28 de Novembro de 2006

O prestigiado site italiano uBC Fumetti dá a conhecer aos seus internautas o blogue português do Tex!



O prestigiado site italiano uBC Fumetti (http://www.ubcfumetti.com/),   o primeiro weblog italiano sobre banda desenhada, dá a conhecer aos seus internautas, na sua rubrica de notícias, o blogue português do Tex, indicando-o em http://www.ubcfumetti.com/weblog/?2738 da seguinte forma:

È nato il primo blog portoghese su Tex
Cari amici, è nato il primo blog portoghese sul nostro amato ranger, all'indirizzo
http://texwiller.blog.com/. Vi aspettiamo numerosi!

Nasceu o primeiro blogue português sobre Tex
Caros Amigos, nasceu o primeiro blogue português sobre o nosso amado ranger, no endereço http://texwiller.blog.com/. Esperamos por muitos de vós!

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Póster Tex Nuova Ristampa 15



Claudio Villa mostra-nos neste desenho, Tex Willer sendo surpreendido na época da Guerra Civil Americana, por um oficial do Exército Sulista (Confederado) que de pistola na mão, tenta com que Tex não tenha tempo de reagir. 
 
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #17 e inspirado na história, "La traccia di sangue" de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #24).
(Para aproveitar a extensão completa do poster clique no mesmo)
 
Texto de José Carlos Francisco
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25 de Novembro de 2006

Portugal em destaque no editorial de Tutto Tex 395

Pela primeira vez, Sergio Bonelli, dedicou um editorial de uma edição italiana de Tex, a Portugal, mais precisamente para falar da trajectória do Tex no nosso país. Tal aconteceu na edição #395 de Tutto Tex, de Fevereiro de 2004.


"Caro Sergio,
por que você não fala com mais frequência das edições estrangeiras de Tex e dos quadradinhos bonellianos em geral? Em Dezembro, por exemplo, estive em Portugal a trabalho, e senti uma grande emoção ao ver numa banca algumas revistas do Ranger... Há quanto tempo eles desembarcaram no País de Fernando Pessoa, meu escritor preferido?
". Para responder a esta pergunta, que me foi enviada por um leitor romano, que assina simplesmente Lorenzo, pedi ajuda a um amigo, que também é um super conhecedor de quadradinhos. O seu nome é José Carlos Pereira Francisco, e vive justamente em Portugal. Com prazer, deixo a ele a palavra!
"Assim como na Itália e no Brasil", diz José Carlos, "também em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é justamente Tex Willer que, depois de alguns anos de ausência, voltou às nossas bancas, retomando o contacto que, há mais de trinta anos, os leitores tinham com ele. Graças à brasileira Mythos Editora, agora estão presentes em Portugal - em versão brasileira - Zagor, Mister No, Mágico Vento, Nick Raider, Dylan Dog, Martin Mystère e Ken Parker, além de oito séries (entre inéditas e reedições, almanaques e especiais) dedicadas a Águia da Noite. Ainda que pequeno em relação ao italiano, o mercado português de quadradinhos é constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que esperar que as suas revistas preferidas venham do outro lado do Oceano, do Brasil. De facto, Tex nunca foi publicado por uma Editora portuguesa; a única excepção, no campo bonelliano, foram dezasseis edições de Zagor e doze de Mister No, lançadas a partir de 1978, sem a autorização da sua Editora. De 1971 a 1999, quando, das edições da Via Buonarroti em Portugal, só havia Tex, as revistas só chegavam depois de seis/nove meses do lançamento no Brasil. Se o editor brasileiro não tinha mais edições disponíveis nos seus depósitos, alguns números não eram enviados, e nem os pedidos de edições atrasadas eram atendidos.
Tudo se interrompeu em 1999, quando a Editora Globo suspendeu a publicação de Tex; mas em 2002, quando os direitos dos seus personagens já eram da Mythos, Tex e Cia desembarcaram de novo, e com sucesso, em terras lusitanas. Hoje, o intervalo entre o lançamento no Brasil e o 'desembarque' em Portugal varia de quatro a seis meses. Esta nova proposta dos quadradinhos Bonelli foi bem aceite tanto pela imprensa, que fala frequentemente do assunto nas suas rubricas especializadas, quanto por aqueles que discutem a 'banda desenhada' (é como são chamados por aqui os quadradinhos) nos vários fóruns da internet
".
Espero ter esclarecido a sua curiosidade, caro Lorenzo. E, para deixar mais completo o "relato" do informadíssimo amigo Pereira Francisco, quero mostrar a você e a todos os outros aficcionados a capa de uma  edição "made in Brasil" que atingiu uma marca realmente importante.
Trata-se do número 200 de Tex Coleção (corresponde ligeiramente ao nosso Tutto Tex), publicado em Setembro de 2003; junto a uma história clássica escrita por Gianluigi Bonelli e ilustrada por Giovanni Ticci, são apresentadas todas as capas da série, em 24 páginas coloridas.
Sergio Bonelli.

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24 de Novembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 14

Neste desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer com o seu fiel cavalo Dinamite a seu lado, surpreso defronte de uma enorme cruz de madeira, colocada pelos encapuzados Danitas junto ao abandonado povoado de Arrow Springs, onde se encontra pendurado pelos braços na cruz trágica, o cidadão Ted Sinner, já morto, devido a chicotadas recebidas.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #16 e inspirado na história, "La croce tragica" de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #22 e #23).
(Para aproveitar a extensão completa do poster clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco
Escrito por Autores do blogue em 01:16:20 | Link permanente | Comments (0) |

23 de Novembro de 2006

Jesús Blasco: O Mestre dos Mestres

É difícil determinar qual pode ser a imagem que o leitor médio de banda desenhada em Espanha, pode ter neste momento de um autor como Jesús Blasco. Se esta mesma pergunta fosse colocada há alguns anos, não havia dúvida alguma da resposta:  Blasco era reconhecido  como o Mestre dos Mestres. Duvidamos muito que esta seja a interpretação actual, sobretudo pela falta de memória histórica que sempre caracterizaram os nuestros hermanos. 

 

Jesús Blasco Monterde nasce em Barcelona em 1919 e falece nessa mesma cidade em 1995. Irmão mais velho dos também desenhadores Adriano, Alejandro e Pilar, Jesús começa a sua carreira no mundo da banda desenhada com apenas 15 anos na revista Mickey e já em 1935 cria Cuto, o seu personagem mais emblemático e todo um mito da banda desenhada espanhola dos anos pós-guerra. Pese o facto de ter sido criado em outra publicação, Cuto foi popularizado na revista Chicos, da qual se converteu em um autêntico estandarte. A série que beneficiava do elegante estilo do desenho do seu autor, foi um passo adiante na exploração dos quadradinhos de aventuras. Blasco consegue com o seu trabalho em séries de colecções como Tragedia en Oriente ou En los dominios de los Sioux construir uma série de narrativas que, por serem de uma temática de aventuras, não estavam destinadas somente a um público infantil ou juvenil.

 

Durante as décadas de 60 e 70 Blasco centra uma boa parte da sua produção nos mercados estrangeiros; assim a partir de 1964, para o mercado britânico realizará, com argumento de Tom Tully, a série Zarpa de Acero que se converte em outro dos seus trabalhos mais conhecidos. Uns anos mais tarde Jesús cria Los Guerrilleros, série com ambiente de western escrita em colaboração com Miguel Cusso, e com a qual se encerra, o que poderíamos chamar o triunvirato dos seus trabalhos mais célebres. Sem embargo, a sua imensa capacidade de trabalho, unida ao facto que muitas das suas obras foram realizadas em colaboração com os seus irmãos, fazer uma mera enumeração dos seus trabalhos seria uma tarefa árdua. Não é de estranhar que se possa encontrar a sua assinatura desde uma versão em banda desenhada da Bíblia realizada para o mercado francês, até ao número um do semanário britânico 2000AD – ilustrando a série Invasión – passando pelas diferentes revistas da Warren norte-americana; ou que em França o nomeassem Caballero de las Artes y de las Letras. 

 

A sua participação no relançamento de Capitán Trueno levado a cabo a partir de 1986 e o seu labor na série Tex, confirmam as duas grandes vertentes em que se dividiu o trabalho de Jesús Blasco nos seus últimos anos de carreira. Uma carreira em que demonstrou sempre ser um desenhador elegante, com um traço preciso com o pincel; um ilustrador aparentemente clássico, mas com uma narrativa e uma montagem eminentemente modernas que serviram de referência para os autores que se lhe seguiram em Tex. Inclusive um desenhador com uma trajectória tão extensa, como é o caso de José Ortiz mencionava no início do seu trabalho em Tex que um dos motivos porque havia aceite o convite era poder trabalhar na mesma personagem em que havia trabalhado o seu Mestre Jesús Blasco.

 

 

O episódio 307 de Tex, editado na Itália em Maio de 1986 traz a estreia de Blasco na série, tornando-se desse modo no primeiro de uma série de excelentes artificies que incrementaram a fila de desenhadores de Tex. A sua primeira história, Delitto al Morning Star, tal como as restantes, excepto a última, foi escrita por Claudio Nizzi e trata-se de uma história de intriga: um detective da Pinkerton, que está a trabalhar incógnito como jornalista é assassinado. O detective que se encontrava a investigar algo referente a um misterioso bando denominado como A Mão Vermelha, deixa uma nota para Tex, embora este não o conhecesse. Quem Tex conhece, é o mencionado bando, com quem no passado já tinha se confrontado; se bem que não sabe quem é a personagem que dirige o bando e que tem um interesse especial em liquidá-lo.

 

La Banda de Border, segunda aventura ilustrada por Blasco e publicada nos números 326 a 328, começa quando a Pinkerton se põe de novo em contacto com Tex e Carson para solicitar a ajuda de ambos. Nesta ocasião trata-se de desarticular um bando de ladrões de trens que pese o álibi de ex-combatentes sulistas fazendo algo de justo se mostram mais interessados nos proveitos económicos que em algum tipo de reivindicação política. Tanto esta história como a anterior são para Blasco o seu primeiro contacto com a série e servem sobretudo para ir fazendo uma rodagem para se identificar mais com os personagens e cenários. Assim será a partir da terceira história que começará a dar provas do seu grande talento. Fiamme sul Mississippi abarca as edições 351 a 353 e traz-nos de novo a Pinkerton pedindo auxílio a Carson e Tex. Em concreto trata-se de enfrentar um bando de piratas que se dedicam a assaltar barcos fluviais e que assina os seus golpes com uma carta com o desenho de uma caveira. Especialmente em destaque nesta história, são as diferentes imagens dos barcos, incluindo um em especial que o bando utiliza como base de operações, que Blasco desenha com uma singular elegância.

 

Rio Concho, quarta história de Blasco, aparece nas edições 369 a 371. O argumento gira em torno de uma investigação que Tex e Carson levam a cabo sobre uns estranhos ladrões de gado, que em vez de levarem as reses, fazem com que se despenhem por um barranco tentando não deixar pistas. De novo, Nizzi constrói um argumento em que os protagonistas devem dar cabo da cabeça para saberem o que está a acontecer, antes de poderem actuar para solucionar o caso. Os números 397 a 399 trazem o final da ligação Nizzi-Blasco: La citta della paura é uma história clássica de desafio do cowboy com o chefe local que tem atemorizado toda a população de uma cidade, depois de Carson e Tex receberem um pedido de ajuda de um xerife amigo que tenta manter a ordem na cidade de Topeka. A colaboração de Jesús Blasco em Tex conclui em meados de 1994 com Bande rivale, aventura publicada nos números 403 a 405, escrita por Michele Medda. A história apresenta a actuação de dois bandos distintos de delinquentes, em meio dos quais Carson e Tex se encontram quando por encargo da Pinkerton, de que Blasco já devia fazer parte por esta altura, tratam de resolver o sequestro de um jornalista, filho de um governador.

 

  

Se alguém perguntar o que trouxe Jesús Blasco a Tex, a melhor resposta, seria a elegância; ao menos é este o adjectivo escrito em maior número nestas linhas. É inegável que os seus desenhos já não eram tão dinâmicos e já lhe custava algum trabalho desenvolver as sequências de acção. Somente para poder desfrutar uma vez mais da mestria com o pincel de Jesús, vale a pena contemplar com atenção cada uma das suas páginas de Tex. A diferença da regra habitual dos desenhadores que fizeram a série no decorrer dos anos, que foi a de se incorporarem na série na primeira fase das suas carreiras de desenhadores, Blasco chegou quando já era um desenhador veterano e com um estilo já formado. E de facto, esse mesmo estilo era um dos mais distanciados dos modelos tradicionais que se deram à colecção, o que não o impediu que se soubesse adaptar ao modelo narrativo da série. Inclusive pode dizer-se que Blasco era um desenhador que casava bastante bem com o estilo de Nizzi: um argumentista de ritmo lento, que gosta de utilizar muitos tempos médios, com grandes sequências dialogadas. E é precisamente nessas sequências onde Blasco conseguia os seus melhores resultados, mediante uma profusa utilização de primeiros planos das personagens que sabia desenhar de maneira impecável.

                                              

Várias são as obras pelas quais os a ficcionados recordam sempre de Jesús Blasco, mas o seu trabalho em Tex constitui sem dúvida um testamento artístico à altura do que ele foi: um dos maiores desenhadores que a banda desenhada espanhola deu em toda a sua história.    

Texto de José Carlos Francisco, baseado no livro-catálogo "Tex Habla Español".

 

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22 de Novembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 13

 

Desenho de Claudio Villa onde vemos Tex Willer numa posição bastante incómoda, agarrado desesperadamente com uma mão a um arbusto ressequido numa parede rochosa, enquanto luta selvaticamente para se tentar livrar por todos os meios de um índio da seita dos Filhos do Sol, que agarrado a ele, o quer lançar rumo ao abismo para uma morte terrível.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #15 e inspirado na história, "Il mistero delle montagne Lucenti" de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Mario Uggeri (Tex italiano #21 e #22).
(Para aproveitar a extensão completa do poster clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco
Escrito por Autores do blogue em 01:59:27 | Link permanente | Comments (0) |

20 de Novembro de 2006

Tex Série Normal: Os Invencíveis

Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Raffaele Carlo Marcello e capa de Claudio Villa. Com o título original Gli Invincibili, a história foi publicada em Itália nos nº 438 a 440 e no Brasil pela Editora Globo e pela Mythos Editora nos nº 350 a 353. 

 

Um grupo de irlandeses, soldados sulistas durante a Guerra da Secessão, anda a realizar assaltos no Texas e no México. Antigos revolucionários do IRA (Exército Republicano Irlandês), praticam os assaltos com o objectivo de financiar a causa pela independência da Irlanda. Tex é chamado para descobrir o paradeiro deste grupo e tentar alcançar um acordo, tendo como objectivo o seu regresso aos EUA, reabilitando-os dos crimes que cometeram. O ranger conhece alguns dos irlandeses e vai tentar a via legal e pessoal para os convencer a regressar.

O que existe em comum entre o IRA, o Imperador Maximiliano de Áustria ou o Presidente Juarez do México? Uma louca e épica aventura texiana que junta os quatro pards por terras mexicanas. Boselli revive todos os mitos e elementos texianos, tal como Bonelli os soube sempre construir. Elementos históricos, um passado carregado de simbolismo, amizade, lealdade, espionagem, caça ao tesouro, acção, e um Tex como nós nos habituámos a gostar.

O elemento histórico está bem patente com o recurso à luta pela independência irlandesa como fio condutor de todo o argumento, uma espécie de leitmotiv agregador da trama, tendo como pano de fundo um México caracterizado pela luta pelo poder entre o Imperador Maximiliano e o Presidente Juarez.

Boselli revive ainda um certo passado de Tex, mergulhando o leitor em plena época onde o ranger actual não passava de um fora-da-lei que até teve necessidade de atravessar a fronteira com o México para não cair nas garras da justiça.

Depois, existe uma amizade latente entre Tex e alguns elementos do bando, nomeadamente com Hutch, que de certo modo vai permitir com que Tex acompanhe o grupo na caça ao tesouro, porque o ranger acredita poder convencer os irlandeses de que a melhor maneira de servir uma revolução e os seus ideais é estar do lado da lei. Boselli transmite aqui uma certa ideia de romantismo, um sentimento forte tão ao seu gosto. Porque esta ideia de romantismo é outro elemento sempre presente, não um romantismo de uma época bem precisa, não o romantismo de um grupo ou de homens que se julgam invencíveis, mas um romantismo de uma luta, de uma causa, de um ideal, de um acreditar algo, de um altruísmo. Boselli nunca é inocente ao longo do argumento, o autor escolhe sempre um caminho e não o renega perante o leitor,  transparecendo esta ideia no modo como construiu a personagem de Shane O’Donnel, alguém para quem o ideal revolucionário está sempre presente, existindo sempre causas pelas quais há que lutar.


Todas as personagens são fortes, têm o seu próprio carácter bem vincado e uma psicologia bem presente: Halloran é pragmático, Kelly é nostálgico, Hutch sofre por Dolores e vai mudando os seus sentimentos para com Tex, Shane tem tanto de fanático como de idealista ou generoso, é alguém muito seguro de si. As personagens são verdadeiras e plenas de sentimentos, como pátria, amor, amizade, ódio e vingança. E a servir tudo, Boselli constrói um ataque final ao forte de Carrasco pleno de uma literal e puríssima acção, tudo em crescendo dramático até que a pólvora se cale e a poeira assente.
Mais do que tratar de uma história de um grupo de invencíveis, Boselli demonstra simplesmente que os ideais é que são invencíveis e que a tudo se sobrepõem.   Marcello denota uma certa característica épica bem presente no seu  traço, um senso do movimento onde transpira poeira, sangue, suor e porque não também lágrimas. Os seu planos nunca são estanques e o seu traço, sem o detalhe de artistas como Villa ou Civitelli, atinge uma dimensão própria, um envolvimento natural com o leitor, convidando-o a permanecer sempre presente e atento na leitura. Marcello desenhou eventualmente algumas das melhores histórias texianas, mas a verdade é que o seu traço também contribuiu para deixar no leitor um sentimento de velho oeste, de um oeste carregado de simbolismos, de um oeste, afinal,  invencível no nosso imaginário.  
Escrito por Autores do blogue em 18:01:41 | Link permanente | Comments (2) |

18 de Novembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 12

Neste desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex carregando decidamente às costas, no meio de um pavoroso incêndio ocorrido no hotel El  Dorado, o desmaiado Tenente Oklei do serviço de informações do exército confederado, ferido devido a uma bala que perfurou o seu pulmão direito, para desse modo levá-lo até um médico e assim salvar a vida do Tenente, uma vez que o hotel estava completamente cercado por Rackam e seus comparsas e debaixo de cerrado tiroteio.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #14 e inspirado na história, "Pista di morte" de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Francesco Gamba (Tex italiano #20 e #21).
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Texto de José Carlos Francisco
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16 de Novembro de 2006

Póster Tex Nuova Ristampa 11

 
Desenho da autoria de Claudio Villa, em que se vê surgir por uma porta, Carol Horton, fingindo ser um fantasma, numa dramática sequência de Bonelli e Galep, perante Tex e Kit Willer, para desse modo poder desmascarar o mexicano Pablo Valverde, irmão da pérfida Rosita Valverde, que tinha tentado assassiná-la, atirando-a para o poço de uma mina. 
 
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #13 e inspirado na história, "Impronte misteriose" de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #19 e #20).
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Texto de José Carlos Francisco
Escrito por Autores do blogue em 00:31:59 | Link permanente | Comments (0) |

14 de Novembro de 2006

A LONGA CAVALGADA DE TEX, o ranger sem fronteiras

A PERSONAGEM

Tex é uma personagem de Banda Desenhada, criada em 1948, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini na Itália, sendo hoje em dia uma das personagens de western, com maior longevidade na história da Banda Desenhada a nível mundial, sendo editado em diversos países do mundo, inclusive no nosso país, onde teve uma edição especial totalmente produzida em Portugal, que circulou junto ao jornal Correio da Manhã, no domingo 14 de Agosto de 2005, integrado na colecção da Série Ouro, Os Clássicos da Banda Desenhada.
Tex nasce por vontade de uma jovem empreendedora, a senhora Tea Bonelli (1911-1999), que no imediato pós-guerra havia herdado do ex-marido Gianluigi Bonelli a propriedade da pequena editora Audace. Em 1948, ao pretender modificar a sua linha editorial, criando novas séries e parando com as meras reimpressões de histórias antigas, que já haviam esgotado o seu público, chama a Milão o desenhador Aurelio Galleppini e convidou-o para desenhar um novo herói que fizesse par com o velho Furio, personagem de ponta, até aquele momento, do título "L'Audace" e confia os textos ao seu ex-marido, G.L. Bonelli, notável argumentista. Juntos, ambos criam Tex, um western como muitos que se faziam naqueles tempos, mas que estava fadado ao sucesso.

Inicialmente o nome escolhido foi Tex Killer, porém, o nome Killer, que em inglês significa assassino, não agradava à senhora Tea Bonelli, que decide, então, substituir o K por um W. Já graficamente, Tex quanto ao rosto, era uma mescla de Gary Cooper e do próprio Galleppini.
E foi no dia 30 de Setembro de 1948 que surgiu a primeira história de Tex. Chamava-se "Il Totem Misterioso" e já no primeiro quadradinho vemo-lo decidido, pistola em punho: "Por todos os diabos, será que ainda estão nas minhas costas?". Começava assim a saga de um dos mais famosos cowboys da Banda Desenhada.
No começo, as histórias eram publicadas no formato de tiras com o máximo de 3 quadradinhos. Cada semana saía nos jornais italianos uma tira, obrigando os leitores a comprar a próxima edição para chegar ao fim da aventura, o que acontecia após 32 páginas, ou 96 tiras. Essa estratégia culminou num sucesso incrível na Itália e o que inicialmente era para ser apenas mais uma personagem entre tantas outras que apareciam naquela época, o ranger fez tanto sucesso que e editora decidiu pela publicação de uma revista. As tiras foram todas compiladas, sendo que em cada página da revista havia no máximo 3 tiras, como nos dias de hoje. Apesar de o público em geral poder considerar as histórias pouco apelativas devido ao facto do seu grafismo ser a preto e branco, os admiradores das aventuras de Tex salientam a riqueza de informações, referências e verosimilhança histórica.

Além de muita acção em todas histórias, com chumbo grosso a voar por todos os lados, o que torna a leitura interessante é o conhecimento que as histórias trazem. O leitor fica inteirado da cultura dos índios, da vida dos pioneiros, de episódios marcantes e reais na história dos Estados Unidos da América, dos hábitos da época... Detalhes mínimos foram pesquisados antes de se tornarem texto e desenhos, para que o leitor tivesse a noção exacta do ambiente em que se passavam as aventuras. Tex pretendia aliar cultura e diversão e isso pode justificar o seu sucesso em muitos países do mundo.

 A HISTÓRIA

Outro factor decisivo para o sucesso é o bom humor, quase sempre presente nas histórias. A comédia acontece principalmente quando Kit Carson, o parceiro de Tex, começa com a sua onda de pessimismo e reclamações, mas não há dúvida que o principal motivo que faz de Tex um sucesso é a acção constante das aventuras e o seu senso de justiça. Tex é um atirador preciso tanto com a espingarda como com a pistola e não nega ajuda a quem quer que seja para combater injustiças. Também é um óptimo cavaleiro e sabe usar muito bem a faca e o laço. Além disso, Tex também é um lutador exímio em diversas modalidades.
Tex fascina logo no primeiro contacto por ser uma personagem com carácter humanitário que, embora vivendo num ambiente hostil e selvagem, sempre luta para fazer triunfar a justiça.

Diferente dos heróis da época, Tex é um homem duro. Sem hesitações, julgando as pessoas com um único olhar, não é uma personagem destinada às crianças, mas a um público mais maduro. A linguagem de Tex é também bastante dura e violenta e mostra-nos um Tex mais “vil” que o dos dias de hoje. Na realidade, Tex é um justiceiro decidido, capaz de agir fora da lei se a situação assim o exigir.

Tex é um Ranger do Texas, é o representante da lei em qualquer lugar do Estado por onde passa. Além disso é o chefe dos Navajos com o nome de Águia da Noite, bem como seu agente indígena. Enfim, um homem temido e respeitado, no Oeste tido como uma lenda e que é também um defensor dos injustiçados, quer sejam eles índios ou brancos.

Apesar de no primeiro número da versão original G.L. Bonelli fazer referência a 1898, e poucas edições depois falar da Guerra de Secessão (1860/1865), prova que na verdade, no início a documentação era praticamente inexistente e o autor escrevia sem muito rigor. Assim, relegando os primeiros álbuns que não são confiáveis para a cronologia de Tex, podemos datar as aventuras de Tex quando jovem por volta de 1860, pois é nesse período que o vemos no rodeio e durante a Guerra Civil Americana. Já o Tex quarentão e com o filho Kit Willer, bem como com Kit Carson de cabelos brancos, remonta ao período de 1880-1890 e tem o seu principal campo de actuação, o sudoeste americano, com os seus desertos ardentes e pequenos povoados de homens brancos.

Entretanto, nestes mais de 50 anos de vida editorial, devido à sua bravura e perícia, Tex por vezes é requisitado pelo comando dos Rangers a actuar em missões delicadas e especiais mesmo em outros estados americanos, casos de cidades como São Francisco, New Orleans, Washington, ou mesmo fora dos limites territoriais dos EUA, percorrendo vários países e um sem número de povoados espalhados desde as terras geladas do Canadá e do Alasca até aos territórios mexicanos ou em casos extremos, na América do Sul e até mesmo na Oceânia, atrás de índios, traficantes, militares, políticos influentes, assaltantes e até mesmo mágicos, feiticeiros poderosos e extraterrestres, sempre com o western como pano de fundo nas mais diversas missões, desde contrabandos de armas, assaltos a trens ou bancos, roubo de manadas inteiras, xerifes abusando da sua posição para explorar o povo são apenas casos mais comuns, dentre tantos que Tex tem que enfrentar.
Para isso, ele conta com a ajuda de seus pards (parceiros): Kit Carson, Kit Willer e o índio navajo Jack Tigre.

OS PARCEIROS

Tex, a personagem principal, entre os índios conhecido como Águia da Noite; Kit Carson, o Ranger resmungão conhecido como Cabelos de Prata; Jack Tigre, o índio navajo que conhece todos os truques e tácticas indígenas; e Kit Willer, o jovem filho de Tex conhecido como Pequeno Falcão.

Na maioria das aventuras o companheiro inseparável é mesmo o Ranger Kit Carson, que já salvou a vida de Tex inúmeras vezes, sendo também salvo por este em outras tantas. Pequeno Falcão e Jack Tigre são os pards que mais tempo ficam na aldeia navajo, cuidando dos interesses da reserva e zelando pela paz entre os indígenas e os homens brancos, mas não raramente são chamados por Tex para ajudar a resolver os casos mais árduos.


Numa série tão longa, Tex fez no decurso das aventuras, grandes amizades nas mais diversas cidades americanas ou mesmo em outros países. Em São Francisco, o chefe da polícia Tom Devlin. Aqui e ali o desajeitado gigante Pat Mac Ryan, sempre em situações complicadas. Entre os Apaches, o irmão de sangue Cochise, chefe de todas as tribos apaches. E muitos outros, como o xerife de New Orleans, Nat Mac Kenneth, ou ainda Mac Parland, da Pinkerton.

No México, Montales, sempre envolvido nos cíclicos golpes de estado locais, e El Morisco, também conhecido como Bruxo Mouro, curandeiro, cientista e dedicado à "magia branca" nas horas vagas. No Canadá, Jim Brandon, oficial da Polícia Montada, e Gros Jean, trapper jovial e irascível, envolvido em mil problemas. Já em relação aos seus inimigos, Mefisto e o seu filho Yama, mestres da magia, foram os que mais fizeram Tex suar para conseguir derrotá-los. Podemos citar também: o diabólico Proteus, o bandido transformista capaz de se disfarçar de qualquer pessoa; a bruxa Zhenda, ex-squaw de Flecha Vermelha; Paul Balder, denominado "El Carnicero", o coleccionador de escalpes; o genial cientista denominado O Mestre, o malaio Tigre Negro... E ainda há aqueles que se destacaram de modo particular, mesmo aparecendo numa única aventura, entre eles: o homem de quatro dedos, o apache Lucero, ou o mestiço Ruby Scott, o único que conseguiu vencer Tex num duelo. Deve-se dizer, porém, que Ruby utilizava um coldre especial que lhe permitia usar o colt sem sacar, fazendo o próprio coldre girar sobre um pino central.

AUTORES

Tex como foi dito anteriormente, foi criado pelo escritor Giovanni Luigi Bonelli e pelo desenhador Aurelio Galleppini, também conhecido como Galep.

Giovani Luigi Bonelli nasceu em Milão em 22 de Dezembro de 1908. Começou a escrever profissionalmente na década de de 30, para o Corriere Dei Piccoli. Faleceu em 12 de Janeiro de 2001.

Aurelio Gallepini nasceu em 28 de Agosto de 1917, em Casal di Pari, tendo falecido em 10 de Março de 1994, tendo feito mais de 18000 pranchas e todas as capas de Tex até o número 400.

Com o sucesso da personagem e com o passar dos anos, vários artistas foram se unindo aos dois pioneiros. Os primeiros desenhadores foram Francesco Gamba, Mario Uggeri, Guido Zamperoni e Lino Jeva. Mais tarde, com o aumento da produção passaram a integrar a equipa de desenhadores do staff, Virgilio Muzzi, Guglielmo Letteri, Giovanni Ticci, Erio Nicoló, Fernando Fusco, Vitor de la Fuente, Jesus Blasco, José Ortiz, Carlo Raffaele Marcello, Vincenzo Monti, Fabio Civitelli, Alberto Giolitti, Claudio Villa, Raffaele Della Monica, Aldo Capitanio, Alfonso Font, entre outros. Sem contar os convidados para fazer as edições especiais gigantes, alguns dos grandes nomes mundiais da nona arte, casos de Joe Kubert, Colin Wilson, Jordi Bernet, Guido Buzzelli. Magnus, Ivo Milazzo e Manfred Sommer, só para dar alguns exemplos.

A equipa de escritores também teve que ser aumentada. Mauro Boselli, Guido Nollita (Sergio Bonelli), Decio Canzio, Antonio Segura, Michele Medda, Gianfranco Manfredi, Giancarlo Berardi, foram dos que escreveram também histórias de Tex no decurso destes mais de 50 anos, coabitando com outro grande argumentista, Claudio Nizzi que é considerado o "herdeiro" de G. L. Bonelli. Nascido em 1938 em Setif, na Argélia, começou a escrever Tex em 1981 e ainda hoje é o principal escritor de Tex.

EM PORTUGAL

A longa cavalgada de Tex, o ranger sem fronteiras, à volta do mundo continua e no passado mês de Agosto, Tex "nasceu" em mais um país! Após mais de 30 anos sendo distribuído em Portugal com o selo de editoras do Brasil, pela primeira vez na história, uma edição de Tex foi editada em Portugal.

De facto, Tex algo incompreensivelmente nunca tinha sido publicado por uma editora portuguesa, apesar de Tex já ser conhecido neste pequeno país há beira-mar plantado, há mais de três décadas.
Isto porque ainda que pequeno em relação ao italiano, ou ao brasileiro (em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é justamente Tex Willer), o mercado português de Banda Desenhada é constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que esperar que seus Tex's venham do outro lado do Oceano, mais precisamente do Brasil isto porque Tex apareceu pela primeira vez em Portugal no final de 1971, editado pela Editora Vecchi, do Brasil. Tratava-se do número 1, com formato idêntico ao italiano e trazia o preço de capa de 10$00. Esse formato foi alterado pela editora em 1974, a partir do número 38, diminuindo as medidas para 13,5 x 17,5, formato que ainda se mantém hoje.

Actualmente, depois de ter sido editado no Brasil, também durante alguns anos, pela Rio Gráfica Editora e pela Editora Globo, Tex é editado pela editora da fogueirinha, a Mythos Editora que promoveu o regresso de Tex a Portugal, após quase 3 anos de ausência nas bancas portuguesas e que acumula uma série de feitos, junto dos coleccionadores portugueses, enviando para cá um festival de edições especiais e novas séries como: Tex Gigante, Almanaque Tex, Tex Anual, Tex Ouro, Tex Férias e Mini-Séries, num padrão que nenhuma editora anterior tinha conseguido dar no passado, a que correspondem boas vendas, sinal de que Tex continua a seduzir e encantar os leitores da terra que viu nascer o grande poeta Luís Vaz de Camões, criador da imortal obra "Os Lusíadas"!

Mas voltando à trajectória de Tex no nosso país, a vida dos coleccionadores portugueses sempre foi muito difícil, pois continuamente estiveram dependentes da vontade das editoras brasileiras, além de que as revistas chegavam a Portugal sempre com seis a nove meses de atraso e algumas delas em mau estado de conservação, devido a serem sobras recolhidas das edições postas à venda no Brasil. Mas o pior é que algumas vezes as editoras brasileiras "esqueciam-se" de enviar alguns números para Portugal e os leitores lusos ficavam privados de algumas histórias.

Este foi sempre um problema grave que sucedeu algumas vezes durante a trajectória de Tex em Portugal (e com todas as editoras brasileiras), tratando os leitores portugueses de uma forma que eles não mereciam, já que sempre se mantiveram fieis à compra das edições. Para piorar a situação, tanto a editora Vecchi, como a Rio Gráfica/Globo nunca atendiam o pedidos dos coleccionadores lusos de enviar pelo correio as revistas que não vinham para Portugal, ao contrário da Mythos Editora que, nesse aspecto, foi muito benévola e profissional, compreendendo os anseios dos fãs portugueses. Apesar de todos estes obstáculos, graças ao empenho, persistência, dedicação e paixão, existem coleccionadores em Portugal com toda a colecção brasileira de Tex e inclusive alguns com a colecção italiana!
Actualmente, os leitores portugueses amantes da boa Banda Desenhada italiana, sobretudo, os "Texianos" estão imensamente satisfeitos e felizes por ter tanta e tão boa Banda Desenhada da Sérgio Bonelli Editore entre nós e o recente Tex português, foi a cereja no topo do bolo…

Copyright: © 2005, BDJornal n.7; José Carlos Francisco
Novembro de 2005


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