31 de Dezembro de 2006

Nova colecção de Tex na Itália

No mês de Fevereiro de 2007, numa iniciativa conjunta dos periódicos italianos La Repubblica e L'Espresso com a Sergio Bonelli Editore, S. p. A. nascerá uma nova colecção de Tex na Itália.

Trata-se de uma colecção em grande formato (provavelmente no estilo "Clássicos da Banda Desenhada, Série Ouro" ou então edições cartonadas), num total de 50 volumes, que reeditarão as primeiras histórias clássicas de Tex Willer, edições totalmente a cores e com capas inéditas de Claudio Villa. Os volumes para além das histórias trarão artigos do crítico Luca Raffaeli e editoriais de Sergio Bonelli.

O primeiro número que será oferecido a quem comprar um dos periódicos italianos Repubblica ou L'Espresso, cujo desenho de capa inédito e feito propositadamente para esta colecção o blogue português do Tex, mostra em exclusivo mundial, tanto na versão a preto e branco, como já na versão colorida pelo desenhador Claudio Villa, desenhos que o bloguista José Carlos Francisco teve o privilégio de ver e tocar, trará a aventura de Tex "Il totem misterioso", cuja capa traz um Tex jovem, no estilo "Galleppiano", desenhada pelo Claudio Villa como já dissemos, pode ser vista com maiores pormenores clicando nas fotos, para aproveitar a extensão completa de cada foto.   

Nos números seguintes vão seguir-se outras aventuras clássicas do ranger, sempre a cores, em grande formato e com capas inéditas.

 Na foto da esquerda para a direita: Moreno Burattini, José Carlos Francisco, Claudio Villa e Dorival Vitor Lopes

Escrito por Autores do blogue em 04:00:43 | Link permanente | Comments (11) |

DVD do filme de Tex

 

Na Itália está a ser lançada pela empresa Hobby&Work uma nova colecção de DVD's dedicada ao "spaghetti western" e o DVD número 6 será dedicado ao ranger Tex Willer e ao seu filme "Tex e il signore degli abissi".
A Hobby & Work apresenta nesta colecção quinzenal, alguns dos filmes mais famosos que permitiram que o género western renascesse na Itália: de Tomas Milian a Terence Hill, Tonino Valeri a Duccio Tessari, passando por Giuliano Gemma, o "Tex Willer"... uma colecção imperdível para todos os apaixonados do grande western à italiana.

O primeiro número desta colecção é "Django" de Alberto De Martino e tem um custo de 5,90 €. O número 2 é o filme "O Cangaceiro" e terá um custo de 7,90 €, tal como os restantes filmes. 

Finalmente em DVD o filme de Tex Willer, integrado numa colecção de filmes que marcaram uma época de grande sucesso para o cinema italiano.
 
Escrito por Autores do blogue em 03:56:28 | Link permanente | Comments (11) |

30 de Dezembro de 2006

Tex Série Normal: Os Sete Assassinos

Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Raffaele Carlo Marcello e capas de Claudio Villa. Com o título original I sette assassini, a história foi publicada em Itália nos nº 463 a 465 e no Brasil pela Mythos Editora nos nº 378 a 381.
 
 
Um bando de sete criminosos chefiados por Jack Thunder, um cego louco, anda de cidade em cidade a saquear bancos e a deixar atrás de si um rasto de sangue e destruição, cometendo assassinatos frios e impiedosos. Enquanto isso, Tex, Carson, Kit e Tigre, que estão no encalço de um ladrão de cavalos, chegam a Heaven, uma pequena cidade onde Lenna Parker e a sua filha Donna abriram uma estalagem, graças a parte do dinheiro roubado outrora pelo bando dos Inocentes, do qual fazia parte Ray Clemmons, o pai de Donna. Dinheiro esse que Jack Thunder também pretende saquear.
 
Esta é uma aventura violenta nos variados sentidos que a queiramos interpretar. Violenta no rasto de destruição que vai deixando ao longo das suas mais de trezentas páginas, violenta também na forma abusiva como Jack Thunder guia a sua conduta, marcada por uma certa religiosidade, porquanto para este psicopata toda a sua acção acaba por ser justificada por preceitos religiosos e a que não é alheio o facto de apelidar o seu bando de família. Violenta ainda nas contradições surgidas da própria aventura, primeiro com o elemento fogo sempre presente na acção destrutiva de Thunder, mas que aqui surge mais identificado a limpeza e purificação das almas, depois o inferno onde tudo acaba por acontecer (Heaven), que tem tudo menos de paraíso. Finalmente, e apesar de toda esta violência, a aventura não renega a sua veia romântica, patente não só no romance entre Donna e Kit e mais tarde com Kid Rodelo, também na atracção sentida entre Carson e Lenna, porque não ainda no comportamento dos irmãos Lane, mas sobretudo em toda a atmosfera em redor da estalagem.
 
Toda a estrutura de Boselli é notável, onde desenho e diálogo aliam-se numa acção narrativa verdadeiramente cinematográfica. Boselli consegue sempre alternar cenários e situações sem que a estrutura narrativa se ressinta. Porque se trata de um autor habituado a apresentar os elementos da trama, desenvolvendo-os sempre sucessivamente com o auxílio de construções psicológicas, que o autor privilegia, logrando construir personagens ricas, densas e poucas vezes maniqueístas. Cada elemento do bando dos sete assassinos tem o seu próprio perfil, moldado por um passado determinante na sua conduta e é curiosa a forma como Boselli coloca em cada um dos assassinos uma característica particular: Jack Thunder é cego mas possui ouvidos extremamente acutilantes, Monk utiliza uma metralhadora, Kid Rodelo esconde por trás da sua cara de anjo um verdadeiro pistoleiro, Firewolf é um índio pirómano, Lizard treinou dois cães para atacar qualquer presa, Hammer é um negro gigante que usa um martelo para os seus fins, enquanto que No-Face apenas emite grunhidos e usa o punhal como poucos. Mas a aventura também é feita de outras personagens como o padre Sheridan, Higgins, o atormentado Latimer, a senhora Philips ou ainda os simpáticos Jim Lane e o seu irmão Bronco, construções "bosellianas" que denotam uma real aptidão do autor que nunca nos cansamos de elogiar.
 
O desenho de Marcello começa a sentir a erosão dos tempos (sabemos que entretanto uma incapacidade física já o afastou do desenho), mas ainda mantém aqui muito da auréola romântica que sempre o caracterizou. A sua composição dos quatro pards é das mais conseguidas, mas merece especial destaque a forma como o autor consegue também construir uma galeria de psicopatas frios e loucos, desprovidos de qualquer sentimento como o bando dos sete assassinos. A figura de Jack Thunder parece ter sido estudada afincadamente pelo autor, tão sinistra nos surge em páginas latentes de destruição e loucura, mas a verdade é que qualquer outro dos elementos dificilmente seria composto de modo tão eficaz.
O desenho de Marcello já não surge tão fino de pormenor como em anteriores aventuras, de que destacamos forçosamente aquela da qual esta surge intimamente ligada, “O Passado de Kit Carson” (Boselli alude ainda a “O Homem Sem Passado”, quando Donna refere a relação que Kit manteve com Flor de Lua), onde o autor compôs páginas caracterizadas por um traço mais preciso, parecendo agora ausente em várias passagens.
 
Uma aventura memorável, digna de permanecer na galeria texiana das mais apreciadas e que poderá ter lançado mais um grande adversário para Tex, uma vez que a morte de Jack Thunder nunca foi verificada pelo ranger, deixando uma abertura para um eventual regresso.
 
Texto de Mário João Marques
Escrito por Autores do blogue em 15:31:20 | Link permanente | Comments (3) |

29 de Dezembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 26

Novo desenho de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer chegando montado no seu fiel Dinamite, ao velho Pueblo dos Cayuses, onde estavam Bill Cassidy e Sam Tracy aguardando por Red Curry (entretanto capturado por Tex) para dividirem o saque de um audacioso assalto ao banco Fargo de Yucca Flat, no Colorado.  

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #27 e inspirado na história, "Una audace rapina" de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #44).
(Para aproveitar a extensão completa do poster clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco
Escrito por Autores do blogue em 02:44:12 | Link permanente | Comments (0) |

28 de Dezembro de 2006

Arte de Virgilio Muzzi

 (Para aproveitar a extensão completa do desenho clique no mesmo)

Escrito por Autores do blogue em 02:10:38 | Link permanente | Comments (3) |

27 de Dezembro de 2006

Tex Gigante 14: Sombras na Noite

Argumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Roberto de Angelis. 
Com o título original Ombre nella Notte, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 18 em Junho de 2004 e no Brasil pela Mythos Editora em Outubro de 2004. 

Sombras na Noite representa mais uma incursão texiana no domínio do fantástico. Bonelli tinha conseguido, com sucesso, esta entrada do ranger por domínios que sempre cativaram o leitor. Lembramo-nos, assim de repente, de El Morisco, Mefisto, Yama, mas sobretudo de Diablero, em cuja criatura Nizzi parece ter sido inspirado ao assinar este argumento.

A história é suficientemente cativante para o leitor, é mesmo uma das melhores que Nizzi nos apresenta desde há alguns tempos a esta parte, mas sofre de uma certa falta de equilíbrio. Sendo mais uma versão do clássico Dr. Jekyll e Mr Hide, Nizzi consegue, ainda assim, juntar-lhe o contraponto da eterna questão de se saber onde termina a ciência e começa a magia ou ainda laivos de uma certa moralidade cristã que nunca viu com bons olhos o subverter as leis naturais. Se Nizzi sempre se revelou maniqueísta, em Sombras na Noite o autor acaba por nunca defraudar o leitor neste particular aspecto, uma vez que o ideal patente é o do eterno conflito entre o bem e o mal, aqui apresentado com um carácter altruísta.

No entanto, após apresentar toda a base do seu argumento, Nizzi acaba por revelar ao leitor toda a informação que lhe faltava, aquela que prendia a sua atenção e conferia um certo mistério do que estaria por detrás de toda a trama. Nizzi não soube guardar um pouco mais as expectativas, preferindo antes antecipar quase todas as explicações.
Não se trata de apontar fraquezas no argumento, na sua ideia geral, mas sim um certo desiquilíbrio no desenvolvimento do mesmo. As personagens, tal como as acções, vão surgindo de modo misterioso, para rapidamente tudo se desencadear sem percalços ao longo de uma aventura que acaba por se arrastar por um excessivo número de páginas.

Tex surge em Sombras na Noite como um conhecedor da alma do oeste, um homem cujo faro raramente o engana, como ele próprio tem oportunidade de dizer. Tex pensa antes de agir, Tex joga psicologicamente com este seu conhecimento e só passa à acção física quando as condições assim o impõem. Para os puristas, este é um Tex medroso e estanque, um herói envelhecido. Nizzi tem sido duramente criticado por ultimamente adoptar esta postura para o ranger, conferindo a Tex uma maior espessura psicológica, esta sua faceta dialogante em detrimento da "conversa de mãos" que tanto sucesso fez com G.L. Bonelli. Em Sombras na Noite Tex só passa à acção física após decorridas mais de 180 páginas.

Mas se o Tex bonelliano era sobretudo um duro, porque sustentado nesta acção física , o Tex nizziano, não descurando esta, é porventura mais maduro. Repare-se em toda a subtileza patente na página 187 onde Nizzi consegue congregar estas duas facetas do ranger. Após ter esmurrado Sammy no estábulo, na boa maneira bonelliana, Tex saca da sua arma e, através de um fabuloso jogo de mãos, o ranger passa a uma atitude de violência psicológica, esta mais do agrado de Nizzi. Se o Tex de Bonelli não perdia tempo, este "novo" Tex adopta uma outra atitude, tendo tempo para sacar a arma, tirar as balas, fechar o tambor e girar o canhão, sequência toda ela superiormente representada através de belas imagens de De Angelis.

Se Tex raras vezes se assume verdadeiramente ao longo de todas as páginas de Sombras na Noite, a verdade é que muito da culpa está nos seus adversários. O mentor de toda a tramóia não é verdadeiramente um adversário como Tex tem encontrado ao longo das suas aventuras. Por trás dos reais objectivos do Dr. Sommers está a  procura de algo de bom na espécie humana. Os verdadeiros adversários são então aqueles que aproveitaram as suas pesquisas  para subverter o ideal de um médico, mas nunca se assumindo como reais ameaças à investigação do ranger. A crítica que podemos certamente fazer a Nizzi é que o autor acaba por escolher adversários sem carisma, que nunca obrigam Tex a aplicar-se.

Uma nota final para os outros pards, simples figurantes nesta aventura. Carson surge-nos muito sério, sem aqueles deliciosos diálogos com Tex que tanto prazer nos dão. Kit não tem influência e Jack Tigre nunca se assume. Talvez aqui exista mais matéria de crítica a Nizzi do que propriamente saber que caminho Tex poderá vir a assumir no futuro.
Na entrevista que acompanha Sombras na Noite, De Angelis afirma ser um autor meticuloso e trabalhador e foi esta postura que pretendeu adoptar com Tex, mas por fim deixou-se levar pelo ambiente e pela personagem. Foi esta a impressão que, indubitavelmente, o autor italiano nos deixou.
Isso mesmo se nota na própria expressão adoptada para Tex.

Folheando Sombras na Noite, podemos ser levados a pensar que De Angelis vagueou entre Villa e Ticci na composição do ranger, mas com o desenrolar das páginas, a verdade é que o Tex de De Angelis é assumidamente e marcadamente ticciano. 
Não só na figura do ranger se nota uma influência de Ticci (como quase todos os desenhadores o têm feito), mas de igual modo na composição de cada página, procurando De Angelis oferecer muitas perspectivas de conjunto e conferir assim uma expressão global a cada cena.

O autor mostra-se muito à vontade em ambientes nocturnos, onde o seu jogo de sombras e o seu domínio do claro e do escuro são bem evidentes, a que não é alheio o facto de De Angelis estar habituado a desenhar séries de ficção científica como Nathan Never. Também as cenas de interiores são muito ricas, cheias de detalhes.
Eventualmente, De Angelis assume-se em Sombras na Noite como um dos melhores desenhadores destas edições gigantes dos últimos anos. Não só o seu desenho é rico, como a composição do ranger nos parece conseguida e fiel aos parâmetros a que o leitor está habituado.

Texto de Mário João Marques

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26 de Dezembro de 2006

José Ortiz: O Mestre da energia e vigor narrativo

Resumir a carreira de um autor como José Ortiz em poucas linhas é uma tarefa praticamente impossível; de facto para se poder estudar como merece uma trajectória como a sua, requeria-se um livro, mas vamos tentar.

 

José Ortiz Moya nasce em Cartagena em 1932. Irmão do também desenhador Leopoldo Ortiz, começa muito cedo a descobrir a sua vocação e ganha um concurso de desenho realizado para a revista de banda desenhada Chicos em 1951. Nesse mesmo ano começa a trabalhar com a editora Maga, casa para a qual realizaria o grosso da sua produção durante a década de 50: série como El Espia, Dan Barry el Terremoto ou Pantera Negra. Em 1958 realiza para Toray Sigur, El Vikingo, série que se converte no maior êxito do início da sua carreira. O início dos anos sessenta marca também o final da época dourada do tebeo (revista de banda desenhada) popular, o que motivaria que toda uma série de autores voltasse a sua produção para o exterior através de agências. Assim, Ortiz começaria a produzir material através de Bardon Art, principalmente para o mercado britânico.

 

1973 marca um dos grandes pontos de inflexão da carreira de José Ortiz, ao começar a sua colaboração com a editora norte-americana Warren. O desembarque de toda uma frota de desenhadores espanhóis serve para dar uma difusão internacional ao trabalho de artistas como Luis Bermejo, Esteban Maroto, Leopoldo Sánchez ou José Ortiz. Estima-se que Ortiz realizou 119 histórias para a Warren, o que o converte no desenhador mais profícuo da editora. Revistas como Eerie, Creepy, 1984, Rook o Vampirella viram aparecer os seus trabalhos, entre eles destaca-se com um brilho próprio Los cuatro jinetes del Apocalipsis; obra que nos serve como exemplo do labor de José Ortiz  para a Warren, mediante todo o seu esbanjar de técnica, vigor narrativo e o seu pessoal e espectacular estilo de “entintar” – aqui pode-se destacar a célebre técnica de “lâmina de barbear”, marca da casa também de outros grandes desenhadores como Dino Battaglia.

 

A etapa Warren do trabalho de Ortiz dura praticamente até 1981. Simultaneamente a ela realiza também uma série de histórias com argumentos de Josep Toutain, que reproduziam a História de diversas lendas do “Faroeste” norte-americano, que se recompilaram em dois “tomos” sob a epígrafe Grandes mitos del Oeste, e que ademais servem-nos para realçar o grande carinho que Ortiz sempre teve pelo género western. A essa etapa pertencem também El pequeño Salvaje, história que contava com argumento próprio, os seus episódios da série El Cuervo e o seu trabalho com Tarzan – em que se recorda o vigor e a vitalidade que José insuflou à personagem.

 

1981 marca o que é seguramente o ponto chave da carreira de Ortiz: O regresso ao mercado autóctone para realizar uma obra mais pessoal, coincidente com o início da sua colaboração com Antonio Segura. A primeira criação da dupla Segura-Ortiz foi Hombre, uma série de ficção científica próxima e pós apocalíptica que rompeu barreiras na sua época, pelo seu tom lúgubre e desencantado e pelo incrível grafismo de Ortiz, tanto na primeira etapa a preto e branco, como na posterior, colorida.

 

A assinatura Segura-Ortiz converte-se a partir de então em habitual nas revistas de banda desenhada de vários países durante os anos oitenta e na primeira metade dos anos noventa. Em 1983, embarcam no projecto de autogestão que se chamou Metropol; Ives foi a série que criaram para a revista, uma história do género “noir” e ambiente carcerário. No ano seguinte criam essa obra-mestra denominada Las mil caras de Jack el Destripador, praticamente ao mesmo tempo rebaptizam Ives como Morgan, uma “nova” série de 23 episódios, todos eles realizados a preto e branco.

 

Através de Selecciones Ilustradas, a agência de Josep Toutain, criam em 1987 Burton & Cyb, série cómica e cósmica sobre as andanças de dois enganadores inter-galácticos   

que beneficiam de uma cor luminosa e de toda a arte de desenhar de Ortiz na hora de criar e recriar mundos e seres alienígenas com inegável graça. Entretanto a revista Gran Aventurero ofereceu-lhes em 1990 a oportunidade de produzir Juan el Largo, obra composta por dois álbuns e que recupera o espírito da aventura clássica mediante as andanças de um peculiar grupo de piratas nos mares do Caribe. Alem do seu trabalho com Segura, Ortiz continuou a trabalhar, através da agência Norma, uma série de trabalhos para o estrangeiro: como episódios de Rogue Trooper ou Judge Dredd para a editora 2000ad britânica ou episódios de sabre para a editora norte-americana Eclipse.

 

O êxito internacional dos trabalhos da dupla Segura-Ortiz, unido à crise do mercado espanhol, fez com que a partir de 1990 produzissem o seu trabalho directamente para a indústria italiana. Desse modo criam Ozono para a revista L’Eternauta, uma série do género “noir” com um alto conteúdo de denúncia ecológica, e But O’Brien, livro de cabeceira sobre um ex-boxeador metido a guarda-costas, publicado na revista italiana Torpedo. Chegamos então a 1993, ano em que se inicia a relação de Ortiz com a Sergio Bonelli Editore. Como o próprio Sergio reconheceu, a ideia de convidar José Ortiz para realizar um dos seus Tex Gigantes já estava congeminando desde há vários anos, até que finalmente o conseguiu convencer. A partir desse momento José começará a trabalhar quase em exclusivo para a Sergio Bonelli Editore, realizando uma história em quatro partes, de Ken Parker e vários episódios de Mágico Vento, além de todo o seu trabalho em Tex.   

 

La grande rapina, o Tex Gigante de 1993, traz o seu primeiro trabalho com Tex. Trata-se de uma história de 224 páginas em que Tex e Carson devem desarticular um bando de ladrões de trens estendendo-lhes uma armadilha quando se dispõem a roubar o pagamento do exército. A história escrita por Nizzi serviu para que Ortiz fosse se adaptando às personagens – com o género nunca teve nenhum problema já que, como podemos ver na história, é um autêntico especialista – e em especial com Kit Carson, cuja sua interpretação é uma das mais atractivas de toda a saga de Tex.


O trabalho seguinte de Ortiz inclui ademais a chegada de Antonio Segura à escrita da série. Il cacciattore di fossili e L’oro del sud, editados em Novembro de 1997 e Outubro de 1999 respectivamente, são duas histórias de 350 páginas a primeira e de 270 páginas a segunda que inauguravam a sua participação na colecção Maxi-Tex (edições nºs 2 e 3, que já tinha tido um primeiro número com uma história da dupla Giancarlo Berardi/Guglielmo Letteri) e nas quais para além do habitual despejar de talento do desenhador, há que ressaltar a especial convicção de que ambos os autores fazem gala: algo que terá tido a ver com a boa aceitação que os leitores dispensaram a ambos os volumes. 

 

No intervalo de ambos os Maxi-Tex, José Ortiz incorpora-se no grupo de desenhadores da série mensal. Os episódios 449 e 450 abarcam a história Gli uomini che uccisero Lincoln, a primeira das suas sagas que conta com argumento de Nizzi. Consiste em uma intriga de carácter quase político em que Tex e Carson, de uma maneira quase casual, vêm-se implicados numa investigação que os levará a descobrir quem estava por detrás do assassinato do presidente Lincoln. O que primeiro salta à vista ao analisar ambas as revistas é que não se tratava de uma história de características muito adequadas para poder aproveitar as melhores qualidades do seu desenhador; uma história desenrolada num ambiente urbano e em espaços fechados que não permitia a Ortiz explorar o seu vigo narrativo da mesma maneira que quando desenha guiões desenrolados em espaços abertos. Tudo isso fica ainda mais claro ao analisar os seus trabalhos seguintes na série mensal e em especial nas duas histórias seguintes escritas por Boselli.      

 

Sulla pista di Fort Apache é uma história em três partes editada nos números 458 a 460 na qual Tex e Jack Tigre se vêm no meio de um grupo de índios rebeldes e do exército, tentando evitar uma nova guerra índia. La miniera del fantasma, história em duas partes publicada nos números 478 e 479 da série mensal, traz-nos Carson e Tex investigando a lenda de uma mina sobre a qual aparentemente pesa uma maldição. Ambas as histórias fazem parte das mais valorizadas pelos leitores nos últimos anos.

Os números 494 a 496, editados em 2002 a última história antes do mítico Tex 500 ilustrada por José Ortiz na série mensal. Tratou-se de um argumento escrito por Nizzi que começa quando o chefe de uma tribo Dakota pede ajuda a Tex e Carson ante o estranho comportamento de alguns jovens guerreiros, que se uniram numa espécie de conspiração inter-racial encabeçada por um misterioso individuo que oculta o seu rosto por trás de uma máscara de madeira.

Após o Tex 500, José Ortiz continua firme no seu trabalho de desenhar Tex e já participou em diversas outras histórias: Tex 515 a 517 (Il lungo viaggio), Tex 540 e 541 (Puerta del diablo), Tex 550 e 551 (Un treno per Redville) sempre com argumentos de Claudio Nizzi e ainda o Maxi Tex 2004 (Il treno blindato), com argumento Antonio Segura.

 

Se alguém analisar a lista de actuais desenhadores do staff de Tex, é indiscutível que há dois nomes que brilham com luz própria. A presença de dois autores da grandeza de Giovanni Ticci e de José Ortiz é um autêntico luxo que muito poucas – para não dizer nenhuma – colecção de banda desenhada pode permitir-se. De facto qualquer editor faria os possíveis e os impossíveis para ter tão só um dos dois como ilustrador de uma sua série. Ante a hipotética pergunta do que é que José Ortiz trouxe ao Tex, diríamos que energia e vigor narrativo. Porque Ortiz não só domina a cenografia do western na perfeição, como é um dos escassos autores capazes de desenhar qualquer coisa de qualquer ângulo – e sem aparente dificuldade – e o verdadeiramente impressionante é que se colhermos ao acaso qualquer sequência de acção desenhada por ele, teremos todo um tratado de como dinamizar a acção, como captar o movimento, como eleger o plano adequado para qualquer momento…

Cremos que algum dia os cientistas que se dedicam à Física deveriam voltar-se para um autor como José Ortiz para estudar como se pode criar pura energia utilizando somente lápis e pincel.



Texto de José Carlos Francisco, baseado no livro-catálogo "Tex Habla Español".

Escrito por Autores do blogue em 00:00:05 | Link permanente | Comments (7) |

25 de Dezembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 25

Neste desenho de Claudio Villa vemos Tex Willer invadindo a pequena fortaleza às margens da cidade do Ouro, no deserto do Arizona, reino do Príncipe Negro, um pérfido tirano, disparando com o seu colt contra um soldado  espanhol armado com um arcabuz mas protegido com uma armadura como no tempo dos antigos conquistadores de Cortez, após ficarem isolados numa cidade cercada, durante 100 anos.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #26 e inspirado na história, "Lo stregone dei Sabinas" de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Francesco Gamba (Tex italiano #42 a #44).
(Para aproveitar a extensão completa do poster clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco
Escrito por Autores do blogue em 02:05:40 | Link permanente | Comments (0) |

24 de Dezembro de 2006

Arte de Roberto Diso

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23 de Dezembro de 2006

Tex Ouro 20: A Volta de Zhenda

Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Fabio Civitelli e capa de Aurelio Galleppini.
Com o título original Gli spiriti della notte
, a história foi publicada em Itália nos números 346 a 349 em 1989 e no Brasil pela Mythos Editora emSetembro de 2005. 

Afinal a bruxa Zhenda não está morta e, aliada a um contrabandista de armas, vai enfeitiçar o seu próprio filho Sagua, com o objectivo de o colocar como legítimo chefe dos Navajos. Com a ajuda de uma primitiva tribo de índios, Zhenda pretende liquidar Tex e os seus parceiros e dominar os Navajos.

Nizzi utiliza um tema que não prima pela originalidade, não só porque a questão da usurpação do poder não é nova, mas também porque ela já está associada à personagem de Zhenda, desde que G.L. Bonelli a criou em 1965, uma espécie de Mefisto de saias, também ela com o objectivo dominante de liquidar Águia da Noite.

A história é simples e resume-se em poucas palavras: Flecha Vermelha, antigo chefe Navajo, teve um filho com uma outra mulher, Zhenda. Esse filho é Sagua, que a feiticeira reclama como sendo o verdadeiro e legítimo chefe navajo e não Tex, que veio a tornar-se em Águia da Noite pelo seu casamento com Lilyth, a filha mais velha de Flecha Vermelha.

Bonelli já tinha apelado à magia e à feitiçaria para este caso "político", tão ao gosto do leitor texiano e o que Nizzi vem agora relatar parte da mesma base e busca a mesma inspiração, os mesmos artifícios, em detrimento da originalidade que poderia ter guindado a aventura a outros patamares. Esta não foge muita da questão da usurpação do poder, uma ideia que não colhe os favores de Sagua, porque este nunca concorda com as ideias de Zhenda.

Águia da Noite conseguiu unir os Navajos, levando-os a trilhar os caminhos da paz, o que é bem mais importante do que questões dinásticas ou de sangue. Eventualmente neste preciso ponto poderá encontrar-se algo de novo em relação a Bonelli, porque Nizzi vem contrapor a ambição do sangue à realidade dos acontecimentos e ao bem estar da população navajo.

Passado o momento inicial de uma certa surpresa e inquietação decorrente do regresso de Zhenda, alguém que todos julgavam ter desaparecido para sempre, a verdade é que toda a aventura deambula nessa ideia base da questão do sangue como sendo a mais legítima para a obtenção do poder. Mas para Zhenda, isso mais não é do que uma auto justificação para os seus anseios e objectivos que passam por se vingar de Águia de Noite.

Aliada a Koster, um branco que negoceia em armas e que apenas pretende enriquecer, assim como aos Sinaguas, uma desconhecida tribo de índios primitivos, Zhenda serve-se dos seus dotes e artifícios mágicos para tentar obter os seus intentos. No final, tudo leva a crer que Nizzi poderá recuperar uma vez mais a personagem, a acreditar no destino de Zhenda que, no fundo, permanece uma incógnita.

O desenho de Civitelli é muito limpo, seguro e de rara beleza. Apesar de estar à vontade em qualquer registo, o seu desenho  assume-se em toda a sua plenitude em ambientes urbanos.

Aqui, em expensas pradarias e montanhas rochosas, Civitelli não desilude, muito pelo contrário, mas a verdade é que fica sempre uma sensação de asfixia, decorrente de uma certa repetição dos cenários. O desenho de Civitelli entra mais pelos olhos quando o detalhe faz a diferença, enriquecendo cada quadrado com a sua marca. Pelo contrário, esta aventura acaba por não permitir ao autor deixar esse algo mais, apesar de um trabalho irrepreensível, muito dinâmico e elegante.

Texto de Mário João Marques

Escrito por Autores do blogue em 00:39:12 | Link permanente | Comments (2) |
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