01 de Agosto de 2007
31 de Julho de 2007
Arte de Andrea Venturi
30 de Julho de 2007
TEX no Diário de Aveiro: 1 de Outubro de 2006
Texto do jornal Diário de Aveiro de 1 de Outubro de 2006
Ana Rita Gomes
* Célebre cowboy das histórias aos quadradinhos
Tex continua a despertar emoções
* Um dos maiores coleccionadores mundiais de revistas e outros objectos relacionados com Tex reside na Malaposta, Anadia, tendo já viajado até Itália onde tudo se processa para que o justiceiro do Oeste chegue a várias partes do mundo
Citado em várias edições, detentor de objectos raros e colaborador na única edição portuguesa, José Carlos Pereira Francisco é considerado um dos maiores coleccionadores mundiais de Tex, um justiceiro temido e respeitado por todo o Oeste.
Apesar de gostar de banda desenhada desde os cinco anos, a paixão pelo Tex nasceu em 1980, quando José Francisco tinha 13 anos. «Sempre lidei com banda desenhada, porque a minha mãe tinha uma papelaria, na época em que morei em Moçambique, onde nasci». A descoberta deste herói de banda desenhada surgiu por um mero acaso «quando vim para Portugal, estava a morar com os meus avós que entretanto se mudaram para uma quinta em Vila Nogueira de Azeitão. Na altura das mudanças, quando estávamos a arrumar o sótão, descobri uma caixa com dezenas de livros de banda desenhada» este foi o primeiro passo desta enorme paixão «no meio deles, estava uma edição do Tex, quando a li gostei bastante e fiquei fascinado».
Sendo um homem duro direccionado para um público mais maduro, este justiceiro decidido, capaz de agir fora da lei se a situação assim o exigir, fascina não só pela acção em que as suas aventuras se desenrolam, mas também «pelo conhecimento que as histórias trazem, o leitor fica inteirado da cultura dos índios, da vida dos pioneiros e de episódios marcantes e reais na história dos Estados Unidos», refere José Francisco «é uma personagem, criada na Itália, que tem como lema a lei, justiça, humanidade e amizade. No mundo de hoje tão cheio de injustiças, dá gosto ler esta banda desenhada, pois o Tex pode ser visto como companheiro, irmão e amigo».
Depois do fascínio após o primeiro contacto «comecei a descobrí-lo procurando números mais antigos em vários postos de venda», actualmente possui 2.000 objectos na sua colecção. «As revistas italianas já vão em 550 e as brasileiras em 450, o que totaliza 900 objectos. Depois tenho várias revistas de outros países onde o Tex foi editado, além de outros objectos de diferentes tipos (pins, bonecos, camisolas,...».
Sendo um dos maiores coleccionadores mundiais, José Francisco tem dois objectos de cariz especial. Uma caneta de nanquim autografada que Marcos Maldonado, escritor de Tex no Brasil, utilizou durante vários anos, e um póster onde se pode vislumbrar as 400 capas de Tex no Brasil (só existem oito no mundo inteiro).
Na sua imensa colecção existem dois objectos curiosos, um maço de cigarros «pirata» de Tex e o seu cardápio.
Toda a colecção é concebida através de objectos que José Francisco comprou, bem como com objectos adquiridos com a ajuda de amigos admiradores de Tex que tem espalhados por vários países. «Uma coisa que o Tex tem é a capacidade de quebrar fronteiras, criar pontes e grandes laços de amizade». A comunicação entre coleccionadores é feita, em grande parte, pela Internet e por telefone, «mas também há alguns amigos que já tinha antes do aparecimento da Internet com os quais ainda me comunico por carta».
Um sonho tornado realidade
Durante vários anos José Francisco apenas coleccionou a versão brasileira, visto que era a única que chegava até ao nosso país. Em 2001, quando conseguiu completar a colecção, escreveu para a editora brasileira a comunicar-lhes a aquisição de todos os números.
«No ano seguinte viajei até Itália, onde as colecções são feitas, e todos ficaram admirados com o facto de um português possuir a colecção completa. Nesta visita fiquei a conhecer Sergio Bonelli, o grande responsável por Tex, e quem faz as personagens, escreve e desenha as histórias» referiu.
Pontos altos da aventura de coleccionador
Devido à sua paixão e conhecimento desta personagem, José Francisco já foi convidado para escrever textos em alguns jornais, revistas e sites específicos sobre o Tex. Mas o que mais orgulha é «ter contribuído para a existência (por via de textos de apresentação da personagem e tradução) do único livro de Tex editado até hoje em Portugal, que circulou junto ao jornal Correio da Manhã, no domingo 14 de Agosto de 2005, integrado na colecção da Série Ouro, Os Clássicos da Banda Desenhada».
Herói de um tempo passado, este justiceiro continua presente no mundo da banda desenhada mostrando a cada novo número e a cada nova história, que o caminho certo a seguir é o bem, sempre do lado da lei e da justiça.
Copyright: © 2006 Diário de Aveiro; Ana Rita Gomes
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29 de Julho de 2007
Dampyr em Portugal
O BD Jornal, um jornal, ou melhor dizendo, uma revista sobre a Nona Arte editada em Portugal, dá no seu número 19, de Junho/Julho de 2007, um grande destaque a uma personagem da editora Bonelli, que teve uma aventura passada em Portugal: DAMPYR de seu nome!
O BDjornal surge agora em novo formato (275 x 205 mm) e com mais páginas (76) e em impressão digital – capa em cartolina de 200 grs. plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 grs. - agora com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas da especialidade, apostando decididamente em reforçar o número dos assinantes.
O preço de capa é de € 6,00 e a assinatura por 1 ano (6 números) é de € 30,00.
Por norma, o blogue português do Tex, é dedicado exclusivamente a TEX WILLER e ao seu mundo, mas sempre que uma personagem Bonelli, que não Tex, tiver algo de muito relevante e que diga respeito a Portugal, terá espaço no blogue do Tex, na rubrica dedicada a outras personagens Bonelli, acabada de criar para o efeito.
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Texto do BDJornal nº 19, de Junho/Julho - 2007
Por João Miguel Lameiras
DAMPYR EM PORTUGAL
Depois de, durante um ano, ter sido presença regular nas bancas portuguesas, por via das edições brasileiras da Editora Mythos, actualmente praticamente reduzidas às aventuras do cowboy Tex, Dampyr o caçador de vampiros criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo voltou a Portugal em Junho do ano passado, embora apenas os leitores italianos se tenham apercebido disso…
A verdade é que, desta vez, foi a personagem quem esteve em Portugal e não a revista que conta as suas aventuras. Tudo aconteceu no nº 75 da série mensal italiana, publicado em Junho de 2006, numa história chamada “Lo Sposo della Vampira”, em que Harlan Draka e o seu amigo Kujak vão até Trás os Montes, investigar a lenda do Castelo de Monforte da Estrela, que dizem estar assombrado por uma vampira.
Seja através do cinema, da literatura, ou da BD, a verdade é que a figura do vampiro está cada vez mais enraizada no imaginário da cultura de massas, tanto no Ocidente, como no Oriente. Um sucesso natural, a que não é alheia a grande carga erótica inerente ao conceito de um ser imortal, que suga a vida às suas presas. Um fascínio que tem sido devidamente aproveitado pelo cinema, mas também pela BD, que ao longo de décadas tem sabido reinventar esse arquétipo das mais variadas formas.
A série Dampyr insere-se claramente nessa tradição, mas a grande inovação de Mauro Boselli e Maurizio Colombo, dois argumentistas habituais da casa Bonelli e criadores de Dampyr, foi escolherem como cenário para a aparição do mal simbólico (os vampiros) um espaço martirizado pela guerra, onde o mal é bem real: as Balcãs. E é precisamente ao folclore da região que ao argumentistas foram buscar inspiração, pois de acordo com as lendas locais, o Dampyr é fruto da união de um vampiro com uma mulher mortal, sendo por isso alguém que está entre dois mundos e cujo sangue pode destruir os vampiros.
O herói involuntário desta série é Harlan Draka, um Dampyr que no início não tem consciência dos seus extraordinários poderes, nem sabe bem como usá-los, mas que acaba por descobrir que, embora tenha conseguido não se envolver na guerra que assola o seu país, não vai poder deixar de tomar partido na guerra contra os vampiros, como Gorka, o mais poderoso vampiro da região, contando como aliados com um militar, Kurjak, e com Tesla, uma vampira que se quer libertar da influência do seu senhor, Gorka.
Escrita por dois veteranos da casa Bonelli, que já assinaram argumentos para inúmeras outras séries da editora, “Dampyr”, apesar da originalidade da premissa inicial, apresenta as características habituais da “fábrica Bonelli”, que já nos habitou a história eficazes e bem contadas, mas algo presas a uma receita que não contempla grandes variantes. Neste caso, a luta sem tréguas de Harlan com os Mestres da Noite, não acaba com a morte de Gorka, ou de Vurdlak, o Mestre da Noite que o criou, mas prossegue por todo o mundo. Um périplo pelo sobrenatural que, a partir de Praga, leva o Dampyr pelos quatro cantos do mundo, em histórias que permitem aos seus autores reinterpretar à sua maneira as mais diversas lendas do fantástico, com Harlan a ter que enfrentar fantasmas, demónios, entidades lovecraftianas e anjos caídos, para além dos tradicionais vampiros, cujo extermínio se tornou o principal objectivo da sua vida.
E é assim que Harlan Draka se transforma num verdadeiro “globe trotter” do sobrenatural, percorrendo o mundo, de Praga à ex-Jugoslávia, de Paris a Berlim, de Veneza ao Japão, até chegar a Portugal, na história que motiva este texto.
Escrita pelo criador da série, Mauro Boselli e com (excelentes) desenhos de Alessandro Bocci, a história tem como ponto de partida um filme de terror de série B, que o realizador Roland Kirby decide filmar em Trás-os-Montes, a partir do romance Inês de las Sierras, um conto gótico escrito em 1838 por Charles Nodier, um escritor romântico francês. E se tanto Nodier como o romance que escreveu existiram realmente, a acção do conto de Charles Nodier tem lugar perto de Barcelona, no castelo de Ghismondo, o que justifica o apelido espanhol de Inês, não se percebendo muito bem porque Boselli mudou a acção da história da Catalunha para Trás os Montes …
De qualquer modo, Portugal, mais do que os cenários e os figurantes cede também um personagem secundário, com importância no desenrolar da história, que é o pastor Vitorino Rocha, que conduz Harlan até ao castelo e lhe salva a vida, ao alertar a protecção civil em relação ao incêndio (infelizmente tão típico do Verão português) que isolou o Castelo de Monforte.
E, se os autores mostram algum cuidado na descrição da aldeia fictícia de Riba Preta, ou no Castelo de Monforte da Estrela, já em termos históricos, a coisa falha, e muito, quando Mauro Boselli põe uma das personagens a dizer que o Castelo tinha a forma actual desde o reinado de D. Dinis, que o reconstruiu para manter os mouros longe. O problema é que Dom Dinis, que nasceu em 1261 e só se tornou Rei em 1279, nunca teve propriamente que se preocupar com os Mouros, que tinham abandonado o território português antes de ele nascer, em 1249, ano em que a conquista de Faro, Albufeira e Silves, por Dom Afonso III, pai de Dom Dinis, põe oficialmente fim à reconquista portuguesa, o que torna perfeitamente disparatada toda a intriga em torno do emir árabe que conquistou o castelo na Idade Média.
De qualquer modo, para o que é habitual em termos da representação de Portugal e dos portugueses na BD, até não nos podemos queixar muito, pois Bocci desenha de forma perfeita os cenários transmontanos e tanto os nomes portugueses como algumas expressões coloquiais aparecem correctamente escritos. Apesar desse rigor, habitual na casa Bonelli (basta ver a pesquisa que envolve uma série como Martin Mystére) Portugal aqui pouco mais faz do que ceder as suas paisagens para cenário de uma história que gira em torno do cinema, homenageando, de forma mais ou menos directa, os grandes clássicos do cinema de terror. Italiano e não só.
A cena inicial do livro, que acaba por se revelar como uma sequência de um filme de terror, na linha das produções da Hammer, ou das adaptações dos contos de Edgar Poe produzidos por Roger Corman, dá logo o tom, acentuado pelos diálogos. Roland Kirby, assume que pretende ser o Roger Corman do século XXI e transformar a sua actriz na reencarnação de Barbara Steele (a actriz de La Maschera del Demónio, um clássico do mestre do terror italiano, Mário Bava, que já tinha servido de base a uma aventura de Dylan Dog), enquanto que o actor Eddie Chapman evoca Dário Argento, para além de Corman e Bava.
Mas a maior citação cinéfila acontece na cena em que Lucy é fechada dentro de um caixão. Cena que não pode deixar de evocar a mais célebre sequência do filme La Paura de Lúcio Fulci, que Tarantino também homenageou no seu Kill Bill. E, prosseguindo com as metáforas cinematográficas, não é demais salientar o trabalho de Alessandro Bocci como director de fotografias deste filme de terror em papel, com o desenhador italiano, que desenhou o bárbaro Conan antes de entrar na escuderia Bonelli, a mostrar um traço clássico, de grande pormenor e legibilidade, muito bem servido por um excelente uso de tramas.
Infelizmente, com o fim da edição brasileira da Mythos, que acabou no nº 12, os leitores portugueses deixaram de poder acompanhar as aventuras de Harlan Draka. Assim, muito dificilmente poderemos ler em português esta aventura do Dampyr em passada em Portugal e saber algo mais sobre a ligação entre a maldição da família Kirby, o misterioso Emir cujo nome a História não fixou e a vampira que se esconde no Castelo de Monforte da Estrela.
Copyright: © 2007 BDJornal; João Miguel Lameiras
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28 de Julho de 2007
A Grande Intriga em Tex Edição Histórica
Por Dorival Vitor Lopes[1]
Amigos,
Li aqui no blog de Tex o que escreveu o leitor português Sergio Madeira Sousa, num belíssimo texto, intitulado "Ventos de Mudança"
(http://texwiller.blog.com/1961434/)
e creio que ele merece conhecer minha opinião sobre o assunto em pauta (Tex Edição Histórica).
Acho adorável a simplicidade do leitor que quer ver sua revista favorita sempre maior, melhor, com mais páginas, mais barata e que só esteja na banca quando ele tem dinheiro para comprá-la. É natural pensar e desejar que seja assim, pois sempre almejamos um mundo perfeito, à nossa idéia, imagem e semelhança.
Até o editor pensa assim, num primeiro momento, desejando que o leitor o acompanhe em suas "loucuras" editoriais e compre tudo o que ele publicar, a qualquer preço e sem restrições.
Mas a realidade não é essa. Ao mesmo tempo que o leitor deseja muitas coisas, e até "exija" que o editor o satisfaça, ele é o primeiro a abandonar o editor se achar o preço da revista exorbitante ou aquém de suas posses.
Publicar a história A Grande Intriga em uma única edição de 512 páginas seria a coisa mais natural a fazer. Mas o editor tem a obrigação de pensar no que é melhor para seu público, para a revista, para sua empresa e tomar decisões equilibradas.
Como editor eu vejo três boas razões para não publicar essa história de uma única vez. A lombada teria 2,5 cm de altura e seria difícil para a gráfica colar tantas páginas juntas. Muitas páginas poderiam se soltar durante o manuseio da revista pelo leitor. Além disso, acho desconfortável ler uma revista muito grossa; ela não se abre direito e dificulta ver o que tem perto da lombada. Outro fator importante é o preço: essa revista custaria quase R$ 30,00, o que a colocaria fora do alcance de uma parte considerável de nossos leitores.
Por essas razões peço encarecidamente a compreensão de nossos queridos leitores - parceiros da Mythos e razão de nossa existência -, mas essa história terá que ser publicada em duas edições - Tex Edição Histórica nr. 73 e 74 - cada uma com uma linda capa inédita de Claudio Villa e interessantes matérias de Júlio Schneider. Cada uma terá 256 páginas, ficando assim mais acessível ao bolso de nosso público, mais fácil de manusear e mais gostosa de ler.
Um abraço a todos,
Dorival Vitor Lopes
[1]Editor de Tex Brasil/Portugal
27 de Julho de 2007
VENTOS DE MUDANÇA
Para quem se deslocou a Moura, ao festival da BD realizado em Maio último, facilmente se apercebeu que a grande estrela do festival, foi sem dúvida Tex Willer, personagem da BD italiana, também conhecida por fumetti, criada no já longínquo ano de 1948, por GianLuigi Bonelli e Aurelio Galeppini.
A parte dedicada a este herói da BD, ocupava cerca de metade da área de toda a exposição e estava claramente dividida em três secções:
- Tex de Civitelli; exposição de várias pranchas deste grande desenhador italiano, para muitos leitores considerado um dos melhores desenhadores do Ranger.
- Tex de José Carlos Francisco; exposição de parte da colecção deste coleccionador, colecção de todo o tipo de artigos dedicados a esta personagem, que engloba essencialmente livros e revistas de praticamente todos os países onde é, ou foi publicado. Colecção absolutamente fantástica, que desperta nos coleccionadores de BD um misto algo contraditório de sentimentos:
Admiração – Qualquer coleccionador pretende adquirir o máximo de artigos do que colecciona e se possível completar a sua colecção. O José tem sem dúvida, uma colecção digna de ser alvo de admiração, de tão espantosa que é.
Frustração – Por muita dedicação e esforço que empenhemos para conseguirmos uma colecção deste calibre, é quase impossível igualá-la, uma vez que o seu proprietário não pára de acumular artigos que a engrandecem a cada dia que passa. Parabéns José Carlos, pela colecção, pelo esforço, pela dedicação e por tudo o que tem feito em prol desta personagem que tanto admiramos.
- Os novos desenhadores de Tex; exposição de pranchas ainda por publicar, dos quinze novos desenhadores de Tex. Nesta parte estavam expostas pranchas de cada um dos novos elementos, que começarão a abrilhantar as páginas das várias revistas dedicadas à personagem.
Quando soube desta entrada massiva de desenhadores para o staff de Tex, fiquei intrigado. Porquê?
Não pela entrada de novos artistas do pincel, mas sim pelo seu exagerado número. Quais serão os motivos que levarão Sergio Bonelli a tomar esta opção? Nunca colocando a opção em causa, apenas pretendo perceber os motivos.
Nolitta já provou ao longo de todos estes anos de vida editorial, que é um excelente editor, apesar de ser sem sombra de dúvida, melhor a escrever histórias de BD. É pena não existir outra Tea Bonelli, para que à semelhança do que aconteceu com o seu pai, se dedicasse exclusivamente aos argumentos e roteiros de BD, onde é inigualável.
Apesar de ter escrito muito poucas histórias de Tex, em comparação com o seu pai ou com Claudio Nizzi, consegue colocar muitas delas na selecção de melhores histórias de qualquer leitor. Recomendo a leitura ou releitura de: Missão em Great Falls (Tex 131-134)[2]; O Solitário do Oeste (Tex 163-165)[2]; A Patrulha Perdida (Tex 177-179)[2]; A Grande Ameaça (Tex 182-183)[2] e O Assassino Sem Rosto (Tex 193-195)[2], só para mencionar algumas.
Em Zagor, explorou como nenhum outro a personagem Chico, ao ponto deste rivalizar com o protagonista da série e devido à popularidade adquirida ter ganho inclusive uma revista própria. Com Nolitta, as histórias são muito movimentadas, repletas de acção e aventura, sem nunca descurar outros ingredientes como o humor.
Como já referi, Nolitta dava grande importância ao Chico, ao ponto de inserir pequenas histórias, que por vezes não tinham qualquer ligação à trama principal e que ocupavam quarenta ou cinquenta hilariantes páginas.
Para os leitores mais recentes de Zagor, que não conseguem perceber o porquê de Chico ter tantos admiradores, sugiro que leiam a colecção Zagor publicada pela RGE e Globo. Ao todo são 38 revistas, com excepção da nº1 (escrita por Tiziano Sclavi), e dos números 27, 28 e 29 (Alfredo Castelli), todas são escritas por Nolitta. Esta colecção apresenta várias histórias que marcaram a vida da personagem, como as primeiras aparições do SuperMike, Kandrax e Winter Snake. Aparecem também histórias com o Helligen e o Vampiro, além de estarem presentes quase todos os amigos de Zagor, enfim, uma colecção “curta”, mas muito atractiva em termos de conteúdo.
Outra das características que muito aprecio nas histórias de Nolitta, é a carga de suspense que consegue introduzir nas suas histórias, existe suspense até ao desenlace final, o que Nizzi muito raramente consegue, nas muitíssimas histórias que já escreveu para Tex.
Voltando ao assunto que me levou a escrever: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Se acrescentarmos a entrada de Mario Milano nos finais de 2006, somam dezasseis novas entradas, o que significa uma autêntica revolução na personagem italiana. Podemos então concluir sem margem para erros, que Tex está para entrar numa nova fase, em meu entendimento, na 5ª fase da sua história.
1ª Fase – De Setembro de 1948 a Junho de 1966
As histórias eram escritas por G.L. Bonelli e desenhadas quase em exclusivo por Galep. Devido ao enorme sucesso da série, o que levou ao aumento do número de páginas publicadas mensalmente, Galep começou a ser auxiliado por outros desenhadores, (Virgilio Muzzi, Francesco Gamba, Guido Zamperoni, Lino Jeva e Mario Uggeri), que se limitavam a desenhar algumas pranchas por história. Pranchas essas, que por vezes eram retocadas ou arte finalizadas pelo mestre Galep.
2ª Fase – De Junho de 1966 a Janeiro de 1976
O que marca o início desta fase, é a primeira história totalmente desenhada por outro desenhador que não Galep. Em Junho de 1966, o Tex italiano nº 68, marca a estreia de Guglielmo Letteri como desenhador oficial da saga. A partir desse numero, Galep começou a alternar com outro desenhador a responsabilidade dos desenhos em histórias completas, alternando assim o trabalho, primeiro com Letteri, que a seguir a Galep é o desenhador que mais histórias têm desenhadas do Ranger e mais tarde com Erio Nicolò, Giovanni Ticci, Ferdinando Fusco e também Muzzi, que teve finalmente a oportunidade de desenhar histórias completas e não pranchas, como tinha acontecido na fase anterior. Fase de boa qualidade, quer a nível de desenhos quer de argumentos, que continuavam a ser alvos da genialidade do criador, GL Bonelli. Fase onde foram criadas algumas das melhores histórias de Tex, saliento as seguintes histórias publicadas na edição brasileira:
Forte Defiance (Tex 42-45), Entre Duas Bandeiras (Tex 53-55), A Cruz Trágica (Tex 50-52) e A grande Intriga (Tex 107-110), entre muitas outras histórias igualmente dignas de registo. Quanto a esta última, que a editora Mythos se prepara para publicar na próxima edição de Tex Edição Histórica, vai tornar-se um “marco” histórico para esta colecção e para a editora, se a publicar completa numa única edição. Uma das premissas de Tex Ed. Histórica, era publicar todas as histórias por ordem cronológica, o que rapidamente foi alterado devido à grande disparidade de páginas que cada história comporta, assim, agrupam-se pequenas histórias para que a revista tenha sempre um número elevado de páginas. A colecção também previa publicar unicamente histórias completas, o que foi conseguido até hoje. Mas então o que fazer a uma história que ultrapassa as quinhentas páginas? Apenas a editora Record teve a coragem de publicar uma revista de BD com esta dimensão, (Zagor Nº6, O Raio da Morte), mesmo assim esta história “só” tinha 436 páginas, ainda muito distante das quinhentas agora exigidas. Espero que a Mythos tenha essa coragem e resista à tentação de publicá-la em 2 partes. Se não o fizer, nas próximas histórias colocará sempre essa hipótese, acabando por banalizar esse facto e a colecção.
3ª Fase – De Janeiro de 1976 a Julho 1983
O Tex italiano nº183 apresenta a 1ª história de Guido Nolitta, essa história à semelhança da 1ª de Letteri também marca a entrada de uma nova fase. As histórias passam a ser escritas por pai e filho, com maior intensidade pelo criador. Fase muito semelhante à anterior, o nível das histórias é extremamente elevado, o naipe de desenhadores que se manteve da fase anterior era excelente e foi reforçado por Vicenzo Monti em 1982, já no final desta fase. Devido ao cunho muito pessoal e característico de cada um deles, qualquer leitor de Tex, folheava a revista em qualquer ponto e identificava automaticamente o desenhador. Apesar de não ser grande apreciador da arte de Fusco, talvez por ser um desenho muito detalhado que não brilha no formato em que é publicado no Brasil, (a prancha original têm um formato superior a A4, sendo muito reduzido para publicação), considero que a 2ª e 3ª fases são as melhores fases de Tex, G.L. Bonelli estava no auge das suas potencialidades de escritor e Nolitta engrandeceu esta fase com algumas das melhores histórias como já mencionei. Além das histórias escritas por Nolitta que já referi, destaco ainda as escritas por GL Bonelli: Trapper (121-124)[2], A Águia e o Relâmpago (136-138)[2] e Jogo Aberto (147-149)[2]
Recomendo aos leitores mais jovens a leitura destas duas fases; podem acompanhar as histórias em Tex colecção, (a partir do nº 96), ou Tex Edição Histórica, (a partir do nº 36).
4ª Fase – De Julho 1983 a Fevereiro a de 2007
A entrada de Nizzi em Julho de 1983 faz com que se abra uma nova e incaracterística fase da personagem, muitos não concordarão comigo e provavelmente fariam subdivisões desta fase, no entanto, apesar de se terem passado muitos acontecimentos importantes ligados a Tex e aos seus criadores, não considero nenhum facto marcante que justifique essa mesma divisão, senão vejamos:
- GL Bonelli escreveu a sua última história em 1991, (Tex 364)[3] , tinham entrado para a série os seguintes desenhadores: Fabio Civitelli em 1985, Jesus Blasco e Claudio Villa em 1986, Rafaelle della Monica e Alberto Giolitti em 1989 e Raffaele Carlo Marcello no ano de 1991. Estas entradas como podem observar foram espaçadas no tempo, como tal, não provocaram nenhuma instabilidade. O próprio abandono de um dos criadores, foi feito de uma forma gradual, Bonelli escreve esta história para se despedir oficialmente de Tex, uma vez que ele já não escrevia nenhuma história desde 1989, (Tex 340)[3] e o principal responsável pelos argumentos já era o Claudio Nizzi, que nos primeiros anos seguia de uma forma metódica, a fórmula de Bonelli na elaboração das histórias.
-
O Falecimento de Galep em 1994. É verdade que o Ranger ficou “órfão” de pais a partir do Tex nº 401[3], no entanto, Galep apesar de ainda ter um belíssimo traço, como ficou provado em Tex nº 400[3], meses antes da sua morte, já desenhava muito poucas histórias, (a anterior, Tex 377[3], quase dois anos antes); Pelo que a sua ausência na série só foi mais notada, porque todas as capas tinham sido de sua autoria até essa data.
Entre 1991 e 1994 entraram os seguintes desenhadores: Victor de la Fuente em 1992 e José Ortiz em 1993.
-A primeira história escrita por Boselli, Tex 407[3] em Setembro de 1994, para mim não marca o início de uma nova era, apesar de a partir desta história, os argumentos da série principal terem passado a ser escritos quase exclusivamente pela dupla Boselli/Nizzi. Não podemos esquecer que além de Boselli, tanto Michele Medda como Decio Canzio, foram testados como alternativa a Nizzi, tendo a opção recaído sobre Boselli. Mais um desenhador que entrou para o “staff”, após passar o teste no Texone, foi ele Aldo Capitanio em 1995. Andrea Venturi por sua vez, aparece pela primeira vez em 1996, no Almanacco del West desse ano.
-Em 1997, na colecção MaxiTex surge um novo argumentista; António Segura, que apesar de só ter visto publicadas as suas histórias nesta colecção, veio juntar-se à dupla oficial de escritores de Tex.
- Entre 1997 e 2007 muitos outros artistas da 9ª arte juntaram-se à prestigiada personagem, artistas como Alfonso Font em 1998, Miguel Angel Repetto em 1999, Bruno Brindisi em 2002, Manfred Sommer, Roberto Diso, Raul e Gianluca Cestaro em 2003 e Mario Milano no ano de 2006. Só me referi àqueles que constituem a equipe oficial, muitos outros tiveram participação, principalmente na colecção Texone, artistas do pincel como: Joe Kubert, Ivo Milazzo, Magnus ou Colin Wilson, ou ainda outros que participaram em Almanacco del West: Caleggari e Gattia nos desenhos e Pasqualle Ruju no texto.
Como podem Observar, foi uma fase muito longa e incaracterística como já referi, aos muitos desenhadores já mencionados temos de acrescentar aqueles que transitaram da fase anterior e que se mantêm até aos dias de hoje, casos de Ticci e Fusco, e também os já falecidos, Nicolò e Lettèri.
Argumentistas também foram vários, GL Bonelli, Claudio Nizzi, Decio Canzio, Guido Nolitta, Mauro Boselli e Michele Medda.
5ª Fase – De Fevereiro a de 2007 a ….
Senão fosse a confirmação oficial da editora, da massiva entrada de novos desenhadores, que praticamente coincide com a entrada de um novo argumentista: Tito Faraci, não poderíamos concluir que se estava a iniciar uma nova fase. Isto porque além dos trabalhos dos novos elementos, há que publicar também, de uma forma intercalada, os trabalhos de todos os outros desenhadores, assim, até se publicar um único trabalho de cada um deles, vão se passar anos, no mínimo três, pelo que a entrada dos novos elementos confundir-se-ia com uma entrada a “conta gotas”, o que estaria muito longe da realidade.
Voltamos à questão: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Apenas podemos especular, eu como leitor interessado tenho as minhas ideias baseadas nas notícias que vou lendo sobre o assunto, ideias que passo a expor:
- Grande parte dos actuais desenhadores de Tex possui idade avançada, pelo que é de prever, num futuro muito próximo, alguns deles sejam afectados por problemas de saúde, problemas que os impeçam de exercer a sua actividade profissional. Estou a referir-me nomeadamente a: Fusco, Ortiz, Repetto, Marcello e Sommer, todos eles já ultrapassaram os setenta e três anos de idade, mas também a Ticci e a Font, que já ultrapassaram os sessenta.
- A editora Bonelli possui um número muito elevado de colaboradores, colaboradores de elevada qualidade dos quais Nolitta não quererá prescindir, mesmo em situação de redução de publicações. Assim, “recruta-os” para o “staff” de Tex, reduz o número de trabalhos a cada um deles e torna possível a sua manutenção nos quadros da empresa, mostrando mais uma vez que além de óptimo gestor, também é um ser humano que muito se preocupa com os seus colaboradores.
- O Texone sempre foi um problema “bicudo”, a tarefa de encontrar um desenhador de créditos firmados a nível internacional, que estivesse disposto a desenhar mais de 200 páginas, sempre foi muito difícil desde o início.
Parece-me que Nolitta, sem desvirtuar o teor da colecção, resolveu este problema por vários anos, alguns destes novos elementos, desenharão um Texone e posteriormente passarão então ao Tex normal; Brilhante!
- Em vez de seleccionar 4 ou 5 desenhadores que porventura necessitaria nesta fase, coloca os 15 a desenhar algumas histórias e a selecção será posteriormente efectuada pelos leitores, reduzindo assim as hipóteses de errar na escolha e passando essa responsabilidade, àqueles para os quais a revista é publicada.
- Publicação de uma nova revista ou a redução da periodicidade do Almanaco ou do MaxiTex.
Quanto aos novos desenhadores, cujas pranchas tive oportunidade de apreciar em Moura e correndo o risco de errar nas minhas apreciações, uma vez que não se pode ajuizar o trabalho de cada um deles, apenas pela visualização de 2 pranchas; Sabendo no entanto que, não existe uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão, passo a referir apenas aqueles que mais me impressionaram:
-Positivamente: Marco Torricelli, fantástico! Soberbo! Em minha opinião o melhor de todos. Se conseguir cumprir os prazos, mantendo a qualidade evidenciada nas 2 pranchas expostas, tem tudo para se tornar um dos melhores desenhadores de Tex de todos os tempos. Espero que a sua entrada se faça através de um Texone, pois seria lamentável não termos um Texone desenhado por este artista, o que provavelmente irá acontecer se entrar directamente para o Tex mensal. Já basta não existir um Texone desenhado por Gallieno Ferri, para mim a grande falha de Sergio Bonelli como editor, Ferri merecia sem dúvida este prémio por todo o seu trabalho ao longo de quase cinquenta anos de dedicação à SBE, assim como Tex.
Giacomo Danubio e Bianchini & Santucci, desenhos de grande qualidade, muito límpidos e detalhados à semelhança de Civitelli. O cenário está quase sempre presente, mesmo nos grandes planos, o que valoriza muitíssimo a qualidade do desenho – localizar o local da acção em todos os quadros.
Lucio Filippuci, apenas não aprecio muito a forma como desenha Tex nos grandes planos.
Alessandro Piccinelli, muito bom trabalho à semelhança dos já mencionados, no entanto, a quase ausência de cenários em grandes planos, desvaloriza muito a qualidade do mesmo como já referi, ainda mais se nota se a história abusar desta perspectiva, não sei se este artificio é utilizado pelos desenhadores para poderem cumprir os prazos ou simplesmente porque é mais cómodo. Melhorará substancialmente se as histórias não forem apresentadas sobre esta perspectiva. Tenho óptimas expectativas para este desenhador.
-Negativamente: Orestes Suarez e Corrado Mastantuono, desenhos demasiado “sujos” e de traço muito pouco preciso, enfim, a arte destes dois artistas não me impressionou, nem sequer gostei da versão do protagonista apresentada por eles, a de Suarez então, parece um energúmeno, um autentico “brutamontes”.
Quanto aos restantes, espero observar novos trabalhos para que possa ter uma opinião mais formada, as 2 duas pranchas observadas não foram suficientes.
Acredito que foi a conjugação de alguns pontos referidos que levaram o editor a provocar esta revolução em Tex; espero que esta fase não seja muito longa, (não ultrapasse 4 ou 5 anos) e estabilize num número mais restrito de desenhadores, com excepção dos convidados para o Texone obviamente.
Apesar de novos desenhadores poder significar novos leitores, leitores que acompanham o trabalho do desenhador independentemente da personagem, o inverso também é possível, com um número tão elevado de desenhadores, vão passar-se vários anos até vermos publicados os trabalhos daqueles que preferirmos. Este facto pode levar muitas pessoas a afastarem-se da série, assim como, o facto de Tex ter um numero tão elevado de rostos o fazer perder a sua identidade e muito provavelmente, também leitores.
E se eu estiver errado? E se a principal razão não for nenhuma das já mencionadas? Será que Bonelli está realmente preocupado com o Tex como aparenta à primeira vista? Sergio completa este ano 75 anos! É natural que comece a pensar na sua reforma e como a SBE irá funcionar após o seu afastamento. Será este o verdadeiro motivo? Preparar a sua saída a curto/médio prazo, garantindo desde já a viabilidade da empresa com esta reestruturação de pessoal?
O tempo se encarregará de responder, no entanto, seja qual for a resposta, espero que estas medidas garantam a continuidade da SBE por muitos e longos anos, para satisfação de todos os leitores de BD em geral e dos fumetti em particular.
[1] Coleccionador de Tex desde 1980.
[2] Tex - Edição Brasileira
[3] Tex - Edição Italiana
Fontes:
http://www.texbr.com
http://texwiller.blog.com
http://www.sergiobonellieditore.it/
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26 de Julho de 2007
Tex Série Normal: A Dama do Colorado
Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa.Com o título original Colorado Belle, a história foi publicada em Itália nos nº 538 e 539 e no Brasil pela Mythos Editora nos nº 444 e 445.
Esta poderia ser a história de Alice Morrow, aliás Colorado Belle, uma cantora de saloon. Como poderia ser a história da procura incessante do seu irmão Charlie, aliás o reverendo Morrow em busca do seu paradeiro. Mas esta é também a história da perseguição empreendida por Tex e Kit Willer à quadrilha de Deadman Dick, um bando de criminosos que anda a roubar e assassinar no Colorado.
Até que por força do destino ou da divina providência, os caminhos de Tex levam-no até ao reverendo Morrow, mesmo a tempo de salvar-lhe a vida. Depois, pelo meio, surge também a história de uns jovens sobreviventes de uma pequena caravana atacada por Deadman Dick e vendidos por este aos índios Utes.
Tudo se entrelaça até ao duelo final, quando Tex e Kit, depois de resgatarem os jovens, vão ter que enfrentar os homens de Deadman Dick na cidade fantasma de Yellow Sky. Fantasma ou talvez não, a verdade é que anda por lá algo ou alguém que muitos não julgariam encontrar.
Boselli não só junta várias personagens, vários destinos, várias vontades, como também junta Tex e Kit sozinhos na mesma missão. É sabida a vontade de Boselli em dar outra importância ou outro protagonismo ao jovem Kit nas suas aventuras, dotando-o de uma espessura que outros autores deixaram de lado. Aqui, o autor acentua o relacionamento entre pai e filho, realçando as diferenças naturais entre duas gerações, sobretudo patentes na experiência de um e na juventude do outro. Apesar dos ensinamentos de Tex, o jovem Kit não escapa a cometer este ou aquele erro. Boselli nunca contrapõe práticas, porque existe um desejo permanente de Kit em seguir as pisadas do pai e ele próprio reafirma ser essa a sua vontade.
Por isso, esta aventura serve para sublinhar ainda mais os horizontes que Boselli pretende para Kit, mas sem nunca descurar a sua importância na vida de Tex. O autor entrelaça a perseguição de Tex e Kit à quadrilha de Deadman Dick com a busca de Charlie Morrow. O reverendo procura o paradeiro da sua irmã, uma jovem que saiu de casa e foi assim renegada pela sua família. Mas o irmão, como praticante e difusor da sua fé, conclui que todos merecem uma segunda oportunidade, mas nunca consegue adaptar-se à dureza do velho oeste onde a lei da bala clama sempre mais alto, mesmo mais alto do que qualquer fé. Mas é essa fé, que por vezes move montanhas, que o fará chegar até Colorado Belle, ou pelo menos acreditar nisso.
No fundo, Boselli vem acentuar que o destino de cada um é por vezes movido pela fé, mas quase sempre esse mesmo destino é feito e construído por cada um. Se a fé destinou que Charlie chegasse até à sua irmã, já o que move Kit é a construção permanente do seu destino, partilhando sempre os mesmos valores do seu pai.
Graficamente, já assistimos a melhores trabalhos de Font, ou pelo menos a trabalhos mais homogéneos. A bem dizer, estamos a referirmo-nos a “Morte Nella Nebbia” aventura recente e posterior a esta, significando com isso que, afinal, o autor espanhol está em crescendo.
Na verdade, o trabalho de Font adquire sempre mais relevo em ambientes fechados, de que a cenas em Yellow Sky, a cidade fantasma, são perfeito exemplo. Pelo contrário, o traço vai decaindo principalmente na representação dos índios. Aqui, Font não consegue dotar estas personagens com a virilidade ou o dramatismo que requeriam.
Depois temos a figura texiana, aqui e ali bem conseguida, mas sempre muito rectilínea o que acaba por desvirtuar um pouco o ranger. São notórias as influências do Tex de Ticci, mas Font ainda não conseguiu chegar ao ponto em que consegue representar o ranger sempre ao mesmo nível.
Texto de Mário João Marques
25 de Julho de 2007
Tex Willer por Gervásio Santana de Freitas
24 de Julho de 2007
Póster Tex Nuova Ristampa 54
Mais um belo desenho de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer acampado junto a uma fogueira, numa rigorosa noite de Inverno em plenas Montanhas Rochosas, sendo ameaçado por Zeke Colter, que confundiu Tex com alguém do bando de Bill Hatcher.
23 de Julho de 2007
Civitelli conquista Moura
A edição brasileira de Tex Willer, número 453, editada em Julho de 2007 pela Mythos Editora, contém nas suas contracapas, uma matéria intitulada "Civitelli conquista Moura", onde o editor Dorival Vitor Lopes mostra, aos leitores do Brasil e também de Portugal, a presença de Fabio Civitelli no XVI Salão Internacional de Moura (Portugal), o "MouraBD2007", salão que dedicou ao nosso inoxidável Ranger do Texas, uma mostra que apresentava ao público lusitano num exclusivo mundial 30 pranchas de 15 novos autores de Tex, uma mostra da colecção de José Carlos Francisco e obviamente como o título já dá a entender, a presença do consagrado desenhador italiano, Fabio Civitelli, que trouxe a Moura, uma exposição de pranchas Texianas da dupla aventura “Il presagio” (Tex italiano 475 e 476), mas também da mais recente história “La banda dei tre” (Tex italiano 554).
CIVITELLI CONQUISTA MOURA
A cidade de Moura, na quentíssima e bela região do Alentejo (Portugal), não tem grandes castelos nem outras obras arquitetônicas antigas que a destaquem das demais cidades portuguesas. Mas ela possui algo que já a está tornando famosa; é sua mostra de banda desenhada (história em quadrinhos) que este ano completou 16 edições anuais.
Idealizada e coordenada por Carlos Rico, um apaixonado e estudioso dos quadrinhos, e sempre com o apoio da Câmara Municipal de Moura, Carlos consegue trazer sempre várias personalidades do mundo dos quadrinhos, e desta vez foi muito feliz em convidar – por sugestão de José Carlos Francisco, o representante da Mythos em Portugal – o desenhista de Tex Fabio Civitelli.
Fabio, aliás, cativou todos com a sua simpatia e simplicidade, nunca negando um autógrafo, um sorriso, uma foto ou um desenho às dezenas de ávidos texianos que o rodeavam durante as sessões de autógrafos. Uma verdadeira lição de profissionalismo, humildade e amor por seu fãs e por seu trabalho!
O Moura BD apresentou em primeira mão 30 pranchas de 15 novos desenhistas de Tex – outro grande trunfo do festival, que atraiu muita gente a Moura – e uma mostra da coleção particular de José Carlos Francisco, um dos maiores colecionadores de Tex no mundo, e sobejamente conhecido de quem consulta seu blogue (www.texwiller.blog.com).
Mas a estrela do evento foi mesmo Fabio Civitelli. Os visitantes não paravam de se perguntar como um desenhista de seu gabarito – considerado por boa parte da legião de texianos como o melhor de todos, ao lado de Claudio Villa – podia ser tão agradável e acessível.
Fabio tirou dezenas de fotos e fez muitíssimos desenhos de Tex com dedicatórias que sem dúvida passarão a ser o maior tesouro de todos os colecionadores de Águia da Noite que os conseguiram. E o mais interessante é que Fabio realmente estava se divertindo tanto quanto seus fãs.
Não se cansava de agradecer a todos os portugueses pela acolhida que recebeu e ficou sensibilizado com o prêmio Balanito de Honra que recebeu das mãos do presidente da Câmara Municipal de Moura, Dr. José Maria Prazeres Pós-de-Mina, na cerimônia de encerramento do evento. “Este é o primeiro prêmio individual que recebo em minha carreira”, afirmou Civitelli, visivelmente emocionado.
Ao final dos quatro dias de permanência do maravilhoso artista em Moura, todos eram unânimes em afirmar que Sergio Bonelli não poderia ter enviado um embaixador melhor para representá-lo nessa mostra de quadrinhos, que é uma das três maiores de Portugal.
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Nas capas
Essas palavras só invocam os seres das trevas
Continue desenhando que você prome
Parabéns pela entrevista, mas ficou faltando