01 de Maio de 2008

Arte de Gino D'Antonio



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30 de Abril de 2008

BDjornal #22 - Finalmente na rua e com os 60 anos de TEX em destaque!

Para conhecimento dos amantes da 9ª Arte e em especial para os fãs e coleccionadores portugueses de Tex Willer, informamos que  o BDj #22 já está à venda e portanto já pode ser adquirido por quem o deseje.

Uma vez mais, o nosso Ranger, tem um belo destaque nesta publicação portuguesa de periodicidade bimestral sobre banda desenhada, com direcção de Jorge Machado-Dias e propriedade de Pedranocharco Publicações e que recentemente foi elogiada num editorial da revista italiana DAMPYR, da Sergio Bonelli Editore.

blogue do Tex, aconselha vivamente a leitura do BDJornal, já que nesta sua edição # 22, que acabou de ser publicada, Tex Willer está em destaque, ou mais precisamente, os 60 anos do Ranger, devido a um texto de duas páginas, da autoria de José Carlos Francisco intitulado " TEX WILLER A CAMINHO DOS 60 ANOS!", conforme se pode ver nesta imagem que mostramos de seguida.



Também nesta edição temos uma recensão crítica do jornalista Pedro Cleto, a propósito da aventura publicada no Almanaque Tex#30: "O Preço da Honra".

No que aos fumetti ainda diz respeito, temos a acrescentar uma página dedicada ao personagem Demian. Trata-se de um texto de Mário João Marques, onde o autor mostra que depois dos dezoito números previstos para a série, Demian vem provar que a estratégia editorial da Sergio Bonelli Editore de publicar séries auto-conclusivas tem pernas para andar, assim como nos dá a conhecer à lupa, a série que tem como base de operações, a cidade francesa de Marselha.

Por tudo isso, prezado Amigo Texiano não deixe de comprar esta edição do BDJornal, uma vez que se pode considerar um verdadeiro item de coleccionador de Tex! Para o adquirir ou para proceder à assinatura, recomendamos o contacto via e-mail (bdjornal@gmail.com) com o editor Jorge Machado-Dias. 

O BDjornal tem o formato de 275 x 205 mm e contém 76 páginas em impressão digital – capa em cartolina de 200 grs. plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 grs. -  com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas da especialidade, apostando decididamente em reforçar o número dos assinantes.
O preço de capa é de € 6,00 e a assinatura por 1 ano (6 números) é de € 30,00.

Eis o Press-release e algumas imagens:

Com mais quatro páginas do que as anteriores edições, devido sobretudo à extensão do “Dossier” Angoulême, mesmo assim algum material programado teve que ficar de fora deste BDjornal #22. Entre este material destaco o texto de Leonardo De Sá – que será incluído na próxima edição do BDj – sobre o almoço de platina, que anualmente reúne arqueólogos-historiadores da BD, na sexta-feira do Festival de Angoulême. Já agora, L.D.S. prepara uma série de artigos, com o título genérico Peças Raras, a iniciar já no próximo número, com um texto sobre o único e raríssimo álbum em português de W. Heath Robinson, circa 1924.

Outro texto noticiava a acção de censura a um programa televisivo sobre Tintin e que, já um bocado desfasado em relação ao acontecimento, deverá ser incluído na próxima edição, dada a sua pertinência, em relação a censuras várias, no campo da BD, ilustração e cartoon, que temos vindo a denunciar nestas páginas.

Um resumo, de Clara Botelho, do Relatório Anual da ACBD (Associação de Críticos de BD, em França), serve para chorarmos um pouco sobre a triste condição da banda desenhada neste jardinzeco mal amanhado, à beira mar plantado.

Para assinalar os 80 anos de João Abel Manta, publicamos versão resumida de um texto de Osvaldo Macedo de Sousa, incluído no álbum João Abel Manta – Gráfica, editado em 1988 por ocasião da atribuição ao Mestre do Prémio Stuart/Regisconta. Lembro aqui, que o BDjornal e a Humorgrafe, em colaboração com o CNBDI, inauguraram no dia 10 de Abril uma exposição (no CNBDI) de homenagem a J. A. M., que estará patente até 28 de Abril e que reune obras de diversos autores nacionais e estrangeiros. A exposição conta ainda com alguns originais de João Abel Manta cedidos para o efeito pelo Museu da Cidade.

Outro texto que vale a pena destacar é o do Mestre José Ruy sobre outro Mestre da BD portuguesa, Eduardo Teixeira Coelho, resultante de uma viagem com a Drª. Cristina Gouveia, directora do CNBDI, ao atelier de E. T. C. em Florença.

Quanto a bandas desenhadas, voltamos a Pedro Nogueira, com Um Quotidiano Pagão. Também o início de Wonderland, depois do Episódio Piloto no BDj #20 e da capa do BDj #21, produzido pela equipa do Split UP Studios: Henrique Valadas, Daniel Henriques e Rui Moura.

E o regresso de BRK, de Pina & Andrade, para o início do 4º e último capítulo da história. Já agora chamo a atenção para o divertido texto de Filipe Pina sobre a viagem que os dois fizeram ao Festival de Angoulême para tentarem vender BRK e outros projectos a vários editores franceses.

Por último, mas não em último, apraz-nos registar a entrada de Carina Santos (Karina San), para a equipa do BDjornal, produzindo notícias sobre eventos e recensões críticas ligadas à mangá, colmatando finalmente uma lacuna que sentíamos desde há algum tempo.

SUMÁRIO

3 – EDITORIAL, Jorge Machado-Dias
3 – OS VI TROFÉUS CENTRAL COMICS, Hugo Jesus
4 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – O PROGRAMA, Clara Botelho
6 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – OS PREMIADOS, Clara Botelho
7 – OUTROS PRÉMIOS, Clara Botelho
8 – 35º FESTIVAL DE LA DANDE DESSINÉE – ANGOULÊME 2008 – A REPORTAGEM, João Miguel Lameiras
9 – 50 ANOS DOS SCHTROUMPFES, Clara Botelho
10 – VIAGEM A ANGOULÊME, Filipe Pina
11 – BODOÏ RENOVADA, Clara Botelho.
12 – 2007 – VITALIDADE E DIVERSIDADE – Relatório Anual da ACBD, Clara Botelho
14 – JOÃO ABEL MANTA – 80 ANOS – O ARTISTA E A OBRA GRÁFICA (1), Osvaldo Macedo de Sousa
17 – DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA, Leonardo De Sá
20 – E.T.COELHO – A ARTE PARA ALÉM DA VIDA (1), José Ruy
23 – HONEY TALKS – DAS COLMEIAS ESLOVENAS PARA A BEDETECA DE LISBOA, Sara Figueiredo Costa
24 – A ERA DO PECHISBEQUE, José Carlos Fernandes
26 – WANYA – ESCALA EM ORONGO .- REEDITADO 35 ANOS DEPOIS, J. Machado-Dias
27 – BD - UM QUOTIDIANO PAGÃO, de Pedro Nogueira
35 – BD – BRK – Início do 4º Capítulo, de Filipe Pina e Filipe Andrade
44 – ANGOULÊME A CORES – Fotos do Festival de Angoulême
45 – BD – WONDERLAND – 1º Episódio, de Split UP Studios: Henrique Valadas (des), Daniel Henriques (Arte-Final) e Rui Moura (pintura digital)
51 – RECENSÕES CRÍTICAS, Pedro Cleto
53 – RECENSÕES CRÍTICAS, Nuno Franco
55 – CRÍTICA – POSTAIS DE VIAGEM, Pedro Vieira Moura
57 – BREVES NACIONAIS, Clara Botelho
58 – BREVES NACIONAIS, J. Machado-Dias
60 – HOMEM-ARANHA E A ILUSÃO DE MUDANÇA, Pedro Bouça
62 – BREVES – COMICS, Clara Botelho
64 – TEX WILLER A CAMINHO DOS 60 ANOS, José Carlos Francisco
66 – DEMIAN – SERGIO BONELLI EDITORE, Mário João Marques
67 – HQBrasil – BRADO RETUMBANTE – OS SUPER HERÓIS BRASILEIROS, Edgar Indalecio Smaniotto
68 – RESENHA – ALMANAQUE DOS QUADRINHOS, Edgar Indalecio Smaniotto
69 – RECENSÃO CRÍTICA – O IMPÉRIO DOS SIGNOS, Nuno Franco
70 – ANIPOP ROKU – 2007, Carina Santos
71 – MANGÁ RECENSÕES, Carina Santos
72 – BREVES MANGÁ, Clara Botelho
74 – II YUKIMEET 2008, Hugo Jesus

COLABORAÇÕES: Carina Santos, Clara Botelho, Edgar Indalecio Smaniotto, Filipe Pina, Hugo Jesus, João Miguel Lameiras, José Carlos Fernandes, José Carlos Francisco José Ruy, Leonardo De Sá, Mário João Marques, Nuno Franco, Osvaldo Macedo de Sousa, Pedro Bouça, Pedro Cleto, Pedro Vieira Moura, Sara Figueiredo Costa.

AUTORES DE BANDAS DESENHADAS E ILUSTRAÇÕES: Daniel Henriques, Filipe Andrade, Filipe Pina, Henrique Valadas, José Carlos Fernandes, Pedro Nogueira, Rui Moura.

FOTOGRAFIAS: Filipe Pina, João Miguel Lameiras e Leonardo De Sá.







PONTOS DE VENDA DO BDjornal #22 - http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/260282.html
 

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29 de Abril de 2008

Collezione storica a colori, nº 44 - Tragedia nella giungla

Tex  nº 44TRAGEDIA NELLA GIUNGLA



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28 de Abril de 2008

Tex Gigante: A Última Fronteira

Argumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Goran Parlov. Com o título original L'Ultima Frontiera, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 11 em 1997 e no Brasil pela Mythos Editora em 2000.

A Última Fronteira é uma história de amor e vingança, uma aventura filosófica, recheada de impenetráveis florestas e inúmeros cursos de água, no fundo uma sentida e justa homenagem a Hugo Pratt, o inesquecível criador de variadas obras primas, mas que permanece entre nós mais conhecido pela criação do mítico Corto Maltese.

O croata Goran Parlov, senhor de um traço muito semelhante ao de Pratt e bem na linha do estilo Ken Parker, assina aqui um trabalho despretensioso e que, para nós, acabou por constituir uma agradável surpresa. O seu desenho, também aqui e ali inspirado no seu grande ídolo, o espanhol Alfonso Font, igualmente autor de Tex, mantém sempre uma certa cadência, conseguindo transmitir ao leitor toda uma atmosfera calma e segura, característica dos ambientes retratados na própria história.

O argumento de Nizzi surge-nos algo "desenquadrado" daquilo que estamos habituados a ver nas aventuras do ranger, com a acção a decorrer no Canadá, longe das pradarias e das extensas planícies do velho oeste americano.
Nizzi não contrapõe a Tex um fora da lei puro, uma personagem odiável, antes pelo contrário, em lugar de um certo maniqueísmo, quase sempre presente nas aventuras do ranger, a figura de Jesus Zane é alguém que, exasperado pela sua infância infeliz, procura justiça e que quer ligar o seu ideal de vida a uma razão íntima. Por isso, em nosso entender, toda a questão que perpassa pela aventura é sabermos ou tentarmos distinguir a fronteira entre razão e injustiça, porque Zane, ao procurar a sua razão está, por assim dizer, a cair no campo da injustiça.



Nizzi desenvolve o seu argumento com base num triângulo de personagens, uma vez que, para além de Jesus Zane, Nat representa a índole suave e idealista do argumento, enquanto que, por fim, Sheewa é o maior (e mesmo único) amor da vida de Jesus, representando tudo o que ele sempre desejou, mas que sempre viu negado.
Jesus Zane nasceu de uma união maldita, toda a sua vida foi um inferno, sempre movida pelo ódio e  pela vingança. Por isso, no final, o leitor acaba por não se surpreender quando Zane assume a sua morte como uma libertação.

Texto de Mário João Marques
 
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27 de Abril de 2008

Tex Willer por Jário Aucidesio da Costa



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25 de Abril de 2008

Entrevista exclusiva: MARCOS MALDONADO RODRIGUES (letrista de Tex)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Sílvio Raimundo na formulação das perguntas.

Comecemos por falar um pouco de si. Onde e quando nasceu? Qual a sua formação académica? O que faz profissionalmente?
Marcos Maldonado: Sou Marcos Maldonado Rodrigues, letrista de Banda Desenhada desde 1969, nasci em um sítio em Sorocaba, Estado de São Paulo, em 25 de Abril de 1940, filho de lavradores espanhóis. Éramos seis irmãos, quatro homens e duas mulheres.
Sou casado com Dolores Maldonado, temos três filhos e oito netos. Quando tinha seis anos, os meus Pais mudaram-se do sítio para a cidade de Sorocaba onde iniciei meus estudos. A minha formação académica pouco tem a ver com BD, pois sou formado em ajustador, torneiro mecânico e fresador. Mudei-me para a cidade de São Paulo em 1960, tendo trabalhado como torneiro mecânico até 1969 e profissionalmente trabalho como letrista de Histórias em Quadradinhos.

Como o Senhor se interessou pela Banda Desenhada e quando é que isso aconteceu?
Marcos Maldonado: Desde a minha infância estive próximo da Nona Arte, pois meu irmão mais velho, Antonio Maldonado, desde criança já se arriscava a desenhar algumas páginas de BD. Em 1962 já morando em São Paulo, meu irmão iniciou a sua carreira de letrista de fotonovelas para a Editora Abril passando depois a letreirar também BD. Foi a partir daí que comecei a demonstrar interesse pelas letrinhas.

Quais os seus personagens favoritos e o que contém a sua, ou suas, colecções de Banda Desenhada?
Marcos Maldonado: Quanto aos meus personagens favoritos, o primeiro não poderia ser outro se não o nosso grande herói TEX. Com tantos anos no mundo dos quadradinhos fiz letras para muitos personagens que posso destacar, começando por Zagor, Mister No, Akim, o qual letreirei durante quase 20 anos, desde o nº 1 junto com a Dolores, Chet, Fantasma, Mandrake, Tex-Tone e muitos personagens que se perderam no tempo. Quanto às colecções não tenho nenhuma completa, tenho muitas revistas que por algum motivo resolvi guardá-las. Um dos motivos de não ter colecções é que por ser um trabalho profissional a gente envolve-se com muitas revistas, o que torna quase impossível coleccionar alguma delas.

De que forma se tornou letrista? Foi aptidão ou consequência?
Marcos Maldonado: Como eu tinha me desligado da empresa onde trabalhei por mais de 9 anos como torneiro mecânico, o meu irmão incentivou-me a fazer letrinhas, pois quando estudava mecânica eu sempre tinha óptimas notas em caligrafia técnica. Foi a partir daí que iniciei a minha trajectória no mundo das Histórias em Quadradinhos, começando por editoras pequenas até chegar nas principais editoras do Brasil, fazendo letras de super-heróis, Disney, aventuras, suspense, terror e tudo que se relacionava com BD.

Há quantos anos o Senhor é letrista do Ranger mais temido do Oeste, o Tex?
Marcos Maldonado: Segundo as minhas anotações da Editora Vecchi, eu iniciei a minha primeira edição de Tex no dia 3 de Março de 1980, portanto lá se vão 28 anos participando das aventuras desse destemido herói do oeste. Às vezes começo a imaginar quantas mil páginas deste nosso herói passaram pelas minhas mãos, quantos dias e horas passei debruçado na minha prancheta com a caneta de nanquim letreirando Tex.

Além de Tex, de que outros personagens foi ou é letrista? E para além da Banda Desenhada, para que outras áreas letreirou?
Marcos Maldonado: Com tanto tempo no meio dos quadradinhos é lógico que letreirei para muitas revistas; iniciei em 1970 fazendo a revista Akim para Editora Noblet desde o nº 1 junto com a minha esposa Dolores, também desde o nº 1, Mister No ainda para a Noblet, Tex-Tone e Giddap Joe também desde o 1º. Para outras editoras da época letreirei revistas como Fantasma, Mandrake, Lobisomem, Combate, terror, suspense, sobrenatural e tive  a honra de letreirar na década de 70, Chico Anisio em Quadrinhos com a história "Era Xixo um Astronauta?", revista essa que somente foi publicada a nº 1; o argumento foi de Arnaud Rodrigues, conhecido actor humorista e que escrevia para a TV, e desenhada por um dos grandes desenhadores da época, Nico Rosso, já falecido, um grande amigo italiano para qual letreirei muitas revistas, como Lobisomem, Chico de Ogum e muitas outras. Ainda para a Editora Vecchi letreirei meu primeiro exemplar de Zagor, o nº 20 ("O Mistério do Moinho") no dia 14/01/1980, Chet desde o nº 1 ("Os Renegados") no dia 27/12/1979. Passei também pela Editora Abril fazendo letras de super-heróis, Disney e muitas revistas infantis... a estrada é tão longa que de muita coisa já não me recordo, mas dá para ter uma ideia de quanto já letreirei de BD. Além da Banda Desenhada letreirei durante um tempo Fotonovelas para a Editora Abril  (Capricho e Noturno), para a revista Melodias, era uma revista que noticiava sobre artistas e era complementada com uma fotonovela.

Recorda-se qual foi a primeira aventura de Tex que letreirou?
Marcos Maldonado: Como não me recordar? Foi para a Editora Vecchi no dia 03/03/1980. Tratava-se de Tex nº 110 ("A Sombra do Patíbulo"), 130 páginas, o segundo, Tex nº 111, ("Ao Sul de Nogales") 97 páginas, depois o Tex nº 112 no dia do meu aniversário, 25 de Abril de 1980, seria um dos maiores presentes de aniversário que já recebi, letreirar aquele que para mim seria o maior de todos, "EL MUERTO", 185 páginas. Meu único motivo de tristeza é que por gostar tanto dessa edição eu fazia questão que meus amigos a lessem, e não sei como, ela desapareceu e nunca mais consegui essa edição letreirada por mim, mas fazer o quê?

O seu nome sempre está presente no expediente do Tex, independente das editoras. O Senhor sempre fez parte do staff delas ou em alguma foi freelancer?
Marcos Maldonado: Muitas revistas têm o meu nome no expediente como letrista, mas também fiz letras como freelancer, por esse motivo mesmo nos Tex que letreirei para a Editora Globo não consta o meu nome, uma vez que eu letreirava através da Art & Comics.

O processo de letreiramento manual, usado até ao Tex nº 400 era totalmente artesanal, o Senhor pode nos falar a respeito desse método?
Marcos Maldonado: O letreiramento manual começou junto com os desenhos de Banda Desenhada, pois naquela época não existiam outros métodos, os letristas em sua maioria tinham suas fontes de letras próprias, por esse motivo dificilmente existiam letras iguais, às vezes até parecidas, mas nunca iguais. No início usava-se nanquim com uma caneta de pena, depois foram surgindo algumas canetas chamadas canetas tinteiro, o que veio facilitar muito o trabalho dos letristas. As penas dessas canetas tinham bitolas de vários diâmetros, que eram usadas de acordo com a letra que se iria fazer, por exemplo o Tex que era uma letra um tanto pequena, era usada a pena 0.2.



Como o Senhor recebia o material a ser letreirado e como era o processo de envio para a Editora?
Marcos Maldonado: As revistas que eram desenhadas no Brasil, eu recebia o texto e as páginas ainda desenhadas a lápis, fazia as letras já com nanquim, fechava os balões fazia as setinhas e devolvia para o desenhador fazer a arte final. Quando eram revistas já publicadas, como o caso do Tex, era necessário fazer uma montagem, que normalmente era feita pela minha esposa Dolores. O envio para a editora era feito pessoalmente, por correio ou através de malotes.

O Senhor trabalhava em parceria com a sua esposa, a Senhora Dolores Maldonado, e reza a lenda que quando do letreiramento manual, as suas caligrafias eram tão semelhantes que não se conseguia identificar o início de uma e o fim de outra. Como isso era possível?
Marcos Maldonado: É verdade. Durante muito tempo letreiramos juntos, pois na época tínhamos tanto trabalho e algumas histórias tinham o prazo tão apertado que nós dividíamos as páginas e letreirávamos a mesma história, até mesmo alguns Tex para a Editora Vecchi nós letreiramos juntos. Depois de publicadas as revistas eu tentava sem sucesso descobrir o que um ou outro tinha letreirado.
Isso era possível por termos iniciado juntos o treino de letreiramento, ainda em 1969, copiando histórias de revistas da época e seguindo o estilo de letras do meu irmão Antonio Maldonado que já era muito conhecido no meio das Histórias em Quadradinhos. Hoje meu irmão é artista plástico, tendo quadros de pinturas espalhados por vários países, inclusive um em Portugal em que ele pintou o Tex com o rosto do nosso amigo José Carlos Francisco, o qual ele enviou como presente.

Que tipo de canetas o Senhor utilizava para trabalhar?
Marcos Maldonado: As canetas eram próprias para desenhos, as mesmas usadas por desenhadores de plantas, arquitectos, projectistas. Para letreirar o Tex eu usava uma caneta Rotring Variant 0.2, e para fazer os negritos usava uma bitola de acordo com a espessura da letra a ser destacada, inclusive quando o José Carlos Francisco esteve no Brasil e em minha residência, fiz questão de presenteá-lo com uma dessas canetas de nanquim que letreirei muitas edições do nosso herói Tex e que segundo ele, está em lugar de destaque na sua BiblioTex, o que muito me orgulha.

Como o Senhor criou a fonte de letra com a qual escrevia manualmente as falas do Ranger?
Marcos Maldonado: Desde o início do meu trabalho como letrista procurei observar as letras das histórias em quadradinhos da Editora Abril, principalmente das revistas da Disney, mas a letra é como a impressão digital de cada pessoa, não existem duas iguais, existem letras parecidas mas nunca iguais. Quando percebi, já estava fazendo esse tipo de letras que me acompanharia por toda vida.

Alguns profissionais como desenhadores e arte-finalistas, fazem exercícios para manter a firmeza da mão, um letrista também tem os seus truques?
Marcos Maldonado: Sem dúvida! Eu sempre mantenho em minha da escrivaninha uma bolinha de borracha macia e de vez em quando reservo alguns minutos para ficar apertando-a em minhas mãos. Tantos anos de letrista custaram-me uma cirurgia no cotovelo direito, pois na época sentia muitas dores nos dedos mas após a cirurgia o problema foi sanado.

Os profissionais envolvidos com a vida editorial de Tex, dizem-se seus fãs, o Senhor inclui-se nesse universo?
Marcos Maldonado: Desde que iniciei o letreiramento do primeiro Tex fiquei seu fã, que personagem maravilhoso, que capacidade de fazer justiça, quanta coragem, com tantas revistas e personagens que letreirei não consegui encontrar outro que me fizesse tornar seu fã, Tex é insubstituível.

Para uma edição normal do Tex, qual o tempo que o Senhor levava para letreirar manualmente?
Marcos Maldonado: Já fui um letrista muito rápido, chegando a letreirar cerca de 400 páginas em um mês. Depois a idade vai diminuindo essa capacidade e nas últimas edições de Tex letreiradas à mão, eu levava em torno de 12 dias, pois tinha a preocupação de não deixar cair a qualidade do trabalho, sempre me preocupei muito com o que eu poderia sentir se visse um trabalho meu mau feito, principalmente do nosso Ranger.

Com o advento da computação, muitos processos ficaram mais rápidos, porém muito se perdeu do romantismo, como o Senhor relaciona-se com esse momento da história?
Marcos Maldonado: Eu sempre entendi que o trabalho de letrista é uma arte, as letras feitas a mão complementam a arte do desenho. Talvez para a maioria dos leitores isso passe despercebido pois estão mais preocupados em ler a história, mas para aqueles mais observadores leva muito em conta a qualidade das letras, a legibilidade, a regularidade, quando as letras são bastante uniformes facilita até mesmo a leitura. Quando ainda fazia letreiramento à mão, o editor de Tex no Brasil, Dorival Vitor Lopes já vinha pedindo que eu o fizesse no computador, o que me deixou muito preocupado, pois eu nunca havia usado um. Sabendo dessa minha preocupação a Gisele, grande letrista da Mythos e que já letreirava através da computação se ofereceu para me dar as orientações necessárias e graças à ajuda da Gisele e também do meu filho, comecei a praticar e mais rápido do que eu pensava me adaptei e passei a fazer o letreiramento por esse novo método de trabalho.
Sem dúvida o trabalho ficou mais rápido, eliminou o trabalho de montagem e do decorado que era feito pelos desenhadores, mas neste mundo de correria em que vivemos é necessário que se acompanhe a evolução da tecnologia.

O que pensa de Tex continuar a ser letreirado manualmente na Itália?
Marcos Maldonado: Eu acho que temos que respeitar o sistema de trabalho de quem criou esse tão importante personagem, se eles acham que têm condições de continuar letreirando à mão, óptimo  e espero que continuem por muito tempo assim. Eu sou um grande admirador da arte de letreirar e as revistas italianas de Tex tem uma letra muito bonita e bastante legível. Quero parabenizar a Sergio Bonelli Editore pelo cuidado que sempre teve em escolher seus profissionais, tanto nos argumentos como nos desenhos e letras, além do que com essa mudança teriam que dispensar alguns profissionais que acredito fazem parte da rotina de trabalho de muito tempo, talvez seja levado em conta a parte humanitária o que é muito importante.

Hoje quanto tempo o Senhor leva para letreirar um Tex "normal" no computador e como é o processo?
Marcos Maldonado: Para fazer um Tex "normal" no computador eu demoro mais ou menos sete dias, depende muito da quantidade de balões de cada história. Eu recebo o texto da história por e-mail e a revista italiana pelo correio, abro uma pasta no computador com o número do Tex a ser feito, destaco todas as páginas da revista e digitalizo, depois uso o fhotoshop para tirar todo o texto italiano e ainda no fhotoshop demarco o tamanho da página e corto na proporção certa para passar para o outro programa, o pagemaker, no qual coloco o texto ao lado das páginas que estão com os balões em branco e a partir daí demarco o texto de cada balão e transporto as letras para depois distribuí-las acompanhando o formato de cada balão.

Senhor Maldonado, na sua vida profissional junto ao Tex, recorda-se qual foi o letreiramento mais prazeroso e qual aquele mais enfadonho?
Marcos Maldonado: No início do meu trabalho junto ao Tex, logo na segunda edição eu já estava sentindo muito prazer e familiarizando-me com o personagem, de repente a terceira revista que fui letreirar era "EL MUERTO", fiquei tão concentrado na história que não resistia à curiosidade de saber o que iria acontecer. Em alguns momentos mesmo antes de letreirar, eu que estava com o texto em mãos lia algumas páginas adiante, tal era o interesse em saber das próximas páginas, quanto suspense, a caneta parece que se apressava em adiantar o mais rápido possível aquela história. Foi para mim o maior prazer que já tive letreirando uma história em quadrinhos e o maior orgulho por ter letreirado pela primeira vez "EL MUERTO" no Brasil (Editora Vecchi). O mais enfadonho não consigo responder, não me lembro de nenhum, e seria uma falta de respeito da minha parte para com aqueles que tanto se dedicaram em fazer das histórias do nosso Ranger sempre o melhor possível. Portanto essa eu fico devendo.

O Chuck Jones (génio americano da animação) disse certa vez, que era muito feliz, pois recebia para fazer um trabalho tão prazeroso que ele pagaria para fazê-lo. Você gosta do que faz Senhor Maldonado?
Marcos Maldonado: Eu acho que o meu trabalho é tão prazeroso que não sei o que faria sem ele e quase tudo que tenho devo às letrinhas. Tem razão o Chuck Jones, cito como exemplo jogar futebol, quantos jogam em fins de semana às vezes pagando para jogar e outros recebendo bons salários para fazer a mesma coisa. Às vezes o editor demora um certo tempo para mandar o material e eu fico um tanto perdido andando de um lado para outro e quando chega o material parece que não me falta mais nada.

O Senhor é um dos Grandes do Tex no Brasil, isso amedronta-o ou orgulha-o?
Marcos Maldonado: Não sei se sou um dos grandes do Tex no Brasil, isso fica para os Texianos julgarem, mas tal não me amedronta nem um pouco, pois sempre procurei fazer o meu trabalho com o maior capricho possível. Orgulha-me muito, quando no meu dia a dia estou em algum local e vejo alguém com um Tex na mão, dá-me muito orgulho em saber que eu fiz o meu trabalho naquela revista. É uma responsabilidade muito grande dar continuidade a um trabalho de tantos anos que se inicia na Itália e espalha-se por tantas partes do mundo. Orgulha-me pelas amizades que conquistei através do nosso herói, pessoas que nem sabem como sou mas sabem que estou presente à muitos anos nas histórias do nosso Tex.

Falando agora da sua esposa, Dolores Maldonado, ela também está ligada ao Tex, já que fazia a montagem dos quadradinhos nas páginas do Ranger. Pode-nos contar como era esse trabalho artesanal e se o Senhor também a ajudava quando necessário?
Marcos Maldonado: A Dolores sempre esteve ligada ao Tex, desde o tempo da Editora Vecchi, no expediente das revistas Tex sempre tinha o nome da Dolores como montadora, mas ela ajudava-me às vezes nas letras para a Vecchi. Para quem não sabe ela é uma óptima letrista, tendo trabalhado para várias editoras do Brasil. Quanto a ajudá-la na montagem, quando era necessário eu ajudava-a, pois a gente sempre trabalhou se ajudando mutuamente.

O Senhor já trabalhou com o Otacílio D’Assunção, o Ota, que foi um dos primeiros editores de Tex no Brasil, e hoje trabalha com o Dorival Vitor Lopes. Profissionalmente, qual a principal semelhança e principal diferença entre dois dos mais populares editores que Tex já teve no Brasil?
Marcos Maldonado: Na época em que eu letreirava para a Vecchi, na década de oitenta, tive poucos contactos com o Ota, pelo motivo da Vecchi ser no Rio de Janeiro e eu morar em Sorocaba. Poucas vezes estive na editora, eu recebia as histórias em São Paulo e despachava através de malotes, portanto pouco posso falar do Ota, apenas que sempre foi um grande editor e que me abriu as portas para que eu fizesse parte dessa família de Texianos. O Ota sempre foi muito correcto no seu trabalho, portanto não sei avaliar a semelhança ou diferença entre os dois. Quanto ao Dorival já temos uma amizade mais sólida, de muitos anos, como editor os próprios leitores da Mythos podem avaliar, o Dorival sempre prezou pela qualidade das suas revistas, o meu trabalho profissional para com ele é normal onde a gente troca ideias, dá sugestões e também recebe orientações quando necessário. Temos um óptimo relacionamento.

O Editor Dorival, tem uma grande confiança e respeito por si não só a nível profissional, mas para além desse campo. Em que momento se deu essa aproximação entre ambos?
Marcos Maldonado: São coisas inexplicáveis, certa vez no fim da década de oitenta fui da minha cidade, Sorocaba até São Paulo entregar material para algumas editoras e aproveitei para ir até um shopping no bairro da Lapa comprar nanquim para o meu uso e quando conversava com a balconista sobre a qualidade do nanquim eu disse que era letrista de histórias em quadradinhos e por coincidência comprando tinta para colorir histórias da Disney estava a esposa do Dorival, que eu não conhecia. Foi a partir daí que ela entrou na conversa e falou-me da dificuldade do Dorival na época em conseguir letristas e pediu-me que entrasse em contacto com ele, que eu também não conhecia pessoalmente. Mantivemos um contacto inicial e estou trabalhando com ele até hoje, a mesma confiança e respeito que ele tem por mim eu tenho por ele, a nossa amizade tornou-se uma coisa familiar,  inclusive as nossas famílias sempre se visitam para momentos de lazer.

As casas editoriais brasileiras pelas quais o Ranger passou, devem ser para si muito familiares. O Senhor já esteve na Sergio Bonelli Editore?
Marcos Maldonado: Sem dúvida que as editoras pelas quais o Tex passou são para mim muito familiares pelo nosso contacto profissional. Nunca estive na Sergio Bonelli Editore, não consigo imaginar como me sentiria no Templo em que foi criado o nosso Ranger há tantos anos para se tornar conhecido em tantos países e formar verdadeiras comunidades de fãs que hoje se comunicam através da Internet e também pessoalmente viajando para encontros Texianos até para outros países. Infelizmente não tenho condições de fazer uma viagem dessas, mas aqueles que tiverem uma oportunidade devem fazer essa visita que tenho certeza será emocionante..

Neste ano de 2008, Tex fará 60 anos de idade. Como é ter a vida directamente associada a um dos personagens mais longevos, já existentes?
Marcos Maldonado: Quando G. L. Bonelli criou o nosso personagem Tex, como poderia imaginar que 60 anos depois ele se manteria com todo este sucesso, arrebanhando fãs por tantas partes do mundo, fãs que se renovam constantemente, independente de idade; quanto a mim jamais iria imaginar que depois de letreirar o meu primeiro Tex para a Vecchi em 1980, o nº 110 ("A Sombra do Patíbulo"), 28 anos depois ainda estaria fazendo parte desse trabalho. São muitas histórias, ter a vida associada a esse nosso herói é uma honra muito grande, é indescritível o que se sente, parece que vivo esses momentos de aventuras do nosso Ranger junto com Carson, Kit, Tigre e tantos outros que fazem parte das suas histórias. Quantos outros personagens ficaram perdidos no tempo enquanto o nosso herói permanece há 60 anos, e espero que continue por muito tempo.

Em sua opinião, qual é o segredo da vitalidade editorial de Tex?
Marcos Maldonado: Na minha opinião o segredo dessa vitalidade é a qualidade, o cuidado, o profissionalismo que a Sergio Bonelli Editore e seus colaboradores sempre dispensaram ao nosso herói. Não se consegue nada na vida se não for com muita dedicação, amor no que se está fazendo, entrega, sacrifícios, renúncias. Quantas vezes quando uma edição estava com o prazo reduzido por algum motivo, passei o dia e a noite letreirando para que a revista pudesse estar nas bancas, algumas vezes o sono dominava-me e a caneta soltava-se da minha mão, eu lavava o rosto e retornava ao trabalho e assim como eu, quantos outros profissionais na Itália ou mesmo no Brasil, passaram por esses momentos, tradutores, revisores de texto, desenhadores que fazem decorado, os próprios editores que são os que mais têm que se preocupar com a qualidade para que a revista chegue o mais perfeita possível para os seus leitores, esse é  o segredo dessa vitalidade.

Qual a sua história favorita da série até ao momento? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Marcos Maldonado: Como havia citado anteriormente a favorita é "El Muerto", no meio de tantas histórias existem outras muito interessantes, daí cada leitor tem o direito de ter as suas preferências, quanto ao desenhador tivemos e temos muito bons desenhadores, entre eles poderia citar o Claudio Villa, Nicolò, Ticci, Letteri, o Civitelli que considero um óptimo desenhador, não daria para citar um só, talvez o Galleppini, é lógico, por ter desenhado "El Muerto". Quanto ao argumentista comecemos pelo criador, G. L. Bonelli, C. Nizzi e tantos outros, mas também por ter criado "El Muerto" o meu preferido é o Guido Nolitta, mas todos têm e tiveram o seu valor, pois colaboraram para esse sucesso.

O facto de Tex ser desenhado por vários autores (de estilos bem diferentes) é, na sua opinião, mais ou menos vantajoso para a série?
Marcos Maldonado: Não vejo vantagem ou desvantagem, acredito que todos têm que ter a sua oportunidade, e a Sergio Bonelli Editore sabe avaliar aqueles que têm ou não condições de levar adiante o trabalho iniciado há 60 anos. Talvez seja esse um dos motivos do sucesso por tanto tempo.

Na sua vida pessoal ou profissional já chegou a pensar como Tex resolveria ou enfrentaria determinada situação? Pode um personagem de ficção servir como modelo de rectidão, justiça e coragem?
Marcos Maldonado: Eu creio que as pessoas devem se espelhar em personagens ainda que de ficção para certas situações. Devido a tantos anos fazendo parte desse nosso herói, em alguns momentos não sei se por influência dessa convivência, tenho encontrado coragem, calma e lucidez para resolver alguns problemas sérios que às vezes se apresentam, talvez inconscientemente já enfrentei situações difíceis espelhado no nosso Ranger.

Se o Senhor pudesse, o que mudaria no nosso Amigo Tex?
Marcos Maldonado: Como mudar alguma coisa no nosso amigo Tex? Quem poderia fazer isso não está mais entre nós, o seu criador. Quem somos nós para mudar uma obra tão perfeita que se mantém por tanto tempo conquistando admiradores, 60 anos não são 60 dias, eu começo a imaginar que quando o Tex foi criado, eu tinha apenas oito anos, quantas histórias, quantas pessoas envolvidas com nosso herói, quantas pessoas conseguindo o sustento de suas famílias, como pôde o G. L. Bonelli ter tido uma inspiração tão fantástica, só pode ter sido um daqueles momentos em que Deus escolhe uma pessoa para eternizá-la através do seu trabalho. Onde você estiver o meu muito obrigado por ter permitido que eu fizesse parte dessa grande família de Texianos.

Para concluir o tema, diga numa frase, o que o Tex representa na sua vida.
Marcos Maldonado: Seria impossível resumir a uma frase, o Tex é meu amigo, meu irmão, meu exemplo de coragem, justiça, em certos momentos carinhoso, preocupado com seus inseparáveis amigos Kit Carson, Tigre e seu filho Kit Willer, Tex é destemido, optimista, sempre em favor dos injustiçados, não temendo o que possa acontecer a si próprio, Tex é como se fosse um meu parente muito próximo, quanto tempo passamos juntos através do meu trabalho, Tex fez-me ficar muito conhecido, muito do que possuo devo a ele, não só em bens materiais como em amizades pois tenho amigos que nem conheço pessoalmente mas que às vezes entram em contacto comigo por e-mail para saber um pouco da minha pessoa, as minhas amizades através do Tex, começaram no tempo da Editora Vecchi com o Otacílio, depois muitos outros, o Dorival, Helcio, Júlio Schneider, Gervásio, Nilson, Paulo Guanaes, Rudinei, Gisele, Valéria, o Geraldo Carsan e um grande amigo de além mares, o nosso amigo José Carlos Francisco de Portugal que tive a honra de recebê-lo com sua família em minha residência em Sorocaba, portanto o que era para dizer em uma frase, vejam o tanto que me atrevi a comentar.

Antes de finalizar a entrevista, pode-nos contar uma faceta interessante da sua vida, que é desconhecida de muitos, que é o facto de ter sido, tal como a Dolores, actor de foto-novelas e de como era esse trabalho?
Marcos Maldonado: Onde foram buscar essa faceta? Bem, na década de 1960 durante um tempo fui actor de teatro participando de muitas apresentações e festivais, citando algumas peças, O Auto da Compadecida, Mortos sem Sepultura e tantas outras. Com a experiência que eu tinha em teatro e na época estava em moda as revistas de foto-novelas resolvemos formar um grupo, contratamos um fotógrafo, arrumamos algumas histórias e adaptadores e iniciamos o trabalho. O nosso grupo era formado por amigos, parentes, e actores da época.
Devido à dificuldade de contratar actores resolvemos fazer o trabalho nós mesmos, fotografávamos em praias, fazendas e monumentos quando eram cenas externas, e para as cenas internas usávamos alguns casarões, palacetes que pedíamos emprestados. A Dolores contracenou em algumas foto-novelas comigo, essas foto-novelas eram publicadas pela revista Melodias, que trazia reportagens sobre actores e actrizes de televisão da época, foi uma passagem muito marcante.

Senhor Marcos Maldonado, muito obrigado pela entrevista que gentilmente concedeu ao blogue do Tex.
Marcos Maldonado: Para finalizar quero dizer que foi uma honra muito grande participar dessa entrevista no ano em que o nosso herói Tex Willer completa 60 anos. Espero ter correspondido com as respostas, pois essa foi a minha intenção. Participar deste blogue que eu acompanho atentamente para mim foi motivo de muito orgulho, principalmente por ter sido conduzida por esse meu grande amigo José Carlos Francisco que tanto tem feito para divulgar tudo que diz respeito ao nosso Ranger.

Obrigado.
Marcos Maldonado Rodrigues
 
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24 de Abril de 2008

Blogue do Tex citado no Correio de Poe das edições 69 e 70 de Mágico Vento (Março/Abril 2008)

O blogue português do Tex foi citado (e dado a conhecer) na rubrica "O CORREIO DE POE" das recentes edições de Março e Abril, da revista editada pela Mythos Editora, dedicada ao personagem Mágico Vento, edições respectivamente números 69 e 70.
O motivo de tal citação, deve-se à entrevista realizada pelo blogue do Tex com o escritor Gianfranco Manfredi e devido a esse honroso facto, de seguida mostramos o teor desses dois textos:

"O CORREIO DE POE Nº 69"

Há leitores de quadrinhos que gostam tanto de certos personagens que, não contentes em se imaginar vivendo as aventuras lidas (coisa, aliás, bastante saudável), gostariam de se vestir como seus heróis não só em festas e ocasiões especiais mas até mesmo no dia-a-dia. Houve leitores que escreveram a Gianfranco Manfredi dizendo ter feito tatuagens em certas partes do corpo com imagens de índios ou de animais, e outros pedindo sugestões para imagens a tatuar, ao que o criador do nosso xamã respondeu: "Que eu saiba, os índios das planícies não usavam tatuagens; eles preferiam pintar o corpo com sinais que, com o passar do tempo, poderiam depois renovar, mostrando que tinham mais a ver com o desenvolvimento da personalidade. Não pretendo aconselhar ninguém a fazer isso - já que não costumamos andar na rua com o peito nu e, ainda, as tintas manchariam a camisa - e muito menos iniciar um debate sobre 'tatuagem sim, tatuagem não'. Eu me limito a registrar o assunto".
Um dos personagens de Mágico Vento que apareceu todo pintado já na primeira página de sua aventura de estreia (MV 50, Coração de Campeão, ago/2006) e que agora retoma é o simpático Barro. Não é de se estranhar a imagem que Poe faz dele quando o encontra nesta história ("ele é piadista ou desequilibrado?"), pois o jornalista ainda não conhecia o simpático e veloz corredor sioux.

No Correio de Poe do mês passado comentamos que a tão esperada edição especial de Mágico Vento está em elaboração na Itália e que, quando tivéssemos mais novidades, informaríamos. Pois bem, o próprio Gianfranco Manfredi informa que o Especial ainda vai demorar porque mais um desenhista de MV passou a trabalhar com Tex e, assim, a equipe ficou um pouco reduzida. De todo modo, o autor dá mais detalhes numa entrevista publicada recentemente no Blogue do Tex, uma página da internet dedicada a tudo que diz respeito ao nosso Tex, administrada com carinho pelos texianos portugueses José Carlos Pereira Francisco e Mário João Marques e que pode ser visitada no endereço http://texwiller.blog.com
A entrevista com Manfredi, que também contou com a participação de Gianni Petino, representante da Mythos na Itália, e de Júlio Schneider, nosso redator de Mágico Vento, pode ser acessada diretamente pelo link http://texwiller.blog.com/2638657
Mas se o blogue é de Tex, por que Manfredi foi entrevistado? Simples: além de ter escrito A Trilha das Emboscadas (Tex Anual n° 8, 2006), o autor agora divide seu tempo entre o nosso xamã e o ranger mais famoso dos quadrinhos. Para saber mais, é só clicar.

Mitakuye Oyasin!

"O CORREIO DE POE Nº 70"

A história O Poço dos Sacrifícios (MV n° 66) ficaria melhor se fosse mais fiel às características dos povos ameríndios evitando espadas enormes, cabelos e barba de corte moderno, trajes que parecem extraídos de algum filme B sobre Hércules ou Maciste? Segundo Manfredi, o criador do nosso herói, sim, "mas o que nós pretendemos foi destacar o aspecto de fantasia que, como se sabe, deve necessariamente abrir mão da exatidão histórica e cultural, apresentando mundos arcanos e paralelos que têm uma existência puramente mítica. Um pouco como O Senhor dos Anéis, por exemplo. Se fosse analisado do ponto de vista histórico-crítico, o romance de Tolkien não ficaria em pé. A 'estranheza' é essencial numa história 'fantasy'.
O mistério e o fascínio deste género narrativo estão justamente nesta questão: por que o leitor se identifica com personagens, ambientes e circunstâncias absolutamente improváveis e - ainda que vagamente inspiradas num clima histórico e cultural - absolutamente distantes de qualquer realidade documentada e reconhecível
?"

É uma análise interessante, como geralmente o são as manifestações desse autor tão prolífico. E isso pôde ser visto tanto na entrevista que ele concedeu ao Blogue do Tex, como sinalizamos no Correio de Poe da edição passada, quanto numa entrevista anterior, que ele concedeu ao site Universo HQ, em 2005, pouco antes de vir ao Brasil para o FIQ de Belo Horizonte daquele ano. Essa "antiga" entrevista (que havíamos noticiado no Correio de MV 39) foi relembrada pelo nosso fiel seguidor Januário Charlau (Santa Maria-RS): "Eu li a entrevista do Manfredi que foi noticiada no Correio de Poe e me lembrei de uma outra que ele deu há uns dois anos e pouco. Quando eu li aquela entrevista, fiquei ansioso esperando o Tex Anual com a história que ele escreveu e tive que sofrer mais de um ano até ela sair no Brasil. E agora, lendo essa nova entrevista, ele fala de um personagem chamado Volto Nascosto. Será que vou ter que sofrer mais um ano para ler esse gibi no Brasil?".
Bem, antes de mais nada, é preciso esclarecer que Volto Nascosto (que significa Rosto Escondido) não é uma nova série que ficará nas bancas enquanto tiver leitores que a sustentem. E uma série finita, um grande romance em quatorze capítulos totalmente interligados que mistura fatos históricos e de fantasia ambientados na Itália e na África no período da primeira guerra colonial italiana, de 1889 a 1896.
Se vai sair no Brasil? Hmm... vamos esperar um sinal do Deus dos Quadrinhos.
Mitakuye Oyasin!

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23 de Abril de 2008

Mistérios portugueses na edição italiana nº 95 de Dampyr (Fevereiro 2008)

Mauro Boselli, argumentista e co-criador com  Maurizio Colombo do personagem Dampyr, na sua habitual rubrica "dal buio...", aborda na edição número 95 da série mensal, editada no passado mês de Fevereiro, a história ocorrida em Portugal (Dampyr nº 75 -  “Lo Sposo della Vampira”) devido a um texto da autoria do jornalista João Miguel Lameiras, publicado no número 19 do prestigiado BDJornal, texto esse que também foi divulgado aqui mesmo no blogue do Tex (http://texwiller.blog.com/1965623/) conforme o próprio Mauro Boselli informa no seu texto.

Devido ao interesse do assunto,  o blogue do Tex dá a conhecer o texto de Mauro Boselli, tanto na versão original, como na língua portuguesa:



"MISTÉRIOS PORTUGUESES! 

O leitor dampyriano Giacomo Dessì, que por razões de trabalho e estudo reside em Coimbra, Portugal, enviou-nos um artigo sobre Dampyr publicado numa bela revista daquele país, BD Jornal, que também pode ser lido no blogue português dedicado a Tex Willer.
O texto, de João Miguel Lameiras, "Dampyr em Portugal", fala sobre a história do n° 75, "Lo sposo della vampira", ambientada na região de Trás-os-Montes. O artigo, que elogia a série e o personagem, para nós é motivo de orgulho.

Giacomo também observa que parte do artigo é centrado num provável erro histórico que, segundo Lameiras, deixaria sem sentido toda a trama, a qual baseia-se em parte no passado de Vathek diante dos mouros de Andaluzia. Conhecedor da história do seu país, o articulista observa que, na revista, diz-se textualmente: "O castelo actual é da época do rei Dom Dinis, que o reconstruiu para manter os mouros longe... no Século XII ele resistiu ao assalto das armadas andaluzes de Ibn Yakub...". Segundo Lameiras, o ponto é que Dom Dinis viveu mais ou menos cem anos depois, no Século XIII (ele reinou a partir de 1279), quando os mouros não estavam mais ali. É verdade. Os mouros foram expulsos daquela região de Portugal pela geração anterior a Dinis, mas no seu reinado eles ainda eram uma ameaça, visto que ocupavam uma grande parte da Península Ibérica (de onde só seriam expulsos no fim do Século XV).

Em razão disso, os castelos continuavam a ser aumentados e fortificados também pelo próprio Dinis: isso é um facto histórico. Por outro lado, é possível que no Século XII, antes de Dom Dinis, o castelo de Monforte, que já existia antes das fortificações feitas pelo rei, já fosse assediado. A frase dita pelo personagem de Roland Kirby, o imaginário director inglês da trama, não está de todo incorrecta e não constitui um erro histórico grosseiro. Ela simplesmente está mal colocada, porque Kirby fala DEPOIS de fatos acontecidos ANTES. Erro desculpável que se pode perdoar a um inglês. Acrescentamos que nos balões de texto não há espaço suficiente para escrever tratados históricos completos e perfeitos!"

Texto traduzido por Júlio Schneider, tradutor de Tex e Mágico Vento para o Brasil e consultor Bonelliano da Mythos Editora, no Brasil.
 
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22 de Abril de 2008

Entrevista com o fã e coleccionador: Sílvio Raimundo

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 
Sílvio Raimundo: Meu nome deveria ser Sérgio, mas contrariando a vontade da minha Mãe, o meu Pai registou-me Sílvio Raimundo da Silva, há 36 anos. Nasci no bairro do Ipiranga em São Paulo, no dia 09 de Agosto de 1971.
Fazia apenas seis meses que o Ranger mais Temido do Texas tinha voltado às bancas brasileiras.
Aos 5 anos, mudamos de São Paulo para o interior de Pernambuco, onde passei a minha infância no sítio da minha Avó materna, brincando de ser Jack Tigre. De lá, fomos para Recife – Capital pernambucana – onde passamos um curto período e voltamos a Belo Jardim, onde resido até hoje.
Tenho Licenciatura Plena em Biologia, mas nenhuma aptidão para leccionar. Trabalhei em indústrias gráficas durante a adolescência e mais tarde, ingressei na área administrativa de uma Empresa de género alimentício, hoje trabalho em um núcleo de implantação de sistema de planejamento dos recursos empresariais - ERP.
Sou Pai - orgulhoso e coruja – de três filhos lindos, o Piño e o Gigante, respectivamente Vítor e Vinicius do meu primeiro casamento e Pedro, o Bravo, do segundo.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Sílvio Raimundo: Eu creio que antes de brincar de carrinhos eu já folheava revistas de banda desenhada, pois o meu Pai era um devorador de BDs, como hoje o sou. Na minha casa sempre teve muitas revistas da Disney, do Mauricio de Souza e outros tantos editados no Brasil.
Quando eu tinha por volta de sete ou oito anos, o meu Pai voltou para casa trazendo um exemplar de uma revista diferente, para começar ele era em preto e branco, era a primeira edição brasileira do Tex 97Kento não Perdoa!
Fiquei encantado com aquele mundo que eu ainda criança nunca tinha visto, aquelas pradarias imensas, cowboys andando a cavalo e índios, muitos índios, com suas pinturas de guerra e armados com os seus arcos e flechas, era tudo fascinante.
Hoje compreendo como são as duras regras daquele mundo, mas naquele momento elas eram mais simples de assimilar do que as do meu, pois eu só conseguia ver ali liberdade, que é tudo o que uma criança quer. A partir daquele momento Tex passou a ser a BD preferida do meu Pai e minha também, discutíamos sobre cada história, falávamos da qualidade dos desenhos, ficávamos ansiosos por encontrar o exemplar que concluía uma história. Eram momentos maravilhosos entre filho e Pai e o seu melhor Amigo.

Porquê o Tex e não outra personagem?
  
Sílvio Raimundo:
Porque ele é real!
Tex é uma pessoa de carne e osso, o meu Pai poderia ter sido ele. O seu mundo é real, os seus princípios são claros a sua luta é justa.
Acho que nós, enquanto leitores, nos realizamos nos seus actos, na sua coragem.
O mundo nos faz de certa forma, covardes, pois se a injustiça não é connosco nós nos limitamos apenas a ficar tristes, enquanto que Tex vai à luta e faz a justiça acontecer, mesmo não tendo “nada a ver” com o caso. Ele faz algo para que o mundo ideal que nós almejamos seja um facto.
Entre os meus 17 e 22 anos parei de ler Tex. Nesse período, li tudo que apareceu na minha frente, todos os heróis Marvel/DC, Graphics Novells, que naquela época começaram a ser publicadas no Brasil, BD de autor, enfim, conheci muitos bons autores que hoje continuo lendo, mas, faltava alguém importante da minha família que estava ausente já há muito tempo e precisava voltar. Certo dia ele voltou, não me pediu explicações nem eu a ele, simplesmente sentamos e ele continuou a narrar-me as suas aventuras, e sei que isso irá ainda por muitos anos. Por isso Tex e não outro.

O que Tex representa para si?
Sílvio Raimundo:
Ele é a parcela sã do meu Pai, é aquilo que o álcool não conseguiu destruir, é o cara brincalhão, inteligente, sábio, o melhor Amigo, sempre pronto a defender-me, ensinar-me e a quem mais precisasse, a qualquer hora.
Tex é a pessoa que mesmo depois de um dia cansativo de trabalho, fazia-me um desenho. Ele é a pessoa que não morreu, que ainda mora comigo e conta-me histórias, é a pessoa que me apresentou a um mundo maravilhoso e me deu Amigos muito queridos, que já sentaram na minha mesa e comeram comigo e outros tantos, que mesmo sem os conhecer pessoalmente, sei do valor das suas Amizades. É a pessoa que me ensinou línguas para que eu o pudesse conhecer em outras culturas, que me fez conhecer outros Grandes do seu mundo que hoje dividem a sua EstanTEX e também me contam histórias. Tex é a pessoa que o meu Pai escolheu para o substituir na sua partida, é o seu legado para mim e o Pai que eu gostaria de ser para o Piño, o Gigante e o Bravo.


Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Sílvio Raimundo:
Não sei!
É sério, apesar de parecer brincadeira. Hoje, aqui no Brasil, eu compro regularmente duas séries: Tex mensal e Almanaque Tex. Do mensal, tenho a partir do #311, do Almanaque tenho todos. Na Itália, compro os Almanacchi, Maxi e Texoni, somando-se a estas séries àqueles que só compro quando a história me é muito importante, quer sejam brasileiros ou italianos. Os especiais, os Oscars, os Cartonados, os espanhóis, os gigantes, os coloridos, chego fácil às 400 revistas. Creio que isso faça de mim um coleccionador, apesar de não tão regular.
A revista mais importante... Essa é uma difícil tarefa, pois todas o são, principalmente aquelas ofertadas pelos Amigos, mas, como tenho que eleger uma, escolho o #435 do Tex italiano – Il prezzo della vittoria. Esse é o meu primeiro Tex Italiano, presenteado pelo meu Amigo italiano que morou durante muito tempo em Pernambuco, Mario Dalpane, num momento muito difícil da sua vida, pois ele tinha ido a Bologna, enterrar seu filho único de vinte e poucos anos, falecido num acidente automobilístico sem sentido algum e lembrou que me tinha feito uma promessa. Com este “fumetto” eu aprendi a língua da Velha Bota.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Sílvio Raimundo: 
Não colecciono exactamente tudo, pois não compro todas as séries, mas, se forem lançados pósteres, eu os compro e guardo, se são lançados especiais, também. Se lançarem matérias ou livros, eu corro atrás. É que no Brasil e principalmente, na região onde habito, é muito mais difícil termos acesso a materiais diferentes das BDs, pois até estas, temos dificuldades de encontrar, mas, tudo aquilo que diz respeito a Tex e ao seu mundo interessa-me.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Sílvio Raimundo:
Ah, essa é muito difícil de responder, pois para quem como eu, cresceu com o personagem, escolher uma história dentre tantas que me foram contadas é quase um sacrilégio! Permita-me então escolher duas, não apenas por serem icónicas na saga do Ranger, mas por serem também muito importantes para mim:
1 – Kento não PerdoaTex mensal #97;
2 – El Muerto – Tex mensal especial de férias #112.
Kento foi o meu primeiro contacto com Tex e o seu mundo, posteriormente, consegui os exemplares que iniciavam a trilogia e gostei mais ainda da história, ela é fantástica. Hoje eu tenho um Oscar Bestseller da Mondadori que contém esta história. Para aqueles que acreditam,em coincidências ele foi o meu primeiro Oscar do Tex.
El Muerto foi o primeiro exemplar de Tex que eu e o meu Pai compramos juntos. Minha Mãe pediu-nos para comprarmos um frango para o almoço de São João (Festa típica da minha região) e ao voltarmos, passamos na banca e compramos o Tex e o #19 do Ken ParkerUm homem inútil. É interessante, mas, quando falo desse Ken Parker, consigo sentir o cheiro da tinta impressa no papel.
A história desse Tex é magistral, ela nos envolve de uma forma que a lemos de um só fôlego, o Galep deu um show de claro/escuro nas cenas do duelo. Eu sonho com o dia em que a Mondadori a lançar num Cartonato tutto a colori. Esta história merece.
Também no quesito desenhadores,peço permissão para ir além de apenas um. Adoro o traço do Ticci. Em minha opinião, ele é o responsável pela imagem que o Tex tem hoje. É indiscutível que o Galep é o Pai gráfico de Tex, porém, nas mãos do Ticci, Tex tornou-se outra pessoa, tanto é que muitos do Staff da SBE se inspiraram no seu traço para criar os seus TEXs, um exemplo disso é o Claudio Villa. Sem contar as suas paisagens, minha nossa, aqueles quadros são de tirar o fôlego de tão belos e reais!
O segundo melhor desenhador para mim é o Fusco. O seu traço rápido, rabiscado é muito bonito, o seu Tex é jovial, tem cara de sarcástico e pinta de quem chegou para resolver a confusão com apenas um soco, é um Tex que ocupa muito espaço. Mas estes desenhadores fazem parte da velha guarda, dos novos gosto muito dos irmãos Cestaro e do Civitelli.
Relativo aos argumentistas, gosto muito dos roteiros do Boselli, ele consegue fazer um Tex mais humano e adoro o facto dele geralmente colocar os quatro pards juntos.
O que me entristece é que geralmente os seus textos são desenhados por artistas que não me agradam.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Sílvio Raimundo:
O seu carácter e a forma como se dedica ao seu filho Kit é o que mais me agrada. O que me agrada menos é o facto do Tex nunca sofrer nem sequer um arranhão nos seus embates.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Sílvio Raimundo: Creio que a iconização de Tex se deva ao factor hereditariedade. O personagem surgiu em uma época que poucas possibilidades de diversão havia, trouxe consigo um mundo desconhecido e cativou quem o leu de forma que estes, além de nunca deixarem o personagem, o passaram aos seus filhos, sobrinhos, amigos, enfim, Tex é um membro da família e isso poucos personagens de BDs conseguiram.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Sílvio Raimundo: Vejo um futuro maravilhoso, pois o mundo precisa de “pessoas” que façam algo em prol dele, lute para que ele seja mais justo e melhor para os nossos herdeiros. Além do que, esse mesmo mundo ficaria uma tremenda chatice se o Ranger não fosse mais publicado!

Prezado pard Sílvio Raimundo, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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21 de Abril de 2008

Póster Tex Nuova Ristampa 81



Desenho realizado por Claudio Villa, onde vemos Tex Willer numa noite de luar, observando o lendário cavalo Silver Star, que os índios Navajos chamavam de Espírito de Manitu e por isso o consideravam intocável!
Um majestoso garanhão negro, astuto como um homem e que devia o seu nome a uma estrela branca que brilhava na sua testa e que estava a ser caçado por implacáveis bandidos, comandados por Frank Bishop, um duvidoso comerciante de cavalos, decididos a capturá-lo para o transformar num campeão de corridas.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #66 e inspirado na história, "Lo spirito di Manito" de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #128 e #129).
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Texto de José Carlos Francisco
 
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