01 de Fevereiro de 2008
31 de Janeiro de 2008
Portugal - Edições do mês de Fevereiro
Semana de 28/01 a 01/02
TEX 427KIOWAS
Texto: Claudio Nizzi - Desenhos: Giovanni Ticci
No encalço de um homem acusado de haver violentado e assassinado três mulheres índias, Tex e Carson vão a Wichita, onde sua caçada se entrelaça com uma outra dramática situação. A paz na região e a sobrevivência dos cheyennes estão em risco, devido a uma disputa por um vale secreto repleto de bisontes.
2,90€
TEX COLEÇÃO 219A NOITE DOS ASSASSINOS
Texto: G. L. Bonelli - Desenhos: Giovanni Ticci
Em Great Falls, Tex e Carson são vítimas de um atentado planejado pelo inescrupuloso Nick Billing. Porém conseguem se livrar desta ameaça e partir para o contragolpe que consiste em arrumar provas contra o criminoso em seu próprio escritório. Certamente, tal visita inesperada fará com que Billing desejasse não ter nascido. Enquanto isso, Kit e Jack Tigre repelem um ataque dos capangas contratados pelo comerciante.
2,90€
MINISSÉRIE TEX 3, (segunda parte)
O VENENO DO COBRA
Texto: Claudio Nizzi * Desenhos: G. Letteri e Raffaele Della Monica
Tex e Carson investigam a seita secreta do Lótus Verde, que há anos chantageia os imigrantes chineses de Virginia City, chefiada pelo misterioso Cobra. As investigações dos rangers sobre a seita secreta do Lótus Verde leva-os finalmente a identificar o cruel Koo Su Jang como sendo o Cobra. Mas Jang consegue fugir para São Francisco e prepara uma armadilha mortal para nossos heróis. Agora, com o auxílio do Chefe Tom Devlin e da força policial da cidade, Tex e Carson estarão cara a cara com o venenoso Cobra e a luta será de vida e morte.
Uma história inédita, publicada em duas partes, para deleite de todos os texmaníacos.
5,00€
TEX EDIÇÃO HISTÓRICA 70
DIABLERO
Texto: G. L. Bonelli - Desenhos: Guglielmo Letteri
Tex e seus pards juntamente com El Morisco e seu assistente Eusébio vêem-se envolvidos num estranho caso em que um lobisomem e uma feiticeira espalham terror e morte entre os índios apaches no México.
História completa com 240 páginas, num clássico assinado por Gianluigi Bonelli e Guglielmo Letteri.
7,00€
OS GRANDES CLÁSSICOS DE TEX 7
O TOTEM NO DESERTO/ O HOMEM DOS QUATRO DEDOS
Texto: G. L. Bonelli - Desenhos: Aurelio Galleppini
Esta edição traz mais duas histórias dos primórdios de Tex, onde apresentamos mais dois importantes inimigos na história do nosso ranger: o sacerdote louco Vindex e o bandido conhecido como o Homem dos Quatro Dedos.
Duas aventuras imperdíveis para quem quer conhecer melhor a vida de Tex, o maior herói que o Oeste já viu.
7,50€
MÁGICO VENTO 62
O ALVO
Texto: Manfredi * Desenhos: Frisenda
Entre os vales verdes das Montanhas Negras, onde o ouro corre a rios, o general Custer encontrou seu paraíso terrestre. Mas ele não percebeu a serpente silenciosa e mortífera que se infiltrou entre suas próprias tropas. Ao mesmo tempo, Billy Trump continua aumentando sua trilha de cadáveres, e mesmo com Poe e Touro Manchado muito próximos, ninguém parece ser capaz de deter o endemoninhado rapaz.
2,90€
ZAGOR 77
INSETOS ASSASSINOS
Texto: Burattini - Desenhos: Cassaro
No vale de St. Clair, hordas de escorpiões e cupins matam duas famílias, e um enxame de gafanhotos destrói a colheita de uma fazenda. Ao ir ao Forte Jericho para alertar as autoridades militares, Zagor descobre que o Prof. Verybad, sempre em busca de novas armas, montou ali seu laboratório. Ao entrar escondido no local, o Senhor de Darkwood vê o Coronel Truscott e o Capitão Straker às voltas com um aparelho misterioso que, colocado na cabeça do Tenente Gaiman, permite que este controle à distância o voo de um enxame de abelhas levado por Verybad ao local de uma experiência. Mas Zagor é descoberto pelos militares e não tem como escapar.
2,90€
ZAGOR EXTRA 41
HELLINGEN ESTÁ VIVO!
Texto: Boselli - Desenhos: Ferri
Zagor enfrenta o Mestre dos Bonecos, chefe das marionetes, que raptou umas crianças. Enquanto isso, o misterioso Raven, um agente especial da organização secreta de Elsewhere, está em viagem com Drunky Duck para encontrar o Espírito da Machadinha.
O horror continua! Na encosta do Monte Naatani surge um sombrio castelo do terror suspenso entre realidade e pesadelo, entre passado e futuro, no qual Zagor e o agente especial Raven encontrarão um homem que voltou da morte, e não é um homem comum, pois trata-se do maior inimigo que o herói de Darkwood já enfrentou. Para desespero geral, HELLINGEN VOLTOU!!
2,90€
As Aventuras de uma Criminóloga 34O PREÇO DA LIBERDADE
Texto: Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza * Desenhos: Valerio Piccioni e Enio
Júlia Kendall e o Tenente Webb vão à penitenciária de Garden City para ouvir o condenado Orrin Blake que diz ter resolvido contar onde escondeu o corpo de uma criança morta por ele e jamais encontrada. Porém, o que o criminoso quer mesmo é fugir da prisão, e para isso ele engendra um plano com outros condenados e conseguem se evadir levando a criminóloga como refém. Durante a fuga, o director da prisão é morto e o Tenente Webb é gravemente ferido. Júlia fica nas mãos dos condenados e tem início uma caçada por todo o centro-oeste americano.
3,50€
CONAN, O BÁRBARO 55Neste número: A mais dramática história de Conan... Morte na Costa Negra! Roteiro de Roy Thomas, arte de John Buscema e Ernie Chan. E nas inéditas tiras de jornal, o Cimério tem de enfrentar um enorme ídolo de bronze na segunda e última parte de A Jóia do Tempo. Texto de Thomas, enquanto Chan assina sozinho a arte. E ainda: Duas matérias especiais, onde Roy Thomas comenta a criação e trajectória da inesquecível Bêlit dos quadrinhos de Conan em sua "Era Marvel".
2,50€
30 de Janeiro de 2008
Tex Série Normal (Itália): La sentinella
Tex 565 - "La sentinella" de Novembro de 2007 e Tex 566 - "Un soldato ritorna" de Dezembro de 2007.
Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Miguel Angel Repetto e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.
Entre o Arizona e o Novo México, Tex e Carson são perseguidos por um bando de Apaches, conseguindo refugiar-se na Mesa Serrada, um conjunto rochoso pleno de grutas e labirintos. Surpreendentemente, é aqui que os dois rangers vão descobrir um oficial sulista que vive como um eremita e que ignora que a Guerra da Secessão já terminou.
Depois de ganharem a sua confiança, Tex e Carson conduzem-no até Forte Bayard com o objectivo de o ajudar a regressar à civilização e à sua família. Ainda no forte, Tex e Carson acabam por saber que a família do oficial foi dizimada durante o conflito e alguém se apropriou das suas propriedades, resolvendo viajar com ele até Atlanta e tirar tudo a limpo.
Esta aventura pode ser lida sob dois ângulos. O primeiro centra-se no seu desenvolvimento e aqui não deixa espaço para dúvidas, sendo mais uma prova da falta de dinamismo e de motivação que vem assolando Nizzi. Ao contrário do que vem sendo habitual, a aventura não promete no início desiludindo depois, pelo contrário, vai em crescendo de interesse à medida que a acção se vai desenvolvendo, apesar de um final fácil e previsível. Mas é sobretudo mais uma prova cabal das fraquezas do autor, ao revelar ingenuidades (um oficial sulista escondido desde há vinte anos) ou introduzir artifícios sem coerência (um comerciante surge em pleno forte para dar conta da história da família do oficial).
No entanto, sem querermos ser excessivamente críticos de Nizzi, agora que tudo e todos o vêm criticando, é num outro ângulo que o leitor pode concentrar a sua atenção, numa realidade que Nizzi expõe e que a seu modo vem tratar: as sequelas, as alterações, os desenvolvimentos que a Guerra da Secessão deixou nos Estados Unidos. Este acontecimento histórico não é um tema novo no autor, mas é a primeira vez que trata do pós-guerra.
É toda uma nova realidade que se depara a John Rickfield (o oficial sulista), a realidade de um país que se reconstruiu e se desenvolveu, a realidade de um país que caminhava em direcção à modernidade que os novos tempos impunham. A sua chegada a Atlanta, sua terra natal, é demonstrativa e no fundo o espelho fiel de um tempo novo e de um regresso à civilização. Mas é também o tempo de descobrir dramas do passado e lutar contra as injustiças cometidas, num tempo em que a guerra servia como justificação a tudo. É também o tempo de uma nova realidade social, a da libertação do negro que, apesar do final da escravatura, ainda não era reconhecido socialmente.
Tudo isto Nizzi apresenta, não objectivamente, mas através do regresso de Rickfield a Atlanta. No meio de tudo, Nizzi compõe ainda um Tex bem mais clássico e capaz de agradar ao mais conservador dos leitores. É um Tex muito actuante, quer ao nível físico (toda a primeira parte é quase gasta na luta contra o bando de Apaches), quer estrategicamente, de que é perfeito exemplo toda a cena em que conhece pela primeira vez Jean Russard.
Repetto assina aqui eventualmente o seu melhor trabalho na série, muito por força dos diferentes cenários onde a aventura decorre. Durante a primeira parte, na luta contra a perseguição movida pelos Apaches, onde o autor argentino compõe excelentes páginas de acção que se desenrolam em cenas nocturnas debaixo de uma chuva diluviana. Depois, na segunda parte, as cenas mais citadinas, mas também a descrição de um sul onde imperam paisagens de densa vegetação e que também merecem de Repetto a mesma atenção, o mesmo detalhe, a comprovarem uma maturidade digna de realce.
O seu Carson é muito fiel a Ticci, enquanto que Tex, apesar de sofrer a mesma influência não logra a mesma eficácia, mesmo assim, fica-nos uma composição do ranger sem grandes reparos.
Texto de Mário João Marques
29 de Janeiro de 2008
Arte de Gianluca e Raul Cestaro
28 de Janeiro de 2008
Entrevista com o fã e coleccionador: Pedro "Hunter" Bouça
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Pedro Bouça: Nasci em Lisboa no dia 01/02/1975. Sou engenheiro informático e trabalho em informática.
Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Pedro Bouça: Minha paixão por banda desenhada vem de quando eu era pequeno. Eu aprendi a ler sozinho (aos três anos!) porque as outras pessoas liam para mim banda desenhada e eu conseguia ligar as palavras que elas falavam às que estavam escritas! Portanto eu sempre digo que a banda desenhada acompanha-me praticamente desde que eu me entendo por gente (não tenho nenhuma memória de antes dos meus três anos, aliás já não tinha na época!).
Tex eu comecei a ler muito tarde.
O primeiro fumetto que eu li foi o especial da Globo a cores. Gostei de todas as histórias, inclusive Tex, mas particularmente de outras personagens mais modernas. Como eu tinha lido o especial emprestado, fiquei à procura dele para comprar. Quando eu o comprei, estava no pacote com um Tex Edição Histórica. Número 8 ou 9. Li e achei absolutamente execrável! Um protagonista basicamente omnipotente, que dava ordens aos índios como se fossem seus criados e, na história, enfrentava uma absurda tribo asteca escondida no Oeste Selvagem. Dei a edição de presente para um amigo e não li Tex novamente por anos.
Nesse meio tempo, amealhei colecções completas ou quase do Nathan Never da Globo e de Martin Mystère, Dylan Dog, Mister No e Nick Raider da Record. Mas não comprei Tex ou Zagor.Eventualmente eu comecei a escrever para o Omelete, onde fazia resenhas de BDs. Um dia decidi escrever sobre material que eu não comprava regularmente e decidi comprar um Tex. Curiosamente o primeiro Tex Coleção da Mythos.
Desta vez fiquei muito melhor impressionado! A história de G.L. Bonelli era muito mais elaborada e bem escrita e a arte muito superior ao do Tex que eu lera. Minhas reservas com relação ao personagem se evanesceram e eu passei a verificar todas as edições que apareciam nas bancas. Se fosse por uma equipe que me interessasse (tipo Bonelli/Galep ou desenhada por José Ortiz) eu comprava. É mais ou menos o sistema que eu utilizo até hoje.
Algumas séries, como Tex Anual ou Gigante, eu compro sempre, mas a maioria eu só compro ocasionalmente.
Porquê o Tex e não outra personagem? Pedro Bouça: Bem, em verdade eu gosto muito mais de várias outras personagens de BD do que de Tex. Para ficar apenas nos fumetti, eu prefiro Mister No, Dylan Dog, Nathan Never e meu eterno favorito Martin Mystère!
O que Tex representa para si?
Pedro Bouça: Diversão garantida quando se está no autocarro ou em alguma fila. Sempre carrego BDs na minha mala e quase sempre uma delas é Tex! A portabilidade das revistas e a garantia de uma leitura substancial fazem dele a perfeita "leitura de autocarro"!
Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?Pedro Bouça: Não tantas assim. Umas 200. O que ainda é mais do que os outros fumetti que tenho...
A mais importante? Provavelmente aquela edição especial da Globo que me apresentou à personagem.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Pedro Bouça: Só BDs. Nunca fui grande apreciador de "badulaques".
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?Pedro Bouça: História - O Ouro dos Confederados (Tex Anual 2).
Desenhador - O espanhol José Ortiz, que eu já admirava muito antes de desenhar Tex.
Argumentista - Guido Nolitta, com Antonio Segura e G.L. Bonelli logo a seguir...
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Pedro Bouça: Mais seria a constância. É quase garantido que ao ler um Tex eu tenha uma leitura de qualidade razoável e uma história de aventura clássica e bem feita. O que menos me agrada seria uma consequência disso. Tex é demasiado constante. Eu também posso esperar com quase certeza absoluta que a personagem vencerá seus inimigos sem ser arranhado, nunca olhará para uma mulher, nunca cometerá um erro. Isso torna Tex uma leitura demasiado previsível e reduz o número de histórias (na minha opinião) excelentes a um percentual demasiado pequeno do imenso volume de material existente!
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?Pedro Bouça: O facto de ser imutável. Ele não cai nas mesmas "armadilhas" que prejudicaram outras personagens de BD famosas (em particular os super-heróis americanos).
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Pedro Bouça: Absolutamente igual ao passado. A não ser que o gosto dos leitores mude radicalmente ou ocorra uma desgraça com a editora Bonelli, Tex continuará a ser publicado da mesma maneira por muito tempo. É a personagem de BD que eu acho mais provável que no tempo de meus hipotéticos netos ainda seja igual ao que é hoje. É como a Grande Muralha da China: Está há séculos da mesma maneira e continuará assim ainda por muito tempo!
Prezado pard Pedro Bouça, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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27 de Janeiro de 2008
TEX de Alfonso Font em grande destaque no Diário As Beiras: 10 de Maio de 2003
Texto do jornal Diário "As Beiras" de 10 de Maio de 2003
João Miguel Lameiras
O Tex de Alfonso Font
Para além das tradicionais edições em pequeno formato, o regresso do catálogo da Editora Bonelli aos quiosques nacionais, pelas mãos da Mythos, permite aos leitores portugueses descobrirem os sempre interessantes “Texones”, edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, em que autores de renome tem a sua oportunidade de imprimir a sua marca pessoal ao mais popular cowboy da BD italiana, o ranger Tex Willer, em histórias de longo fôlego, com mais de 200 páginas.
Já por duas vezes objecto de referência nesta secção (ver Diário “As Beiras” de 11/3/1995 e 5/4/1996), a propósito dos Texones desenhados por José Ortiz e Victor De La Fuente, estas edições especiais de Tex valem sempre a pena, não só pela qualidade da arte e das histórias, mas também porque dão a conhecer uma faceta pouco habitual de autores que construíram toda uma carreira noutras paragens. E mais uma vez, “Os Assassinos”, este último número desenhado por Alfonso Font, não foge à regra.
Quarto espanhol a desenhar o ranger criado por Giovanni Bonelli e Aurelio Galleppinni, depois de Jordi Bernet e dos já citados Ortiz e De La Fuente, Alfonso Font é mais um grande autor do país vizinho, cuja obra não está suficientemente divulgada em Portugal, o que aumenta a importância desta edição da Mythos.
Nascido em Espanha em 1946, Font é um veterano da BD europeia, com uma sólida carreira construída sobretudo em Espanha e França. Uma carreira marcada pela versatilidade e pela eficácia, em que abordou os mais diversos géneros, da ficção centífica em “Clarke e Kubrik”, à aventura romântica em cenários exóticos, na linha de Conrad e Stevenson, no magnífico “John Rohner”; passando pelo policial e espionagem em “Taxi” e “Privado” e pelo romance histórico em “Bri d’Alban”.
Infelizmente, de toda esta vasta produção espalhada por revista como a “Cimoc”, “Circus”, “Pif- Gadget”, “Rambla” e “1984”, apenas chegaram a Portugal alguns episódios de “Taxi” e de “Histórias Negras”, publicados nas “Selecções BD” e o primeiro volume da série “Alise e os Argonautas”, uma transposição para um registo de ficção científica da lenda dos Argonautas, escrita por Patrick Cothias, e que a Meribérica, como aconteceu com muitas outras séries do seu catálogo, deixou incompleta.
Este “Os Assassinos”, significa um regresso às origens por parte de Alfonso Font, que começou a sua carreira desenhando histórias de cowboys para a revista “Hazanas del Oeste” e que depois deste “Texone” se tornaria, tal como já tinha sucedido antes com Victor de la Fuente e José Ortiz, um dos desenhadores regulares das aventuras do popular ranger. Mas falemos da história em si, em que o argumentista Mauro Boselli substitui (quanto a mim, com vantagens) Claudio Nizzi, o argumentista normalmente responsável por estas edições especiais do ranger Tex, conseguindo prender o leitor ao longo das mais de 200 páginas de uma complexa história de vingança, que em alguns momentos (como a cena que escolhi para ilustrar este texto) me trouxe à memória “Aconteceu no Oeste” o filme clássico de Sérgio Leone, o mestre do “Western spaguetti”, que é uma referência recorrente na série.
Outro aspecto interessante no trabalho de Boselli, muito bem servido pelo dinamismo e eficácias habituais de Font, é o facto de evitar maniqueísmos excessivos no tratamento dos personagens, com destaque para o vingador Mitch, ou para a “femme fatalle” Lisa, que se revelaram bastante mais interessantes do que o próprio Tex e os seus habituais companheiros de aventura.
Tendo em conta o preço bastante acessível e a quantidade de extras (entrevista com Alfonso Font e um interessante texto de enquadramento histórico de Renato Genovese), aliados à qualidade da história, esta é uma edição a não perder, até porque tem o interesse suplementar de permitir conhecer um pouco melhor o imenso talento de Alfonso Font.
(“Tex Gigante nº 7: Os Assassinos”, de Mauro Boselli e Alfonso Font, Mythos Editora, 242 pags, 4,50 €)
Copyright: © 2003 Diário "As Beiras"; João Miguel Lameiras
(Para aproveitar a extensão completa da imagens acima, clique nas mesmas)
26 de Janeiro de 2008
Balanço TEXiano 2007
O ano de 2007 foi um ano de transição, um ano onde acima de tudo começaram a notar-se algumas das mudanças que se perspectivam para 2008. Mudanças no staff de autores, com a chegada de novos desenhadores como Pasquale Del Vecchio, Dante Erasmo Spada, Corrado Mastantuono e Garcia Seijas, se bem que nem todos fiquem no staff, mas também a estreia de Tito Faraci como argumentista, o que vem trazer nova dinâmica à série e criar naturais expectativas para os próximos tempos.
Foi também um ano caracterizado pela mudança numa certa filosofia reinante na Sergio Bonelli Editore que, com a chegada da Collezione Storica a Colori, acaba por deixar o exclusivo do preto e branco como imagem de marca da casa, patrocinando a publicação das primeiras aventuras da série em versão colorida, no que acabou por ser um êxito, cimentado na edição de mais 34 números relativamente aos 50 inicialmente anunciados.
Mas foi também um ano doloroso e triste porque assistiu à morte de dois desenhadores aplaudidos a nível mundial, Manfred Sommer e Carlo Rafaelle Marcello. O espanhol regressara à banda desenhada expressamente convidado por Sergio Bonelli para desenhar Tex, enquanto que o italiano, apesar de já se encontrar afastado das páginas texianas desde há algum tempo, continuava a ser recordado por, em conjunto com Mauro Boselli, ter sido o autor de grandes aventuras do ranger.
Ainda falando de desenhadores, merece especial realce o facto de Fernando Fusco ter desenhado mais uma aventura, mesmo depois de ter anunciado a sua retirada, continuando afinal como um dos desenhadores da série, apesar de aceitar apenas trabalhar em argumentos menos extensos.
2007 foi ainda um anno horribilis para Claudio Nizzi, que continuou a escrever a maior parte das aventuras de Tex, denotando sempre pouca motivação, algum cansaço e sobretudo quase nenhuma imaginação.
Finalmente, o facto de que ainda não foi este ano que assistimos a uma nova aventura desenhada pelo magnífico Claudio Villa, apesar do deleite que cada capa deste extraordinário artista nos oferece, e também a ausência dos irmãos Cestaro, uma grande dupla de desenhadores que começam a criar saudades nos apaixonados.
As Aventuras
La Banda dei Trei escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, conta a história de Elmer Daves um xerife que, chegado à reforma, resolve ir em busca dos assassinos da sua mulher, morta 15 anos antes durante um assalto a um banco. A ideia de Claudio Nizzi foi boa, ao colocar lado a lado Tex com Daves, dois homens que sofreram a mesma experiência dramática, o assassinato da sua mulher, mas acabou por fracassar na pouca credibilidade dos factos apresentados. Realce para o desenho limpo, elegante e perfeito de Civitelli, um autor que esteve por terras lusas, como convidado do Festival de Banda Desenhada de Moura onde espalhou simpatia e granjeou ainda mais adeptos. Uma nota para o facto de Civitelli estar a ultimar a aventura que comemorará o nº 600 da edição italiana.
Morte Nella Nebia escrita por Mauro Boselli e desenhada por Alfonso Font, pode ser considerada a melhor história de 2007. Sem estar ao mesmo nível de grandes aventuras como O Passado de Kit Carson ou Os Invencíveis, ainda assim uma aventura de grande qualidade que marca o reencontro de Kit Willer com o seu amigo Bronco Lane (Os Sete Assassinos). Uma aventura onde mais uma vez Boselli confere especial protagonismo ao jovem Kit Willer.
Apesar de não ser a primeira aventura escrita para Tex, Evasione, com desenho de José Ortiz, marcou a estreia de Tito Faraci junto dos leitores, isto porque os irmãos Cestaro ainda estão a desenhar o seu primeiro argumento, perspectivando-se a sua publicação durante 2008. Sem revolucionar, Faraci escreveu mesmo assim um argumento pleno de dinamismo e ritmo, que leva Tex até uma prisão mexicana com o objectivo de conseguir a fuga de um fora da lei e trocar este por Carson que se encontra cativo dos seus cúmplices. É uma aventura que pode marcar uma viragem na série, porque o Tex de Faraci mostrou ser actuante e empreendedor, inteligente e imaginativo, em contraponto ao que Nizzi vem fazendo com a personagem.
Moctezuma é o canto do cisne de Nizzi, uma aventura quase completamente falhada e seguramente a menos conseguida do ano. Tal como na aventura de Faraci, Tex vai até ao México, onde acabará por resgatar uma jovem cativa de um senhor local. Um argumento simples, mas que Nizzi não consegue dar o dinamismo de Faraci ou a espessura de Boselli, primando pela superficialidade e alguns erros infantis. Apesar da idade, Fusco não acusa em demasia o peso dos anos, conseguindo expandir bem as suas qualidades de paisagista.
Soldi Sporchi marca a estreia de Pasquale Del Vecchio numa aventura de Tex, onde o seu desenho acaba por ser a melhor parte de mais uma aventura pouco conseguida de Claudio Nizzi. Uma patrulha do exército que transporta o pagamento dos militares é atacada, tudo levando a crer por índios yaquis. Tex e Carson após investigarem concluem que afinal os brancos podem estar por detrás de tudo. Del Vecchio já trabalhara para a Sergio Bonelli Editore, desenhando aventuras de Nick Raider e Napoleone, mas também para o exigente mercado franco-belga onde desenha a série Russel Chase. Um desenho clássico, elegante e claro que apenas terá que melhorar na sua composição do ranger.
Erasmo Dante Spada estreou-se em Spedizione in Messico, mais uma aventura interessante de Mauro Boselli e que leva Tex e os pards novamente até ao México, onde a pedido do exército norte-americano pretende trazer de volta o chefe coyotero Calvado, fugido há meses da sua reserva. Uma aventura onde o perigo e a suspeita espreitam em cada página e que testemunha um trabalho de grande nível de Spada, com um desenho muito expressivo e paisagens fantásticas. Mas a sua integração no staff não é certa, uma vez que o autor acaba de regressar a Martyn Mystère.
A série normal terminou com La Sentinella, que narra a descoberta por parte de Tex e Carson de um oficial sulista que vive há anos como um eremita numa caverna e que acredita que a Guerra da Secessão ainda não terminou. Uma aventura onde se pode optar por duas leituras. Se for um daqueles críticos acérrimos de Nizzi, trata-se de mais uma prova cabal da falta de dinamismo e motivação do autor, cometendo ingenuidades e incoerências. Se conseguir ultrapassar isso, o leitor descobrirá na aventura uma visão do sul do pós guerra da Secessão, de uma época de reconstrução e de regresso à civilização, de uma época onde, apesar do final da escravatura, o negro ainda não era aceite socialmente. Uma aventura onde o argentino Miguel Angel Repetto assina eventualmente o seu melhor trabalho em Tex.
O Almanacco Del West testemunhou, junto dos leitores, a estreia de Garcia Seijas em Tex. Tal como com Faraci, se bem que por motivos diferentes, Polizia Apache não é a primeira aventura desenhada pelo excelente artista argentino, uma vez que o seu primeiro trabalho para Tex ainda aguarda publicação num Albo Speciale (Tex Gigante). Polizia Apache é escrita por Mauro Boselli e debruça-se num tema, baseado em factos reais e sempre presente em Tex, índios confinados em reservas que não aceitam a autoridade que lhes é imposta. Graficamente, o trabalho de Garcia Seijas não merece reparos, muito pelo contrário, ele é merecedor dos mais rasgados elogios, apesar do seu Tex não recolher eventualmente a unanimidade no modelo do autor.
Em matéria de estreias, o Speciale trouxe mais uma, a do romano e versátil Corrado Mastantuono, sobejamente conhecido no mercado italiano e franco-belga. Il Profeta Hualpai conta a história de Manitary, um profeta que, após uma visão, sente-se investido a dar seguimento à sagrada missão de reunir as tribos índias debaixo de um só comando, com o objectivo de expulsarem os brancos das suas terras. Escrita por Claudio Nizzi, é uma aventura interessante no tema focado, mas sem criar grandes emoções. Mastantuono tem uma representação gráfica perfeita dos pards e o seu Tex vai melhorando com o decorrer da aventura. O autor imprime sempre um desenvolvimento dinâmico à aventura realizando planos de conjunto soberbos.
Por fim, o Maxi Tex com a aventura Fort Sahara, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Roberto Diso. A aventura consegue fazer bem a ponte entre realidade histórica e ficção quando a Legião Estrangeira prestou auxílio ao imperador mexicano Benito Juarez entre 1864 e 1867, reflecte timidamente sobre a disciplina militar, mas traz os defeitos habituais em Nizzi. Pelo lado do desenho, as coisas também não foram melhores, porque Roberto Diso, não discutindo as suas qualidades, não tem um estilo ou um traço que permita criar um verdadeiro ambiente texiano.
Os Desenhadores
Um ano, como já afirmado, marcado pela estreia de novos autores em Tex, por força do desaparecimento de alguns artistas, mas também pelo ritmo que as novas aventuras vêm impondo. Pasquale Del Vecchio, Erasmo Dante Spada, Corrado Mastantuono e Garcia Seijas, cada qual a seu modo, deu o melhor de si e isso foi notório, porque os seus trabalhos merecem nota positiva. Mas cresce a dúvida em saber quem afinal continuará na equipa, porque para já Erasmo Dante Spada parece ter saído para Martin Mystère e o seu trabalho em Tex foi muito bom. Del Vecchio está novamente a desenhar para o mercado francófono, enquanto que tudo leva a crer que Mastantuono e Seijas continuarão.
Boas provas de Civitelli, que sempre nos habituou a excelentes trabalhos, Repetto com o seu melhor trabalho na série, o espanhol Font que sobe sempre a sua fasquia de qualidade, são aspectos positivos a realçar, não esquecendo que, apesar da idade, Fusco não desaprendeu (talvez o estilo já seja algo datado) e que outro espanhol, José Ortiz, continua em bom nível, mas quer-nos parecer que o seu ritmo elevado de trabalho acaba por influenciar negativamente o resultado final. Apenas Diso parece sobressair pela negativa na qualidade global.
Uma palavra para o trabalho ao nível das capas por parte de Claudio Villa. Qual delas a melhor? Em face de excelentes trabalhos, torna-se difícil escolher uma, todas elas são um regalo que importa apreciar ao pormenor. Moctezuma e Uccidete Kit Willer têm grande impacto, Spedizione in Messico impõe-se pela figura texiana, Morte Nella Nebia deixa uma sensação fria, Evasione cativa, enfim, estamos em presença de um notável desenhador e nunca é demais realçá-lo.
Os Argumentistas
2007 acentuou o declínio de Claudio Nizzi. Aquele que ainda é considerado como o verdadeiro herdeiro de G. L. Bonelli acusou erros e ingenuidades em demasia, alicerçados em argumentos sem alma e incapazes de cativar verdadeiramente, demonstrando que quantidade não é sinónimo de qualidade. Escreveu mais de mil páginas, Boselli cerca de metade, enquanto Faraci ficou-se por pouco mais de duzentas. 2007 evidenciou que Nizzi atingiu os limites da sua veia inspiradora, deu tudo o que de melhor tinha à personagem durante tantos anos, mas chegou a hora de uma desejável retirada, pelo simples motivo que pouco mais trará à personagem. O Tex nizziano foi-se arrastando ao longo do ano em aventuras que primaram pela superficialidade, apesar de alguns aspectos interessantes, referidos ao longo deste artigo, reiterando a ideia que o autor acusa cansaço e não dá provas de poder inverter o rumo.
Pelo contrário, Mauro Boselli afirma-se como um criador de histórias com muito maior interesse e espessura, tendo já dado provas que pode ser o autor capaz de renovar o mito e trazer novos rumos à série. Em 2007 Boselli não assinou uma obra-prima, mas escreveu duas boas aventuras, Morte Nella Nebia e Spedizione in Messico, duas histórias onde as qualidades do autor estão bem presentes. Qualidades que passam muito por uma notável construção das personagens, alterando os códigos narrativos nizzianos. Gradualmente, Boselli vai assumindo o papel de principal argumentista o que é uma boa notícia para 2008, criando acrescidas expectativas nestes tempos de mudança.
Tito Faracci deixou uma boa impressão com Evasione. Já dissemos que não veio, para já, revolucionar nada, mas deixa antever algo de diferente para mais tarde. Para já o autor não entrou a querer mudar, quis sim ser honesto com os leitores e com os fãs, por isso foi buscar alguns dos atributos do Tex bonelliano e escrever uma história simples, mas capaz de atrair pela dinâmica, pela movimentação e por esse facto já apontado de trazer um Tex como nos habituámos a apreciar.
Um ponto parece ter sido comum nos três: nenhum trouxe uma aventura sobre a temática do fantástico ou passada em ambientes exóticos. Neste ponto em concreto de ambiente e temas, Morte Nella Nebia e La Sentinella fogem um pouco do lugar comum, a primeira pelos ambientes a segunda pela visão que traz do pós-Guerra da Secessão.
Veremos o que nos reserva 2008, com a gradual e anunciada retirada de Nizzi, a afirmação crescente de Boselli, a continuidade de Faraci, sem esquecer Pasquale Ruju que, depois de Demian, regressa a Tex com a aventura do Almanaque, Manfredi, Segura e o próprio Guido Nolitta (aliás Sergio Bonelli) que com Boselli e Ticci (no desenho), cria naturais expectativas para uma aventura a três a publicar já em Março.
Se em 2007 a Collezione Storica a Colori marcou a revolução da cor nas aventuras de Tex Willer, de acordo com as palavras do próprio Sergio Bonelli, 2008 poderá ser o ano da evolução e de algumas mudanças. As expectativas são grandes!
Texto de Mário João Marques
25 de Janeiro de 2008
Tex Willer por G. G. Carsan
24 de Janeiro de 2008
Póster Tex Nuova Ristampa 73

Desenho nocturno realizado por Claudio Villa, onde vemos Tex Willer após um "banho" em pleno Rio Pecos, entrando furtivamente no navio Isabel, aproveitando um momento em que a tripulação estava ocupada, descarregando lenha no porão do navio que tranportava ilegalmente rifles Spencer.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #58 e inspirado na história, "La legge di Roy Bean" de G. L. Bonelli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #117 a #120).
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Texto de José Carlos Francisco
23 de Janeiro de 2008
Entrevista exclusiva: CLAUDIO VILLA
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Carlos Rico e Mário João Marques na formulação das perguntas e de Gianni Petino e Paulo Guanaes na tradução e revisão.
Claudio, que lugar teve a Banda Desenhada, especialmente a BD "Bonelli" na sua infância?
Claudio Villa: Muito importante: quando eu era criança, meu pai, como grande aficionado, trazia muitas revistas de banda desenhada para casa: Tex, Zagor, Batman, Super-Homem... uma colecção que na Itália se chamava I classici dell’Audacia e continha as histórias de Michel Vaillant, Ric Roland, e o melhor da banda desenhada europeia da época.
No início, eu senti-me atraído por Zagor e por seu traje de super-herói. A história da qual mais gostei foi O Rei das Águias (Zagor 30 - Editora Vecchi), junto com a de Moloch (desenhada por aquele que se viria a tornar o meu mestre: Franco Bignotti). Mais tarde descobri Tex e o seu mundo, e também os super-heróis americanos (um Batman ainda com o traje vermelho e um Super-Homem que se chamava Nembo Kid, sem a letra esse no peito).*
* Quando o Super-Homem foi publicado pela primeira vez na Itália, em 1939, foi baptizado de Ciclone. E assim ficou até 1954, quando mudou de editora e passou a ser conhecido como Nembo Kid. Só em 1971 é que a personagem foi denominada como na origem: Superman. Até essa data, o Super-Homem italiano usava o emblema do uniforme alterado, sem o "S" e todo amarelo.
Como chegou a desenhador de BD? Por vocação ou por acaso?
Claudio Villa: Nada acontece por acaso...
Ao olhar para trás, vejo a “estrada” com as incríveis “encruzilhadas” que me trouxeram até aqui. De minha parte, esforcei-me muito para fazer a coisa certa e responder à responsabilidade e ao dom que Deus me deu.
Quais são as suas influências?
Claudio Villa: Muitas: Curt Swan (Super-Homem), Neal Adams (Batman) Galep, Ferri, Ticci, Bignotti, Diso, Civitelli... continuo a "olhar as figuras", como as crianças, e sempre me sinto fascinado por um “belo desenho”.
Actualmente, acompanho o trabalho de Alex Ross e encontro novos estímulos.
Quais são as suas fontes? Dedica muito do seu tempo a documentar-se?
Claudio Villa: São múltiplas: desde os filmes às bandas desenhadas de faroeste, que uso para a documentação dos ambientes. Quanto aos cavalos, “saqueei” quiosques em busca de revistas adequadas e acabei reunindo um arquivo importante.
Leva tempo, é verdade, mas o arquivo e o conhecimento são duas coisas importantíssimas para o meu trabalho.
Como foi o seu encontro com Tex e o que é que ele representa para si?
Claudio Villa: Como leitor, por volta dos 13/14 anos, fiquei fascinado com a história "Sulle piste del nord" (no Brasil: Flechas Pretas Assassinas - Tex 50 a 52, Editora Vecchi), que ainda hoje releio com prazer, como se fosse a primeira vez. Foi ali que conheci o verdadeiro Tex: determinado, com valores sólidos no coração, cercado por parceiros que dariam a vida um pelo outro e que não se detêm diante de nada. Uma companhia de heróis.
Hoje, Tex representa o mito.
O que representa para si, ser o desenhador oficial das capas de Tex, mais a mais substituindo o seu criador gráfico Galleppini?
Claudio Villa: Uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade.
Em relação a quem trabalhou antes de mim e em relação aos leitores que têm o direito de “reconhecer” o “seu” Tex nas bancas...
Pode-nos dizer como é todo o processo de criação de uma capa de Tex. Que critérios são utilizados para escolher o desenho de uma capa? Quem escolhe a cena que serve de capa? Há algum cuidado em escolher uma cena importante ou que represente o climax da história ou, pelo contrário, escolhe-se outra cena qualquer de modo a não revelar ao leitor o final da história?
Claudio Villa: Tudo nasce na editora, onde Sergio Bonelli examina pessoalmente a história em questão. Procura uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas, elabora um esboço veloz que me é enviado por fax, junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três).
A partir daí, começo a trabalhar, preparando a cena “de capa”.
Em síntese, é preciso cuidar do enquadramento, da luz e do movimento das personagens: a capa deve contar sem revelar, deve ser legível e imediata, deve interessar e ser suficientemente dinâmica.
Às vezes, falta uma cena significativa e então ela é “construída” com os elementos extraídos da história.
Quantas maquetes faz, em média, para o desenho de uma capa? E quanto tempo leva em média a fazer uma capa de Tex?
Claudio Villa: Depende da dificuldade da cena. Algumas vezes, para conseguir o melhor, cheguei a seis, sete esboços. É incrível de quantas maneiras se pode contar, em igualdade de situação, uma cena. E cada vez descobrir uma “temperatura” diferente, só deslocando o ponto de vista, a luz ou a disposição das personagens.
Se houver necessidade de alguma modificação depois de concluída, como é que a editora procede?
Claudio Villa: Avisa-me e o trabalho é executado pelos competentes artistas gráficos internos.
É o responsável pela cor dos desenhos das capas ou esse trabalho é feito por outro artista?
Claudio Villa: Eu dou uma “indicação” de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa, pois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz...
De entre as inúmeras capas que já realizou para Tex, houve alguma que lhe tenha dado especial trabalho? Recorda-se de algum pormenor, alguma situação, algum personagem que tenha sido especialmente difícil de desenhar numa capa de Tex?
Claudio Villa: São todas difíceis, quanto mais não fosse pelo número de capas existentes e haver o risco contínuo de se assemelharem.
Não me recordo de particulares dificuldades, porque o grau de dificuldade é sempre bastante elevado...
Como está a ser a experiência de realizar capas de Tex para a “Collezione Storica a Colori”, já que é posta em prática uma técnica totalmente diferente daquela usada por si nas capas da série inédita e nos “pósteres” incluídos em Tex Nuova Ristampa? É que as capas recordam as primeiras vinhetas executadas por Galep nos anos cinquenta...
Claudio Villa: As capas lembram as primeiríssimas vinhetas executadas por Galep nos anos cinquenta.
A ideia era mesmo aquela: restituir a atmosfera de Galep daqueles anos, respeitando “o olho” de 2007. Não foi fácil, porque eu tinha de modificar o meu estilo e o tormento de não conseguir “agarrar” o “modo” de Galep era grande...
Está ciente que você é um dos melhores desenhadores de sempre da série e que os leitores guardam sempre grandes expectativas perante os seus trabalhos?
Claudio Villa: Bondade deles... eu sei apenas que a cada dia aguarda-me um trabalho novo para o mito de Tex.
Como se processa o seu relacionamento e o trabalho com os argumentistas que escreveram aventuras texianas para si?
Claudio Villa: Lentamente...
Os roteiros que recebe são em geral muito ou pouco detalhados no que diz respeito à arte??
Claudio Villa: Detalhados na medida certa, para deixar a imaginação trabalhar.
Qual foi para si o melhor trabalho para Tex? E o mais difícil?
Claudio Villa: Espero sempre que seja o próximo. O mais difícil? Mefisto.
Como é que lida com o constante assédio dos leitores a pedirem mais aventuras de Tex?
Claudio Villa: Armando o cão do colt.
Ainda vamos ver uma aventura de Tex também escrita por si?
Claudio Villa: Duvido...
O que nos pode dizer da história de Mauro Boselli que está a desenhar?
Claudio Villa: É belíssima.
Como é o seu processo de criação? Faz uma página completa e depois passa a outra? E que materiais utiliza?
Claudio Villa: Procuro fazer uma página completa, com lápis e acabamento. Os materiais são os clássicos: lápis, nanquim, pincel fino e caneta de ponta porosa...
De que modo é que o Claudio Villa consegue trazer novos leitores para Tex?
Claudio Villa: Não sei se consigo, mas procuro fazê-lo cuidando da “montra” de Tex: a capa.
No Brasil, "Tex Edição Histórica" sempre teve capas tuas, extraídas dos teus pósteres em Tex Nuova Ristampa, mas hoje em dia a Mythos Editora também os usa para a capa das séries "Grandes Clássicos do Tex", "Tex Férias" e "Tex Ouro", devido aos inúmeros elogios dos leitores. O que sente ao saber que a editora brasileira está a apostar forte nesses seus desenhos?
Claudio Villa: Enche-me de satisfação e preocupa-me pela responsabilidade...
Em Portugal tivemos em 2007 uma antestreia mundial de quinze novos desenhadores de Tex. Como vê esta entrada de tantos novos desenhadores para o staff de Tex? Será que isto pode marcar uma nova fase na vida da série?
Claudio Villa: É inevitável que aconteça. Espero que aconteça sempre, quer dizer que Tex terá continuidade...
O facto de Tex ser desenhado por vários autores (de estilos bem diferentes) é, na sua opinião, mais ou menos vantajoso para a série? E porquê?
Claudio Villa: É, sem dúvida, uma vantagem, mas Tex deve permanecer Tex.
Acha que também deverá haver entrada de novos argumentistas?
Claudio Villa: Já está ocorrendo.
Qual será o futuro de Tex?
Claudio Villa: Enquanto houver leitores, ele estará nos quiosques a esperá-los.
E qual o futuro de Claudio Villa?
Claudio Villa: Enquanto houver Tex...
Dentro da BD, os fumetti da SBE foram sempre o seu objectivo ou teria preferido fazer "BD de autor" como Pratt, Battaglia, Toppi ou Manara?
Claudio Villa: Gosto de desenhar e não vejo distinção entre BD de autor e não de autor. A diferença que vejo é entre uma história bem feita e uma história não bem feita. Procuro criar histórias que sejam bem feitas...
Pode nos contar como foi a sua recente experiência em desenhar os heróis da Marvel? Será uma experiência a repetir no futuro?
Claudio Villa: Foi como dar um mergulho em um outro oceano.
Belo e agradável, não muito longo e, quando voltei, estava mais motivado com Tex, embora eu nunca o tenha abandonado...
Não sei se haverá uma outra experiência...
Quais são as bandas desenhadas que lê actualmente ou com que mais se identifica?
Claudio Villa: Olho as figuras. E as que olho com mais prazer são as de Alex Ross.
Para além de banda desenhada, que tipo de livros lê? E a nível de cinema e de música, quais são as suas preferências?
Claudio Villa: Li e reli o livro de Zanardi (um piloto de corridas, campeão de Kart em 1997 e 1998) porque sou apaixonado por corridas... gosto um pouco de toda a música “tranquila”, da clássica aos cantores-autores italianos (Baglioni) e, quanto aos filmes, não tenho autor ou género preferido. Gostei muito de Matrix.
Claudio, em nome dos Texianos portugueses, muito obrigado pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Claudio Villa: Saúdo calorosamente os leitores portugueses!
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Fotografias de José Carlos Francisco e Omar "Stimeex"



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Continue desenhando que você prome
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