prata”.

Muitas vezes nem sequer é o tema que faz uma boa história, já que, não raramente, assistimos a grandes aventuras que partiram até de uma base pouco original.



O importante mesmo é o modo e a maneira como se explora e desenvolve toda a trama. Nizzi limitou-se aqui à pura acção, a uma luta entre duas facções, e afinal onde os rangers acabam por levar sempre a melhor nas sucessivas investidas em que intervêm.

O desenho do espanhol Jesus Blasco teve o seu tempo e marcou mesmo uma época. Mas não se adapta bem ao espírito texiano. O seu estilo é assente num traço grosso, pouco limpo e que explora muito os contrates entre claro e escuro. O seu Tex até é bem construído, a sua expressão adequa-se bem, mas todas as outras personagens (Carson incluído) surgem-nos muito à semelhança de um certo passado. Blasco nunca passa de uma certa mediania, parecendo apenas servir um trabalho com prazo de entrega expirado.

Texto de Mário João Marques
 

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24 de Junho de 2008

Tex Willer por Victor Vargas Ferreira



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23 de Junho de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Neimar Nunes da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Neimar Silva: Chamo-me Neimar Nunes da Silva, completo 35 anos dia 13 de Agosto, nasci e moro até hoje no pequeno distrito de Capela do Saicã, zona rural da cidade de Cacequi e próximo a Rosário do Sul - RS, Brasil, que é onde vou com frequência e onde consigo as revistas. Não tenho emprego fixo pois trabalho por conta própria vendendo rações, cereais etc...
Também trabalho como apontador de uma banca de jogo do "bicho" e como ecónomo do clube aqui da vila. Actualmente estou cursando o ensino médio e pretendo no próximo ano cursar uma faculdade, a despeito da idade, pois não tive oportunidade de estudar quando era mais novo.


Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Neimar Silva: Minha paixão pelos quadradinhos começou cedo, pois os meus irmãos já liam Tex, Zagor e personagens Marvel. Então o pequeno Neimar desde cedo os incomodava para que lessem para ele as aventuras, principalmente de Zagor, cujo nº1, o fascinava, talvez pela história ser centrada na figura de uma criança.
Comecei a estudar em 1980 e foi automático, costumo dizer que aprendi a ler com a BD, pois chegava a casa e ia directo para as revistas, juntar as palavras, olhar os desenhos...
A primeira edição de Tex que li, parece-me que foi o nº 106, "Prisioneiros do Deserto", e daí em diante não parei mais. Morando em um local que não tinha energia  eléctrica, coisa que só conheci aos 18 anos, com escassas condições financeiras, uma das únicas opções de lazer era ler. Atravessava as madrugadas lendo à luz de lampião a querosene.
Meus irmãos foram embora para Porto Alegre em meados de 1984, pouco antes disso tiveram sua colecção queimada por um primo maluco.  A partir daí, com 10 para 11 anos de idade, segui lendo os pouquíssimos exemplares que sobraram, e a partir do dia 12 de Janeiro de 1985, quando um amigo me presenteou com o nº 48, "O Desfiladeiro da Morte", comecei minha própria colecção. Encomendava revistas por um senhor meu vizinho, hoje falecido, pois ele ia assiduamente à cidade. Até hoje ainda existe um sebo (alfarrabista) onde ele comprava revistas para mim, trazendo por vezes exemplares que eu já possuía.
Fazia  verdadeiras loucuras para conseguir as revistas, cheguei, pasmem,  a simular uma dor de dente para poder ir à cidade extraí-lo pois assim teria chance de eu mesmo ir ao sebo comprar as revistas, é claro que o dente incomodava, mas não era tanto, não. Lembro que isso aconteceu em 1986 e nesse dia consegui vários exemplares, entre eles o nº 1 de Zagor e o Tex nº 112: "El Muerto"... vejam que  valeu a pena o sacrifício!


Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Neimar Silva:
Por que Tex e não outro personagem? Talvez por ser um dos primeiros personagens que conheci, talvez pela influência de meus irmãos, mas acho que foi aquela imagem de um herói destemido e leal, que me cativou. Lembro que enchia o juízo do meu irmão mais velho para ele contar detalhes sobre as histórias antigas que ele tinha lido e que não possuímos, uma que tinha muita curiosidade de ler era "A Batalha de Silver Bell", cujos detalhes ele me contava, o mestiço, o duelo ao pôr-do-sol, o coldre giratório, etc...

O que Tex representa para si?
Neimar Silva:
Tex representa para mim um exemplo a ser seguido, exemplo de justiça e lealdade. Não foram poucas as vezes que na vida real, diante de alguma dificuldade, perguntava-me o que Tex faria se estivesse no meu lugar? E  tentava agir como ele agiu em determinada história, era muito sonhador, e com isso levei algumas rasteiras na vida, pois o mundo real é bem diferente daquele  mundo de fantasia das BDs.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Neimar Silva:
Tenho completas as colecções de Tex "normal" , "Almanaque", "Anual", "Tex Coleção" e "Tex Coloridos". Todos os "Gigantes", excepto o nº1 da Mythos, além de muitíssimos exemplares das outras colecções e ainda alguns italianos, o que perfaz mais ou menos 900 edições de Tex, porque de Zagor tenho tudo o que saiu no Brasil e muitas revistas em italiano. Juntando o que possuo dos outros heróis Bonelli, tenho por volta de 1500 revistas em minha gibiteca. Revista favorita? Hum, deixa ver, talvez os presentex's que recebi, do Gervásio e do José Ricardo e também o encadernado "O Ídolo de Cristal".

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Neimar Silva: 
Pela falta de dinheiro, colecciono apenas as revistas, se pudesse compraria tudo, pois TEX é uma paixão tão grande que fiz um esforço hercúleo para conseguir acesso à Internet. Para terem uma ideia, sou o único na minha localidade a dispor desta tecnologia, pois aqui ainda não chegou a telefonia fixa e este acesso que consegui é via telemóvel, caro e lento. Mas só por estar aqui, contando a minha história aos colegas, já  me sinto recompensado.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Neimar Silva:
Difícil dizer qual a minha história favorita, pois são tantas... Mas se tivesse que escolher uma, escolheria uma que me marcou muito na infância: "Os Rebeldes do Canadá" (curiosamente está sendo lançada agora em "Tex Coleção"). Como leitor tradicional prefiro a Arte dos Mestres Galleppini e Ticci, e como argumentista nenhum se compara ao incomparável Gian Luigi Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Neimar Silva:
O que me agrada mais em Tex é seu censo de justiça e sua luta incansável em favor dos fracos e oprimidos. E também sua coragem de bater de frente com os poderosos quando estes tentam  subjugar os mais fracos. Que funcionário ou comandado nunca sonhou em dizer umas verdades aquele chefe arrogante? Pois Tex faz isso a toda hora e com qualquer um, independente de sua posição. O que me agrada menos é o Tex actual, principalmente esse que o Nizzi nos apresenta, uma caricatura daquele personagem que aprendemos a amar e respeitar.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Neimar Silva: O que faz de Tex um ícone é uma série de factores, mas principalmente o profissionalismo que sempre foi tratado por seus editores e a longevidade da série, que lhe deu uma base se sustentação e acredito que seja a chave de seu sucesso.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?

Neimar Silva: Vejo o futuro do Ranger  com um misto de esperança e preocupação: esperança com o surgimento de novos leitores, e preocupação por temer que esse número de novos leitores seja insuficiente para manter a série quando o personagem for perdendo seus antigos leitores, pois o tempo é inexorável e não perdoa.
Finalizo convocando os pards a se unirem para  tentar conseguir novos leitores e fazer com que aquelas pessoas que por um motivo ou outro deixaram de comprar a revista, retomem sua colecção, pois só  assim teremos nosso personagem nas bancas por mais tempo e seguiremos cultuando essa religião chamada Tex Willer!!
!

Prezado pard Neimar Nunes da Silva, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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22 de Junho de 2008

Póster Tex Nuova Ristampa 86



Desenho de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer em tronco nu e com uma picareta nas mãos, partindo pedra na pedreira da penitenciária de Vicksburg, debaixo de um sol tórrido, na companhia de outros presidiários e sob o olhar atento de um guarda daquele inferno de pedra.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #74 
e inspirado na história, "Il grande intrigo" de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #141 a #145).
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Texto de José Carlos Francisco
 
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21 de Junho de 2008

Fanzine "A Conquista do Oeste" - Maio/Novembro 2001 - Páginas 39 e 40 - "Heróis" do Oeste: Matt Marriott

"HERÓIS" DO OESTE

"MATT MARRIOTT"

O tema do Western está hoje quase esquecido das novas gerações, não por culpa delas, mas porque nós, não soubemos legar-lhes esse manancial de imaginação, de aventura, de emoção e, porque não, de cultura. Pelo menos no que respeita aos Estados Unidos o Oeste não deixou nunca de ser cultura, até porque seria a partir daquele espaço, que se iriam encontrar vastos focos de civilização dos índios e onde os colonos, vindo de toda a parte do mundo se viriam a fixar, com as suas tradições, os seus costumes e as suas culturas e que, por suas vez, se viriam a espalhar por todo o vasto continente dos Estados Unidos.

Além disso o enriquecimento daquele país deve-se igualmente, em muitos aspectos, à colonização do Oeste. Um dos frutos dessa cultura seria o cinema do Oeste, um legado do povo norte-americano, que o espalharia por todo o mundo e onde o mesmo seria aceite com grande receptividade, de tal forma, que até na Europa, apesar do tema não ter nada a ver connosco, viria a ser imitado. Muitos vezes nem sempre muito bem, mas algumas vezes com algum sentido e também interesse. Evidentemente que seriam os norte-americanos e realizar filmes de maior impacto e com maior realismo.



De qualquer dos modos, os italianos assemelharam-se bastante ao espectáculo apresentado por aqueles, não deixando os seus créditos por mãos alheias. No entanto, se quisermos considerar que o cinema europeu não conseguiu atingir os objectivos a que se propôs, ninguém terá dúvidas que as Histórias aos Quadradinhos europeias cujo tema era o Oeste, soube e bem, alcançar um lugar cimeiro nesse campo, ultrapassando mesmo os mestres, neste caso os norte-americanos.

Os desenhadores e argumentistas italianos, os primeiros, os ingleses, os espanhóis, os franceses e os belgas, por esta ordem, demonstraram um incrível capacidade de retratar o Velho Oeste de uma forma fabulosa, criativa, realista, bela e até fiel à sua verdadeira História, o que não aconteceria com os trabalhos dos desenhadores norte-americanos, que viriam a mistificar, de uma maneira geral, todas as personagens, boas e más, que povoariam o Oeste. No que respeita aos ingleses, foram três, as séries do Oeste que teriam maior êxito: "Gun Law" de Harry Bishop, "West Slade" de Georges Stokes e "Matt Marriott" de Tony Weare, todas elas escritas pelo mesmo argumentista, Jim Edgar. As Histórias aos Quadradinhos inglesas, do mesmo modo que as italianas, tiveram sempre grandes escritores por detrás delas, que conseguem construir grandes narrativas, com personagens intensas e originais, já para não falar no desenrolar da acção, sempre emotiva, sempre constante nos acontecimentos, evitando que o leitor se desinteresse pela sua leitura.



Jim Edgar começou a sua carreira a escrever contos e peças para a rádio, em fins dos anos quarenta e inícios dos anos cinquenta. Nunca tinha tido nenhum contacto pessoal com a Banda Desenhada, até então, até que conheceu Peter O’Donnell, autor de "Modesty Blaise". Este aconselhou-o a tentar escrever argumentos para as Histórias aos Quadradinhos. Este resolveu ponderar e aceitar a sugestão.
Assim, em 1955, apareciam já nas páginas dos jornais, algumas séries de grande interesse e de sucesso garantido, tais como "Romeo Brow", "Garth", "Buck Ryan", "Paul Temple", "Jane", etc.

Por essa altura surge então "Matt Marriott" da autoria de Reg Taylor nos textos e de Tony Weare nos desenhos.
"Matt Marriott" era um jovem fazendeiro, que vivia perto de Dogde City. Não era um pistoleiro. Usava unicamente uma espingarda para caçar. Infelizmente, o destino viria a provocar-lhe uma grande reviravolta na sua vida, quando uma manada de gado ao atravessar a sua fazenda, viria a matar os seus pais e a destruir tudo o que era seu.
Na procura de vingança, "Matt" acaba por aprender a usar o revólver, depois de conhecer "Luke Powder Horn", um ex-sargento do exército, que também teve um irmão morto e a sua fazenda destruída pela mesma manada. "Matt" acaba por desafiar o poderoso texano, dono da manada e responsável pela sua desgraça, matando-o com um tiro certeiro. Ao mesmo tempo resolve não voltar para casa e continuar, com "Powder", uma rota na procura de outros lugares, ajudando as pessoas que deles necessitem e combatendo as injustiças.

Reg Taylor ficaria pouco tempo a escrever os textos da série, pelo que James Edgar continuaria a série ao longo dos anos sempre com enorme sucesso em toda a parte do mundo onde a mesma acabaria publicada. Os enredos de Edgar eram bem construídos e de agradável leitura, abordando todo o tipo de problemas, quer à volta das duas personagens principais, quer em torno de outras figuras secundárias.

Os desenhos de Tony Weare eram sempre originais e cuidados, embora lhes faltasse algum movimento. No entanto, no campo dos traços paralelos, criados com a pena e o pincel, ele era um mestre. Tratava-se de um trabalho muito pessoal e cuidadoso. A série era construída à volta de uma certa dose de fatalismo, já que na maior parte das vezes, as personagens secundárias raramente tinham sorte e conseguiam atingir os seus objectivos e os próprios "heróis" também pouco conseguiam ajudar, por sua vez fatalistas e sujeitos a todas vicissitudes que a vida lhes trazia. De qualquer dos modos, temos que admitir a excelente conjugação de todos os ingredientes necessários, para que por sua vez, transformassem a história em belos momentos de prazer ao lê-la.



O Oeste concebido por Jim Edgar e Tony Weare, afastava-se bastante daquele que conhecemos através dos filmes de Hollywood. A terra era desprovida de qualquer encanto, era rude, seca, fria e selvagem e os seus habitantes também se caracterizavam pela sua rudeza. Ali, naquele local, só sobreviviam os bravos e os aptos. As personagens eram todas feias e incultas, mesmo o nosso "herói" e o seu amigo. Ambos eram igualmente feios e grotescos. "Matt" era só um bom homem, cheio de sensatez afinal, apesar de não ser bonito. As pessoas gostavam dele pela sua contínua procura de justiça e pelo seu desejo de ajudar o próximo. Tony caracterizava o verdadeiro Oeste, nos seus desenhos e pouco deixava ao acaso. Hoje conhecemos já o verdadeiro Oeste, onde viver era uma aventura e onde os homens lutavam entre si, por um pedaço de terra, matando e deixando matar quem quer que fosse, para que os seus fins fossem atingidos.

Jim Edgar sempre foi um escritor com uma certa visão realista do Velho Oeste e do seu povo, mostrando que não precisava de ser norte-americano, para se debruçar em pleno sobre o tema, apresentando-o de uma forma honesta e isenta.
Mas Edgar era mesmo um grande argumentista, já que em 1966 iria substituir Peter O’Donnell nos argumentos de "Garth", deixando os leitores da série entusiasmados com a sua facilidade em abordar qualquer situação ou qualquer tema, independentemente do tempo ou do espaço. Todas as 17 histórias escritas por este argumentista, seriam magistralmente desenhadas por Frank Bellamy e três delas iriam ser passadas no Oeste.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)
 

 
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